28 de janeiro de 2019 - Anadem

Poluição do ar aumenta casos e mortes por câncer em São Paulo, diz estudo

Veículos são os principais responsáveis pela poluição do ar em São Paulo

Por UOL

Estresse, má alimentação e sedentarismo são conhecidos causadores de câncer em todo o mundo. E em São Paulo, há mais uma razão para se preocupar: a poluição expelida pelos 8,6 milhões de veículos aumenta a incidência de câncer no aparelho respiratório, segundo dois estudos publicados no último ano nas revistas científicas Cancer Epidemiology e Environmental Research.

Desenvolvidas pelo pesquisador do mineiro Adeylson Guimarães Ribeiro, 44, as pesquisas cruzaram a concentração de automóveis e casos de câncer. E chegaram a uma proporção.

O levantamento faz parte da tese de doutorado defendida por Ribeiro em 2018 na Faculdade de Saúde Pública da USP. Ele é membro do Núcleo de Pesquisas em Avaliação de Riscos Ambientais.

Ribeiro se inspirou em estudos semelhantes na Europa, América do Norte e Ásia para encontrar um método que se adequasse à cidade com mais habitantes do Brasil.

O pesquisador utilizou duas bases de dados: uma para mortalidade por câncer de aparelho respiratório da Secretaria Municipal de Saúde, que registrou 19.500 mortes entre 2002 a 2013, e outra do Registro de Câncer de Base Populacional de São São Paulo, que registrou as 15.411 ocorrências para esse tipo de câncer entre 2002 e 2011. No primeiro estudo, Ribeiro utilizou a divisão do IBGE para a cidade, que contabiliza 310 áreas; no segundo, trabalhou com 6.384 divisões.

“Transformamos o município em áreas de 500 metros quadrados para descobrir a influência dos poluentes em cada uma delas”, afirmou o pesquisar ao UOL.

O estudioso, então, utilizou uma fórmula com base na densidade de carros. Ele chegou a um número para cada área ao considerar informações como volume de tráfego e quantidade de ruas. “Nosso estudo sugere que quanto maior a densidade de veículos em uma região, maior o risco para a incidência e mortalidade por câncer respiratório”, diz.

Poluição que mata

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), 4,2 milhões de pessoas morreram em 2016 em todo o mundo por doenças atribuídas à poluição do ar. No Sudeste do Brasil, foram 12.533 mortes por câncer de traqueia, brônquio e pulmão, informa o Inca (Instituto Nacional de Câncer). Para 2019, são estimados 31.270 novos casos em todo o país.

Oncologista no Centro Paulista de Oncologia, Denise Leite diz que alguns poluentes do meio urbano estão relacionados não só a câncer do pulmão, mas a outras doenças respiratórias, “mas isso não estava totalmente explicado”.

Pobres sofrem mais

No segundo estudo, o brasileiro contou com a ajuda de um pesquisador holandês. Eles consideraram a cidade em quatro regiões de acordo com seu desenvolvimento social, o IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal). “A gente tratou essas áreas como cidades independentes, com modelos para áreas de IDHM baixo (onde vivem os mais pobres), médio, médio-alto e alto.”

A surpresa foi descobrir que, embora a população mais rica viva em regiões com movimentação maior de carros, quem mais adoece com a poluição são os moradores da periferia. “Eles sofrem mais o impacto da poluição porque ficam muito tempo no trânsito, no deslocamento do trabalho para a casa. Algumas pessoas chegam a ficar seis horas dentro de um ônibus todos os dias”, diz o pesquisador.

Apesar de caminhões e ônibus representarem apenas 5% da frota na cidade, esses veículos movidos a diesel respondem por metade da poluição do ar em São Paulo, revela estudo do instituto de Física da USP. “Além de ficarem expostos a essa poluição, que em alguns casos é maior dentro dos coletivos do que fora, essas pessoas passam tanto tempo no trajeto que não conseguem se dedicar a atividades físicas ou preparar refeições saudáveis. Elas também têm menos acesso a serviços de saúde.”

Emprego na periferia e frota elétrica Para o pesquisador, algumas políticas públicas poderiam reduzir não apenas os índices de poluição veicular na cidade, como salvar a vida de milhares de paulistas que vivem na periferia. “É necessário substituir os ônibus a diesel por veículos elétricos, como já vem ocorrendo na Europa, e ampliar a rede de metrô em São Paulo. Com uma rede de transporte melhor, muitos trabalhadores poderão deixar o veículo na garagem durante a semana.”

 

Foto: Getty Images

LED vira esperança contra a dor

Um equipamento que emite feixes de luz é a nova aposta da ciência para enfrentar uma das queixas mais comuns do planeta: a dor crônica

Por Saúde é Vital

A startup brasileira Bright Photomedicine se uniu ao Hospital das Clínicas de São Paulo para realizar os primeiros testes em larga escala de um aparelho que usa lâmpadas LED para aplacar dores crônicas.

“Desenvolvemos um sistema que leva em conta parâmetros como a cor da pele, a idade, o local do corpo e as características do problema para entregar a dose exata de luz ao indivíduo”, explica o físico Marcelo Sousa, CEO da Bright.

O estudo vai avaliar com detalhes como a tecnologia atua em casos de artrite no joelho de 90 voluntários. “Sabemos que os feixes luminosos têm ação analgésica e estimulam a produção de moléculas de energia dentro das células, o que contribui para um melhor funcionamento delas”, destrincha o anestesiologista Hazem Ashmawi, responsável pela pesquisa no hospital paulistano.

É aguardar para ver como o método poderá iluminar a qualidade de vida desses (e, depois, de outros) pacientes.

Como funciona esse método contra a dor

1) O aparelho funciona como um receptor e utiliza a internet para receber as instruções de dosagem.

2) A quantidade de energia emitida varia até 300 vezes, seguindo as características de cada pessoa.

3) As lâmpadas LED ficam em tiras de um tecido especial, que são colocadas em cima da região dolorida.

 

 

Ilustração: Erika Onodera/SAÚDE é Vital