Anvisa reconhece ‘Cannabis sativa’ como planta medicinal

A medida não modifica as regras relativas à maconha no país, mas formaliza a Cannabis como um componente em medicamentos

 

Por Veja Online

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reconheceu a Cannabis sativa como planta medicinal. A erva, famosa por dar origem à maconha, foi incluída na Lista Completa das Denominações Comuns Brasileiras (DCB), que define os nomes oficiais de fármacos, princípios ativos, plantas medicinais e outras substâncias de interesse médico no país, publicada no Diário Oficial da União (DOU) no dia 8 de maio, na Resolução nº 156.

A medida não modifica as regras relativas à maconha no país. Ou seja, não libera seu uso medicinal, tampouco muda as normas que restringem o porte e o uso da maconha em território nacional. Mas formaliza a Cannabis como um componente em medicamentos a ser produzidos no Brasil e exportados e viabiliza futuras regulamentações de seu uso em tratamentos médicos.

 

Decisões anteriores

Em janeiro deste ano, a Anvisa aprovou o registro do primeiro medicamento à base de maconha no Brasil, indicado para o tratamento de esclerose múltipla em adultos. Com o nome comercial Mevatyl, o remédio contém tetraidrocanabinol (THC) em concentração de 27 mg/mL e canabidiol (CBD) em concentração de 25 mg/mL.

Em outra decisão inédita, em fevereiro, a Anvisa autorizou a prescrição de RSHO™ para o tratamento de um paciente que sofre da doença de Alzheimer. Foi a primeira vez que um medicamento de óleo de cânhamo, rico em canabidiol (CBD), foi utilizado para o tratamento da doença no país. Também já existem decisões da Justiça brasileira que autorizam famílias a cultivar maconha para tratar doenças.

Em novembro de 2016, a agência autorizou a prescrição e manipulação de medicamentos à base de Cannabis. A autorização permitiu que empresas registrassem no país produtos com canabidiol e tetrahidrocannabinol como princípio ativo e veio um ano e meio após a Anvisa ter retirado o canabidiol da lista de substâncias de uso proscrito no Brasil.

A Anvisa também permite a importação de suplementos à base de Cannabis para o tratamento dos que sofrem de epilepsia refratária (desordem cerebral que gera convulsões repetidas), doença de Parkinson, dor crônica (incluindo dor de cabeça da enxaqueca), transtorno de stress pós-traumático, déficit de atenção e déficit de atenção e hiperatividade, autismo, esclerose múltipla e dores provenientes do câncer (na recuperação pós-quimioterapia). No exterior, o canabidiol já é utilizado para o tratamento de doenças em mais de quarenta países, entre eles Estados Unidos, Reino Unido, Israel e México.

 

Foto: David McNew/Getty Images

Dormir menos deixa pessoas menos atraentes, indica pesquisa

Pessoas que perdem duas noites de sono já parecem ‘significativamente mais feias’ para outros indivíduos

 

Por BBC

 

Um experimento mostrou que a expressão do “sono da beleza” realmente faz sentido. Pessoas com menos horas de sono pareciam menos atraentes para estranhos, segundo um estudo publicado no Royal Society of Open Science. Apenas duas noites mal dormidas já eram o suficiente para tornar a pessoa “significativamente mais feia”, diz a pesquisa. Indivíduos com olhos inchados e olheiras de cansaço foram notados como menos saudáveis e, inclusive, menos socializáveis.

 

O experimento
Pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, convocaram 25 estudantes universitários, homens e mulheres, para o experimento do sono. Eles pediram que os voluntários tentassem dormir bem nas duas primeiras noites e, uma semana depois, que dormissem apenas quatro horas pelas duas noites seguintes. Os estudantes receberam um equipamento para medir seus movimentos noturnos para, assim, ter certeza de que eles estavam cumprindo as recomendações.

Após as noites mal e bem dormidas, foram tiradas fotos dos voluntários sem maquiagem. Em seguida, pediram a 122 estranhos – homens e mulheres que vivem em Estocolmo, capital da Suécia – para dar notas por atratividade, aparência de sonolência e de saúde e até confiabilidade. Depois ainda perguntaram: “O quanto você gostaria de socializar com esta pessoa da foto?”.
Em geral, os estranhos conseguiram notar se a pessoa estava cansada e, nos casos em que parecia sonolenta, a nota de atratividade era menor. Os que avaliaram as fotos também se mostraram menos interessados em socializar com os estudantes cansados, que também foram percebidos como menos saudáveis.

Os autores do experimento dizem que isto faz sentido em termos evolutivos. “Um rosto com aparência pouco saudável, seja pela falta de sono ou por outro fator, pode ativar mecanismos de defesa em outros indivíduos que o corpo normalmente ativa para se evitar doenças”. Em outras palavras, as pessoas não querem passar tempo com aqueles que parecem doentes, enquanto que alguém que tem aparência enérgica e em forma vai despertar mais interesse.

“Não quero deixar as pessoas preocupadas e fazer com que elas percam noites de sono por causa desses resultados”, comentou autora principal do experimento, Tina Sundelin, do departamento de Neurociência Clínica do instituto. “Muitas pessoas lidam bem se perdem algumas horas de sono algumas vezes”. O professor de psicologia evolutiva da Universidade de Liverpool (Reino Unido), Gayle Brewer, que não participou do estudo, concorda com os resultados.

“O julgamento da atratividade de alguém é algo inconsciente, mas todos nós fazemos isto, e somos capazes de notar sinais mínimos de se a pessoa parece cansada ou pouco saudável”, afirma Brewer. “Queremos que nossos parceiros sejam atraentes e enérgicos. Este estudo é um bom lembrete de como o sono é importante para nós”, acrescenta.

 

Foto: Milanmarkovic/Getty Images