Empresa de assistência técnica afiliada à Anadem brilha em defesa de médica associada
Foi atestado que a paciente já havia realizado oito cirurgias abdominais prévias e as condições de como foi encontrada a compressa cirúrgica em seu abdômen não se relacionava com o tempo transcorrido entre uma cirurgia e outra
Após realizar uma cirurgia de histerectomia (retirada do útero), uma paciente requereu indenização por danos estéticos, morais e materiais na justiça em desfavor de uma médica, associada à Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética) e do hospital no qual foi realizada a cirurgia, por conta de uma compressa cirúrgica que teria ficado retida no abdômen dela após o procedimento. Laudo de assistência técnica filiada à Sociedade foi prova substancial para julgamento favorável da médica associada.
Em defesa, foi atestado que a paciente já havia realizado oito cirurgias abdominais prévias e as condições de como foi encontrada a compressa na laparotomia exploradora, realizada 1 ano e 3 meses após a histerectomia, totalmente encapsulada, não se relacionava com o tempo transcorrido entre uma cirurgia e outra. O estudo científico Crossen & Crossen, de 1940, esclarece que existe um período mínimo de dois a três anos para a ocorrência do encapsulamento.
Durante a instrução processual, foi produzida uma prova pericial com baixa qualidade técnica, feita por intermédio de textos plagiados da internet, com a denominação de ação trabalhista, de forma errônea, por se tratar na realidade de uma ação indenizatória. A conclusão tomada, desprovida de conteúdo técnico, foi a retenção da compressa por ocasião da histerectomia, realizada pela médica ginecologista obstétrica.
O laudo foi impugnado pela defesa sob responsabilidade de um escritório de advocacia credenciado à Anadem. Foi apresentado o laudo da assistência técnica com conclusão totalmente contrária a possibilidade de ter sido deixada a compressa durante a histerectomia, além da discussão sobre a responsabilidade pela contagem do material, que foi da equipe de enfermagem indicada pelo hospital para participar do procedimento operatório, sem relação de vinculação ou subordinação com a médica assistente.
DECISÃO JUDICIAL
A sentença proferida julgou em parte procedentes os pedidos da inicial, para condenar, solidariamente, a associada e o hospital em R$ 40 mil a título de danos morais, corrigidos monetariamente pelo INPC a partir 22 de novembro de 2017 e com juros de mora de 1% ao mês desde a citação, e R$562,47 a título de danos materiais, corrigidos monetariamente pelo INPC desde a data do desembolso e com juros legais de 1% ao mês desde a citação.
Houve apelação por parte da paciente, médica e hospital pela decisão tomada no julgamento. Em resultado dos apelos pelos desembargadores da 3ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, foi fornecido recurso da médica associada para excluir sua responsabilidade, cujo dano é atribuível somente à conduta da equipe de auxiliares do quadro próprio do Hospital, única responsável pela contagem das compressas cirúrgicas.
Nos termos do voto da eminente desembargadora relatora, houve destaque do trecho do laudo da assistência técnica contratada pela Anadem, que esclareceu bem a questão: “(…) não há responsabilidade coletiva numa atividade personalíssima como é a medicina (o instrumentador não responde por erros cirúrgicos ou anestésicos), nem em equipes onde cada um tem atribuição específica. O médico não pode adiar indefinidamente o fechamento da cavidade, enquanto faz múltiplas verificações da cavidade, se o instrumentador confirma a contagem das compressas”.
PROCESSO Nº 2012.01.1.091272-0
Fundação Gates, em parceria com Ministério da Saúde e CNPq, financia 25 projetos em primeiro programa só para brasileiros
Por meio do Grand Challenges Explorations, as três instituições investiram juntas 2,5 milhões de dólares em projetos com foco em resistência antimicrobiana e ciência de dados para melhorar saúde materno-infantil
Por Ministério da Saúde
Um sistema sustentável e de baixo custo para remover bactérias resistentes a antibióticos de esgotos e efluentes. Um cruzamento de indicadores de saúde com informações sobre poluição do ar para identificar possíveis impactos das emissões na saúde de gestantes e crianças. Estes são exemplos de projetos financiados pelas duas chamadas do primeiro Grand Challenges Explorations (GCE) voltado apenas para pesquisadores brasileiros: Ciência de Dados para Melhorar a Saúde Materno-Infantil no Brasil e Novas Abordagens para Caracterizar a Prevalência de Resistência aos Antimicrobianos.
As duas chamadas receberam mais de 338 projetos de todo o Brasil e 61% deles estavam dentro do tema. Ao final do processo de seleção, foram financiados 25 projetos: 14 pela chamada em Ciência de Dados e 11 na de Resistência a Antimicrobianos. Cada inovador receberá 100 mil dólares para desenvolver suas ideias em 18 meses. A expectativa é que eles auxiliem gestores a definir melhores políticas públicas nestas duas áreas.
“A resposta às primeiras duas chamadas do Grand Challenges Explorations-Brazil superou as expectativas da Fundação pelo número de projetos enviados e pela alta qualidade das propostas”, afirmou Steven Buchsbaum, Vice-Diretor de Discovery & Translational Sciences da Fundação Bill & Melinda Gates.
“O SUS é o maior sistema público de saúde do mundo e atende um país diverso e de dimensões continentais. Essa é uma parceria estratégica porque nos permite compreender os perfis da nossa população e alimentar os nossos bancos de dados, o que colabora para uma melhor orientação das políticas públicas. Além disso, apresenta soluções reais e a baixo custo que possam, de fato, ser implementadas”, pontuou Marco Fireman, Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.
Desde 2007, o GCE financia ideias e soluções inovadoras do mundo inteiro para grandes desafios em saúde, desenvolvimento e agricultura. Entre eles estão a nova geração da camisinha e inovações para garantir o transporte de vacinas nas áreas mais remotas do planeta, por exemplo. Desde 2009, 14 brasileiros foram apoiados por essas chamadas abertas a inovadores do mundo todo.
O Grand Challenges Explorations Brasil é o primeiro focado especificamente num único país. É um dos resultados da parceria entre a Fundação Gates e o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) firmada em 2011 e renovada em 2017. Pelo acordo, ambas as partes investem igualmente em projetos de pesquisa. Além do financiamento de 100 mil dólares da Fundação Gates, os brasileiros ainda podem receber um adicional de 25% a 50% do valor total de 17 Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de seus estados.
“O Brasil é um líder global em pesquisa de ponta em saúde. Trabalhamos com parceiros brasileiros no Ministério da Saúde e no CNPq para aproveitar ao máximo as inovações em ciência de dados e as ferramentas para melhor caracterizar a resistência antimicrobiana”, afirma Steven Buchsbaum. “Essas soluções beneficiarão não só os programas brasileiros como também outros países do mundo que enfrentam desafios semelhantes”.
Pesquisadores financiados pela chamada de Ciência de Dados irão utilizar coorte de 100 milhões de brasileiros do Cidacs
Conceitos de ciência de dados, como big data e machine learning, têm sido largamente empregados no mundo dos negócios para gerar insights. O Brasil inova com a chamada do Grand Challenges Explorations ao aplicá-los à saúde com o objetivo de melhorar políticas públicas nesta área. O cruzamento de várias bases de dados gera informações que podem guiar intervenções e programas capazes de melhorar a vida de mulheres e crianças.
Entre os 14 contemplados na chamada Ciência de Dados para Melhorar a Saúde Materno-Infantil no Brasil, a maioria vai utilizar a gigante base de dados do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) para desenvolver os projetos em saúde materno-infantil. O pesquisador vai poder acessar informações anonimizadas de mais da metade da população brasileira oriundas da vinculação de bases de dados que trazem informações sobre mortalidade, nascimentos e programas sociais, por exemplo.
Alexandra Brentani, professora da Faculdade de Medicina da USP, propôs, por exemplo, cruzar dados de saúde infantil da coorte de 100 milhões de brasileiros do Cidacs com dados de poluição do ar obtidos por satélites para estabelecer limites críticos de poluição do ar e prevenir problemas no nascimento e malformações no feto.
Já Erika Barbara Thomaz, PhD pela Universidade Federal do Maranhão, pretende combinar as diferentes fontes de dados nacionais para investigar as causas de nascimentos prematuros. A ideia é criar um modelo de machine-learning com esses dados para dar suporte a decisões clínicas do médico no momento do atendimento às gestantes.
Especialistas focam em tratamento de efluentes para combater resistência antimicrobiana no Brasil
A chamada Novas Abordagens para Caracterizar a Prevalência de Resistência aos Antimicrobianos vai financiar três projetos que propõem técnicas inovadoras e de baixo custo para tratar as águas e eliminar antibióticos resistentes e outras substâncias de efluentes.
A professora de engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais, Camila Amaral, por exemplo, vai testar um sistema sustentável de oxidação por meio da luz solar para remover bactérias resistentes a antibióticos e seus genes de esgotos e águas residuais.
O professor da Universidade Federal de Viçosa, Tiago Antonio de Oliveira Mendes, por outro lado, optou por utilizar um filtro de celulose para a captação e retenção de moléculas de antibióticos presentes nos efluentes. A proposta de Tiago é inovadora pois, atualmente, a remoção de resíduos de antibióticos dos esgotos baseia-se principalmente em processos químicos e métodos físicos que exigem tecnologias e manutenção caras.
Sobre a Fundação Bill & Melinda Gates
A Fundação Bill & Melinda Gates acredita que todas as vidas têm o mesmo valor e trabalha para garantir que todos tenham uma vida saudável e produtiva. A organização está focada em melhorar a saúde das pessoas para dar a elas a chance de se libertarem da fome e da extrema pobreza. Baseada em Seattle, Washington, a fundação é comandada pelo CEO Jeff Raikes e co-presidida por William H. Gates, sob a direção de Bill e Melinda Gates e Warren Buffet.
Sobre o Grand Challenges Explorations
Em 2007, a Fundação Gates lançou o Grand Challenges Explorations para financiar projetos inovadores desafios e temas específicos. A Fundação acredita que boas ideias podem nascer em todos os lugares. Duas vezes ao ano, o Grand Challenges Explorations lança chamadas com desafios específicos. O projeto vencedor recebe 100 000 dólares para ser desenvolvido em 18 meses e pode aplicar a um financiamento adicional de 1 milhão de dólares ao final deste período. Qualquer pessoa de qualquer formação pode enviar propostas. No Brasil, uma parceria com Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) garante um aporte adicional de 25.000 a 50.000 dólares a inovadores de seus estados que tiverem suas ideias selecionadas pelo programa.
Foto: Divulgação/MS
Cientistas investigam como peixe pode ajudar na regeneração de corações humanos
Estudo identificou um gene na espécie tetra mexicano que pode ser a chave para esta capacidade de o órgão se reparar após sofrer lesões
Por O Globo
LONDRES – Uma pesquisa financiada pela Fundação Britânica do Coração (BHF, na sigla em inglês) identificou que o peixe tetra mexicano pode reparar seu próprio coração após sofrer danos. O novo estudo do grupo de pesquisadores, publicado na Cell Reports, sugere que um gene chamado lrrc10 pode ser a chave para esta capacidade. Os cientistas esperam que, no futuro, a descoberta possa ajudar a regenerar também o coração humano.
Há cerca de 1,5 milhões de anos, os peixes tetra (Astyanax Mexicanus) que vivem nos rios do norte do México foram periodicamente lavados por enchentes sazonais. Com o tempo, o dilúvio tornou-se menos frequente e acabou por ser interrompido. Isso criou o ambiente perfeito para diferentes membros da mesma espécie se adaptarem e evoluírem para se adaptarem a seus diferentes habitats – o rio e as cavernas.
Até hoje, os peixes de superfície que ainda vivem nos rios do México mantiveram sua capacidade de reparar o tecido cardíaco. No entanto, o peixe em uma caverna particular, chamado Pachón, perdeu essa capacidade. Eles também perderam a cor e a visão.
Mathilda Mommersteeg, líder da pesquisa, e sua equipe da Universidade de Oxford compararam o código genético do peixe do rio com o da caverna para descobrir que mecanismos especiais são necessários para o reparo do coração. Eles descobriram que três áreas do genoma dos peixes estavam implicadas na capacidade do peixe de reparar seus corações.
Os pesquisadores também compararam a atividade dos genes no rio versus o peixe da caverna no período após a lesão cardíaca. Dois genes, lrrc10 e caveolin eram muito mais ativos nos peixes do rio e poderiam ser fundamentais para permitir que os peixes do rio consertassem seus corações.
Lrrc10 já está ligado a uma doença cardíaca chamada cardiomiopatia dilatada (DCM) em pessoas. Estudos em ratos mostraram que esse gene está envolvido no modo como as células cardíacas se contraem a cada batida do coração.
Os cientistas passaram a estudar o efeito desse gene no peixe-zebra, mais um peixe que tem a notável capacidade de curar seu próprio coração. Quando a equipe inativou o gene lrrc10 em peixes-zebra, eles viram que o peixe não podia mais ser totalmente reparado em seus corações.
Efeito para humanos
O coração humano não tem a capacidade natural de se reparar. Quando alguém sofre um ataque cardíaco, o músculo cardíaco fica danificado e o tecido cicatricial se forma. Esse tecido impede que o órgão se contraia adequadamente, tornando mais difícil para o coração bombear o sangue pelo corpo. Essa perda de capacidade de bombeamento é chamada de insuficiência cardíaca. Muitas vezes, a única cura é um transplante de coração. Os pesquisadores esperam que, ao desvendar as capacidades desses peixes, um dia possa ser possível curar os corações humanos da mesma maneira.
Mommersteeg, que é professora associada de Medicina Desenvolvente e Regenerativa da Universidade de Oxford, que liderou a pesquisa, disse: “Um verdadeiro desafio até agora era comparar danos no coração e reparar em peixes com o que vemos em humanos. Mas, olhando para o peixe do rio e a caverna lado a lado, conseguimos separar os genes responsáveis pela regeneração do coração”.
Ela acrescenta: “A insuficiência cardíaca é uma doença cruel e debilitante que mais de meio milhão de pessoas em todo o Reino Unido estão vivendo. É cedo, mas estamos incrivelmente empolgados com esses peixes notáveis e com o potencial de mudar a vida de pessoas com corações danificados ”.
Foto: Divulgação/ BHF
População vulnerável submetida a ondas do calor cresceu em todo mundo
De acordo com a publicação, o número de pessoas consideradas vulneráveis que foram submetidas a uma onda de calor aumentou em 157 milhões na comparação com 2000 e em 18 milhões comparado a 2016.
Por Agência Brasil
A elevação da temperatura global aumentou a exposição de populações vulneráveis a ondas de calor extremo em todas as regiões do mundo no ano passado. A informação consta de estudo sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde feito por especialistas de 27 instituições internacionais em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e divulgado hoje (28) na revista médica “The Lancet”, em Londres.
As regiões com maior risco são a Europa e o Leste do Mediterrâneo, que tem mais de 40% da população acima de 65 anos, faixa etária mais vulnerável. Já as populações da América do Sul e parte da Ásia estão mais expostas a enchentes e secas.
De acordo com o estudo, são consideradas populações vulneráveis os idosos, principalmente em áreas urbanas; os profissionais que trabalham expostos na agricultura, na área de construção e trabalhadores manuais. Também apresentam maior vulnerabilidade às variações climáticas pessoas que tem condições médicas pré-existentes, como doenças neurológicas, cardiovasculares, pulmonares renais e diabetes.
Os pesquisadores mostram que um dos efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde é o chamado estresse por calor. Os médicos explicam que o corpo humano precisa manter uma temperatura média de 37º para funcionar normalmente. Quando expostos ao calor extremo, os mecanismos de defesa do corpo se alteram, com a dilatação das veias para aumentar o fluxo de sangue e o aumento do suor para equilibrar a temperatura, causando estresse nas funções de alguns órgãos.
A publicação já identificou que 2018 tem sido um ano ainda mais quente em muitas partes do mundo e que a mortalidade por exposição a calor extremo já é uma realidade. A poluição do ar por carvão, por exemplo, é atribuída pelo estudo como causa de 16% das mortes em todo o mundo.
Ainda segundo a pesquisa, o calor agrava a poluição do ar e 97% das cidades em países de baixa e média renda não atendem às diretrizes de qualidade do ar da OMS. O relatório destaca também que o aumento da temperatura fora de época aumenta a propagação da cólera e da dengue em áreas endêmicas.
Outro fator do aquecimento global que afeta na questão da saúde é o risco de insegurança alimentar para os mais pobres, uma vez que os indicadores apontam uma tendência de redução no rendimento das colheitas em todas as regiões do mundo.
Impacto no trabalho
A pesquisa revela ainda, pela primeira vez, que o calor extremo tem impacto na capacidade laboral. Em 2017, as altas temperaturas resultaram na perda de 153 bilhões de horas de trabalho em 2017.
Segundo o relatório, a China perdeu 21 bilhões de horas, o equivalente a um ano de trabalho para 1,4% de sua população ativa. A Índia perdeu 75 bilhões de horas, o que representa 7% de sua população total de trabalhadores.
Soluções
Os autores sugerem o fortalecimento de regulamentos trabalhistas para proteger os trabalhadores, além da melhoria nas condições de hospitais e sistemas de saúde e aumento dos esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Os especialistas alertam que os gastos para adaptação aos efeitos do aquecimento global para a saúde ainda são inadequados, da ordem de 11,68 bilhões de libras, o que representa apenas 4,8% de tudo o que é investido no mundo em ações de adaptação para mudanças climáticas.
A pesquisa faz parte do projeto “Lancet Countdown: acompanhando o progresso em saúde e mudanças climáticas”, que foi lançado em 2015 depois que a revista The Lancet concluiu que as mudanças climáticas são a maior ameaça à saúde pública no século 21. A revista médica também projeta que os efeitos do aquecimento global podem anular os avanças na saúde conquistados nos últimos 50 anos.
Foto: Issei Kato/Reuters/Direitos reservados
Morte de crianças por câncer caiu 13% em 10 anos, diz Saúde
A pasta atribui a queda a melhorias na detecção e no tratamento precoce do câncer nos serviços de saúde
Por Agência Brasil
O Ministério da Saúde informou hoje (28) que o número de óbitos por câncer de crianças com idade até 14 anos caiu 13,4% entre os anos de 2006 e 2016. Em 2006, houve 2.222 mortes de crianças nessa faixa etária. Em 2016, o número caiu para 1.924 óbitos. Entre menores de 1 ano, o número de mortes caiu 27,8%. Entre as crianças de 1 a 4 anos, a queda foi de 9%, e entre os de 5 a 14 anos, a redução foi de 13,4%. Os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).
A pasta atribui a queda a melhorias na detecção e no tratamento precoce do câncer nos serviços de saúde. “Isso é imprescindível, pois, para a obtenção de melhores resultados, é preciso ter diagnóstico precoce e o ágil encaminhamento para início de tratamento. Houve também importante mudança de tecnologia no tratamento do câncer, muitos procedimentos cirúrgicos, desnecessários, foram reduzidos”, disse a diretora do Departamento de Doenças e Agravos Não Transmissível e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde, Fatima Marinho, por meio da assessoria de imprensa.
Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores as chances de cura. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 80% das crianças e adolescentes que têm câncer podem ser curados se receberem diagnóstico precoce e forem tratados em centros especializados, e a maioria tem boa qualidade de vida após o tratamento correto.
“Um dos principais fatores prognósticos do câncer, seja em crianças ou em adultos, é o diagnóstico precoce”, afirma o oncologista pediátrico e coordenador da unidade de transplante de medula do Hospital do GRAACC, especializado no tratamento e pesquisa do câncer infantojuvenil, Victor Gottardello Zecchin. “Também é muito importante que os pacientes diagnosticados sejam tratados em centros específicos. Quando a criança é tratada em um hospital geral, o resultado normalmente é inferior de quando é tratada em centros voltados a esse tipo de tratamento. Nesses locais, as equipes são mais especializadas e os recursos são mais direcionados”, disse Zecchin.
O oncologista destacou que, nos últimos anos, as técnicas de diagnóstico avançaram muito, os exames de imagens estão melhores e há também mais acesso a esses exames. “Tudo isso ajuda bastante. Além do desenvolvimento de drogas mais específicas para tratar diferentes tipos de tumores. Quando é mais específico, o tratamento é menos agressivo e mais eficaz”, explicou. “E, a partir do momento que fazemos mais diagnósticos, os pacientes passam a chegar mais aos centros de tratamento. Provavelmente temos pacientes que ainda devem morrer sem saber que têm um câncer.”, lamenta.
Apesar dos avanços, o câncer continua sendo a principal doença que causa a morte de crianças de 5 a 14 anos, mesmo com a redução observada nos últimos anos. Os tipos de cânceres mais comuns entre crianças e adolescentes são as leucemias, seguidas por linfomas e tumores cerebrais. No Brasil, o câncer infantojuvenil responde por 3% de todos os tipos de câncer.
Segundo Zecchin, ainda existe uma tendência dos pediatras de evitar “até pensar” em câncer. “Portanto, uma das principais ações da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica há tempos é oferecer educação continuada aos médicos pediatras, pois são eles que nos consultórios e postos de saúde podem desconfiar do diagnóstico e encaminhar esses pacientes para centros especializados.”
Além disso, o especialista ressalta a importância de as famílias serem educadas para ficar atentas aos sinais. “Os sintomas do câncer em crianças são semelhantes aos de outras doenças comuns na infância, como doenças virais e infecções bacterianas. A principal diferença é a persistência dos sintomas, como febre prolongada, aumento de gânglios, manchas roxas, entre outras.”
Nas crianças os sintomas de câncer costumam incluir palidez, hematomas, sangramento, dor óssea, perda de peso inexplicada, caroços ou inchaços, alterações oculares, inchaço abdominal, dores de cabeça persistente, vômitos, dor em membros e inchaço sem trauma.
Tratamento
O Sistema Único de Saúde (SUS) garante todo o tratamento de pacientes com neoplasias malignas, por meio da Rede de Atenção a Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas. O SUS realiza anualmente mais de 623 mil biópsias e cirurgias de câncer, mais de 2,98 milhões de procedimentos de radioterapia e mais de 1,45 milhão de procedimentos de quimioterapia.
Para ter acesso a tratamento oncológico pelo SUS, independentemente do tipo de tumor, o paciente deve buscar atendimento em estabelecimentos habilitados como Unacon ou Cacon, que oferecem assistência especializada e integral, atuando no diagnóstico, estadiamento e tratamento de câncer.
O Ministério da Saúde também informou que o investimento público no tratamento de câncer aumentou. Os recursos federais destinados a esses tratamentos no SUS passaram de R$ 2,2 bilhões, em 2010, para R$ 4,6 bilhões em 2017.
Foto: Gazeta Norte Mineira
Cientistas brasileiros criam parasita transgênico que é nova esperança contra a malária
Enzima encontrada em camarão luminoso está ajudando pesquisadores a testar drogas que bloqueiam a transmissão da doença
Por G1
Uma enzima encontrada em um camarão luminoso está ajudando pesquisadores a testar drogas que bloqueiam a transmissão da malária.
Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) criaram um parasita transgênico e introduziram em seu DNA a sequência genética responsável pela produção da nanoluciferase, uma proteína fabricada comercialmente pela empresa americana de biotecnologia Promega a partir da substância extraída do crustáceo.
No laboratório, o micro-organismo transgênico é colocado em contato com a droga que se quer testar. Se ela for ineficiente, ou seja, incapaz de impedir a transmissão da doença, a nano luciferase emite luz.
Inicialmente, foram testadas 400 substâncias, das quais nove se mostraram eficientes contra o parasita causador da malária. Elas funcionariam como uma espécie de “cura” do mosquito. Quer dizer, eliminariam a capacidade do inseto de transmitir a doença.
O ciclo de vida do parasita da malária
Para entender o funcionamento do teste é preciso saber um pouco sobre o ciclo de vida do Plasmodium, o protozoário que causa a malária.
Segundo o pesquisador Daniel Youssef Bargieri, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), responsável pela equipe que criou o micro-organismo transgênico, a malária é causada em humanos por pelo menos cinco espécies do Plasmodium – mas são conhecidas cerca de cem, que infectam outros primatas, aves, répteis e vários mamíferos.
“No nosso laboratório, usamos como modelo de estudo o Plasmodium berghei, que infecta camundongos, não pessoas”, conta.
De acordo com Bargieri, o ciclo de vida do micro-organismo é complexo. “Ele se multiplica no sangue, dentro de hemácias. É essa proliferação que causa a doença que conhecemos como malária”, explica.
Durante o processo, contudo, parte dos parasitas no sangue pode se transformar em gametócitos, uma fase sexuada (ou seja, com machos e fêmeas) em que o protozoário deixa de se multiplicar.
Nessa fase, caso o indivíduo contaminado seja picado por um mosquito do gênero Anopheles, que é o agente transmissor do Plasmodium, o protozoário reinicia o ciclo, infectanto outro hospedeiro.
Drogas mais eficazes para impedir a transmissão da doença
Hoje existem medicamentos que tratam a malária em humanos de maneira bastante eficaz. Em poucos dias, o paciente é curado. Essas drogas agem contra as formas do parasita que se multiplicam no sangue (aquelas que causam a doença).
“O tratamento não é muito eficaz, no entanto, contra os gametócitos”, diz Bargieri.
“Ou seja, a pessoa é curada, mas continua carregando as formas do micro-organismo que são transmitidas para o mosquito. Isso significa que, mesmo depois do tratamento, ela pode ser fonte de transmissão.”
Por isso, o pesquisador e seu grupo decidiram criar um modelo para testar drogas que sejam capazes de impedir que isso ocorra.
“Para isso, criamos o parasita transgênico que produz a nanoluciferase apenas quando há a formação de um zigoto”, explica o pesquisador.
Assim, ele emite luz quando os gametócitos se transformam em gametas e esses fertilizam para formar um zigoto – o que significa que a substância testada não é eficiente contra a transmissão.
Ele conta que o experimento foi feito em poços bem pequenos de placas de laboratório – cada uma delas tem 96, mas existem outras com 384 e 1.536 poços. Em cada um deles é colocada uma droga diferente.
“Depois, nós colocamos os gametócitos nos poços, em condições em que eles acham que estão no mosquito, isto é, em um meio de cultura que imita as condições encontradas pelo parasita no organismo do inseto”, explica Bargieri.
“Ocorre, portanto, a fertilização e, depois de seis horas, conseguimos medir quanto de luz cada pocinho emite. Se houver emissão, é porque ocorreu a fertilização. Caso contrário, é porque ela não aconteceu. Com esse micro-organismo transgênico, podemos testar milhares de drogas ao mesmo tempo, procurando aquelas que impedem a emissão de luz, ou seja, as que evitam a fertilização.”
Resistência do parasita leva à busca por novas drogas
Embora existam vários remédios eficientes para o tratamento da malária, sempre há uma corrida em busca de novos, pois, com o tempo, o parasita desenvolve resistência a eles.
“Além disso, as drogas disponíveis atualmente são pouco eficazes contra as formas do micro-organismo que são transmitidas ao mosquito vetor. Há o interesse em se desenvolver medicamentos ou vacinas que possam bloquear a transmissão.”
De quatro das nove drogas promissoras não se conhecia a capacidade de evitar a transmissão da malária. Além das 400 iniciais, o grupo da USP já testou outras 9 mil.
“Agora, estamos avaliando os resultados e definindo as mais promissoras, para que sejam testadas em outros modelos com parasitas que infectam humanos”, informa Bargieri.
“Esses testes são realizados inicialmente oferecendo sangue infectado aos mosquitos”, explica.
“Caso as substâncias que encontramos sejam eficazes no bloqueio da infecção do inseto (bloqueio da transmissão), a etapa seguinte seria testar clinicamente.”
Além disso, o experimento também serviu para validar o método de triagem das substâncias.
Aquelas que se mostrarem com potencial contra a transmissão, entrarão em um grupo de drogas estudadas como potencialmente antimaláricas e que agem em diferentes estágios do desenvolvimento do parasita.
A ideia é que aquelas que bloqueiam a transmissão sejam administradas em combinação com os medicamentos atuais, de modo que a pessoa volte para casa curada e sem transmitir a doença.
Foto: Jim Gathany/CDC/Reuters
Brasil registra queda de 16% no número de detecções de Aids
Ministério da Saúde fez balanço nesta terça-feira (27), véspera do Dia Mundial de Luta contra a Aids. Taxa de mortalidade também caiu nos últimos quatro anos
Por Bem Estar
O Brasil registrou uma redução de 16% no número de detecções de Aids nos últimos seis anos, segundo o Boletim Epidemiológico divulgado nesta terça-feira (27) pelo Ministério da Saúde.
Em 2012, a taxa de detecção era de 21,7 casos por cada 100 mil habitantes e, em 2017, foram 18,3, uma queda de 15,7%.
Ainda segundo o boletim, nos últimos quatro anos também houve queda de 16,5% na taxa de mortalidade pela síndrome passando de 5,7 mortes por 100 mil habitantes em 2014 para 4,8 óbitos em 2017.
Para o ministério, a ampliação do acesso à testagem e a redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento são razões para a queda. O diagnóstico precoce é importante para que a pessoa com o vírus HIV não desenvolva Aids e controle o vírus no organismo com os remédios disponíveis.
O boletim mostra ainda a diminuição da transmissão vertical do HIV, quando o bebê é infectado durante a gestação. A taxa de detecção de HIV em bebês reduziu em 43% entre 2007 e 2017, caindo de 3,5 casos para 2 por cada 100 mil habitantes. O aumento de testes realizados na Rede Cegonha contribuiu para a identificação de novos casos em gestantes. Em 2017, a taxa de detecção foi de 2,8 casos por 100 mil habitantes.
Nos últimos 7 anos, houve ainda redução de 56% de infecções de HIV em crianças expostas ao vírus após 18 meses de acompanhamento. Os novos dados ainda mostram que 73% das novas infecções de HIV ocorrem no sexo masculino, sendo que 70% dos casos entre homens estão na faixa de 15 a 39 anos.
De 1980 a junho de 2018, o Brasil registrou 926.742 casos de Aids no Brasil, uma média de 40 mil novos casos por ano. O número anual de casos de Aids vem diminuindo desde 2013, quando atingiu 43.269 casos; em 2017 foram registrados 37.791 casos.
Autoteste gratuito
O ministério informou ainda que a partir de janeiro, também haverá na rede pública a oferta do autoteste de HIV para populações-chave.
Serão distribuídas 400 mil unidades deste tipo de teste, inicialmente como um projeto piloto nas cidades de São Paulo, Santos, Piracicaba, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e São Bernardo do Campo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Manaus.
Atualmente, o autoteste de HIV já é vendido nas farmácias privadas do país, mas os resultados não podem ser utilizados para o diagnóstico definitivo. O Ministério da Saúde orienta que em caso de teste positivo o usuário busque o serviço de saúde para testes complementares.
Nas caixas de autoteste distribuído pelo SUS, haverá um número 0800 do fabricante para tirar dúvidas e dar orientações aos usuários. Este serviço funcionará 24 horas e 7 dias por semana. Além disso, o usuário pode tirar dúvidas pelo Disque Saúde 136 e no site www.aids.gov.br/autoteste.
Tratamento
Segundo o Boletim Epidemiológico, da estimativa de pessoas infectadas pelo vírus no país, 84% estão diagnosticadas e, portanto, têm conhecimento do estado sorológico.
Embora essa taxa tenha se mantido de 2016 para 2017, o índice de pessoas em tratamento aumentou, passando de 60% para 75%. Até setembro de 2018, 585 mil pessoas estavam em tratamento para Aids no Brasil. Destes, 87% estão fazendo tratamento com o remédio Dolutegravir.
A meta da Organização das Nações Unidas (ONU) para 2020 é que o percentual de diagnosticados chega a 90%. Destes, espera-se que 90% façam tratamento e que 90% também cheguem ao nível indetectável de HIV no sangue — estado de tamanha baixa na concentração do vírus que a chance de transmissão do vírus é quase nula.
Atualmente, o Brasil tem 866 mil pessoas portadoras do HIV ou com Aids, segundo estimativa o Ministério da Saúde. Destas, 92% estão com o vírus indetectável.
“A pessoa que é indetectável não transmite o HIV. É um benefício pessoal porque não adoece e não morre, e não transmite o vírus”, disse a diretora do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis IST, HIV, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, durante o lançamento da campanha de prevenção ao vírus.
O tratamento é totalmente gratuito e oferecido pelo Sistema Único de Saúde.
Embora as taxas estejam aumentando em direção às recomendações da ONU, em termos numéricos, houve um aumento gradual no número de casos diagnosticados de HIV entre 2012 e 2017, passando de 491 mil para 731 mil pessoas.
“É um momento de reflexão pelos avanços que temos conseguido”, disse o ministro da Saúde, Gilberto Occhi. “Mas também é momento de refletir sobre o que ainda podemos fazer e sobre a atenção que devemos dar aos nossos jovens, principalmente.”
A fala do ministro faz referência ao público com maior índice de infecção pelo vírus HIV. Os homens de 15 a 34 anos correspondem a 53% dos novos casos detectados de HIV.
“Quando se avança no tratamento cria-se a sensação de cura e faz com que as pessoas não se previnam. Temos que fazer um trabalho do conscientização da prevenção”, disse o ministro. “A opção é livre, mas se previnam, porque só assim, é possível evitar a doença”, disse Occhi.
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Estudo: Açúcar das frutas não faz mal, diferente dos refrigerantes
O nutriente é o açúcar natural das frutas, vegetais, sucos e mel
Por Meio Norte
Um novo estudo feito pela Universidade de Toronto (Canadá) em parceria com o hospital St. Michael mostrou que a frutose natural não oferece riscos à saúde e trazem efeitos benéficos ao organismo. O nutriente é o açúcar natural das frutas, vegetais, sucos e mel.
Já as pessoas que consomem bebidas açucaradas (mesmo que tenham recebido a frutose como açúcar de adição) têm maior risco de desenvolver diabetes tipo 2. Os cientistas explicaram que esses tipos de bebida oferecem mais danos à saúde do que alimentos que contém açúcar.
De acordo com os autores, produtos com adição de frutose introduzem o excesso de energia pobre em nutrientes em nossa dieta, provocando um efeito prejudicial nos níveis de açúcar no sangue.
Durante o trabalho de pesquisa, os cientistas revisaram cerca de 155 estudos que analisaram como os diferentes alimentos que contêm açúcares frutose afetam os níveis de glicose no sangue em pessoas com diabetes.
Os autores descobriram que a maioria dos alimentos contendo açúcar frutose não tem efeito prejudicial sobre os níveis de glicose no sangue, desde que eles não forneçam calorias em excesso.
Sucos de frutas e frutas podem até ter efeitos benéficos sobre a glicemia e o controle da insulina, especialmente em pessoas com diabetes. No entanto, alimentos que acrescentam energia pobre em nutrientes, especialmente refrigerantes e sucos de frutas, ofereceram efeitos prejudiciais na saúde dos participantes.
Os pesquisadores explicaram que o maior teor de fibra da fruta pode ajudar a explicar as melhorias nos níveis de glicose no sangue, uma vez que diminui a liberação de açúcares.
“Essas descobertas podem ajudar a orientar as recomendações sobre importantes fontes alimentares de frutose na prevenção e no controle do diabetes”, ressalta John Sievenpiper, um dos autores do estudo.
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