6 de abril de 2018 - Anadem

Por que a dor e a falta de prazer fazem parte da vida sexual de tantas mulheres?

Pesquisa no Reino Unido mostrou que pelo menos 10% das mulheres de 16 a 24 anos sentiam dores frequentemente durante a relação sexual; especialistas apontam que questão cultural muitas vezes faz com que ‘aceitem’ que o sexo seja uma experiência dolorosa, e não prazerosa para elas

Por BBC

Nas aulas de educação sexual na minha escola, parecia clara a mensagem que tentavam passar: se você for mulher, vai sentir dor durante as relações sexuais.

Essa ideia de que nós deveríamos nos preparar para o desconforto nas relações sexuais fez com que muitas mulheres acreditassem que sentir alguma dor durante o sexo faz parte do pacote – não é algo que ocorre só na primeira vez.

Ninguém nos contou que havia a possibilidade de o sexo ser, na verdade, prazeroso e sem sofrimento.

‘Simplesmente aceitei a dor’

“Eu estava tão tensa que dificilmente alguém conseguiria entrar em mim, e isso me deixava muito retraída. Eu achava que o clitóris era algo que você tocava por alguns segundos e aí já tinha um orgasmo. Mas isso não era suficiente para que eu chegasse ao clímax, então achava que eu tinha algum problema. Tinham me dito que uma relação sexual poderia ter dor, então eu simplesmente aceitei isso e todo esse desconforto”, contou.

Mas no ano passado, graças a um namorado que Jess define como “generoso” e que gostava bastante das preliminares, a jovem britânica descobriu que a dor não era algo inerente a todas as relações sexuais.

Razões médicas, psicológicas ou sociais
A youtuber Hannah Wilton faz parte de um grupo de mulheres de vinte e poucos anos que está utilizando um canal na plataforma de vídeos para proporcionar uma conversa aberta sobre a sexualidade feminina.

Ela ressalta que, em certas circunstâncias, a dor durante o sexo pode ser sintoma de algo mais grave.

“A dor na vagina pode ser causada por problemas como candidíase (uma infecção provocada por um fungo), por alguma outra doença sexualmente transmissível ou por vaginismo, uma condição pela qual os músculos próximos à vagina se contraem com força, por irritação ou pelo contato com a borracha das camisinhas ou pelo sabão, explicou Swati Jha, porta-voz do Colégio de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido (RCGOC, na sigla em inglês).Segundo ela, a dor que a mulher sente no sexo pode ser consequência de “uma doença inflamatória na pélvis, de endometriose, de algum mioma ou de síndrome do intestino irritável”. Jha aconselha a qualquer mulher que se preocupe com dores durante ou depois das relações sexuais que consulte um médico especialista para entender o que pode estar acontecendo.

Mas não existem apenas razões médicas para a dor durante o sexo. Para Kirstin Mitchell, médica e pesquisadora da Universidade de Glasgow, na Escócia, existem diversas razões psicológicas e sociais para que esse momento seja dolorido para algumas mulheres.

Ela é responsável por um estudo em 2017 que identificou que quase 10% das mulheres sexualmente ativas do Reino Unido entre 16 e 24 anos sentiam dores “sistemáticas” durante as relações sexuais – os autores da pesquisa definiram “sistemáticas” como as dores “sentidas durante o sexo durante três meses ou mais”.

Direito ao prazer
“Se uma mulher não tem o tipo de relação sexual que gostaria de ter, se ela não está excitada, se não tem confiança em si mesma para falar do que gosta ou do que não gosta, então o sexo pode ser mesmo doloroso”, explicou Mitchell.

Na opinião da especialista, é comum as mulheres não sentirem que têm “direito ao prazer” como os homens têm. Às vezes, elas sentem dor nas relações sexuais e acreditam que simplesmente “é assim para as mulheres”.

Em outro estudo sobre o tema chamado A Critical Analysis of Sexual Satisfaction (Uma análise crítica sobre satisfação sexual, em tradução literal), a pesquisadora Sara McClelland, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, pediu a homens e mulheres que descrevessem o que significava para eles uma “baixa satisfação sexual”.

Enquanto os homens falaram sobre aspectos como “tédio ou indiferença” de suas parceiras sexuais, as mulheres com frequência mencionavam a “dor”.

Um problema de comunicação?
Kim Loliya passou a vida sentindo dor durante o sexo. Agora, porém, ela lidera uma campanha para reivindicar o direito das mulheres ao prazer e trabalha como editora da revista online Sex+zine, além de ter sido fundadora de um serviço de educação sexual em Londres.

Loliya acredita que o incômodo das mulheres durante a relação sexual não é necessariamente consequência de um problema físico, mas sim de um problema verbal.

Foto: BBC

Centro de Zoonoses confirma morte de mais dois macacos por febre amarela em Pilar do Sul

Animais foram encontrados no bairro Cananeia em março deste ano. Órgão afirma que espera o resultado dos exames de outros animais achados mortos


Por G1 Itapetininga e Região

O Centro de Controle de Zoonoses de Pilar do Sul (SP) confirmou nesta quinta-feira (5) mais duas mortes em macaco por febre amarela no município.

Segundo o órgão, os animais morreram em março deste ano no bairro Cananeia. Com a confirmação, subiu para oito o número de casos de macacos com febre amarela.

O primeiro caso por febre amarela foi confirmado em um macaco encontrado morto no Bairro Paineira no fim de janeiro.

Ainda de acordo com o Centro de Zoonoses, até o momento 47 macacos foram encontrados mortos nos bairros Paineira, Caxangá, Cananéia e Pinhal.

Vacinação
A Secretaria de Saúde do município informou também que 90% dos moradores já estão vacinados contra a febre amarela. Quem ainda não se vacinou, deve procurar os postos de saúde da cidade.

Foto: Alexandre Mauro/Editoria de Arte G1)

Febre amarela: 'fake news' confundem profissionais da saúde e alguns pacientes ficam sem a vacina, avaliam especialistas

Informações desencontradas estão gerando contraindicação desnecessária do imunizante. Organizações de saúde lançam roteiro completo para ajudar na indicação ou não do vacina nesta sexta-feira (6)

Por G1

Algumas pessoas que deveriam ser vacinadas contra a febre amarela estão sendo enviadas para casa sem motivo, avaliam especialistas. Diabéticos, por exemplo, e pacientes com HIV em tratamento acabam ficando sem o imunizante quando não estão em risco aumentado para o desenvolvimento de reações adversas.

De modo geral, a vacina da febre amarela é indicada para todos entre seis meses e 59 anos de idade, mas as excessões à vacina não são simples de serem estabelecidas e podem confundir profissionais. Soma-se a isso o fato de que as notícias falsas também atingem profissionais de saúde, que acabam ficando ainda mais confusos sobre as indicações.

Para evitar essas e outras confusões, cinco entidades decidiram lançar um roteiro didático nesta sexta-feira (6) para que profissionais se informem sobre as contraindicações da vacina.

Por exemplo, pacientes que fizeram quimioterapia podem tomar a vacina se já faz três meses do tratamento. Mulheres que estão amamentando também podem ser vacinadas se a criança tem mais de seis meses. Há muitos outros detalhes que podem ser controversos (ver abaixo).

“Foi uma adaptação de informações que já existem. A gente percebeu que muitas delas não estão chegando aos profissionais de forma fácil e tem muita gente confusa”, diz Isabela Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Participaram da redação do roteiro a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Na avaliação de Isabela Ballalai, a profusão de notíciais falsas também está abalando profissionais de saúde, com um círculo de contraindicações da vacina sem necessidade.

O roteiro inclui perguntas e respostas e orientações sobre quais medidas tomar em cada situação –a maior parte do texto inclui detalhamento sobre pessoas com problemas de imunidade. Essas pessoas podem desenvolver reações, já que a vacina da febre amarela contém um vírus vivo, embora mais fraco.

Marta Heloísa, da USP, também indica que não são todos as pessoas com problemas de imunidade que não devem tomar a vacina. Ela aponta que, na dúvida, profissionais de saúde encaminhem pacientes para os CRIS (Centro de Referência em Imunobiológicos) para que recebam atendimento adequado.

Foto: Prefeitura SJC/Divulgação