Feto morre e mãe acusa médico associado de negligência; caso é julgado improcedente
A paciente teve uma ruptura uterina, causando anoxia no feto, que veio a falecer; defesa foi realizada por um escritório de advocacia credenciado a Anadem
Uma mulher entrou com ação indenizatória por prejuízos materiais e morais sofridos em um parto, que resultou na morte do feto, feito por um médico ginecologista associado a Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética). A paciente acusa o profissional de erro médico, ao afirmar que os movimentos feitos por ele na barriga foram bruscos e a tentativa de realização de parto normal foi contra o desejo dela, que queria desde o início a realização de uma cesariana.
A defesa do médico, feita pelo Dr. Wendell Sant’ana, do escritório de advocacia credenciado a Anadem, Sant’ana e Carmo Advogados, afirmou que a causa da morte do feto foi anoxia, uma “falta ou diminuição acentuada de oxigenação do sangue, dos tecidos ou das células”, motivada por uma ruptura uterina da paciente.
Provas periciais e testemunhais afirmaram que não existiu nexo de causalidade entre a conduta do médico e a morte do feto. O laudo concluiu que a paciente teve uma grave e rara complicação obstétrica, caracterizada pela rotura uterina com óbito fetal, tendo toda assistência necessária por parte do médico e equipe.
Não foram demonstradas falhas durante o parto normal ou depois na cesariana feita pelo acusado. O depoimento de um dos médicos que auxiliou no procedimento da cesárea afirmou que os exames feitos na paciente demonstravam uma boa disposição ao parto normal, não tendo indicações para a cesariana e que a ruptura não é previsível, a complicação pode surgir a qualquer momento.
Testemunhas disseram que a paciente esteve presente em todas as consultas e pré-natal e não teve nenhuma intercorrência, sendo uma gravidez de baixo risco, sem contraindicações do parto normal.
CONDUTA ADEQUADA
O juiz do caso julgou improcedente o pedido, não existindo nenhuma comprovação da existência de negligência no atendimento prestado pelo ginecologista, nem imprudência ou imperícia na utilização de manobras obstétricas, situações que, segundo a paciente, teriam sido decisivas para a ocorrência da morte do feto.
Concluiu que o procedimento adotado foi compatível com o quadro clínico apresentado, não sendo constatada nenhuma culpa do profissional ou da equipe médico-hospitalar.
Algum alimento pode atrapalhar o tratamento do câncer?
Estudo sugere que uma substância de carnes e leguminosas prejudicaria o combate ao tumor de mama. Veja se há mesmo nutrientes que afetam o tratamento
Por Saúde é Vital
Uma pesquisa divulgada faz pouco pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, insinua que a leucina, um aminoácido amplamente encontrado na dieta, pode atrapalhar o tratamento do tipo mais comum de câncer de mama. Essa substância atua na saúde dos músculos e na manutenção das demais células do corpo – e está em carnes, leites e proteínas vegetais, como as leguminosas.
Os cientistas fizeram testes em células isoladas no laboratório, e descobriram que aumentar os níveis de leucina em conjunto com um tipo de tratamento também intensificava o crescimento do câncer de mama. Por outro lado, restringir o nutriente suprimia a atividade maligna.
Esse comportamento foi observado no tumor de mama com receptor de estrogênio. Esse subtipo responde por quase 70% dos casos da enfermidade.
A expectativa é que o achado seja usado para criar remédios que bloqueiem a ação da leucina nos tumores e, quem sabe, para desenhar intervenções na alimentação. O grupo testa agora essa segunda possibilidade, averiguando se cortar o composto da dieta de roedores com câncer de mama trará algum benefício.
Ponderações necessárias
“A relação entre leucina e resistência ao tratamento do câncer de mama com receptor de estrogênio não está bem estabelecida. Os estudos são preliminares, com experimentos realizados em cultura de células e camundongos”, avisa Patricia Jucá, oncologista e mastologista da unidade especializada nas mamas do Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Ou seja, não dá para extrapolar o achado para seres humanos. “Fora que, quando pensamos na restrição de leucina, estamos falando em tirar proteínas da dieta, o que pode levar a perda de massa muscular, de força, e, assim, até a um prejuízo da resposta ao tratamento”, destaca Leticia Carniatto, nutricionista do A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo.
Ou seja, nem pense em fazer isso, principalmente por conta própria.
Por que a leucina afetaria o tratamento do tumor?
Ainda não se sabe com clareza, mas o que as pesquisas iniciais apontam é que grandes quantidades dessa molécula podem elevar a proliferação desordenada das células do câncer e dificultar o processo de morte delas, que ocorreria com o medicamento.
Basicamente, é como se elas ficassem menos sensíveis ao fármaco. Aliás, o remédio testado foi o tamoxifeno, que bloqueia a ação do estrogênio nas células do tipo de câncer de mama que é estimulado por esse hormônio.
Alimentação e câncer
Por enquanto, não existem recomendações individualizadas para o tratamento de cada caso da doença. “Não há evidências consolidadas de que um único alimento atrapalhe ou melhore o combate aos tumores. É mais importante avaliar o padrão alimentar do indivíduo”, comenta Rachel Souza Thompson Motta, nutricionista do Inca.
Quando a doença dá as caras, o principal objetivo é manter o peso e garantir uma ingestão equilibrada de nutrientes – é comum que a balança suba ou desça na presença de um tumor maligno. Limitar o consumo de fast-food e outros itens ricos em gordura e açúcar é a maior recomendação nesse sentido.
Essa restrição ajuda ainda a prevenir ou controlar doenças crônicas como diabetes e hipertensão, o que reduz complicações associadas ao tratamento e melhora a qualidade de vida.
A falta de apetite associada à terapia eventualmente causa um quadro de desnutrição. Por isso, também é preciso caprichar no consumo de frutas, verduras e legumes, que garantem o aporte de substâncias benéficas para a saúde.
No mais, outras recomendações dietéticas que visam a prevenção do câncer também valem para quem luta contra ele. São elas: limitar o consumo de carne vermelha a 500 gramas por semana e maneirar nos embutidos e no álcool.
Foto: Alex Silva/A2 Estúdio