29 de agosto de 2018 - Anadem

Unicamp desenvolve protótipo de vacina de proteção dupla contra vírus da zika e meningite

Estudo foi desenvolvido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas, em Campinas. Vacina poderá ser adaptada a tipos diferentes de meningite, de acordo com o perfil das localidades

Por G1 Campinas e Região

Pesquisadores da Unicamp em Campinas (SP) criaram o protótipo de uma vacina capaz de proteger contra o vírus da zika e a meningite menigocócica. O estudo realizado pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), com apoio dos institutos de Biologia e Química e dois laboratórios da instituição, já resultou no pedido de registro da patente, além da publicação de um artigo na revista “Scientific Reports”.

Em entrevista ao G1, Marcelo Lancellotti, professor e orientador do estudo, explica que a combinação dessas duas doenças em uma única vacina pode otimizar a imunização.

Como bolhas de sabão
A ideia de reunir as duas patologias surgiu como um estalo enquanto o pesquisador lavava louça em casa.

Ao observar duas bolhas de sabão se unindo, refletiu sobre as características próximas entre as moléculas das doenças. As estruturas químicas do vírus da zika e da bactéria causadora da meningite são semelhantes.

“Elas são feitas por membranas muito parecidas com as nossas membranas celulares. Foi um estalo lavando louça. Imaginei as duas moléculas, de zika e meningite, juntas”.

Vacina personalizada
A FCF já estudava uma vacina para meningite há cerca de seis anos quando surgiu a possibilidade de combiná-la com o vírus da zika. A pesquisa também destaca que vacina poderá ser personalizada com diferentes tipos de meningite, no futuro.

Anticorpos
Para juntar meningite e zika, os pesquisadores usaram uma técnica chamada de cisalhamento, caracterizada pela agitação. Em seguida, a fusão foi usada para imunizar camundongos e os primeiros resultados surgiram: os animais desenvolveram anticorpos contra vesículas produzidas pela bactéria da meningite e o vírus.

A resposta, destaca Lancellotti, é imunológica e não representa resposta contra as doenças, uma vez que os animais testados não se infectam com os dois itens analisados durante o estudo.

A próxima etapa é dar continuidade aos testes para verificar a possibilidade de produzi-la em escala industrial. Lancellotti estima no mínimo mais cinco anos de estudos para que a vacina possa ser disponibilizada.

Além de mencionar que a metodologia é mais barata e simples, quando comparada à técnica de DNA recombinante (gene do vírus da zika é removido e introduzido em bactéria), ele ressalta que outra vantagem está no fato de que não usa ovos embrionários, comum, por exemplo, na vacina da gripe.

Foto: Antoninho Perri/Unicamp

Filhos de fumantes 'têm mais chance de morrer' de doenças de pulmão na vida adulta

Já era sabido que crianças cujos pais fumam têm mais risco de desenvolver problemas pulmonares ou vasculares na infância, mas pesquisa da Sociedade Americana do Câncer agora mediu impacto na vida adulta – e ele é preocupante


Por BBC

Crianças que crescem ao lado de adultos fumantes têm mais risco de morrer de uma doença grave de pulmão, mesmo se elas próprias não fumarem na vida futura.

É o que aponta uma nova pesquisa da Sociedade Americana do Câncer. Já era sabido que crianças cujos pais fumam têm mais risco de desenvolver problemas pulmonares ou vasculares na infância – como asma ou aumento da pressão sanguínea. Mas nunca antes uma pesquisa havia demonstrado o efeito na vida adulta.

A pesquisa analisou a saúde de 70,9 mil pessoas não fumantes, homens e mulheres, que vinham sendo acompanhadas há mais de duas décadas. Um terço delas, inclusive, já tinha falecido antes da pesquisa.

O resultado da análise é que as pessoas que conviveram com um adulto fumante apresentaram mais complicações de saúde ao longo da vida.

A exposição a fumaça de cigarro na infância, por dez horas ou mais por semana, aumentou o risco de morte na vida adulta por doença pulmonar obstrutiva crônica em 42%, doença cardíaca isquêmica em 27%, e acidente vascular cerebral em 23% – em comparação com aqueles que não conviveram com fumantes quando crianças.

O estudo foi publicado no periódico científico “American Journal of Preventive Medicine”.

Parar de fumar é a melhor forma de proteger as crianças – e a si próprio
Segundo os pesquisadores, a melhor forma de proteger as crianças é parar de fumar.

“Este último estudo dá mais um argumento para retirar a fumaça de perto das crianças. A melhor forma de fazer isso é os pais pararem de fumar”, afirma Hazel Cheeseman, do grupo ativista Action on Smoking and Health (Ação sobre o Fumo e a Saúde, na tradução livre para o português).

Foto: Pixabay