Concussão: duas notícias quentes sobre as pancadas na cabeça
Achados envolvendo sintomas e tempo de recuperação reforçam que esse problema demanda (muita) atenção
Por Theo Ruprecht, do Saúde é Vital
Não é de hoje que especialistas alertam para o risco que certos esportes representam ao cérebro. Afinal, impactos provocados por partidas de futebol ou rounds de boxe, por exemplo, frequentemente resultam em concussão, quando esse órgão desliza contra as paredes do crânio. No entanto, dois estudos recém-saídos do forno trazem lições surpreendentes sobre como lidar com o problema. Olha só:
1. O prazo de recuperação completa varia demais
Foram 5 834 pesquisas pré-selecionadas, das quais 80 cumpriram os critérios de qualidade impostos por cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos Estados Unidos. No total, essa revisão somou milhares de indivíduos que sofreram uma concussão ligada ao exercício. E tudo para cravar o período de repouso necessário após um abalo desse tipo.
Apesar do esforço, foi impossível traçar uma regra geral. “O tempo de recuperação muda segundo a força do choque, a região cerebral afetada, o atendimento…”, observa o médico Ivan Pacheco, da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Moral da história: é imprescindível acompanhar o quadro com um especialista em vez de fixar, logo de cara, uma data para o retorno às quadras.
2. Os sinais nem sempre são claros
Embora não seja popular por aqui, o hóquei no gelo está entre os esportes que promovem os choques mais violentos na cabeça. Mesmo assim, apenas 47% das concussões ocorridas na última temporada da liga profissional americana apresentaram sintomas visíveis, de acordo com um artigo da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos.
A maioria, portanto, passou despercebida em um primeiro momento, o que representa ameaças à saúde. A descoberta reforça a necessidade de se ficar atento no período logo após o acidente – não importa o esporte em questão. E sugere cautela. “Sendo bem conservador, toda batida um pouco mais forte merece investigação médica”, conclui Pacheco.
Foto: IS/iStock
Novo posicionamento explica o elo entre obesidade e câncer
O documento chama a atenção para a epidemia de excesso de peso registrada no Brasil
Por Ana Luísa Moraes, do Saúde é Vital
Em 2017, a previsão é que 600 mil novos casos de câncer sejam diagnosticados entre os brasileiros. Desses, aproximadamente 78 mil são atribuídos ao sobrepeso e à obesidade, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A situação é tão séria que o Instituto Nacional de Câncer (Inca), decidiu aproveitar o Dia Nacional da Saúde para fazer uma declaração sobre o tema, que é tratado como prioridade em sua agenda.
Infelizmente, essa preocupação não é exagerada. No ano de 1970, em torno de 24% da população adulta do país apresentava excesso de peso corporal. Já em 2012, a taxa avançou para 56,9% das pessoas acima de 18 anos, o que corresponde a 82 milhões de indivíduos – é muita gente.
Curioso para saber de onde veio esse crescimento? O relatório coloca como principais culpados a prática insuficiente de atividade física e o elevado consumo de alimentos com alto teor de gordura saturada e trans, sal, e açúcar livre – ele é usado pela indústria nos alimentos e nas bebidas, adicionado pelo consumidores à preparação de receitas e está naturalmente em xaropes, mel e sucos.
Uma dieta baseada em comidas processadas e fast food aumenta o risco de pelo menos 13 tipos de tumores: de esôfago, estômago, pâncreas, vesícula biliar, fígado, intestino (cólon e reto), rins, mama, ovário, endométrio, meningioma, tireoide e mieloma múltiplo. A associação também é provável quando a doença se manifesta em próstata e mama (homens) e no linfoma difuso de grandes células B (o tipo mais comum de linfoma não Hodgkin).
Por fim, o Inca diz apoiar intervenções já recomendadas pela OMS para a diminuição do problema (ou para evitar que ele tome dimensões ainda maiores). Intensificar os impostos sobre bebidas açucaradas, restringir o oferecimento de alimentos não saudáveis nas escolas, regular a publicidade infantil e deixar as informações mais explícitas e compreensíveis nos rótulos são algumas das interferências sugeridas pelos órgãos. Resta saber quando (e se) elas serão aplicadas.
Foto: Alex Silva/SAÚDE é Vital