Indenização de R$ 189 mil é negada após escritório de advocacia credenciado a Anadem defender médico associado

Em recuperação de uma cirurgia de dermolipectomia abdominal a paciente descobriu sofrer de grave infecção e processou o profissional por suposto erro médico

 

Em 2017, no município Palmeiras de Goiás (GO), I.B.P passou por um procedimento de dermolipectomia abdominal nas mãos de um médico associado a Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética). Dias após o procedimento ela alega ter sentido grande incômodo no local, sendo então diagnosticada com grande quadro infeccioso. Insatisfeita com o serviço prestado, I.B.P entrou com pedido de indenização por danos morais e materiais no valor de R$ 189 mil, por suposto erro médico, contra o cirurgião-plástico, hospitais e clínica envolvida no procedimento cirúrgico.

A paciente disse ter seguido todas as orientações e tomado todos os medicamentos receitados, mas percebeu que o local da cirurgia estava com aparência estranha, com uma casca grossa e avermelhada, e que teria sido informada pelo médico que era normal. Ela afirmou que sentiu fortes dores e teve um aumento na infecção, mas ao procurar o profissional ele não teria oferecido tratamento adequado, apenas dado seis frascos de um medicamento. I.B.P decidiu, então, procurar outro profissional, que identificou que ela tinha grave quadro infeccioso, sendo internada por 17 dias e sofrendo sequelas no corpo.

Na defesa, a clínica que também foi acusada argumentou que a cirurgia aconteceu em um hospital, não nas dependências dela, e que a cirurgia foi realizada dentro das técnicas previstas da literatura médica. Sustentaram, ainda, a inexistência de nexo de causalidade entre a conduta e a lesão sofrida pela paciente.

A defesa do médico, feita pelo Dr. Wendell Sant’ana, do escritório de advocacia credenciado a Anadem, Sant’ana e Carmo Advogados, apresentou fotografias e conversas de WhatsApp com a paciente, além da ficha inicial de atendimento, onde consta que I.B.P tinha quadro de obesidade e tabagismo, sendo orientada a suspender o uso do cigarro e perder peso antes do procedimento.

A cirurgia ocorreu sem intercorrências e a paciente evoluiu bem no pós-operatório. Foi solicitado pelo médico o retorno após sete dias do procedimento, no qual a paciente não compareceu, e ainda os drenos da cirurgia foram retirados por uma massagista com autorização da requerente, não por um profissional adequado.

Na tentativa de melhora no aspecto da ferida, o médico realizou o fechamento dela e colocou novos drenos. A paciente novamente não retirou os drenos com um profissional e sim com a massagista, retornado ao hospital somente 15 dias depois, quando foi orientada a fazer uso de outros medicamentos. O tratamento recomendado foi abandonado pela paciente, apesar de diversas tentativas do médico para que ela continuasse.

Foi enfatizado, pela defesa, que o cirurgião não se comprometeu a atingir um resultado e que a autora concordou com o ato cirúrgico, ciente das possibilidades de complicações que poderia sofrer. Ele salientou, também, que o processo de cicatrização depende de múltiplos fatores individuais e que cicatrizes inestéticas não configuram erro médico

Um dos hospitais acusados ofereceu contestação, afirmando que a paciente apenas realizou os procedimentos pré-cirúrgicos em suas dependências, e que não existe nexo de causalidade entre a ação do hospital e os danos alegados.

 

PERÍCIA

 

De acordo com a perícia, os documentos apresentados pela defesa comprovam que a autora não compareceu ao primeiro retorno marcado, contrariando o que ela disse, que havia procurado o médico e que ele não prestou atendimento. Existem documentos evidenciando os procedimentos de fechamento da ferida em duas ocasiões, estas em que o médico prescreveu medicamentos antibióticos e curativos locais, bem como vislumbrou a desnecessidade de internação da autora, pois ela não apresentava febre.

A perícia deixa claro que o profissional prestou atendimento adequado no pós-operatório e que os danos sofridos não foram de responsabilidade do médico acusado. Ele orientou a paciente previamente sobre as possibilidades de complicações decorrentes de fatores biológicos, hereditários e hormonais, que independem da ação do cirurgião. Ela foi avisada, também, sobre a possibilidade de o tabagismo desencadear em complicações cirúrgicas.

O médico requerido prestou informações sobre os limites do procedimento, no que diz respeito aos possíveis resultados da cirurgia, agindo conforme os padrões éticos de comportamento e cumprindo o dever de informação, corolário da boa-fé objetiva.

Já as complicações e infecções sofridas podem ser derivadas de muitos fatores, não ficando demonstrado que a infecção teve origem hospitalar, segundo a perícia. Não sendo possível culpar aos réus, o juiz julgou improcedentes os pedidos formulados, a paciente ficou responsável por arcar com as custas processuais e honorários advocatícios.

 

No fim da gestação, grávidas ficam mais sensíveis a ameaças que se aproximam da barriga, diz estudo

Durante o terceiro trimestre, cérebro cria uma ‘bolha de proteção’ e reconhece ameaças a uma distância maior. Objetivo é despertar reação de defesa que resguarde o feto

Por G1

Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (13), na revista Scientific Reports, mostra que grávidas no terceiro trimestre da gestação desenvolvem uma espécie de bolha de proteção ao redor delas. Segundo o estudo, o cérebro se adapta às modificações do corpo e aumenta a percepção de espaço e de sons. Dessa forma, a mulher passa a ter uma reação mais rápida a elementos potencialmente perigosos que se aproximem da barriga dela.

Todos nós temos o chamado “espaço peripessoal”: é a zona ao redor do corpo cujo perímetro pode medir, por exemplo, o tamanho do nosso braço. Qualquer objeto que chegue perto dessa região desperta respostas de defesa no organismo.

O que esse estudo reforça é que esse tal “espaço peripessoal” é dinâmico e pode ficar maior dependendo do contexto. No caso das grávidas, ele é ampliado para provavelmente proteger o feto. O cérebro percebe que o corpo adquiriu rapidamente outra forma, com o crescimento da barriga, e amplia a bolha de proteção.

Para chegarem a essa conclusão, os pesquisadores aplicaram testes de reação a estímulos táteis e auditivos, a diferentes distâncias das mulheres. Eram três grupos: grávidas no segundo trimestre da gestação, no terceiro e nos primeiros meses do pós-parto. Os resultados foram comparados a não-gestantes. Apenas as que estavam no terceiro trimestre demonstraram alteração nas percepções sensoriais – provavelmente, pelo tamanho da barriga.

E quem engorda? Também modifica essa bolha de proteção? Segundo o estudo, sim, há uma alteração, mas menor do que na gravidez. A hipótese é que o organismo se defenda mais na gestação por causa da vulnerabilidade do feto e da necessidade de protegê-lo.

Pessoas cegas

Não é a primeira vez em que a ciência prova que o “espaço peripessoal” é dinâmico. No caso de cegos que usam bengala, por exemplo, a zona de proteção é ampliada. O cérebro passa a considerar a ferramenta de apoio como uma nova parte do corpo humano. Com isso, o que está relativamente longe da pessoa é interpretado como próximo a ela.

Um objeto potencialmente perigoso que esteja se aproximando do indivíduo é detectado antes pelo cego que usa a bengala do que por alguém que não tenha deficiência visual.

Medo de cachorro

Um exemplo curioso que comprova a flexibilidade do espaço peripessoal foi descoberto em um estudo de 2014, conduzido por Marine Taffou e Isabelle Viaud-Delmont.

As cientistas mostraram que pessoas com fobia de cachorro detectam o latido do animal a uma distância maior do que as que não têm o medo. A bolha de proteção aumenta para essa situação específica – com isso, as reações de defesa são acionadas em um raio ainda maior. É como se o cérebro se organizasse para salvar o ser humano do perigo.

 

Foto: Reprodução/Pixabay

Quantos passos por dia garantem uma boa saúde?

Estudo indica que mesmo um pequeno aumento de atividade pode fazer muita diferença

Por The New York Times

Um novo estudo sobre atividade e mortalidade de mulheres mais velhas concluiu que pode ser bem menos do que acredita a maioria, e que mesmo um pequeno aumento já faz muita diferença. Além disso, mostra-se crítico em relação à validade, utilidade e origem do famoso objetivo dos “dez mil passos” presente em tantos telefones e monitores de atividade – e sugere que, na verdade, qualquer movimento, contando ou não como exercício, pode ajudar a prolongar a vida.

A essa altura, praticamente todo mundo sabe que caminhar e praticar outros tipos de atividade física são indispensáveis para o bem-estar. Estudos mostram que as pessoas ativas têm menos incidência de doenças cardíacas, obesidade e diabete tipo 2, e geralmente vivem mais que os sedentários; o que ainda deixa muita gente em dúvida é a frequência e o volume dos exercícios, bem como a intensidade.

A diretriz oficial de atividade física dos EUA e muitos outros países aconselha que os adultos completem no mínimo 150 minutos de exercícios moderados, como a caminhada, por semana. Essa recomendação, no geral, se baseia em estudos anteriores que ligam o tempo de atividade da pessoa com seu estado geral de saúde, embora alguns cientistas tenham começado a suspeitar que instar o público a medir o volume de exercícios praticados em minutos não seja ideal.

“A pessoa pode não entender intuitivamente o que significam 150 minutos de exercício por semana em termos práticos”, explica I-Min Lee, professora de medicina da Universidade de Harvard que liderou a nova pesquisa.

Segundo ela, contar passos é uma medida mais simples, concreta e conveniente de medir a atividade física. “É mais fácil entender o que representa um passo e como somá-los. Sem contar que é muito comum hoje em dia ter a tecnologia adequada no telefone e/ou nos monitores de atividade, que assumem a tarefa por nós.”

Entretanto, são poucos os estudos que fazem a correlação entre o número de passos e a saúde, em grande parte porque tal análise exigiria que as pessoas usassem monitores de atividade em vez de apenas comunicar ao pesquisador a frequência de seus exercícios.

Por isso, para o novo projeto, publicado na semana passada no “JAMA Internal Medicine”, Lee e seus colegas se propuseram a quantificar objetivamente o volume de passos para que se evite a morte prematura.

É bem provável que muitos imaginem a resposta como dez mil, uma vez que a maioria dos monitores de atividade usa esse como o limite ideal, mas Lee garante que nenhuma evidência científica embasa essa ideia. “O conceito parece ter se originado com um fabricante de relógios japonês que, nos anos 60, deu a seu pedômetro o nome, em japonês, que se traduz como ‘Dez mil passos’, e, de alguma forma, a ideia pegou”, explica. (Algumas pesquisas mais antigas sugerem que precisamos dar mais de dez mil passos para nos protegermos das doenças cardíacas.)

Dessa vez, com a intenção de usar ciência em vez de semântica, Lee e seus colegas começaram a repassar o volume imenso de dados do Estudo da Saúde da Mulher, que acompanha a saúde e os hábitos das mulheres mais velhas há décadas.

Como parte desse estudo, milhares de senhoras de mais idade tiveram de usar um monitor de atividade sofisticado, por uma semana, para rastrear os passos que cada uma deu por minuto ao longo do dia (mas sem revelar os resultados, para que nenhuma delas soubesse ou reagisse às contagens). Além disso, tiveram de fornecer aos pesquisadores informações sobre suas condições gerais de saúde e estilo de vida.

Eles reuniram as informações de mais de 17 mil participantes, a maioria de septuagenárias, e nenhuma delas relatou problemas graves de saúde. Os cientistas também verificaram os registros de mortes nos quatro ou cinco anos subsequentes, comparando-os com as contagens de passos e nível de mortalidade.

E esse paralelo provou ser revelador: aquelas que se movimentaram menos, dando apenas cerca de 2.700 passos por dia, provaram ter mais probabilidade de morrer no período de acompanhamento posterior. Já as que se mexeram mais, com algo em torno dos 7.500 passos diários, provaram correr um risco consideravelmente menor de sofrer uma morte prematura.

Por outro lado, os dados também mostraram que o número ideal variava em torno dos 4.500 passos. A mulher que atingia esse limite tinha 40 por cento menos chances de morrer no período posterior de acompanhamento.

“Ficamos surpresos ao constatar que um número relativamente baixo de passos estava associado a tamanha redução na mortalidade”, admite Lee.

Os dados também indicam que poucas mulheres caminharam com intensidade e o fizeram por motivo de exercício; a maioria assumia um passo mais calmo, mas a intensidade não foi avaliada no estudo. Apenas o número de passos diários foi associado à mortalidade, e não a velocidade com que as mulheres os acumulavam.

É claro que o estudo se limita à relação das mulheres mais velhas e mortalidade; é impossível saber se as mesmas descobertas se aplicam a homens ou jovens. Os pesquisadores tentaram mas não puderam confirmar completamente a relação entre fraqueza/doença e a pouca atividade física/morte prematura com o número de passos e a duração da vida de cada uma.

“De qualquer forma, o que vale é que as descobertas sugerem que o passo é uma boa medida para a avaliação da atividade física e que quantos mais, melhor”, resume Lee.

 

Foto: Depositphotos

Cientistas conseguem 'provocar' autismo em macacos para estudar novos tratamentos

Com a técnica CRISPR, pesquisadores selecionaram e editaram sequência do DNA para causar mutação associada ao transtorno. Animais passaram a demonstrar comportamentos típicos do autismo

Por G1

Cientistas da China e dos Estados Unidos usaram uma técnica de edição de genoma para que macacos tivessem uma mutação ligada ao autismo. Após a intervenção, os animais passaram a demonstrar um comportamento semelhante ao dos humanos com o transtorno – acordaram diversas vezes durante a noite, tiveram dificuldade em se relacionar com outros macacos e desenvolveram atos repetitivos.

Com o experimento, publicado nesta segunda-feira (12) na revista científica Nature, poderão ser descobertos novos tratamentos para pacientes com autismo.

Como a pesquisa funciona

Segundo os pesquisadores, muitos genes podem ter associação com o transtorno: um dos principais é o Shank3. A proteína codificada por ele é encontrada nas sinapses (ligações entre os neurônios), especialmente na parte do cérebro relacionada à coordenação motora, à motivação e ao comportamento.

Usando a técnica chamada de CRISPR, cientistas de centros de estudo chineses e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) conseguiram localizar a sequência do DNA que deveria ser modificada, para editá-la. Assim, puderam provocar uma mutação no Shank3 e fazer com que os macacos tivessem a carga genética associada ao autismo.

Os animais pesquisados manifestaram comportamentos típicos do transtorno, como a dificuldade de socialização e a estereotipia (repetição de atos, como ficar se balançando). Exames mostraram também uma atividade menor no thalamus, região do cérebro relacionada a questões sensoriais e motoras.

Ratos x macacos

Essa mesma técnica já havia sido usada em ratos – mas sem surtir o efeito esperado. Os roedores não têm o córtex pré-frontal tão desenvolvido, e essa é uma região importante para os primatas, relacionada à concentração e à interpretação de sinais sociais.

“Os testes em ratos continuam sendo importantes, mas acreditamos que os modelos genéticos em macacos vão nos ajudar a desenvolver remédios melhores e talvez até terapias genéticas para alguns tipos mais severos do transtorno”, explica Robert Desimone, um dos autores da pesquisa.

Esperança para novos tratamentos

A técnica aplicada em macacos pode ajudar a criar melhores opções de tratamento para o autismo. Ainda não há, no entanto, a garantia de que esse estudo vá levar a medicamentos seguros e eficazes.

Segundo Guoping Feng, membro do MIT e de Harvard, no próximo ano, saberemos se as descobertas do laboratório serão usadas nas clínicas.

Quais as características do autismo?

A nomenclatura mais moderna, de acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais, é mesmo a sigla “TEA”. É um “guarda-chuva” que inclui pessoas em diferentes condições.

No chamado “autismo clássico”, que costuma ser diagnosticado por volta dos 3 anos de idade, os sinais mais comuns são:

No outro extremo, chamado Síndrome de Asperger, o desenvolvimento da linguagem pode até ser equivalente ao da média das crianças. Mas há sinais como:

 

Foto: Reprodução/Pixabay

SUS disponibilizará medicamento contra atrofia muscular espinhal

Doença é degenerativa e não tem cura

Por Agência Brasil

Portaria publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (12) cria projeto-piloto que disponibilizará, a pessoas com atrofia muscular espinhal (AME), o medicamento Spinraza (Nusinersena). O medicamento ficará à disposição no Sistema Único de Saúde (SUS).

Considerada rara, a AME é uma doença genética degenerativa e sem cura, que atinge a coluna vertebral, interferindo na capacidade de o corpo produzir uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores.

Sem a proteína, esses neurônios morrem, levando o paciente a perder controle e força muscular. Com isso, ele perde também a capacidade de se mover, engolir ou mesmo respirar. Há riscos, inclusive, de a doença levar o indivíduo à morte.

Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento consiste na administração de seis frascos com 5ml no primeiro ano e, a partir do segundo ano, três frascos.

O anúncio da disponibilização do medicamento já havia sido feito pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em abril, durante audiência pública no Senado Federal. Na oportunidade, informou-se que os pacientes beneficiados serão acompanhados por meio de registro prospectivo para medir resultados e desempenhos, como evolução da função motora e menor tempo de uso de ventilação mecânica.

Dados divulgados pelo ministério informam que, em 2018, 90 pacientes foram atendidos após demandas judiciais que solicitavam a oferta do Spinraza, ao custo de R$ 115,9 milhões; e que cada paciente representou, em média, um custo de R$ 1,3 milhão.

Nota divulgada no site do ministério em abril informou que 106 pacientes portadores da doença estavam sendo atendidos na época, a um custo de até R$ 420 mil a ampola, e que, após a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos ter estipulado um teto de preço para o medicamento, houve uma redução de 50% em relação ao preço cobrado em 2017.

A expectativa é que, com a incorporação que resultará em compras anuais centralizadas, o valor final seja reduzido.

 

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Dormir com luz ou TV ligada engorda, mostra estudo

Novo estudo mostra que as mulheres expostas à luz durante à noite apresentam risco de 22% para o ganho de peso e 33% para obesidade

Por Veja

Às vezes, as pessoas estão tão cansadas que esquecem de apagar a luz do quarto antes de dormir ou caem no sono com a televisão ligada. Ou têm medo do escuro. O hábito pode representar perigo – e não apenas para o valor da conta de luz. Segundo estudo, dormir com fontes de luz ligadas, como TV e lâmpadas, por exemplo, aumenta em 22% o risco de ganho de peso e em 33% a probabilidade de desenvolver obesidade. A possível explicação para esse efeito é que a incidência de luz durante a noite interfere no funcionamento do relógio biológico e, consequentemente, no metabolismo.

O estudo, publicado esta semana na revista JAMA Internal Medicine, descobriu que em cinco anos, as pessoas podem ganhar, em média, cinco quilos apenas por dormirem com a luz acesa. “Houve um risco de 17% de ganhar esses quilos, mesmo depois do ajuste dos fatores de risco”, explicou Dale Sandler, principal autora da pesquisa, à CNN. O risco pode ser mais significativo para mulheres – grupo avaliado pelos pesquisadores.

Essa não é a primeira vez que cientistas encontram uma associação entre luminosidade noturna e o ganho de peso. Em 2016, outro estudo mostrou que o aumento da exposição à luz durante a noite eleva em 10% o índice de massa corporal (IMC) no período de um ano em pessoas mais velhas.

Por causa dos riscos, especialistas ressaltam a necessidade de desligar as luzes e os aparelhos eletrônicos antes de ir para a cama. “Estamos no meio de uma epidemia de obesidade e melhor forma prevenção, como se alimentar melhor e fazer mais exercícios, é vista como difícil de cumprir. Se essas descobertas forem verdadeiras é uma mensagem de saúde pública muito fácil: desligar as luzes ao dormir”, comentou Dale.

Menos luz

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores americanos analisaram dados de 43.732 mulheres entre 35 e 74 anos. As informações foram coletadas de 2003 a 2009 e incluíam hábitos de sono, IMC e dormir ou não com alguma fonte de luz acesa. As participantes foram divididas em categorias: alta exposição (mais de uma fonte de luz dentro e/ou fora do quarto) e baixa exposição (uso de máscara ou sem luz durante o sono).

Ao fim do acompanhamento, a equipe descobriu que dormir com televisão ou luz ligadas estava associado ao ganho de cinco ou mais quilos, aumento de pelo menos 10% no IMC e maior risco de estar acima do peso ou obeso. Vale lembrar que IMC acima de 25 é considerado acima do peso e IMC de 30 ou mais é considerado obesidade. Para calcular esse índice basta dividir o peso pelo altura. Um IMC normal deve ficar entre 18,5 e 24,9.

Apesar dos resultados, os cientistas ressaltam que o estudo teve limitações, como não determinar a relação causal (ou seja, não é possível saber porque a luz produz este efeito, apenas supõem-se que esteja ligado ao relógio biológico). A análise também se baseou em autorrelatos e não houve explicação para o motivo que levaram essa mulheres a manter a luz acesa durante o sono.

Ainda assim, especialistas recomendam reduzir e/ou fontes de luz. “Não foi possível apontar diretamente a causalidade entre a exposição à luz do quarto durante a noite e o ganho de peso, mas o achado é definitivamente um passo nessa direção. Isso indica que precisamos respeitar nosso sono, ou seja, manter ambiente desprovido de qualquer tipo de luz”, concluiu Nathaniel Watson, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, à CNN.

 

Foto: Thinkstock/VEJA/VEJA