Medicamentos previnem transmissão sexual do HIV em homens homossexuais
Estudo prova que utilizar a terapia antirretroviral para suprimir o vírus da Aids para níveis indetectáveis significa que vírus não pode ser transmitido
Por Exame
Londres – Um estudo europeu com cerca de 1.000 casais de homens gays que fizeram sexo sem preservativos –onde um dos parceiros possuía o vírus HIV e estava tomando medicamentos antirretrovirais para suprimi-lo– mostrou que o tratamento pode prevenir a transmissão do vírus pela via sexual.
Depois de oito anos de acompanhamento dos casais, a pesquisa não encontrou nenhum caso de transmissão de HIV entre eles.
O estudo prova, segundo os pesquisadores, que utilizar a terapia antirretroviral para suprimir o vírus da Aids para níveis indetectáveis também significa que o vírus não pode ser transmitido através de relação sexual.
“Nossas descobertas apresentam evidências conclusivas para homens gays de que o risco da transmissão do HIV com o supressor ART é zero”, disse Alison Rodger, professora da University College London, que co-liderou a pesquisa.
A professora disse que essa “mensagem poderosa” poderia ajudar a acabar com a pandemia do HIV ao prevenir a transmissão do vírus em populações de alto risco. No estudo apenas, por exemplo, os pesquisadores estimam que o tratamento antirretroviral supressor preveniu aproximadamente 472 transmissões de HIV durante oito anos.
O estudo, publicado no jornal médico Lancet nesta quinta-feira, avaliava o risco da transmissão do HIV entre casais homossexuais compostos por homens onde um dos parceiros é HIV-positivo e outro é HIV-negativo e que não usam preservativos.
Foto: Westend61/Getty Images
Estudo aponta que crianças estão exagerando no uso da pasta de dente
Os pais não devem apertar mais do que a quantidade de pasta de dente equivalente ao tamanho de grão de arroz na escova, recomendam o CDC e a Associação Dentária Americana
Por Diário do Litoral
Muitos pais estão espremendo quantidades potencialmente perigosas de pasta de dentes na escovas de seus filhos, alertaram as autoridades de saúde em um estudo divulgado recentemente.
O estudo, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), aponta que quase 40% das crianças de 3 a 6 anos usam mais creme dental do que o recomendado pelos profissionais de odontologia. Para crianças pequenas, com dentes de leite, ainda, engolir muito creme dental com flúor pode causar descoloração dos dentes, uma condição chamada fluorose dentária.
“A pesquisa do CDC, com cerca de 1.700 crianças, nessa faixa etária, descobriu que cerca de 38% delas usavam mais do que a quantidade recomendada de creme dental, o que tem o potencial de exceder a recomendação diária de ingestão de flúor. Concentrações excessivamente altas de flúor na água potável também podem contribuir para a fluorose dental”, explica o pediatra e homeopata Moises Chencinski.
Crianças menores de 3 anos devem usar menos pasta de dente, de acordo com as diretrizes. Para essas crianças, os pais devem apertar apenas uma minúscula mancha de creme dental com flúor – aproximadamente do tamanho de um grão de arroz. As crianças pequenas são mais suscetíveis à fluorose e menos capazes de cuspir a pasta de dente na pia, sendo mais provável a ingestão do produto.
“A fluorose afeta apenas as crianças porque o dano ocorre quando os dentes estão se desenvolvendo sob as gengivas. Não afeta a saúde bucal em geral, mas pode levar a linhas brancas ou estrias nos dentes”, diz o pediatra.
Quando iniciar a escovação?
Os resultados do estudo levantaram uma “bandeira vermelha”: o público não entende completamente as diretrizes para a aplicação do creme dental. Segundo o estudo, é que os pais tendem a receber conselhos contraditórios sobre a quantidade de creme dental que as crianças devem usar, bem como se os filhos mais novos devem usar creme dental com flúor. Os pais recebem mensagens confusas de dentistas, pediatras e da internet.
Para crianças menores de 2 anos, as orientações do CDC divergem da de duas associações dentárias. Em 2014, a Associação Dentária Americana mudou suas diretrizes e recomendou que os pais escovassem os dentes de seus filhos, duas vezes ao dia, com uma pequena quantidade de creme dental com flúor assim que eles nascessem. A Academia Americana de Odontopediatria recomenda o mesmo. No entanto, o CDC continua a recomendar que os pais esperem para introduzir creme dental com flúor às crianças até completarem 2 anos.
Escovação sob supervisão
Os problemas decorrentes das diretrizes de escovação geralmente surgem quando os pais não estão presentes ao lado dos filhos quando eles estão escovando os dentes. “O que realmente está acontecendo é que os pais estão seguindo as regras de escovar duas vezes por dia, mas nem sempre estão ao lado das crianças. Mas a partir de quando os pais devem deixar os filhos escovarem os dentes sozinhos? Seis anos, embora eles possam considerar ficar por perto até os oito anos”, orienta Moises Chencinski.
O estudo do CDC, que foi baseado em dados de mais de 5.000 crianças, de 3 a 15 anos, também descobriu que quase 80% das crianças incluídas na análise começaram a escovar os dentes mais tarde do que o recomendado. A análise foi baseada em dados de 2013 a 2016.
De acordo com as diretrizes profissionais, os pais devem começar a escovar os dentes de seus filhos quando o primeiro dente irromper, o que pode acontecer aos seis meses. Mas pouco mais de 20% dos pais ou cuidadores do estudo relataram que o filho começou a escovar os dentes antes de completarem 1 ano de idade.
“No Brasil, a recomendação da Associação Brasileira de Odontopediatria é a escovação de dentes com pasta, com flúor, na quantidade de um grão de arroz cru, a partir da erupção do primeiro dente, quando também se indica a primeira consulta com o odontopediatra. Quando a criança aprender a cuspir, a quantidade de pasta passa a um grão de ervilha cru”, orienta o pediatra Moises Chencisnki.
Foto: Reprodução
Jaleco branco médico carrega bactérias resistentes, mostra estudo
Pesquisa dos EUA revela que traje médico transporta bactérias nocivas, muitas delas resistentes a medicamentos, associadas a infecções hospitalares
Por R7
Um estudo recente realizado pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, em 10 hospitais universitários, mostrou que a maioria dos médicos defende o uso do tradicional jaleco branco.
No entanto, um estudo anterior desenvolvido pela Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, revelou que esse traje médico pode transportar bactérias nocivas, muitas delas resistentes a medicamentos, associadas a infecções hospitalares.
Cerca de 42% dos jalecos brancos analisados apresentaram resultado positivo para bactérias Gram-negativas e 16% para MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina). Ambos os tipos de bactérias podem causar problemas graves à saúde, como pneumonia e sepse.
Não só os jalecos podem transportar esses micro-organismos. A pesquisa descobriu que estetoscópios, telefones e tablets também podem estar contaminados por bactérias. Outro estudo realizado com cirurgiões ortopédicos demonstrou a associação de 45% entre espécies de bactérias presentes em cortes de pacientes e jalecos de médicos que os haviam tratado.
A lavagem diária do vestuário pode ajudar, mas pesquisas demostram que as bactérias podem contaminá-los em questão de horas.
Ainda segundo pesquisas, a maioria dos médicos norte-americanos usam os jalecos sem lavar por mais de uma semana. Cerca de 17% usam sem lavar por mais de um mês. Estudos britânicos apresentaram descobertas similares relativas a ternos e gravatas utilizados em ambiente hospitalar.
Um estudo publicado no ano passado avaliou se utilizar jalecos de manga curta ou longa fazia diferença em relação à contaminação. A constatação foi que mangas curtas levam a taxas mais baixas de transmissão por ser mais fácil manter mãos mais limpas do que roupas.
Outra solução para reduzir o problema, seria o uso de tecidos antimicrobianos.
Entenda o Candida auris, fungo resistente que pode causar a morte:
1. A Candida auris, fungo multirresistente a medicamentos, vem causando preocupação ao redor do mundo. Recentemente, segundo o jornal americano The New York Times, o CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças), do governo norte-americano, incluiu o Candida auris na lista de germes classificados como ameaças urgentes visto que, segundo o órgão, houve um número crescente de infecções pelo fungo em vários países desde que ele foi reconhecido
2. Onde esse fungo foi descoberto? De acordo com o CDC, o Candida auris foi identificado pela primeira vez numa infecção no ouvido de um paciente no Japão, em 2009, mas outros estudos de cepas sugerem que o fungo tenha aparecido em 1996 na Coreia do Sul. De acordo com o infectologista Arnaldo Colombo, da Unifesp, o Candida auris seria fruto da evolução do fungo do gênero Candida, que habita o trato gastrointestinal humano, porém, não se sabe em que local houve a evolução desse fungo, gerando uma espécie nova
3. O que a infecção por este fungo pode causar? Segundo o CDC, a infecção por Candida auris pode causar infecções no sangue, no ouvido e em feridas. O órgão afirma que, embora tenham sido registrados casos com amostras isoladas em fluídos respiratórios e na urina, ainda não é claro se o fungo causaria infecções pulmonares ou na bexiga. A infecção por Candida auris pode ser sistêmica e causar sepse no paciente, podendo levar à morte
4. Onde foram identificadas infecções pelo Candida auris? De acordo com o CDC, foram identificadas infecções pelo Candida auris na Áustria, Bélgica, Irã, Malásia, Holanda, Noruega, Suíça, Taiwan, Emirados Árabes Unidos, Austrália, Canadá, China, Colômbia, França, Alemanha, Índia, Israel, Japão, Quênia, Kuwait, Omã, Paquistão, Panamá, Rússia, Arábia Saudita, Singapura, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Reino Unido, nos Estados Unidos (principalmente nas cidades de Nova York, Nova Jersey e Chicago) e na Venezuela
5. A Candida auris já circula no Brasil? Segundo Colombo, ainda não foram registrados casos de infecção pela Candida auris no território nacional. Entretanto, como o fungo ingressou na América Latina por meio da Venezuela, devido ao grande fluxo migratório de venezuelanos no país, existe a possibilidade de que o Candida auris chegue ao Brasil. Colombo ressalta que a entrada não se daria especificamente por venezuelanos, visto que outros países também registraram a presença do fungo. Desta forma, se uma pessoa infectada vier de outro país e adentrar o ambiente hospitalar, onde há maior perigo de infecção, o fungo pode se disseminar no Brasil
6. Como a Candida auris é transmitida? A Candida auris pode ser transmitida pelo toque em superfícies e pessoas infectadas, especialmente em ambientes médicos. Colombo afirma que os pacientes infectados podem ficar de semanas a meses com a colonização fúngica na pele e espalhar para outras pessoas. Porém, segundo o CDC, ainda são necessárias maiores investigações sobre a transmissão do fungo
7. Como é feito o diagnóstico de Candida auris? O diagnóstico da infecção pelo fungo é feito por meio da cultura de sangue ou urina. Porém, o Candida auris é difícil de ser diagnosticado, podendo ser confundido com outros fungos do mesmo gênero. No Brasil, a Anvisa já lançou uma norma técnica orientando os profissionais de saúde a identificar o fungo. Colombo afirma que, no Brasil, embora entidades públicas e privadas tenham uma forte atuação na área de identificação de bactérias, há uma falha na vigilância de fungos no país. Nesta semana, o Ministério da Saúde criou um sistema de vigilância contra fungos
8. Quem pode pegar essa infecção? Colombo afirma que as pessoas mais propensas a adquirir essa infecção são aquelas que podem ser colonizadas pelo fungo se forem submetidas a procedimentos invasivos, cirurgias, e tiverem que fazer uso de cateteres, desenvolvendo uma infecção associada ao ambiente hospitalar. Porém, se a pessoa for colonizada pelo fungo e tiver uma boa imunidade e não for submetida a um desses procedimentos, ela estaria menos propensa à infecção
9. Existe tratamento para o Candida auris? Colombo afirma que, quando o paciente está infectado pelo fungo, é necessário que seja feito o seu isolamento para evitar a disseminação do Candida auris. Segundo o CDC, as infecções por Candida auris podem ser tratadas com antifúngicos denominados equinocandinas, mas nem sempre seriam eficazes, necessitando de doses maiores. O CDC afirma que, por ter difícil detecção e tratamento, a infecção por Candida auris podem levar à morte
10. É possível se prevenir da infecção por Candida auris? De acordo com o CDC, a prevenção à infecções por Candida auris é feita com isolamento do paciente infectado, dar ênfase à higienização das mãos, desinfectar e limpar diariamente o ambiente e equipamentos utilizados pelo paciente, minimizar o contato com o paciente e limitar o número de funcionários que o atendem para evitar infecção
11. A infecção por Candida auris tem alguma relação com a candidíase vaginal? Colombo afirma que, embora a Candida auris seja um fungo do mesmo gênero da Candida albicans, causadora de candidíases orais e vaginais, elas se tratam de espécies diferentes de fungos. A Candida auris causa uma infecção sistêmica e invasiva, que é disseminada no corpo ao chegar no sangue e é resistente aos antifúngicos. Já a infecção por Candida albicans é superficial e sensível ao tratamento com antifúngicos
12. Quais os sintomas da infecção por Candida auris? De acordo com o CDC, os sintomas da infecção pelo fungo podem passar despercebidos, visto que a maioria dos pacientes que a contraíram já estavam hospitalizados por outros problemas. Segundo o órgão, os sintomas comuns a infecções invasivas por fungos do gênero Candida são febre e calafrios que não melhoram após o tratamento com antibióticos para uma suspeita de infecção bacteriana
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