Vírus da zika se espalha mais pelo corpo que o da dengue? Estudo diz que sim


Zika ‘pega carona’ em células do sistema imune, enquanto o vírus da dengue é engolido e imobilizado por essas estruturas, diz pesquisa publicada nesta quinta-feira (5) na ‘Cell Reports’

Por G1

Pesquisadores da Universidade Estadual da Florida, nos Estados Unidos, demonstraram em estudo experimental que o vírus da zika é muito mais eficaz em se espalhar pelo corpo e, para isso, usa as células do próprio sistema imunológico. Enquanto os outros vírus “ficam pelo caminho”, o zika consegue ir além, dizem os cientistas.

O estudo foi publicado nesta quinta-feira (5) na “Cell Reports” e teve como autores Hengli Tang, professor da Universidade Estadual da Florida e Jianse lang, pesquisador de pós-doutorado.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores compararam o vírus da dengue com o vírus da zika em uma série de testes.

Eles explicam, em nota, que ambos os vírus são muito semelhantes em sua superfície, mas a característica do zika de chegar a mais locais no organismo os levaram a fazer a seguinte pergunta:

– Há algo específico no vírus da zika que faz com que ele se dissemine pelo organismo melhor que o da dengue?
Sim, responderam os cientistas. E isso tem a ver com um típo de célula imune conhecida como “macrófago”. O zika, em vez de ser atingido por essa célula, pega “carona” no macrófago, flutua pela corrente sanguínea e chega a outras partes do corpo.

Dengue vs. zika
Macrófagos são células do sistema imunológico que “engolem” qualquer tipo de substância estranha: micróbios, bactérias e até células do câncer. Eles flutuam pela corrente sanguínea e, quando um vírus invade o corpo, os macrófagos vão até lá para combatê-lo.

Em testes realizados pelos cientistas, foi exatamente isso que o macrófago fez com o vírus da dengue. Ao entrar na corrente sanguínea, o macrófago engoliu o vírus. Não é o que aconteceu como zika.

Pesquisadores observaram essa relação em testes em laboratório. Primeiro, eles extraíram macrófagos de células-tronco. Depois colocaram essas estruturas em contato com o vírus da dengue e o vírus da zika.

Em contato com o vírus da dengue, o macrófago perdeu sua capacidade de se mover pela corrente sanguínea. Já no zika, os macrófogos continuaram a flutar pelo sangue.

Para Tang, o vírus da zika está impedindo que os macrófagos realizem seus deveres no combate às doenças. Os cientistas se perguntam agora se o vírus da zika se utiliza dessas mesmas estruturas para atravessar a barreira da placenta e do cérebro — o que poderia, em parte, explicar a capacidade do zika de provocar anomalias em fetos.

Foto: Yockey et al., Science Immunology (2018)

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