13 de junho de 2018 - Anadem

Crioterapia: entenda o tratamento feito por Ana Furtado para evitar queda de cabelo causada pela quimioterapia

Touca resfria couro cabeludo durante sessão de quimioterapia e protege folículos capilares

Por Tatiana Regadas, G1

 

A apresentadora Ana Furtado descobriu recentemente que tinha câncer de mama. Depois de retirar um tumor, ela está passando por sessões de quimioterapia. Para evitar a queda de cabelo comum quando se faz o tratamento, ela revelou que também está fazendo a crioterapia.

A técnica consiste em resfriar o couro cabeludo durante as sessões de quimioterapia, levando à contração dos vasos sanguíneos e protegendo os folículos capilares.

“É difícil, mas, até agora, eficiente. Só tenho a agradecer a todos os médicos pelas orientações, apoio e carinho comigo”, escreveu a apresentadora no Instagram nesta terça-feira (12).

O médico Daniel Gimenes, oncologista do Centro Paulista de Oncologia, ressalta que a crioterapia não é uma forma de tratamento do câncer.

A técnica chegou ao Brasil em 2016, mas faz sucesso há mais tempo no mundo e é mais comumente usada para atletas em recuperação muscular. No caso de mulheres com câncer, a preservação dos fios pode ajudar a auto-estima: “Pesquisas dão conta de que esta técnica preserva entre 70 a 100% dos fios”, diz Gimenes.

Como é a crioterapia?
Uma touca é colocada na cabeça do paciente cerca de 30 minutos antes do início da sessão de quimioterapia e resfria o couro cabeludo. A touca não pode ser retirada até uma hora e meia depois do procedimento.

Como ajuda a evitar a queda de cabelo?
O sistema resfria o couro cabeludo do paciente em uma sensação térmica de cerca de 5 graus, podendo variar. Com o couro cabeludo resfriado, há uma diminuição do fluxo sanguíneo nos folículos capilares, promovendo a menor absorção da medicação nesta região, e assim, evitando ou reduzindo a perda dos fios ao longo do tratamento.

Existe algum efeito colateral?
Geralmente não. É comum que em alguns casos os pacientes apresentem sensibilidade no couro cabeludo logo após o início do tratamento e tenham enxaqueca, quando já têm tendência a ter este problema.

Que profissionais podem fazer?
A crioterapia usada em pacientes com câncer deve ser feita por técnicos responsáveis pela aplicação do tratamento para estes devidos fins e com acompanhamento da equipe de enfermagem devidamente treinada.

“Vale dizer também que essa técnica deve ser feita em clínicas ou hospitais especializados onde também são realizados os tratamentos de quimioterapia. E somente durante a quimioterapia”, ressalta Gimenes.

É indicada em quais casos?
A técnica pode ser feita em pacientes com câncer de mama, intestino e outros tipos de câncer.

Quando é contra-indicada?
A crioterapia não é indicada em casos de câncer nas células do sangue, como leucemia e linfoma. Pessoas que apresentam alergia no couro cabeludo também não devem fazer o tratamento.

Foto: Divulgação

35% das salas de vacinação no país precisam 'abandonar' carteirinha de papel e adotar novo sistema digital

Registro em papel não pode ser a única forma de saber se uma pessoa tomou a vacina ou não, dizem Ministério da Saúde e especialistas

 

Por G1

 

Como o Brasil vai controlar, de fato, o avanço da febre amarela? Ou por que o sarampo, que tem vacina disponível no calendário de vacinação para todas as crianças há anos, também ressurgiu? As respostas para essas perguntas estão longe de serem simples, mas todas elas passam por um bom registro de vacinação – de preferência, digital – e pela capacidade do governo de saber exatamente quem tomou ou deixou de tomar a vacina.

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Esses registros evitam os “bolsões” de não-vacinados; aquele grupo de pessoas sem defesas para o vírus que contribui para o retorno de doenças que já deveriam estar sob controle. Até 2018, 65% das salas de vacinação do país estão equipadas com um novo sistema de registro e o restante – 35% — estão em processo de implementação, informa ao G1 a coordenadora do Programa de Imunização do Ministério da Saúde, Carla Domingues.

Desenvolvido em 2010, o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI) permite acompanhar em tempo real como está o processo de imunização pelo Brasil inteiro e quais áreas precisam de reforço adicional de campanha. Mais ainda: ele permite o registro de quem exatamente tomou a vacina.

Desde o lançamento do programa, o governo tem lutado contra a dificuldade de instalação do sistema: em 2012, foi necessário uma portaria e um aporte de R$ 50,7 milhões para salas de imunização no país. Cada uma das 33.837 salas (dado de 2016) recebeu R$ 1.500 para se adaptar ao novo sistema.

O investimento melhorou a adesão das salas ao novo sistema. Em 2012, o número de salas que enviou algum dado pelo SIPNI era de 18%; número que aumentou para 57% em 2016. O Brasil, no entanto, está atrás de alguns países desenvolvidos. Em 1998, registros informatizados de imunização já estavam presentes em todos os estados americanos; no Reino Unido, os primeiros registros foram utilizados na década de 1970.

Com o sistema, a ideia é que todos os brasileiros consigam acessar seus dados de vacinação e que eles não estejam centralizados somente na caderneta de papel – com a possibilidade de recuperação dos dados.

Afora a necesssidade do registro individual, de que cada brasileiro saiba exatamente que vacina tomou ou deixou de tomar, a pesquisadora Ana Paula Sayuri Sato, professora do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, ressalta que o registro de vacinas é de fundamental importância para o planejamento de ações de vacinação. Leia a notícia completa.

Foto: Reprodução EPTV