Cientistas descobrem 'ciclo tóxico' que causa mortes de neurônios em doenças degenerativas
Ativação de mutação na Esclerose Lateral Amiotrófica e em uma forma de demência faz com que células neuronais fiquem ‘sobrecarregadas’, diz estudo na ‘Nature Communications’
Por G1
Pesquisa publicada nesta sexta-feira (8) na “Nature Communications” descreve que uma mutação ligada a tipos doenças degenerativas está envolvida em um ciclo tóxico: ela faz com que células produzam proteínas tóxicas que causa a morte de neurônios.
A mutação em pesquisa está associada a um tipo de demência e à ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). No caso do estudo, a condição é a “demência frontotemporal”. Ao contrário das demências mais comuns, como o Alzheimer, essa está mais ligada a alterações do comportamento que ao declínio da memória.
Já a esclerose lateral amiotrófica, que ficou conhecida no “desafio do balde de gelo”, é a perda progressiva de movimentos pelo enfraquecimento dos músculos.
Essas duas doenças têm em comum uma mutação no gene C9orf72. Essa mutação tem um elemento repetido que produz substâncias tóxicas num mecanismo chamado de “estresse celular”, é como se a célula ficasse, de fato, sobrecarregada (como no uso mais corrente da palavra “estresse”).
Um outro ponto descrito pela pesquisa é que substâncias tóxicas não são produzidas somente pelas mutações — mas pelo entorno da célula que “ativa” os genes mutados.
Eles acreditam que infecções virais diversas e deficiências nutricionais podem deflagrar o processo, o que explicaria o porquê de muitas dessas doenças só aparecerem em fases mais tardias da vida.
Foto: Wikimedia Commons
Número de órgãos e tecidos transportados por companhias aéreas sobe 9% em 2017
Mesmo com contabilização de dados até outubro deste ano, empresas aéreas levaram mais órgãos e tecidos que todo o ano de 2016
Por G1
O número de órgãos e tecidos transportados por companhias aéreas até outubro deste ano já ultrapassou todo o período de 2016. Foram levados 4.200 itens, de acordo com o Ministério da Saúde, contra 3.847 no ano passado. A alta é de 9,1%.
Os números são do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), vinculado ao ministério. Participam do transporte as empresas Latam, Avianca, Gol, Azul e Passaredo. Desde 2011, um termo de cooperação com a Secretaria Nacional de Aviação do Ministério dos Transportes garante que os órgãos e tecidos sejam levados até os pacientes.
De acordo com o ministério da saúde, esse acordo foi renovado nesta quinta-feira. As empresas também levam equipes médicas e sangue. Os aeroportos pagam os custos das taxas de embarque.
Números da FAB
A Força Áerea Brasileira (FAB) também faz parte da força-tarefa. Foram levados 199 órgãos e tecidos neste ano – só é utilizado esse serviço quando as empresas estão sem voos para atender às emergências.
Foto: Elio Sales/SAC-PR/Reprodução)
Número de pessoas com demência deve triplicar nos próximos 30 anos, diz OMS
Relatório divulgado nesta quinta-feira (7) pela Organização Mundial da Saúde mostra ainda que em torno de 10 milhões de pessoas desenvolvem a doença por ano no mundo
Por G1
O número de indivíduos vivendo com demência deve triplicar até 2050, divulga nesta quinta-feira (7) um relatório da Organização Mundial da Saúde sobre a condição. Dos 50 milhões atuais, o mundo terá 152 milhões de pessoas convivendo com a doença nos próximos trinta anos. Hoje, em torno de 10 milhões de pessoas são diagnosticadas com a doença por ano — e a maioria delas vive em países com menos recursos financeiros nos sistemas de saúde. Segundo a OMS, 6 milhões dos novos casos atuais ocorre em regiões de baixa e média renda.
O número de acometidos ainda pode ser maior, diz a OMS, já que os dados divulgados correspondem à contribuição de 21 países. A entidade espera que até o final de 2018 em torno de 50 países contribuam com os dados para um melhor cenário sobre a prevalência global da doença. O relatório aponta ainda que o custo anual com a condição está em torno de US$ 818 bilhões. A estimativa foi calculada levando-se em conta não só os gastos com saúde, mas também a perda de renda de doentes e cuidadores — que muitas vezes deixam o trabalho para cuidar de familiares.
Ainda, segundo o documento, os gastos vão mais que duplicar até 2030 — quando devem alcançar a marca de US$ 2 trilhões — “um custo que poderia prejudicar o desenvolvimento social e econômico e sobrecarregar a saúde e os serviços sociais”, diz nota da entidade. A demência é tida como um “guarda-chuva” para um conjunto de condições que tem como característica comum o fato de terem perda cognitiva, falhas na memória e a progressiva dificuldade de lidar com as tarefas do cotidiano.
O Alzheimer responde por cerca de 70% dos casos, mas há outras causas, como a demência associada ao HIV, a problemas vasculares ou a lesões. Mulheres são mais afetadas que os homens, segundo a OMS.
O problema com o diagnóstico e pesquisa
A OMS informa que apenas 14% dos países informaram o número de pessoas diagnosticadas com a doença e isso pode ser um indicativo de que pode haver um subdiagnóstico. Estudos anteriores já demonstraram que em torno de 90% das pessoas de países com renda baixa e média não sabem que têm a doença. Uma outra questão apontada pela OMS são problemas com a pesquisa para a doença — que não acompanham o número de pessoas que são afetadas pela condição. Segundo a entidade, 7 mil artigos científicos foram publicados sobre a doença em 2016 — contra 15 mil de estudos sobre diabetes e em torno de 99 mil pesquisas sobre o câncer.
Lançamento de plataforma global
Nesta quinta-feira (7), a entidade também lançou o Observatório Global da Demência — que vai acompanhar o progresso na prestação de serviços e de políticas públicas para pessoas com demência e seus cuidadores. O sistema também vai acompanhar o número de casos no globo. “O sistema não só nos permitirá acompanhar o progresso, mas também o mais importante, identificar áreas onde os esforços futuros são mais necessários”, disse Tarun Dua, do Departamento de Saúde Mental da Organização Mundial da Saúde, em nota da entidade.
Foto: Julim6/Pixabay/Creative Commons
Colesterol alto também pode ser problema de criança
Médica alerta para a condição que aumenta o risco cardiovascular mesmo na infância e explica como é possível contê-la do princípio
Por Dra. Louise Cominato*, do Saúde é Vital
Embora seja mais comum na idade adulta, o aumento dos níveis de colesterol ou triglicérides no sangue não raro já tem início na infância. E representa uma ameaça à saúde, uma vez que está diretamente associado ao maior risco de infarto e acidente vascular cerebral. Inclusive porque, ainda nessa fase da vida, já pode começar a formação de placas de gordura nas artérias, fenômeno que levará às doenças cardiovasculares no futuro.
Um quadro em particular chama atenção nesse contexto: a hipercolesterolemia familiar (HF), doença caracterizada por altos níveis de colesterol logo na infância. Existem duas formas do problema. Estima-se que a versão heterozigótica, mais leve, afeta uma em cada 200 a 500 crianças. Em geral, os níveis de colesterol no sangue ficam em torno de 350 e 550 mg/dl. Falamos de indivíduos que provavelmente terão doença cardiovascular antes dos 50 anos se não tratados adequadamente.
Já a segunda a versão, a forma homozigótica, é uma doença mais rara e grave. Ocorre um caso a cada 1 milhão de indivíduos, podendo acontecer na proporção de um para 30 mil em determinadas populações.
Os valores de colesterol total, nesse caso, podem ultrapassar 1 000 mg/dl – só o LDL (o colesterol “ruim”) chega a superar 500 mg/dl. Esses indivíduos, se não controlados precocemente, apresentarão doença cardiovascular antes até dos 20 anos de idade. Além do risco às artérias, esse grupo pode sofrer com xantomas, lesões de pele originárias do excesso de gordura circulante.
Atualmente, os consensos nacionais e internacionais sugerem que a primeira dosagem de colesterol na infância seja feita em toda a criança entre 9 e 11 anos. Elas deveriam passar por uma triagem para a HF. Em crianças com obesidade, diabetes, problemas renais ou autoimunes, assim como naquelas com histórico familiar de doença cardiovascular precoce (antes dos 50 anos), se recomenda que os exames de colesterol sejam feitos a partir dos 2 anos de idade.
A suspeita de maior risco pode surgir no consultório do pediatra, que, principalmente nos episódios de HF, deve remanejar o pequeno paciente a um especialista. O tratamento inicial se baseia em mudanças de estilo de vida, como aumento da prática de atividade física, adequação da dieta (pobre em gorduras e rica em fibras) e controle do peso.
Se essas medidas não surtirem efeito, deve ser iniciado o tratamento com remédios. O objetivo é manter o LDL-colesterol, mais perigoso aos vasos, abaixo de 130 mg/dl.
O diagnóstico e o tratamento precoce compõem um requisito fundamental para que essas crianças não tenham a qualidade e a expectativa de vida prejudicadas pela doença cardiovascular.
* Dra. Louise Cominato é endocrinologista pediátrica e secretária do Departamento de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo