Agulhas de tatuagem podem injetar metais pesados no organismo, diz estudo
Cientistas encontraram cromo e níquel nos gânglios linfáticos de pessoas tatuadas e concluiram que o problema está nas agulhas — e numa cor específica de tinta
Por Super Interessante
Há milênios, a humanidade tem verdadeiro fascínio pela tatuagem. Bem antes dos hipsters modernos, povos antigos como os egípcios e os vikings já eram adeptos da arte de injetar tinta embaixo da pele com agulhas, para fins ritualísticos ou meramente estéticos. Mas cientistas acabam de dar uma notícia potencialmente preocupante a quem já fez tattoo.
Pesquisadores da Alemanha, da França e da Bélgica constataram que o revestimento das agulhas de tatuagem pode liberar metais que penetram no organismo. Tudo começou no ano passado, quando eles fizeram uma pesquisa para entender melhor como as tintas afetavam o corpo. Em sua maioria, as partículas de tinta são grandes demais para que o sistema imunológico as ataque e quebre. Mas algumas chegam a ser removidas pelos glóbulos brancos e vão parar no sistema linfático.
Esses vasos drenam a linfa, líquido que sai do sangue e banha as células, e também cumprem um papel importante na defesa do organismo. São os gânglios linfáticos (aqueles que você sente embaixo do pescoço quando está doente) que filtram a linfa e nos protegem de infecções. Os cientistas encontraram metais pesados nos gânglios de pessoas tatuadas, e investigavam para entender o porquê.
A princípio, pensaram que os traços de ferro, cromo e níquel que encontraram tivessem relação com alguma das tintas, por isso testaram cerca de 50 tipos diferentes para descobrir qual era a fonte. Eles também se certificaram que não haviam contaminado as amostras de nenhuma maneira durante a preparação. “Então pensamos em testar a agulha e foi o nosso momento ‘eureka’”, diz Ines Schreiver, do Instituto Federal Alemão de Avaliação de Riscos.
Na agulha, há entre 6% e 8% de níquel e de 15% a 20% de cromo, metais pesados que podem causar reação alérgica. Resultados indicam que um composto específico usado em algumas tintas, o dióxido de titânio, acaba “raspando” boa parte do revestimento da agulha, fazendo com que nanopartículas dos elementos tóxicos sejam liberadas no organismo. O estudo foi publicado nesta terça (27) no periódico Particle and Fibre Toxicology.
O efeito é causado pelo pigmento branco, usado para clarear cores brilhantes como o verde, o azul e o vermelho. Ele contém o dióxido de titânio, que desgasta a agulha. Testes em pele de porco mostraram que as tintas de outras cores não causam desgaste da agulha. O problema está mesmo na cor branca.
Ainda não se sabe ao certo se isso pode causar danos à saúde — será preciso fazer pesquisas mais aprofundadas. “São efeitos que só podem ser medidos em estudos epidemiológicos de longa duração, que monitoram a saúde de milhares de pessoas ao longo de décadas”, explica Schreiver. Na dúvida, a opção mais segura na hora de fazer uma tatuagem é ser criterioso na escolha do tatuador e perguntar sobre as tintas que ele usa.
Foto: Getty Images
Municípios vão receber recursos para equiparem salas de vacinação
Ministério da Saúde vai liberar R$ 44,2 milhões nos próximos meses
Por Agência Brasil
Os municípios, com até 100 mil habitantes, vão receber nos próximos meses R$ 44,2 milhões do Ministério da Saúde para que possam adquirir câmaras frias a fim de ampliar a estrutura de armazenamento de vacinas e imunobiológico. A liberação dos recursos foi acertada durante reunião da Comissão Intergestores Tripartite, realizada esta semana em Brasília.
A medida tem por objetivo garantir a qualidade dos imunobiológicos ofertados à população e a execução da Política Nacional de Imunizações dentro do padrão de qualidade e segurança do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Entre as vantagens da câmara fria estão o controle real da temperatura e sua distribuição homogênea, o processamento dos dados que permite acompanhar qualquer alteração no equipamento e ainda a disponibilização de bateria, caso ocorra queda de energia. Com isso, é possível garantir a qualidade e a eficácia da vacina aplicada na população, além de evitar a perda desses insumos por conta das variações de temperatura”, disse o diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis, Julio Croda.
De acordo com o ministério, além do critério do número de habitantes, o município precisa ter implantado o sistema de informação nominal do Programa Nacional de Imunizações e não dispor de uma câmara refrigerada.
O dinheiro será liberado na modalidade fundo a fundo, em parcela única, pelo Fundo Nacional de Saúde aos Fundos de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e/ou Municipais, por meio do Bloco de Investimento na Rede de Serviços Públicos de Saúde, no Grupo de Vigilância em Saúde. Todos os procedimentos e critérios para o repasse dos recursos financeiros serão divulgados em portaria que o ministério publicará em breve.
Foto: Ministério da Saúde
Poluição de automóveis é ligada à degeneração macular relacionada à idade
Cientistas encontram uma associação entre essa doença que afeta a visão e poluentes emitidos por veículos
Por Saúde é Vital
As vias respiratórias não são as únicas prejudicadas pela poluição das grandes cidades. Os olhos também são vítimas da sujeira atmosférica, como mostra um estudo de diversas instituições de Taiwan. Segundo ele, o monóxido de carbono (CO) e o dióxido de nitrogênio (NO2), gases liberados pelo escapamento de carros, elevariam a possibilidade de pessoas acima dos 50 anos desenvolverem degeneração macular relacionada à idade.
Essa doença surge quando as células de uma pequena região da retina — a mácula — morrem. Dessa forma, o indivíduo vai perdendo a visão aos poucos. O campo de visão começa a embaçar e, depois, aparecem pontos escuros. Se nada for feito, ela pode causar cegueira.
A causa da degeneração macular ainda não foi descoberta, mas se sabe que o avançar da idade é um fator de risco. Daí porque os estudiosos se concentraram na exposição prolongada a poluentes nos indivíduos mais velhos.
Os cientistas utilizaram dados de 39 819 taiwaneses acima dos 50 anos sem a enfermidade. Entre eles, 30% moravam em áreas bem urbanizadas.
De 2000 a 2010 — o período monitorado —, 1 442 participantes desenvolveram o problema. Em paralelo, os pesquisadores coletaram informações sobre a qualidade do ar de 1998 a 2010 em Taiwan. Eles basicamente consideraram as médias de cada ano para a investigação.
Depois, ajustaram outros fatores de risco, como idade, sexo, renda familiar e algumas condições que provocam a perda progressiva da visão (como a hipertensão, por exemplo). Tudo para que essas questões não interferissem no resultado final.
Após tanto trabalho, veio o resultado: quem foi exposto a altos níveis de dióxido de nitrogênio era quase duas vezes (91%) mais propenso a receber o diagnóstico de degeneração macular. Isso em comparação à turma que vivia em locais com baixas concentrações do gás. Além disso, a possibilidade de pessoas que inalam elevados índices de monóxido de carbono manifestarem a doença era 84% maior.
No entanto, por ser um estudo observacional, ele não estabelece uma relação de causa e efeito — trata-se apenas de uma associação. Ou seja, outros fatores típicos de locais poluídos poderiam interferir nos resultados. Os autores também lembram que não consideraram questões como tabagismo e genética.
De qualquer forma, estudos anteriores constataram que o NO2 afeta a saúde cardiovascular e a dos nervos e neurônios. Portanto, ele poderia comprometer o abastecimento de sangue no olho e danificar estruturas que transmitem os estímulos visuais para o cérebro.
Foto: Germano Luders/SAÚDE é Vital
Frutas, legumes e verduras afastariam o câncer de cabeça e pescoço
Um estudo brasileiro associa diferentes alimentos naturais a um menor risco de tumores de boca, faringe e laringe
Por Saúde é Vital
Valorizar os vegetais é uma estratégia conhecida contra o surgimento de alguns tipos de câncer. E, com os avanços na ciência, essa recomendação dietética está ficando mais precisa. Um novo estudo, por exemplo, mostra que certas frutas, legumes e verduras estão ligadas a uma redução no risco dos tumores de boca, faringe e laringe.
O trabalho foi conduzido pelo A.C.Camargo Cancer Center em três estados brasileiros. Ele envolveu 1 740 indivíduos — 847 acometidos por um desses tipos de câncer e outros 893 sem a doença. Dados sobre dieta, higiene pessoal, condição socioeconômica, tabagismo e consumo de álcool foram investigados.
Ao analisar as informações, os estudiosos viram que o risco de sofrer com a doença era menor em quem tinha o prato mais natural. Mas eles não pararam por aí e resolveram avaliar o impacto de ingredientes específicos.
Para cada alimento, um benefício
Na investigação, o hábito de comer regularmente tomate e frutas cítricas estava relacionado à proteção contra o câncer de boca. Maçãs e peras, por sua vez, pareceram resguardar a laringe.
Já o consumo de vegetais crucíferos (da família do brócolis) culminou em uma menor incidência de tumores de laringe e hipofaringe. Essas estruturas, aliás, também se beneficiariam da ingestão de cenoura.
Até a banana, a fruta mais popular do Brasil, associou-se com a menor probabilidade de câncer de orofaringe.
Mas atenção: os voluntários que colheram essas vantagens relatavam comer os vegetais “diariamente” ou, ao menos, “na maior parte dos dias”.
Os nutrientes que espantam tumores
A oncologista Maria Paula Curado, líder da pesquisa, explica que esses alimentos são fontes de substâncias com efeito anticâncer, como os carotenoides. “O licopeno, presente no tomate, tem ação antioxidante e inibe o crescimento das células tumorais, além de atuar no controle do estresse oxidativo”, destaca a médica, que coordena o Núcleo de Epidemiologia e Estatística em Câncer do A.C.Camargo Cancer Center.
Criptoxantina e betacaroteno, outras moléculas de destaque, marcam presença nas frutas cítricas e na cenoura. Além disso, as vitaminas encontradas nesses vegetais reduzem a ação dos radicais livres nas células – um processo que pode levar ao câncer.
Brócolis, repolho e couve, que também foram analisados no estudo, são fontes de glucosinolatos, partículas que inibem as células malignas. Já o segredo da banana estaria em sua rica constituição: polifenóis, vitaminas e outros compostos bioativos.
Ainda assim, mais do que pensar em um ou outro alimento, os especialistas pedem para variar entre diferentes vegetais — e abusar deles. A recomendação do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é consumir no mínimo cinco porções ao dia de frutas e vegetais sem amido ao dia. Cada porção equivale a uma quantidade que caiba na palma da mão do produto picado ou inteiro.
Outros fatores de risco
Estima-se que cerca de 40% dos tipos mais comuns de câncer sejam evitados com modificações no estilo de vida e na dieta. Agora, não dá para dizer que comer vegetais é o suficiente para, por exemplo, anular os efeitos da combinação de cigarro e bebida alcoólica — responsável por quase 80% dos tumores de cabeça e pescoço.
A infecção pelo vírus HPV também pode levar à doença, que é mais frequente em homens. “Nenhum estudo mostra que elementos nutricionais são capazes de amenizar os malefícios causados por agentes carcinogênicos”, conclui Maria Paula.
Foto: Alex Silva/A2 Estúdio
Sarampo: estados recebem doses extras da vacina tríplice viral
O estado de São Paulo, que concentra 99% dos casos e registra uma morte pela doença este ano, recebeu o maior número de doses (56%)
Por Agência Brasil
As secretarias de Saúde de todos os estados começaram a receber esta semana as doses extras da vacina tríplice viral, para garantir a imunização extra contra o sarampo em todas as crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias. De acordo com o Ministério da Saúde, 1,6 milhão de doses estão sendo distribuídas.
Desse total, 960 mil e 907 doses foram enviadas para os 13 estados que estão em situação de surto ativo de sarampo.
“A vítima foi um homem de 42 anos, que não tinha recebido nenhuma dose da vacina ao longo da vida, e tinha histórico de comorbidade, ou seja, com um quadro de várias doenças. Nessa faixa etária, a pessoa deve ter pelo menos uma dose da vacina”, informou o ministério.
O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, disse que o ministério trabalha para erradicar a doença e recuperar o certificado de eliminação do sarampo no Brasil. “Para isso, a pasta tem atuado de forma integrada com os estados e municípios, para intensificar as ações de cobertura vacinal na rotina, além das vacinações de reforço nas crianças, que é a faixa etária com maior risco para complicação em decorrência da doença, e de bloqueio”, disse.
A vacina tríplice viral está disponível nos mais de 36 mil postos de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o Brasil. Ela previne também contra rubéola e caxumba.
Foto: Jornal O Pêndulo