Associado é absolvido na justiça após comprovação de ausência de culpa
Escritório de advocacia credenciado à Anadem defendeu médico que era acusado de crime culposo após falecimento de paciente em março de 2013
Um médico associado à Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética) foi acusado de crime culposo após o falecimento do paciente A.B.S., que sofreu um acidente de trânsito em março de 2013. O acidentado faleceu após parada cardiorrespiratória proveniente de politraumatismo por ação contundente, cerca de 15 horas depois de dar entrada no hospital. A esposa e o filho de A.B.S. relatam que, após o acidente, foi chamado um helicóptero para atendimento da vítima, mas que não haviam aeronaves disponíveis.
Logo após a colisão de veículos, o paciente foi atendido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado ao hospital. O relato da equipe de resgate era de suspeita de hemorragia interna, assim o profissional de saúde solicitou exames radiológicos (crânio, tórax e bacia) e prescreveu hidratação venosa e analgésico.
O paciente foi avaliado por um ortopedista depois da realização dos exames, por volta das 17h, e após relatar dores intensas um terceiro médico prescreveu Tilatil e Tramal, reavaliando o paciente, afirmando que ele estava hemodinamicamente estável e não havia sinais de choque hipovolêmico, um parâmetro que indicaria necessidade de intervenção cirúrgica.
No hospital não estavam disponíveis todos os recursos possíveis para identificar mais traumas no paciente, sendo assim possível a avaliação dentro de alguns critérios base. Na ausência de um exame de imagem (tomografia computadorizada), existem apenas outras duas formas de indicar uma laparotomia exploradora de urgência: dor abdominal com irritação peritoneal e choque hipovolêmico. Nenhum desses dois parâmetros foi identificado antes das 19 horas, momento em que ele foi encaminhado a cirurgia.
Nos relatos foi indicado que o paciente teve acompanhamento a cada três horas, mas a falta de recursos do hospital não permitiu que alguns sintomas fossem identificados, sendo feito o possível para a recuperação do paciente. Um quarto médico que estava presente na cirurgia afirmou que o paciente não apresentava sinais de choque ou irritação peritoneal, descrevendo também que cada médico é responsável por diversos pacientes e cada um pode ser atendido por mais de uma pessoa da equipe médica, assim a responsabilidade de um paciente não fica restrita a um profissional.
JULGAMENTO
O juiz julgou improcedente a acusação e absolveu o médico após defesa do advogado credenciado Dr. Wendell Sant’Ana, da Raul Canal Advogados, quando constatou que o hospital, por não portar todos os equipamentos necessários, impossibilitou o diagnóstico da vítima de forma rápida, já que o paciente apresentava sinais vitais estáveis e não mostrava todos os sintomas indispensáveis para o encaminhamento cirúrgico quando deu entrada no centro clínico.
Também foi exposto que a carga pelos diagnósticos não foi somente do médico acusado, já que o acidentado foi atendido por outros médicos e enfermeiros, sendo responsabilidade de toda a equipe. Não houve comprovação de que a conduta do réu foi omissiva no tratamento dado a vítima, faltando evidências de que o comportamento do médico não foi o adequado
Fazendo amigos depois dos 50, 60, 70…
Para os cientistas, ampliar a interação social combate o sedentarismo e pode ajudar a viver mais
Por Bem Estar
Na semana passada, pesquisadores da Universidade do Texas, em Austin, publicaram um estudo que mostra o efeito benéfico de um leque variado de interações sociais. Adultos que cultivavam relações não apenas com parentes e amigos próximos, mas também com simples conhecidos ou prestadores de serviços e tinham disposição até para lidar com estranhos, apresentavam níveis mais altos de atividade e um volume menor de sentimentos negativos. Karen Fingerman, diretora do Texas Aging & Longevity Center, lembrou que o sedentarismo aumenta com a idade e se torna um fator de risco: “os idosos que só convivem com familiares e amigos muito chegados tendem a ser mais sedentários. No entanto, para se relacionarem com pessoas que não conhecem tão bem, acabam tendo que sair de casa”. Foi o que a pesquisa provou, ao pedir que os participantes usassem sensores eletrônicos para monitorar sua atividade física.
Portanto, o próximo passo é se esforçar para ampliar o espectro das suas relações. O que parecia simples na época da escola, ou mesmo no ambiente de trabalho, passa a soar como uma façanha. Kate Leaver, autora de “The friendship cure” (em tradução livre, “A cura pela amizade”), lançado ano passado, afirma que diariamente perdemos oportunidades de estabelecer pontes com outros seres humanos. “Como podemos viver na era da conectividade e enfrentarmos uma epidemia de solidão? Amigos não são uma distração, são a solução”, ensina em seu livro.
As mulheres tendem a viver mais que os homens. Manter um círculo de amigas pode ser a rede de proteção afetiva para enfrentar momentos dolorosos, por isso vale a pena cultivar essa proximidade. O jornal britânico “The Guardian” listou formas de encontrar novos amigos, começando por aprender a identificar oportunidades de criar laços. Exemplos: em vez de um bom dia protocolar no elevador, convide o vizinho ou vizinha para um café ou chá; se conheceu alguém, adicione a pessoa em sua rede social e mantenha contato. Outra opção: seguir seus interesses e juntar-se a um grupo, clube ou classe que se dedique à mesma atividade: cantar, dançar, cozinhar. Se quiser ousar, comece algo totalmente diferente, pelo prazer de aprender, e certamente encontrará gente em situação idêntica. Mais uma sugestão: permita-se ser vulnerável e necessitar de ajuda; assim outras pessoas poderão se aproximar. Por último, mas não menos importante: use a tecnologia e os aplicativos, mas não se restrinja ao mundo virtual.
Foto: Divulgação
Simuladores mostram efeitos reais da cirurgia de catarata
Cientistas testam, com sucesso, a precisão de aparelhos que retratam como a cirurgia para catarata vai melhorar a visão (e quais os efeitos colaterais)
Por Saúde é Vital
Cientistas do Conselho Nacional de Pesquisa Espanhol (CSIC) testaram aparelhos que simulam, para cada paciente, o resultado final da cirurgia de catarata – uma doença que deixa a vista embaçada devido à perda de transparência da nossa lente natural (o cristalino). E os resultados, animadores, foram publicados no periódico Scientific Reports.
Esses dispositivos recorrem a várias lentes, espelhos, moduladores de luzes e outros recursos da física para retratar como o procedimento pode afetar a visão, para o bem e para o mal. O usuário basicamente coloca o simulador na cabeça e começa a olhar ao redor.
A questão: até agora, nenhum trabalho havia checado se essa tecnologia reproduz com fidelidade como ficará a visão depois da operação. “O conceito é extremamente complexo. É um grande trabalho”, opina o oftalmologista Wallace Chamon, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
Após testes em um grupo de voluntários, os pesquisadores do CSIC validaram com sucesso o realismo dos simuladores. É uma força e tanto para que eles sejam lançados no mercado.
“A possibilidade de o paciente experimentar a nova visão antes da cirurgia é bastante atrativa para reduzir a incerteza e manejar expectativas”, afirma, em comunicado à imprensa, a física Susana Marco, do Instituto de Óptica, na Espanha.
Como o simulador vai ajudar os portadores de catarata
Para entender a grande vantagem desses aparelhos, é necessário antes entender mais sobre a cirurgia, o único tratamento curativo contra a catarata, que afeta principalmente os mais velhos.
Wallace Chamon explica que, no procedimento, o cristalino leitoso e danificado da pessoa é retirado e substituído por uma lente multifocal artificial de material acrílico. Por meio da biometria ocular, um exame que calcula diferentes medidas no globo ocular, o oftalmologista decide qual tipo de lente artificial deverá ser empregada.
“Essa lente também é capaz de corrigir erros como miopia, hipermetropia e astigmatismo. A necessidade de usar óculos deixa de existir em 90% dos casos”, aponta o especialista.
Apesar dessa vantagem, Chamon informa que certos indivíduos sentem efeitos colaterais, como ficar com a vista ofuscada ou com menos contraste e enxergar raios de luz parecidos com os do farol de carros.
“Essas alterações são mínimas e bem toleradas. O olho se adapta na enorme maioria das vezes e, depois de seis meses do procedimento, não há mais queixas”, acrescenta.
No entanto, uns poucos pacientes acabam querendo trocar a lente por não suportarem as reações adversas. Então, o oftalmologista decide com ele se apostará em outra lente multifocal ou numa versão diferente.
“Esse processo é difícil, porque não consigo descrever como ficará a visão da pessoa”, admite o oftalmologista. Embora o simulador possa ajudar em qualquer fase, mostrando os benefícios e as limitações da cirurgia, é aqui que ele ganha valor especial.
Ora, o aparelho simula os efeitos que podem aparecer na visão com cada tipo de lente artificial. Dessa maneira, ajuda na escolha, diminuindo o risco de insatisfação no pós-operatório.
“É um avanço. O trabalho foi feito por um grupo do mais alto gabarito, divulgado de maneira cientificamente séria e foi consequência de uma pesquisa longa. A equipe tem uma credibilidade muito grande e os resultados apresentados são consistentes”, conclui Chamon.
Ilustração: Thiago Almeida/SAÚDE é Vital