1 de agosto de 2018 - Anadem

Campanha Unidos Contra a Corrupção recebe apoio da Anadem

Iniciativa congrega 70 propostas legislativas; Anadem reforça o Bloco 8, “Medidas anticorrupção no setor privado”, que promove a integração de grandes companhias, com destaque para as que operam no setor de Saúde no Brasil

 

ANDREW SIMEK

Nesta semana, a Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética) aderiu ao maior pacote anticorrupção do mundo, proposto pela Transparência Internacional. A campanha Unidos Contra a Corrupção, que é apartidária, foi lançada no dia 5 de junho e congrega 70 propostas legislativas, dentre elas projetos de lei, propostas de emenda constitucional e resoluções.

Enquanto Sociedade, a Anadem, ao apoiar o movimento, reforça o Bloco 8 (Medidas anticorrupção no setor privado), que trata criação de propostas que promovam integração entre as organizações, principalmente das que operam no setor de Saúde no Brasil, com a regulamentação da prática do lobby e a obrigatoriedade de criação de programas de compliance para grandes companhias.

O destaque também vai para outros pontos, que o incentivo a programas de integridade na Lei Anticorrupção, o “ClawBack”, que é a devolução dos bônus e incentivos pelos executivos envolvidos com corrupção, bem como a responsabilidade das empresas e a criminalização por corrupção privada.

“O dinheiro que é desviado pelos drenos da corrupção poderiam corrigir diversos desequilíbrios no sistema de Saúde, desde o simples atendimento de pacientes aos investimentos necessários em tecnologia de ponta. Seguramente isso seria decisivo para salvar milhares vidas. Pretendemos colaborar, e muito, com a agenda anticorrupção”, comentou o presidente da Anadem, Raul Canal.

Clique aqui e assista ao vídeo da campanha.

Foto: Reprodução

Mortalidade por câncer de pulmão entre mulheres deve aumentar em mais de 40% até 2030

Estudo publicado no ‘Cancer Research’ analisou dados de 52 países. Alta no número de mortes é atribuída ao crescimento do hábito de fumar entre elas, diz levantamento

Por G1

A taxa global de mortalidade por câncer de pulmão nas mulheres deve aumentar em 43% até 2030, de acordo com uma análise de dados de 52 países. O crescimento do hábito de fumar entre elas puxa a alta, principalmente na Europa e na Oceania, mostra estudo.

O levantamento foi publicado nesta quarta-feira (1) no “Cancer Research”, publicação científica da Associação Americana para a Pesquisa do Câncer, entidade localizada nos Estados Unidos.

Já a taxa de mortalidade pelo câncer de mama, mais alvo de políticas públicas e campanhas direcionadas a mulheres, tende a diminuir: a queda será em torno de 9% até 2030.

“Se não implementarmos medidas para reduzir os comportamentos de fumar nesta população, a mortalidade por câncer de pulmão continuará a aumentar em todo o mundo”, diz Jose Martínez-Sánchez, professor na Universidade Internacional da Catalunha.

Martínez-Sánchez e colegas analisaram dados de mortalidade por câncer de pulmão e de mama a partir de dados da Organização Mundial da Saúde (OMS): no total, eles incluíram 52 países: 29 na Europa; 14 nas Américas; 7 da Ásia; e 2 da Oceania.

As maiores taxas de mortalidade por câncer de pulmão em 2030 estão previstas na Europa e na Oceania, enquanto as taxas mais baixas de mortalidade por câncer de pulmão em 2030 estão na América e na Ásia.

Já no câncer de mama, a maior taxa de mortalidade está prevista na Europa, apesar da tendência de diminuição. O estudo encontrou menores taxas na Ásia, mas com tendência de aumento.

“Estamos vendo um aumento na mortalidade por câncer de mama na Ásia porque esta cultura está adaptando um estilo de vida ocidentalizado”, diz Martinéz-Sanchez.

O estudo foi feito tendo em vista a tendência de mortalidade a partir de 2004. A partir desses dados, cientistas projetaram a alta no número de óbitos por essas condições. Se forem implementadas mudanças e incentivos no estilo de vida, entretanto, as taxas até 2030 tendem a cair.

Foto: Eric D. Smith, Dana-Farber Cancer Institute/Divulgação

Açúcar e corrupção são maiores 'vilões' da medicina, alerta médico que defende respeito ao paciente

Aseem Malhotra é crítico de estudos científicos financiados por empresas e acredita que o açúcar deveria ser uma substância controlada

Por Tatiana Regadas, G1

Aseem Malhotra é um dos maiores críticos da medicina na atualidade. O cardiologista é o responsável pelo movimento Choosing Wisely, que é contra procedimentos médicos desnecessários e acredita no empoderamento dos pacientes.

“A nossa missão é promover conversas entre médicos e pacientes, ajudando os pacientes a escolher o cuidado que é suportado por evidências, livre de dano e realmente necessário”, diz o site do movimento.

Malhotra também é crítico do consumo de comidas ultraprocessadas e autor do livro “A dieta de Pioppi”, traduzido no Brasil como “Detox de 21 dias”.

No Brasil para o 1º Congresso Internacional de Low Carb, ele conversou com o G1 sobre o que diz ser uma epidemia de falta de informação na medicina e fez duras críticas ao financiamento de estudos cientificos feitos por empresas que têm interesse nos resultados, como as farmacêuticas.

A medicina também sofre com corrupção?
“O impacto da corrupção na medicina é devastador. Isso é um problema gigantesco e a raiz da crise de saúde. Precisa ser encarado. É preciso menos influência da indústria farmacêutica nas pesquisas. Um dos problemas é que aqueles com responsabilidade sobre a integridade científica, médicos, revistas científicas, organizações, compactuaram com a indústria por ganhos financeiros.”

Como combater as notícias falsas sobre saúde?
“O que precisamos fazer como profissionais de saúde é tornar a medicina boa novamente para que as pessoas confiem nas informações que são ditas. O jeito de fazer isso é retirar os conflitos de interesse e a influência da indústria nas pesquisas medicinais. Muitas das pesquisas publicadas não são confiáveis porque o financiamento é tendencioso. É financiado pelas empresas farmacêuticas cuja única obrigação é o lucro, e não fornecer o melhor tratamento possível.

Mas precisamos admitir ‘erramos’. A ciência evolui. Eu faço isso com meus pacientes o tempo todo, digo que sempre haverá incertezas, mas digo que vou fazer o melhor por eles baseado em todas as informações que temos. Quando todos os profissionais abraçarem essa ideia e comunicarem ao público, então as pessoas não precisarão recorrer às redes sociais para conselhos de saúde.”

Você diz que médicos também estão mal informados. Acredita que a medicina precisa se reavaliar?
“Temos o total colapso do sistema de saúde e uma epidemia de médicos mal informados e pacientes prejudicados. Isso se deve a uma série de fatores:

financiamento tendencioso de pesquisas: pesquisas são financiadas em busca de lucro e não porque beneficiará pacientes.
relatórios tendenciosos em jornais médicos
conflitos de interesses comerciais
uma má compreensão de estatísticas médicas entre os médicos e pacientes
Temos a solução para enfrentar isso, mas precisamos entender as raízes do problema antes. E uma vez que os médicos entenderem isso, nós poderemos -como profissão- fazer o que é melhor para nossos pacientes. Nenhum médico faz medicina para machucar seu paciente.”

Como pacientes e a comunidade científica podem lutar contra a influência comercial?
“A maior arma que temos contra essa falta de informação é a transparência. Nossos políticos, médicos, todos devem ser responsabilizados por decisões que eles tomam e influenciam o público, mas vai além disso. É sobre democracia. Se você está tomando decisões sobre sua saúde no dia a dia, baseado em informações tendenciosas dadas a você, isto vai contra o princípio básico da democracia.

Precisamos admitir que existe um problema no sistema. Tivemos a grande crise financeira de 2008 porque não tinha regulamentação para parar o excessos e manipulações das financeiras e das indústrias conectadas a elas. Agora, temos a mesma situação com a medicina e a bolha vai estourar logo. Do contrário nós, como sociedade, no mundo todo sofreremos. Não podemos permitir que isso continue.”

Como é o movimento Choosing Wisely (escolhendo com sabedoria, em tradução livre)?
“O principal sobre Choosing Wisely é empoderar pacientes para fazerem as perguntas corretas aos seus médicos. Curiosamente, quando os pacientes têm todas as informações sobre um procedimento ou um medicamento, a maioria escolhe não tomar ou não fazer o procedimento. O que o Choosing Wisely propõe para qualquer pessoa é que ela se pergunte: eu realmente preciso disso? O que acontece se eu não fizer? Existem outras opções? Se todos estão empoderados também faz o médico pensar um pouco mais sobre o que está fazendo. A boa notícia é que temos tantas informações e dados sobre o que significa ter uma vida saudável e estes componentes não envolvem tomar remédios.

O que você apontaria como o inimigo número 1 da saúde pública atualmente? E por quê?
“O maior contribuinte para doenças relacionadas à alimentação e obesidade, que é o maior fator para mortes e doenças crônicas no mundo atualmente, é o alto consumo de comidas ultraprocessadas. Quando você olha para o consumo de comidas deste tipo, a maior parte vem do consumo de comidas com muito açúcar e amido. Isso aumenta as chances para o fator de risco número um para ataques do coração que é a resistência a insulina. Mas também é o caminho para a diabetes tipo 2.

A melhor maneira de controlar isso é ter uma dieta livre de comidas ultraprocessadas, com particularmente pouco açúcar e poucos carboidratos processados.”

Você é muito crítico do açúcar. Acha que o açúcar deveria ser “colocado em julgamento”?
“Acho que a evidência sobre o açúcar é muito clara: primeira coisa a se dizer é que não existe uma necessidade biológica de açúcar. Não tem valor nutricional. É uma das únicas coisas que ingerimos que contribui para cáries, o que é um problema sério especialmente para crianças.

E agora está associado a diversas doenças metabólicas independentemente de calorias. Ou seja, mesmo que você se exercite e não esteja acima do peso ingerir muito açúcar vai te fazer mal. Existem quatro critérios agora que indicam que deveria ser regulamentado:

é excessivamente tóxico
é inevitável porque é adicionado em tantas comidas processadas
tem potencial para abuso
tem impacto negativo na sociedade
Devemos aprender com a história: a maior queda em mortes associadas a doenças cardiovasculares em décadas aconteceu por causa de regulamentação que focou na disponibilidade, acessibilidade e preço dos cigarros. ”

O que você considera uma dieta ideal para a maioria das pessoas?
“Acho que a coisa principal é evitar ao máximo comida ultraprocessada. No Reino Unido, metade da dieta alimentar é de comida ultraprocessada. O que eu recomendo na dieta Pioppi é uma base com muitos vegetais, não comer muitos vegetais amiláceos (considerado fontes de amido como milho, batata e mandioca), azeite de oliva, castanhas todos os dias, peixes oleosos, não consumir muito açúcar, evitar carboidratos processados, ingerir laticínios gordurosos e concentrar-se em uma boa nutrição. Se você fizer isso, melhorará em pouco tempo”.

Foto: Divulgação