30 de abril de 2015 - Anadem

Médicos formados no exterior poderão ter que fazer prova para trabalhar no Brasil

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado aprovou nesta quinta-feira (30) projeto que obriga os médicos formados em universidades estrangeiras a passarem pelo Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos. A prova tem o propósito de avaliar se esses profissionais de medicina têm os mesmos conhecimentos, habilidades e competências exigidas dos médicos graduados no Brasil.

A relatora do PLS 138/2012, senadora Ana Amélia (PP-RS) esclareceu que o Exame de Revalidação de Diplomas, conhecido como “Revalida”, foi instituído por uma portaria dos ministérios da Educação e da Saúde (nº 278, 17/3/2011). No entanto, segundo Ana Amélia, é importante que essa norma seja prevista em lei.

– Nós estamos criando um marco legal. Já existe uma iniciativa ministerial, mas é uma questão que está abaixo da lei. O que o projeto apresentado pelo ex-senador Paulo Davim faz é ampliar os cuidados em relação aos médicos estrangeiros, explicou Ana Amélia.

O PLS 138/2012 vai ser avaliado agora na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). De acordo com informações do Ministério da Saúde, o programa Mais Médicos conta hoje com 1.846 profissionais brasileiros e 12.616 estrangeiros, dos quais 11.429 cubanos.

Fonte: http://www12.senado.leg.br/
Foto: paperfreeweb, via Flickr

Mulher aponta negligência médica após morte do marido em Uberaba

Antes ele passou por hospital e UPA; homem morreu nesta quarta-feira (30). Hospital Universitário e UPA São Benedito se posicionaram.

Um homem de 43 anos morreu após ser atendido por unidades de saúde em Uberaba e liberado mesmo com crises convulsivas. O óbito ocorreu nesta quarta-feira (29) e, segundo a esposa Emilene Oliveira, houve negligência por parte do Hospital Universitário e Unidade de Pronto Atendimento (UPA) São Benedito. O corpo foi encaminhado para análise no serviço de verificação de óbito do Instituto Médico Legal (IML).

Segundo a Pró-Saúde, gestora das UPAs em Uberaba, o homem deixou a unidade consciente, caminhando e acompanhado por familiares.

O médico e diretor técnico do Hospital Universitário, Galvani Salgado Agreli, afirmou que o paciente deu entrada no pronto-socorro na madrugada de terça feira (28) e permaneceu internado por cerca de 12 horas. Ele teve quadro de vômito, diarreia e febre, mas os exames feitos pelo hospital foram inconclusivos. Após medicação para tratar os sintomas, ele foi liberado. Ainda segundo o diretor, foi adotado procedimento padrão, comum para casos do tipo.

Segundo Emilene Oliveira, o esposo se sentiu mal pela primeira vez na noite de domingo (26) e, após perguntas sobre o paciente, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) afirmou que não tinha ambulância disponível. O transporte do paciente para o Hospital Universitário foi feito pelo Corpo de Bombeiros.

No hospital, uma profissional liberou o paciente, mas se negou a assinar documento comprovando que ele estaria apto a receber alta. “Eu pedi para a médica assinar um termo afirmando que ele teria condição de receber alta, mas ela se negou e eu disse que chamaria a polícia, pois ela estaria abandonando um incapaz. Infelizmente, não registrei Boletim de Ocorrência, pois ele estava muito mal”, contou.

Após o primeiro atendimento, o paciente teve outra convulsão na manhã seguinte e foi encaminhado pelo Corpo de Bombeiros para a UPA São Benedito. Emilene relatou que na unidade ele teria qie fazer inalação no período da manhã, mas ficou por cerca de duas horas sem o líquido para evaporar. “Na hora que dei entrada, ouvi profissionais dizendo que não tinha oxigênio na rede”.

A esposa afirma ainda que pediu para que o marido não recebesse alta da UPA, mas não foi atendida. “Pedi o SUS Fácil, fiz tudo e levei as documentações para o hospital, mas a UPA não transferiu ele. O médico alegou que ele deveria ir para casa, mas eu pedi que não mandassem a gente embora”, relatou Emilene.

Após a liberação, de acordo com a esposa, o marido andou até à esquina, onde teve outra crise convulsiva e não resistiu. “A perda é minha e da minha filha, não é deles”, lamentou.

Posicionamento
A Pró-Saúde, que administra a UPA São Benedito, informou por meio de nota que o paciente deu entrada na unidade na terça-feira, foi atendido imediatamente e avaliado por médico plantonista, passou por vários exames, sendo medicado e encaminhado para sala de observação.

Na quarta-feira o paciente foi reavaliado pela equipe médica, apresentando quadro estável e sem crise convulsiva, tendo recebido alta médica pela manhã.

Depois disso ele deixou a unidade consciente, caminhando e acompanhado por familiares. Ainda de acordo com a pró-saúde, o paciente retornou à unidade 20 minutos depois, apresentando mal súbito, sendo levado imediatamente à sala de emergência, com quadro de falta de ar intensa.

Ele foi entubado, foram realizadas manobras de reanimação cardíaca por meia hora, mas ele não resistiu. Quanto à denúncia de falta de oxigênio feita pela mulher da vítima, a pró-saúde informou ainda que na unidade não falta oxigênio para tratamento dos pacientes.

Fonte: http://g1.globo.com/
Foto: http://www.uberaba.mg.gov.br/

Esposa de vítima de erro médico será indenizada no MS

Município de Campo Grande terá que pagar R$ 572 mil por falhar no atendimento.

A esposa de jovem que morreu após erro médico será indenizada em R$ 572.941,36 pelo município de Campo Grande. Leonardo Santana de Brito morreu no dia 15 de janeiro de 2010, no UPA Vila Almeida. A decisão da Justiça veio após ser constatado que houve erro médico.

Segundo Laís Bordado, de 26 anos, houve descaso por parte dos profissionais da unidade de saúde. Confira o caso relatado pela esposa da vítima passo a passo abaixo.

“Leonardo passou mal no último dia 13 por volta das 10h. Ele estava com dores no corpo nos olhos e com febre alta de 39,5 C°, quando procurou o UPA Vila Almeida. A médica de plantão o examinou e o medicou com dipirona, paracetamol e solicitou um hemograma completo junto com exame de sangue e urina. Em seguida, a médica teria informado que ele estava com suspeita de dengue e pediu para que ele retornasse no dia seguinte.

Já no dia 14 de janeiro, ambos retornaram ao Vila Almeida, onde Leonardo foi atendido pela mesma médica, que teria dito que os exames dele estavam normais e que ele continuasse com os mesmos medicamentos e que retornasse no dia seguinte.

No dia em que faleceu, 15 de janeiro, Leonardo foi cedo até o posto de saúde do Conjunto José Pereira, onde a consulta teria ficado marcado para às 13h. Com isso, ele retornou para casa. Porém, como estava passando mal, Leonardo resolveu não esperar até às 13h e decidiu ir até o UPA. Chegando lá, teria sido atendido por uma técnica de enfermagem e posteriormente foi levado para o repouso.

Ainda segundo Laís, o médico o atendeu por volta das 12h. Leonardo se queixou de muita dor no peito e falta de ar. O médico teria o examinado e lhe disse que o seu pulmão estava limpo, que iria passar uma medicação e posteriormente fazer o raio-X.

Após ser medicado, Leonardo continuou a piorar, suava excessivamente, vomitava, tossia muito e que sua falta de ar continuava. Por volta das 12h45min Laís disse que ele se sentou e gritou por socorro. “Ele disse socorro, pelo amor de Deus”.

No momento uma enfermeira foi até local, depois até o setor de emergência para chamar um médico de plantão, mas ele não veio. “Ele já estava com as unhas e o rosto roxo”, conta Laís. Auxiliado por sua esposa, Leonardo teria ido até a emergência às 13h, quando o médico o examinou e passou inalação medicamentos.

Após isso, o médico teria informado que Leonardo estava com um edema pulmonar e que ele precisava ser transferido para um hospital imediatamente. “O médico olhou o resultado dos dias treze e quatorze e solicitou uma vaga na central através de seu próprio celular, retornou e disse que não havia vaga. Eu perguntei se ia demorar muito, ele disse que poderia demorar de 10 minutos a 6 horas e que dependia da central”, disse Laís.

Brito não resistiu e morreu no posto de saúde do Vila Almeida.”

Pedro Heiderich

Fonte: http://midiamax.com.br/
Foto: Alexanderps, via Wikimedia Commons

Impressora 3D cura crianças com doenças respiratórias

Em um novo marco na impressão em 3D, médicos americanos foram capazes de salvar a vida de três crianças que sofrem de uma doença respiratória fatal, graças à produção de implantes personalizados que foram absorvidos por seus corpos.

Três bebês que estavam à beira da morte por uma traqueobroncomalácia, um transtorno incurável que provoca o colapso da traqueia, tiveram talas aplicadas que lhes permitiram recuperar e respirar normalmente – segundo o estudo publicado nesta quarta-feira na revista Science Translational Medicine.

Embora a técnica ainda não tenha sido aprovada pelos reguladores federais nos Estados Unidos, esses dispositivos personalizados, criados por uma impressora 3D, receberam uma exceção médica de emergência para estes casos particulares e ainda são considerados de alto risco.

Kaiba Gionfriddo, o primeiro que recebeu o tratamento, tinha três meses de idade quando passou pela cirurgia. Agora, ele é uma criança saudável de três anos que vai à pré-escola, disseram os pesquisadores.

As outras duas crianças tinham cinco e 16 meses quando foram submetidas à operação. Eles passam bem e não sofreram complicações.

“Esta é a primeira cura para a doença”, afirmou o principal autor do estudo, Glenn Green, professor de otorrinolaringologia pediátrica do Hospital Infantil C.S. Mott da Universidade de Michigan.

Cerca de uma em cada 2.000 crianças nasce com traqueobroncomalácia em todo o mundo, explicou Green. Uma vez que não conseguem exalar completamente, a traqueia das crianças fica propensa a entrar em colapso e o único tratamento é a sedação e cuidados intensivos. No entanto, existem complicações e as infecções são frequentes.

Green descreveu a expectativa de vida desses pequenos como “sombria”.

Os pesquisadores usaram tomografia computadorizada das vias respiratórias das crianças para criar um implante personalizado feito com biomateriais concebidos para expandir à medida que elas crescerem.

“As talas impressas eram tubos ocos e porosos que puderam ser costurados nas vias aéreas afetadas e eram feitas de policaprolactona, um polímero que se dissolve no corpo sem causar danos”, informou o estudo.

O processo de desenhar e imprimir o implante levou entre 1 e 3 dias.

A tecnologia poderia eventualmente tornar mais fácil tratar doenças raras que têm sido negligenciadas pelas empresas de equipamentos médicos por causa do alto investimento envolvido, disse o co-autor Scott Hollister.

Um teste clínico feito em 30 crianças deve ser realizado em breve. No campo da tecnologia 3D para a saúde, já são fabricados aparelhos auditivos, implantes dentários e algumas próteses.

Fonte: http://exame.abril.com.br/
Foto: fdecomite, via Flickr

CRM-PA realiza interdição ética de postos de Saúde da Família em Belém

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará determinou e aplicou a interdição ética nos Postos de Saúde da Família do ParacuriI e II, em Icoaraci.

A medida foi aplicada na quinta-feira (23) e ocorreu devido a sérios problemas que comprometem a saúde da população e o desempenho ético-profissional dos médicos, que lá prestam atendimento.

Segundo a conselheira Tereza Cristina Azevedo, “O PSF do Paracuri I e II não tem as mínimas condições para atender os pacientes, nem oferece a estrutura mínima de trabalho para os médicos”.

Na fiscalização realizada, em fevereiro/2015, no Paracuri I, e em março/2015, no Paracuri II, os Conselheiros observaram paredes infiltradas e sujas, presença de esgoto a céu aberto ao lado da cozinha, lixo contaminado guardado em uma dependência próximo à copa, entulhos no fundo da unidade, falta de extintores de incêndio, consultório médico sem privacidade e falta de alguns medicamentos na farmácia.

O relatório da fiscalização foi enviado em março/2015 ao Secretário de Saúde de Belém para que em 15 dias as providências fossem tomadas. O documento foi enviado ainda para o Ministério Público Estadual, SESPA, Vigilância Sanitária, Corpo de Bombeiros e para o Conselho Federal de Medicina.

Ainda de acordo com os Conselheiros Antonio Jorge Ferreira da Silva
e Tereza Cristina Azevedo, os PSF’s do Paracuri I e II, funcionavam no mesmo local, e apresentavam graves problemas de infraestrutura, higiene e acessibilidade.

“A população não pode ser atendida nesse local, nem os profissionais médicos podem continuar trabalhando nessas condições”, enfatizou o presidente do CRM-PA, Antonio Jorge Ferreira da Silva, que participou da fiscalização e da interdição.

A interdição ética é uma suspensão da atividade profissional médica, de caráter provisório ou definitivo, a ser utilizada excepcionalmente para proteger a boa prática médica e o direito à saúde do cidadão.

O presidente do CRM-PA, Antonio Jorge, explica que a interdição ética não significa fechamento da unidade. “Na interdição ética, os médicos ficam impedidos de dar expediente no local até que a Secretaria de Saúde de Belém proporcione condições mínimas, para que os médicos possam dar um atendimento de saúde digno e seguro à população”, afirmou.

A interdição durará 60 dias, porém, caso os problemas sejam sanados antes desse período, os responsáveis pela unidade de saúde devem solicitar a desinterdição ao CRM.

Fonte: http://www.cremepa.org.br/
Foto: Nando cunha, via Wikimedia Commons