24 de agosto de 2018 - Anadem

Falta uma semana para o fim da Campanha de Vacinação contra o sarampo e a pólio

Na quarta, Ministério da Saúde informou que 5 milhões de crianças ainda não foram imunizadas contra estas doenças
 
Por G1

 
A Campanha Nacional contra a Poliomielite e o Sarampo acaba em uma semana, no dia 31 de agosto. O Ministério da Saúde pede que os pais levem seus filhos de 1 até 5 anos até a unidade de saúde mais próxima para se proteger contra essas doenças. As vacinas são de graça e estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em um balanço divulgado na última quarta-feira (22), 5 milhões de crianças ainda não tinham sido imunizadas no país. Essa última atualização feita pelos estados mostra que 56% crianças de todo o país estão protegidas – a meta é atingir pelo menos 95%.

A campanha tem por objetivos:
Vacinar quem nunca tomou a vacina;
Completar todo o esquema de vacinação de quem não tomou todas as vacinas;
Dar uma dose de reforço para quem já se vacinou completamente (ou seja, tomou todas as doses necessárias à proteção).
Esse tipo de campanha que inclui o reforço da dose, informa o Ministério da Saúde, acontece de quatro em quatro anos e já estava prevista no orçamento da pasta. Esse ano, no entanto, a campanha é ainda mais importante dada à volta da circulação do sarampo no território brasileiro e a ameaça da poliomielite.

Todas as crianças com idade entre 1 e 5 anos precisam comparecer a uma das unidades para se prevenir contra o sarampo e evitar que os dois surtos no Amazonas e em Roraima se espalhem para outros estados. Já em relação à paralisia infantil, trata-se de uma precaução, já que 312 cidades estão abaixo da meta preconizada para o controle da doença e um caso foi registrado na Venezuela em junho. Não há, contudo, casos de paralisia infantil no Brasil.

Casos de sarampo
O Brasil teve 1.428 casos confirmados de sarampo em 2018. Os estados do Amazonas e Roraima apresentam surtos da doença, com 1.087 e 300 casos, respectivamente. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Pernambuco e Pará também apresentaram registros da doença.

Adultos também podem se vacinar
A campanha atualmente tem como público-alvo as crianças. O Ministério da Saúde, no entanto, disponibiliza duas doses para os indivíduos entre 12 meses e 29 anos, que ficam à disposição o ano inteiro no Sistema Único de Saúde independente da força-tarefa atual para a vacianação.

Na rede pública, também é possível a vacinação gratuita até os 49 anos (nesse caso, uma dose é administrada). O governo recomenda que os adultos vão até as unidades de saúde após o fim da campanha deste ano direcionada às crianças, no dia 31 de agosto, para garantir uma dose e não sobrecarregar os postos.

Quem não pode tomar a vacina?
Gestantes, casos suspeitos de sarampo, crianças menores de seis meses de idade e pessoas imunocomprometidas (com doenças que abalam fortemente o sistema imune).

A vacina é segura?
Sim, afirmam o Ministério da Saúde e a SBim (Sociedade Brasileira de Imunizações). Ela é feita de vírus atenuado (enfraquecido) e em décadas de imunização no mundo inteiro, apenas casos de alergia a produtos do leite contidos na vacina foram reportados.

Hoje, no entanto, há vacinas sem traços de lactoalbumina (proteína do leite da vaca).

Não lembro se tomei a vacina. Devo tomar?
“No sinal de qualquer dúvida sobre se tomou a vacina ou não, ou se teve a doença no passado, vale tomar a vacina. Na pior das hipóteses, a pessoa vai se imunizar à toa” — Isabela Ballalai (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Foto: Reprodução

Estudo identifica Amazônia como origem do mais recente surto de febre amarela do Brasil

Levantamento publicado nesta quinta-feira na revista Science mostra que a região amazônica foi o ponto de início do surto que matou quase 700 pessoas entre dezembro de 2016 e março de 2018

Por Edison Veiga, BBC

 

Um grupo de cientistas confirmou a origem do surto de febre amarela que, entre dezembro de 2016 e março de 2018, matou 676 pessoas no país e deixou mais de 2 mil doentes. O ponto de início da transmissão do vírus, de acordo com estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science, foi a região amazônica.

“Demonstramos que a fonte da epidemia veio de isolado viral proveniente do Norte do Brasil. Também concluímos que o vírus chegou a Minas Gerais no início de 2016 e, dali, se espalhou dentro do Estado e para os estados vizinhos a uma velocidade média de 4,25 km por dia”, diz o biólogo Luiz Carlos Júnior Alcântara, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e um dos autores do levantamento.

Para ele, a explosão do número de casos da doença não foi consequência direta do grave acidente ambiental do rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais, em 2015 – umas da hipóteses com as quais trabalhavam.

Origem
“Baseado em um novo método para analisar dados epidemiológicos e nos dados genéticos analisados em Minas Gerais, descobrimos que, apesar de ser o maior surto que o Brasil vivenciou em mais de 100 anos, ele foi caracterizado por uma transmissão silvestre, em que todos os casos em humanos eram, no fundo, resultado de uma picada de um mosquito silvestre que existe predominantemente em florestas e áreas rurais”, resumiu Alcântara.

O vírus da febre amarela tem dois ciclos epidemiológicos. No silvestre, os macacos são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus – não por acaso, na época do auge do surto no Brasil, o maior em cem anos, foram dezenas de casos de macacos mortos encontrados em parques.

Neste caso, em regiões de mata, insetos – em geral dos gêneros Haemagogus e Sabethes – picam os primatas e eles podem transmitir a doença a seres humanos que vivam na região.

Já na cidade, o mais comum é que a transmissão ocorra pelo mosquito Aedes aegypti, conhecido por transmitir dengue e zika. Neste tipo de contaminação, o inseto passa o vírus de um humano para outro. O último surto de febre amarela urbana no Brasil aconteceu em 1942.

Panorama
“A floresta amazônica é uma região ‘reservatório’, onde o vírus da febre amarela parece ter estabelecido um ciclo silvestre há algumas décadas. Os surtos de febre amarela acontecem em ciclos de 7 ou 14 anos, dependendo das regiões”, explicou à BBC News Brasil o biólogo Nuno Rodrigues Faria, pesquisador da Universidade de Oxford e o coordenador do estudo.

“E o norte do Brasil muitas vezes parece ser a origem das novas linhagens virais que causam surtos em Minas Gerais (por exemplo, nos surtos de 1934 e de 2004). É possível que existam outras espécies de animais envolvidas, e se quisermos eliminar surtos futuros é essencial entender como é que o vírus consegue persistir na floresta amazônica entre períodos de silêncio epidemiológico.”

Alcântara ressaltou que os casos de macacos infectados foram “mais dispersos” geograficamente do que os de humanos infectados. “O maior número de casos foram nas cidades de Teófilo Otoni (MG) e Manhuaçu (MG), que estão muito distantes (entre si)”, pontua o pesquisador.

O estudo demonstrou também que existiu associação temporal e espacial entre os casos em humanos e macacos – o que, segundo os pesquisadores, é característica da transmissão silvestre.

“Antes desta nossa atuação, só existiam 19 genomas do vírus da febre amarela detectados no Brasil. Em duas semanas, nós fizemos o sequenciamento de 50 genomas, utilizando um sequenciador menor que um celular. Desenvolvemos um protocolo para gerar estes genomas em tempo real, e fazendo vigilância genômica em curto espaço de tempo, útil para o Ministério da Saúde e para a Organização Mundial da Saúde.”

Os pesquisadores também identificaram que a maior parte dos contaminados (85%) foram homens, mais um indício de que a transmissão tenha sido silvestre e não urbana. “Porque nas áreas rurais os homens têm maior atividade fora das casas em contato com áreas onde existem macacos e provavelmente os mosquitos transmissores”, explicou Alcântara.

Essas descobertas, conforme acreditam os pesquisadores, poderão ajudar nas estratégicas de combate ao vírus da febre amarela, à medida que elas demonstram como ocorre a transmissão hoje em dia. Com o sequenciamento de DNA e uma intensa análise computacional, os cientistas conseguiram traçar a composição genética do vírus.

Além de identificar padrões etários – a maior parte dos afetados tinha entre 35 e 54 anos -, de gênero – 85% da incidência foi sobre homens – e a distribuição geográfica dos casos em humanos. Leia a reportagem completa.

 

Foto: Reprodução/EPTV