CRM vê irregularidades e indica interdição ética de hospitais do sul do PI
Caso a plenária do Conselho aprove o indicativo de interdição ética, médico nenhum poderá trabalhar no setor interditado, sob pena de responder processo ético profissional.
O Conselho Regional de Medicina do Piauí está realizando uma série de vistorias em hospitais e outras unidades de saúde localizadas na região de Picos, no sul do Estado.
De quarta-feira até o sábado (9), aproximadamente 15 cidades serão visitadas pela equipe de médicos, integrada pelo presidente do CRM-PI, Emmanuel Fontes, pelo coordenador do Departamento de Fiscalização do Conselho, Paulo Matheus Nunes, e pelo presidente da Associação Piauiense de Medicina (Aspimed), Elisiário Cardoso.
De acordo com CRM, a situação encontrada na maioria dos municípios revela o caos em que se encontra a saúde no interior do Estado.
O órgão está realizando vistorias tanto em unidades de saúde municipais quanto estaduais.
Emmanuel Fontes afirma que praticamente nenhum hospital visitado até o momento possui estrutura suficiente para possibilitar a realização de procedimentos de urgência com o mínimo de segurança para o paciente.
Os médicos observaram que nenhuma das cidades visitadas conta com os equipamentos mínimos para salvar um paciente em situação de emergência, o que inclui os equipamentos de ressuscitação cardiopulmonar, material de laboratório e, farmácia. “Nem o SAMU tem ambulâncias com este suporte para transportar pacientes graves entre as unidades de saúde”, destacou.
Para Emmanuel Fontes, a situação mais grave foi observada no município de Santo Antônio de Lisboa. “Essa unidade foi classificada como hospital, mas, na realidade, ela não tem estrutura para funcionar sequer como unidade mista de saúde”, destaca o presidente do CRM-PI.
Os conselheiros relatam que as internações não podem ocorrer em boa parte dos hospitais visitados, pois falta o acompanhamento do profissional médico, além de materiais e equipamentos básicos.
“Na maioria das unidades de saúde, há o indicativo de interdição ética pelo CRM-PI, devido à falta de material para os médicos trabalharem no setor de urgência. Caso a plenária do Conselho aprove o indicativo de interdição ética, médico nenhum poderá trabalhar no setor interditado, sob pena de responder processo ético profissional”, alerta o Conselho Regional.
Até esta quinta-feira, os médicos realizaram vistorias nas cidades de Bocaina, Sussuapara, São João da Canabrava, São Luís do Piauí, Santo Antônio de Lisboa, Alegrete, Francisco Santos e Monsenhor Hipólito.
Nos hospitais e unidades de saúde os médicos encontraram cadeiras e macas quebradas, móveis enferrujados nas salas que seriam para atender urgências, materiais de uso hospitalar sucateados e aparelhos novos ainda encaixados, sem nenhum uso.
Outro lado – Em entrevista a O DIA, o secretário de Saúde, Francisco Costa, informou que ainda não havia sido oficialmente informado sobre a denúncia do CRM.
Ele disse também que o Conselho precisa listar quais unidades estaduais apresentaram irregularidades, e detalhar quais seriam esse problemas, para que a secretaria possa tomar as providências necessárias.
O gestor afirmou, ainda, que até esta sexta-feira (8) a Sesapi vai se posicionar a respeito.
Fonte: http://www.portalodia.com/
Foto: Kevin Dooley, via Flickr
Garota de 12 anos que morreu após ser liberada duas vezes de UPA estava com dengue, aponta laudo
Yasmin Postacchine Brunelli foi medicada e liberada duas vezes de UPA em São Carlos (SP). Prefeitura espera resultado de exame com causa da morte.
A menina de 12 anos que morreu no último dia 8 de abril estava com dengue, segundo um laudo do Instituto Adolfo Lutz divulgado nesta quinta-feira (7). Yasmin Postacchine Brunelli foi levada para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Santa Felícia em duas ocasiões, mas foi medicada e liberada em seguida. Na época ela foi tratada com antibiótico pois havia suspeita de amigdalite. O caso será investigado pela Polícia Civil após o resultado do exame com a causa da morte. A cidade vive uma epidemia de dengue com 11.702 casos confirmados.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que não recebeu o laudo do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) sobre a causa e que o tratamento recebido foi dentro dos padrões do Ministério da Saúde. “Qualquer conclusão antes do laudo do SVO trata-se de especulação”, informou em nota. O exame deve sair nos próximos dias.
Se a causa da morte da menina for dengue esse será o segundo caso na cidade. No dia 9 de abril, o SVO de Américo Brasiliense confirmou que Gilson Alves, de 40 anos, morreu por conta da doença.
Entenda o caso
De acordo com a mãe da menina, Marina Bueno Postacchine, a filha começou a se sentir mal durante enquanto visita a avó em outra cidade e começou a tomar remédios para amigdalite. Ela continuou com febre e foi levada até a UPA no Santa Felícia, onde foi orientada a continuar tratando a filha com o antibiótico, apesar de ter sido informada de que a filha estava com dengue.
“A febre começou a diminuir, mas na terça-feira (7) ela começou a sentir dor no peito. Eu disse que ia levá-la hoje ao hospital e no meio da noite ela acordou vomitando. Eu achei que ela podia estar com algo no coração, por causa da dor, então liguei no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e pedi uma ambulância. Disseram que ela não tinha nada, que era para eu esperar hoje e levá-la para a UPA novamente”, comentou em entrevista à EPTV no dia da morte.
Como a filha continuou passando mal, a mãe a levou novamente para a UPA. “O médico deu um soro com buscopan, um remédio para o estômago e outro para ânsia. Até perguntei se ela não ia passar mal, e ele disse que não e nos liberou dizendo que ela ia se sentir cansada”, falou Marina.
Após voltar da unidade de saúde, a mãe conta que colocou a filha na cama, mas a garota voltou a vomitar e sentir cólicas. “Pedi para ela dormir que o remédio ia fazer efeito. Ela dormiu, quando eram 11h30 levantei para vê-la no quarto e minha filha estava morta. Eu acho que foi descaso, eu informei que ela estava mal, o Samu não estava nem aí e nem o médico. Não pediu exames, deu apenas um atestado e um remédio para a dor de estômago. Eu até perguntei se os remédios podiam ser usados em caso de dengue”, reclamou na época.
Secretaria de Saúde
A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que a paciente apresentava dor de garganta há cinco dias, além de febre e dor nos olhos. “Segundo informações repassadas pela mãe da paciente ao médico plantonista, ela já tinha sido medicada na cidade de Dourado. Na ocasião, em virtude dos sinais e sintomas foi realizada a prova do laço, teste feito para avaliar o quadro clínico e a possibilidade da Dengue, mas o resultado foi negativo. Com prescrição médica ela foi orientada para casa e retorno, se necessário”, informou por meio de uma nota emitida pela assessoria de imprensa no dia da morte da jovem.

Yasmin Brunelli. Foto: Reprodução/EPTV
Fonte: http://g1.globo.com/
Foto: https://www.facebook.com/prefeiturasaocarlos/
V Congresso Brasileiro de Direito Médico pode ser acompanhado on-line
O V Congresso Brasileiro de Direito Médico, começou nesta quinta-feira (7) e termina hoje, sexta-feira (8) em Brasília (DF). O evento pode ser acompanhado on-line através do Portal Médico.
Durante a solenidade de abertura, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital Tavares Corrêa Lima, destacou a situação do ensino médico no país.
Segundo Vital, os malefícios da cultura da impunidade que impera no Brasil atingem a área da formação médica: “O Brasil dispõe hoje de 249 cursos de medicina que ofertam 22.471 vagas para novos estudantes. No mundo, apenas a Índia nos Carlos Vital: malefícios da cultura da impunidade atingem formação médica
Carlos Vital: malefícios da cultura da impunidade atingem formação médica supera, com 381 escolas. Essa é uma realidade fática que coloca em sério risco a formação de médicos no país”, disse, se dirigindo a um auditório lotado de cerca de 400 pessoas.
Ainda de acordo com o presidente do CFM, informações do Ministério da Educação (MEC) evidenciaram, no final de 2014, que, de 154 cursos avaliados, 27 (17,5%) receberam nota dois do CPC (Conceito Preliminar de Curso), calculado com base na avaliação de professores e infraestrutura. “No primeiro mundo, onde a probidade não está submetida à cultura da impunidade, essas escolas classificadas como insatisfatórias teriam sido fechadas”, diz. No Brasil, ocorre o contrário: 39 municípios foram habilitados no ano passado para receber novos cursos de medicina e um novo edital aberto este ano contempla outras 22 cidades de outros estados, para criar mais 11.800 vagas até 2017: “Essas são ações temerárias que vêm contribuir para a deterioração gradativa do ensino de medicina no Brasil, ao se admitir a abertura de escolas sem condições de funcionamento”, avalia o dirigente.
“Em lugar das ações marcadas pela falta de planejamento, o país precisa de atitudes sérias e coerentes que enfrentem as deficiências no sistema público com melhor gestão, valorização humana com criação da carreira de estado no SUS e de condições de trabalho. Todos nós defendemos a dignidade e isso permeará esse encontro”, disse Vital.
O 1º vice-presidente e coordenador da Comissão de Direito Médico do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, também ressaltou o potencial do V Congresso Brasileiro de Direito Médico, “um dos mais importantes encontros promovidos pelo CFM”, para o aprendizado dos médicos em questões profissionais e de cidadania.
O evento coloca em pauta pontos como a judicialização da saúde, ortotanásia e eutanásia, diretivas antecipadas da vontade e uso medicinal do Canabidiol. As discussões abrangem ainda temas como critérios para a quantificação da indenização em casos da teoria da perda de uma chance; a indicação de UTI como prática de distanásia; e princípios éticos e legais para decisões judiciais para a admissão de pacientes em UTI sem vagas.
Fonte: http://portal.cfm.org.br/
Foto: Official GDC, via Flickr
Polícia vai apurar negligência médica após morte de menina em SP
Yani Emanuely de Souza, de 2 anos, não resistiu a parada cardíaca. Mãe reclama do atendimento em hospitais de Descalvado e São Carlos.
A Polícia Civil de Descalvado (SP) abriu um inquérito para apurar a morte de uma menina de 2 anos. Yani Emanuely dos Santos de Souza morreu depois de ser atingida por um tanque de lavar roupas na quarta-feira (29), na zona rural da cidade. A mãe da criança, Nivalda Cardoso dos Santos, reclama do atendimento nos hospitais pelos quais a filha passou.
O delegado responsável pelo caso, João Alaor Garcia, informou que irá ouvir os responsáveis pelos hospitais, a família e outras testemunhas para verificar se houve negligência dos médicos. O boletim de ocorrência foi registrado como morte suspeita e, na declaração de óbito, a causa da morte teria sido traumatismo craniano.
Vizinha da família, Alzira Almeida contou que o tanque era de cimento e foi trocado por um de plástico após o acidente. Segundo ela, a mãe da criança tomava café com uma amiga e, quando as duas se levantaram para lavar a louça, a criança correu para perto do tanque, que tombou. “Tiraram o tanque de cima dela, pegaram o carro e levaram ela na hora para o hospital”, disse.
A criança foi levada para o pronto-socorro da Santa Casa de Descalvado. Foi realizado um exame de raio-X da cabeça e, em seguida, a menina foi encaminhada para a pediatria do hospital, mas, segundo a mãe, nenhum médico examinou a garota e foi ela que percebeu uma mancha na barriga da filha.
“Comecei a olhar dedo, orelha para ver se não tinha sangrado e, quando cheguei na barriga, tinha uma marquinha muito pequena. Quando coloquei a mão em cima, ela colocou a mão dela sobre a minha e disse que estava doendo”, contou Nivalda.
De acordo com a mãe, após a descoberta, a menina teve que esperar duas horas na ambulância pela transferência para São Carlos, até o pai apresentar todos os documentos necessários. Ela foi levada para a cidade vizinha às 20h e precisou esperar mais duas horas por atendimento. Foi submetida a uma cirurgia, mas não resistiu.
Atendimento
O médico que estava de plantão em Descalvado disse que a criança chegou com uma lesão aparente apenas no rosto. Segundo ele, ela ficou em observação e, durante a internação na pediatria, apareceu uma mancha roxa no abdômen e a menina começou a reclamar de dor. Como o hospital não tem especialista nem equipamentos para exames, Yani foi transferida para São Carlos.
A Santa Casa de São Carlos, por sua vez, informou ao Jornal da EPTV que a criança foi atendida pela equipe de plantão do pronto-socorro e passou por uma tomografia. Por causa da urgência do caso, ela foi para a cirurgia, mas depois do procedimento, já na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), não resistiu a uma parada cardíaca.
Cuidados
O pediatra Normando Lima explicou que, em acidentes como esse, normalmente o peito e a barriga são atingidos e muitas vezes os sintomas não aparecem na hora. “Tem que ser feito ultrassom da barriga, raio-x de tórax porque o pulmão pode ser lesado ou mesmo o coração. E tem que ser visto por um cirurgião para que avalie se necessita de imediato fazer uma cirurgia exploradora”, disse.
Ele também reforçou que o único jeito de evitar acidentes como o de Yani é chumbando o tanque. “O maior número de acidentes com crianças acontece dentro de casa. Fixe, chumbe o tanque para que ele não possa rodar”, alertou.
Fonte: http://g1.globo.com/
Foto: Derek Gavey, via Flickr