Fumaça de cigarro é um risco para a saúde dos adolescentes?
Todo mundo sabe que cigarro faz mal à saúde de quem fuma. Até aí, nenhuma novidade. Todo mundo também sabe que respirar fumaça de cigarro também pode fazer mal. Mas até que ponto respirar a fumaça do cigarro pode efetivamente prejudicar a saúde dos adolescentes?
Por Ana Escobar, G1
Um recente estudo publicado em uma das revistas pediátricas de maior circulação no mundo (“Pediatrics”) revelou que estar perto de fumantes pode fazer com que os adolescentes – que normalmente tem excelente saúde – sejam obrigados a fazer mais visitas aos prontos-socorros por quadros de cansaço e doenças respiratórias.
Neste estudo foram avaliados 7,4 mil adolescentes saudáveis, sem diagnóstico de asma, que não fumavam. Destes, 25% moravam com uma pessoa que fumava dentro de casa e 35% estiveram expostos à fumaça de cigarro por mais de 1 hora na última semana.
Resultado: os adolescentes expostos à fumaça do cigarro apresentaram mais episódios de cansaço e de respiração curta, maior dificuldade na prática de exercícios físicos, mais chiado durante o exercício, tosse seca à noite, maior número de visitas ao pronto-socorro e faltaram muito mais às aulas, quando comparados com os adolescentes não expostos à fumaça.
Estes dados importantes nos mostram que quem fuma deve estar ciente de que está prejudicando não apenas a sua própria saúde, mas também a saúde das pessoas queridas com quem estão cotidianamente.
Para os profissionais de saúde, este estudo aponta que muitas vezes a causa de problemas respiratórios pode estar nas pessoas com quem os pacientes convivem.
Muitos que fumam sabem que devem parar de fumar e não conseguem. Continuem tentando parar. Mas até lá, evitem fumar em ambientes fechados, perto de quaisquer pessoas.
Prejudicar conscientemente a saúde de outras pessoas deve ser das sensações mais desconfortáveis que existem.
Foto: RealWorkHard/Pixabay/CC0 Creative Commons
Japão tem lições para dar sobre o mercado da longevidade
Somente 15% das empresas já desenvolveram planos que atendam ao crescente número de idosos
Por Mariza Tavares, G1 Rio de Janeiro
Vamos aos números da Global Coalition on Aging, entidade voltada para pensar e propor soluções para os desafios que vêm a reboque do envelhecimento da população mundial. Em 2050, haverá 2 bilhões de idosos no planeta, com um poder de compra de 15 trilhões de dólares, e somente 15% das empresas desenvolveram planos que atendam a esse contingente populacional. O mundo parece querer ignorar que a faixa etária acima de 80 é a que mais crescerá nas próximas décadas e que chegar aos 100 anos se tornará rotineiro. O que vemos é um muro de lamentações sobre como lidar com o “problema”, quando, na verdade, o que temos é que nos adaptar e criar condições para atender a esse novo perfil planetário.
Um exemplo sobre a miopia do mercado, e essa sem relação com a longevidade: segundo a revista “Fast Company”, 68% das mulheres usam manequim 44 ou acima dessa numeração. Então por que as marcas ainda insistem em não fabricar roupas para a maioria, que fica restrita a um número restrito de lojas e modelos? Quem se aventurou nesse segmento entendeu que a ditadura da moda não é inclusiva, nem democrática. O Japão, cuja população envelhece num ritmo superior ao de outros países – em 2065, os idosos representarão 40% do total – já mudou as lentes para enxergar a questão. A revista “The Economist” recentemente registrou algumas iniciativas, como a de uma cadeia de academias de ginástica e musculação que fidelizou a clientela mais velha com descontos: hoje, 30% dos frequentadores passaram dos 60.
A gigante de cosméticos Shisheido abraçou a causa por razões bem práticas: esses clientes vivem mais, se mantêm ativos e têm recursos. Tem inclusive uma equipe de maquiadoras/esteticistas que ensina os truques de beleza para essa faixa etária. O ramo das creches para os pequenos está se adaptando para construir centros de convivência e as empresas de robótica desenvolvem soluções para garantir a independência dos idosos dentro e fora de casa. Uma outra lição que os japoneses aprenderam e que deveria ser seguida à risca: para fisgar esses consumidores, não se deve tratá-los como velhinhos. A maioria mantém hábitos que tinha décadas antes, com variações e adaptações de acordo com as limitações impostas pela idade.
Esse blog tratou do tema ao mostrar o trabalho do AgeLab, ligado ao MIT (Massachusetts Institute of Technology). Seu fundador e diretor, Joseph Coughlin, é um ativista da longevidade e prega uma cartilha com cinco pontos básicos. O primeiro: o envelhecimento não é um problema médico a ser solucionado, e sim um estágio da vida a ser reinventado. O segundo: o mercado ainda oferece produtos pasteurizados e esteticamente inaceitáveis, quando os designers deveriam procurar encantar o consumidor. Terceiro: o “carimbo” de velho afasta o público, porque está associado a fragilidade e decadência, por isso o produtos devem ser simples, convenientes e charmosos, características que não têm idade. Quarto: nem sempre é o idoso que faz a compra, portanto os sites e pontos de venda deveriam focar também na faixa etária entre 40 e 50 anos, ampliando a informação disponível. Para fechar: a tecnologia tem que entender e respeitar o consumidor. De nada adianta um lançamento inovador cujo manejo e manutenção sejam complicados.
Foto: By Jordi Sanchez, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=53670151