Dia Mundial do Doador de Sangue: saiba quem pode doar, o que é exigido e se a doação vale folga no trabalho
Especialistas afirmam que cada doação pode salvar até três vidas. Trabalhador pode tirar uma folga por ano para doar sangue, conforme prevê a CLT
Por Gessyca Rocha, G1
Dia Mundial do Doador de Sangue é celebrado nesta quinta-feira (14), segundo a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). De acordo com o órgão, as doações voluntárias na América Latina e no Caribe ainda estão abaixo da meta estabelecida pela OMS.
Segundo a OPAS, apenas 45% do sangue para transfusões na América Latina e no Caribe foi obtido por meio de doação voluntária. A OPAS trabalha com seus países membros para atingir a meta de doação de sangue 100% voluntária até 2019, como recomenda a OMS.
Abaixo o G1 listou as principais dúvidas envolvidas na doação:
Dúvidas e mitos
A doação de sangue engrossa ou afina o sangue
“Tem uma crença que acham que engrossa o sangue, isso não é verdade, a doação não interfere. O que acontece é que o organismo leva um tempo para recuperar os componentes sanguíneos”, afirma Araci Sakashita.
É preciso estar em jejum para doar?
“Isso é um mito. A recomendação para o voluntário é que tenha feito uma alimentação mais leve nas últimas três horas pelo menos”, afirma a hematologista.
Tenho direito a folga todas as vezes que doar sangue?
“O voluntário tem direito a uma única folga por ano independentemente do número de doações que ele fizer”, afirma Araci Sakashita. A folga está prevista no artigo 473 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e prevê que o funcionário apresente comprovação para a falta.
Período menstrual afeta a doação?
“A menstruação não impede a doação. O que determina a possibilidade ou não de doar, é o teste de anemia feito em todos os doadores na triagem”, conclui a hematologista.
Requisitos para ser um doador:
Ter idade mínima de 16 anos e máxima de 69 anos
Pesar no mínimo 50kg
Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas
Não ingerir bebidas alcoólicas nas 24 horas que antecedem a doação
Estar bem de saúde, sem gripe, resfriado ou febre há, no mínimo, 7 dias
Não estar em período de gravidez ou amamentação
Não ter feito tatuagem ou piercing nos últimos 6 meses (piercing na boca ou na genitália impedem definitivamente a doação)
Não ter feito uso de drogas injetáveis
Não ter visitado regiões onde há surto de febre amarela nas últimas quatro semanas.
Não ter tido relação sexual em que tivesse risco de doenças sexualmente transmissíveis nos últimos 12 meses
Orientações após a doação
Repouso de 15 minutos para evitar mal estar
Beber bastante líquido
Evitar esforço físico exagerado por 12 horas, especialmente com o braço utilizado na doação
Se tiver febre, diarréia ou outro sintoma de doença infecciosa até sete dias após a doação, comunicar imediatamente o Banco de Sangue
Frequência de doações:
Homens a cada 02 meses e no máximo 04 por ano.
Mulheres a cada 03 meses e no máximo 03 por ano.
Bancos de Sangue
Para saber os endereços dos bancos de sangue acesse o site Movimento “Eu Dou Sangue” pelo http://www.eudousangue.com.br/onde-doar/.
Foto: Jéssica Alves/G1
Brasil quer meta de 95% de vacinação contra paralisia infantil após caso na Venezuela
Criança de comunidade indígena venezuelana contraiu doença erradicada das Américas desde 1994. Hoje, média de cobertura vacinal da poliomielite no país está em 77%
Por G1
O Ministério da Saúde quer que todos os municípios brasileiros atinjam a meta de 95% de crianças vacinadas contra a paralisia infantil. O alerta veio após uma criança não vacinada na Venezuela contrair o vírus da poliomielite no início do mês. Toda a América Latina, inclusive o Brasil, recebeu certificado de erradicação da doença em 1994.
Atualmente, a média de cobertura contra a poliomielite está em 77,5% de crianças vacinadas. No entanto, a literatura científica postula que campanhas de vacinação precisam atingir ao menos 95% do público-alvo para que uma doença fique sob controle.
Hoje, a vacina da poliomielite é admistrada em duas fases: na primeira, é dada três doses da vacina inativada (aos dois, aos quatro e aos seis meses). Na segunda fase, crianças recebem a vacina oral contra a paralisia infantil aos 15 meses e aos 4 anos.
O governo brasileiro espera que a meta seja atingida tanto na vacinação de rotina (a vacina contra a poliomielite é oferecida o ano inteiro), quanto nas campanhas em que se faz um esforço adcional para chamar a atenção da população. Neste ano, a campanha contra a poliomielite será feita entre 6 e 24 de agosto.
O alerta do Ministério da Saúde é especialmente importante porque o Brasil já sofreu recentemente a reintrodução de doenças que já estavam eliminadas do território. Esse ano, por exemplo, Roraima teve casos de sarampo importados da Venezuela. O sarampo já havia sido eliminado do país em 2016.
Entidades também reforçaram o alerta do Ministério da Saúde para que a doença não volte ao país.
A Venezuela vive uma forte crise econômica, que tem abalado o setor de saúde. Em informe sobre o caso na Venezuela, a OPAS detalhou que a criança é residente de uma comunidade indígena no estado de Delta Amacuro, onde prevalecem condições de extrema pobreza.
Foto: Divulgação/Semcom