3 de abril de 2018 - Anadem

Quatro coisas que você deve saber sobre o Viagra

Como qualquer outro remédio, o Viagra pode ter efeitos colaterais e contraindicações; segundo a Anvisa, o medicamento é um dos mais falsificados no Brasil.

Por BBC

A partir deste mês, os britânicos já podem comprar Viagra sem a necessidade de receita médica em farmácias do Reino Unido. No Brasil, no entanto, ainda é necessário apresentar o documento, embora seja possível comprar o medicamento sem a prescrição, pois a farmácia não precisa reter a receita.

As autoridades sanitárias britânicas anunciaram a decisão há alguns meses com a intenção de reduzir a venda ilegal do produto pela internet. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasileira (Anvisa), o Viagra é um dos remédios mais falsificados do Brasil.

O sildenafila, comercializado com o nome de Viagra pela farmacêutica Pfizer, pode ajudar os homens com disfunção erétil a manter uma ereção para ter uma relação sexual satisfatória.

Mas como qualquer outra medicação, o Viagra pode trazer efeitos colaterais. Leia abaixo o que você deveria saber antes de comprar e provar as pílulas.

1 – Como funciona?
Para a ereção dar certo, o sildenafil, o componente do Viagra, precisa aumentar o fluxo sanguíneo até o pênis. Esse mesmo composto, embora em menor quantidade, também é usado em remédios que combatem a hipertensão pulmonar.

Segundo dados do NHS, o serviço de saúde do Reino Unido, ao menos dois terços dos homens que usam o medicamento dizem que ele funciona e provoca ereção.

Em média, o remédio demora entre 30 e 60 minutos para fazer efeito em homens com disfunção erétil. Na bula do publicada no site da Anvisa, a empresa farmacêutica informa que um comprimido de 50 mg deve ser tomado em até uma hora antes da relação sexual. Já o serviço de saúde britânico afirma ser possível ter ereção ingerindo uma pílula até quatro horas antes.

“De acordo com a eficácia e tolerabilidade, a dose pode ser aumentada para um máximo recomendado de 100 mg ou diminuído para 25 mg. A dose máxima recomendada é de 100 mg. A frequência máxima recomendada de Viagra é de uma vez ao dia”, informa a Pfizer.

Porém, tomar apenas o remédio não é garantia de sucesso. É necessário também estímulo sexual para que o medicamento funcione bem. Por outro lado, informa a instituição britânica, a ereção deve desaparecer com o fim da relação sexual.

2 – Quem pode e quem não deve tomar Viagra?
O Viagra é recomendado apenas para homens maiores de 18 anos que tenham impotência, ou seja, pessoas que não conseguem ter ou manter uma ereção. Ele não é indicado para mulheres.

Os efeitos colaterais mais comuns são dores de cabeça, náuseas, ondas de calor e tontura, mas a maioria dos homens não sente nenhum problema.

Como regra geral, o medicamento deve ser evitado por homens que têm falta de ar ou dor no peito ao fazer exercícios leves, como subir poucos lances de escadas.

O sistema de saúde do Reino Unido e a Pfizer desaconselham o Viagra para as seguintes pessoas:

– doentes graves do coração ou do fígado;

– pacientes que tenham sofrido derrame há pouco tempo;

– homens com pressão baixa;

– pessoas com a doença retinite pigmentosa;

– pacientes em tratamento com medicamentos que contenham qualquer forma de óxido nítrico, nitratos orgânicos ou nitritos orgânicos.

É também recomendado consultar um médico antes de tomar o medicamento caso a pessoa esteja fazendo algum tratamento médico, ou tenha doenças como úlceras estomacais, hemofilia, leucemia ou anemia falciforme.

3 – Tomar Viagra pode ser perigoso?
Tomar sildenafil pode ser perigoso se o paciente também seguir um tratamento com medicamentos conhecidos como nitratos, normalmente prescritos para angina (dor no tórax), pois a combinação de ambos os componentes pode causar uma queda perigosa na pressão arterial.

O composto também não combina bem com o Adempas, um remédio para hipertensão pulmonar, nem com drogas de uso recreativo que tenham nitrito de amilo (um vasodilatador), como as chamadas “poppers”.

Segundo o NHS, não há estudos conclusivos sobre efeitos colaterais caso haja mistura de sildenafil com drogas como cocaína ou LSD, mas o órgão não recomenda o uso das substâncias ao mesmo tempo.

Por outro lado, o Viagra causa efeitos colaterais graves em menos de um a cada mil pacientes.

Recomenda-se que o paciente pare de tomar Viagra e consultar um médico nos seguintes casos:

– se sentir dor no peito;

– se tiver ereções prolongadas (mais de quatro horas) e às vezes dolorosas;

– caso exista uma perda repentina de visão;

– se houver uma reação cutânea grave, que pode ser acompanhada por febre, descamação da pele, inchaço e bolhas;

– caso sofra convulsões ou alergias.

4 – Existem tratamentos alternativos ao Viagra para impotência?
Há remédios que funcionam de maneira similar ao Viagra, como Cialis.

Também existe um medicamento vasodilatador chamado Alprostadil, que ajuda a estimular o fluxo sanguíneo até o pênis. Ele é vendido como injeção e supositório. É recomendado uma consulta médica antes desse tratamento.

Por outro lado, há disfunções de ereção causadas por problemas endócrinos que podem ser tratados com hormônios masculinos injetáveis.

Foto: HO/AFP

Anosognosia, a falta de consciência sobre a própria doença

Família deve ficar atenta, porque paciente pode não reconhecer suas limitações ou apresentar comportamentos inadequados


Por Mariza Tavares, G1 Rio de Janeiro

nome é difícil e o problema é delicado. A anosognosia se caracteriza pela falta de consciência sobre a própria doença, o que pode levar o paciente a não reconhecer suas limitações ou a apresentar comportamentos inadequados. O termo foi criado em 1914 pelo neurologista Joseph Babinski, quando discorreu sobre o caso de dois homens com hemiplegia esquerda com uma total falta de consciência dessa falha motora. Quem sofre dessa síndrome pode ter dificuldades para aderir ao tratamento e precisa de todo o suporte familiar disponível. Como o campo de estudos é vasto, preferi focar o aspecto comportamental, e não o fisiológico. Conversei com a médica geriatra Claudia Burlá, que também atua na área de medicina paliativa, e ela explicou ser relativamente comum que, nos estágios iniciais de uma demência, a pessoa chegue ao consultório sozinha, por indicação de um outro especialista, sem suspeitar da sua condição: “é alguém que dirige seu carro, gerencia sua casa e até conversa com desenvoltura. No entanto, ao longo da consulta, surgem pistas de que o discurso não é coerente”.

Em seus mais de 30 anos de prática clínica, a doutora Claudia Burlá já lidou com dezenas de casos de demência frontotemporal, que tem uma peculiaridade: atinge em cheio o lado comportamental. “A demência frontotemporal leva a comportamentos exacerbados”, afirma a médica. “O indivíduo perde a capacidade de percepção e isso pode se manifestar em hipersexualidade ou em esbanjamento de dinheiro. É também comum um julgamento distorcido: o paciente age como se tivesse muitos amigos, embora esteja sempre só”, acrescenta. Daí a importância de parentes e conhecidos estarem atentos a pequenos sinais que surgem no dia a dia da convivência: “uma avó que se torne generosa demais de uma hora para a outra é indicação de comportamento inadequado. Excentricidades além da curva também devem chamar a atenção. A família pode achar que a pessoa está engraçada, desinibida, mas o quadro pode ser de doença neurodegenerativa. Um dos pontos sensíveis é o do autocuidado: a higiene pessoal fica comprometida, o paciente passa a usar sempre a mesma roupa”, diz a especialista.

Uma das questões delicadas é avisar a família, que nem sempre reage bem, por se recusar a acreditar que um ente querido esteja trilhando o caminho de demência, como explica a médica: “os mais próximos têm que ser avisados para criar a rede de proteção necessária. Já vi casos de idosas com mais de 80 anos que adquiriram planos de previdência para resgate aos 115, 120 anos”. No consultório, alguns testes simples podem mapear o comprometimento cognitivo. Um dos mais sensíveis é o chamado teste do relógio, no qual pede-se ao paciente para desenhar um relógio com todos os números das horas. A partir do desenho feito, há um pedido suplementar: marcar uma hora específica. Pode-se observar que há algo está errado com a cognição quando há dificuldades ou mesmo a impossibilidade de dar conta dessas tarefas.

Há muitos fatores envolvidos para fechar um diagnóstico, segundo a médica: linguagem, capacidade executiva, memória, habilidade visuoespacial (não se perder, por exemplo), alteração de personalidade. No trato diário com o indivíduo com demência, o conselho dado pela doutora Claudia Burlá é entrar na fantasia dele, em vez de tentar esclarecer o que é real ou não para alguém que não tem mais capacidade para discernir: “se a pessoa diz que quer ir para casa, embora esteja em sua residência, o melhor é vesti-la, dar uma volta e retornar ao local, mostrando que agora ela está em casa. Dessa forma, desvia-se o foco daquela narrativa associada à demência, resgatando o paciente para uma situação de conforto e segurança”.

Foto: A médica geriatra Claudia Burlá: demência frontotemporal leva a comportamentos exacerbados (Crédito: https://aging.com.br / Divulgação)