O suicídio nas redes sociais

Pesquisa revela como os internautas brasileiros estão abordando esse assunto. E o cenário, infelizmente, não é dos melhores
 

Por Vand Vieira
do Saúde é Vital

 

Precisamos falar (sério) sobre suicídio. O novo apelo decorre de um monitoramento virtual realizado entre abril e maio deste ano pela agência nova/sb, onde foram capturadas e analisadas 1 230 197 menções ao tema no Brasil dentro das principais redes sociais.

Vamos aos dados. Com relação ao conteúdo, 34,2% eram piadas ou memes. Esse tipo de comentário superou as opiniões (24,4%), as citações (22,1%), as notícias (7,5%), os relatos (6,3%) e os depoimentos (5,5%).

E o pior: 18,3% das postagens avaliadas foram consideradas negativas ou preconceituosas, reforçando tabus ou até incentivando pessoas a atentarem contra a própria vida. Por outro lado, 28,8% das menções demonstravam conscientização sobre o tema e, em 52,8%, não havia um posicionamento claro por parte do autor.

A maioria esmagadora do conteúdo veio do Twitter (94,2%), que deixou para trás Facebook (5%), Youtube e Instagram (0,4% cada). Porém, de modo geral, o suicídio é um tópico periférico na web. Ele muitas vezes se restringe a grupos específicos de conexões — os grandes influenciadores digitais tendem a ficar de fora.

Os estados que registraram mais menções foram Rio de Janeiro e São Paulo, representando, respectivamente, 27,5% e 17,9% desse material. Minas Gerais (9,9%), Pará (5,6%), Rio Grande do Sul (5,5%) e Santa Catarina (4,8) aparecem em seguida.

Notícias que se destacaram

A série do Netflix ’13 Reasons Why’, sobre uma adolescente que se mata, e o jogo Baleia Azul, que promove a automutilação entre jovens, totalizaram 84% das publicações analisadas e esquentaram as buscas relacionadas ao tema durante o período em que o dossiê foi feito.

Tanto que a quantidade desse tipo de pesquisa no Google em um só mês de 2017 superou em duas vezes a da média de setembro dos últimos cinco anos. E por que comparar com esse mês especificamente? Porque ele marca a principal campanha de prevenção do suicídio no país, a Setembro Amarelo.

Comentários envolvendo depressão (quase 8%) e intolerância (4%) também merecem destaque. Ainda mais se pensarmos que colocar o assunto em pauta e apoiar quem atravessa momentos difíceis são duas das práticas essenciais para prevenir até 90% dos casos de suicídio, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
 

Ilustração: Daniel Araújo/SAÚDE é Vital

“Finalmente posso dormir em paz”, diz médico inocentado em processo do CFM após atuação da Anadem

Ele foi acusado de negligência no atendimento pós-operatório pela morte de uma paciente há cinco anos; após instrução processual da Anadem, o profissional teve o processo julgado e arquivado

 

Após cinco anos sob acusação, um médico do Distrito Federal teve seu processo extinto, no final da semana passada, devido à exemplar atuação da Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética). Ele foi acusado de negligência no atendimento pós-operatório no Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM/DF) e no Conselho Federal de Medicina (CFM) pela morte de uma paciente após complicações em cirurgias de retossigmoidectomia, colectomia direita e colporrafia. “Finalmente posso dormir em paz”, agradeceu o profissional.

Em fevereiro 2012, o CRM/DF recebeu a denúncia dos pais de uma paciente que tinha endometriose pélvica profunda complexa, com comprometimento intestinal severo. Ela veio a óbito três meses antes da acusação. M. G. P. e E. R. P se basearam nos artigos 1º e 32º para sustentar a acusação de negligência no atendimento pós-operatório, alegando que o médico não teria utilizado todos os meios disponíveis para tratar a paciente. O CRM arquivou a sindicância, mas os denunciantes recorreram ao CFM, que abriu um processo ético sob suspeita de descumprimento dos artigos citados.

ATUAÇÃO DA ANADEM – Diante da situação, a equipe jurídica da Anadem, chefiada pelo Dr. Walduy Fernandes de Oliveira, forneceu a instrução processual ao médico, que foi absolvido. Novamente os pais da paciente entraram com recurso, mas não tiveram sucesso. O médico, muito emocionado, declarou que estava há muitos anos sem dormir e que poderia descansar pela primeira vez em paz, graças à atuação da Anadem.