Paciente alega que cirurgião associado é responsável por deslocamento de prótese do glúteo; caso é julgado improcedente

Resultado de um procedimento de silicone nos glúteos, a paciente apresentou diferença de tamanho nas próteses; defesa de escritório de advocacia credenciado a Anadem provou que era um problema anterior à cirurgia
 
Após uma cirurgia plástica de gluteoplastia bilateral com lipoaspiração realizada em 2015, L.S. alegou notar um deslocamento na prótese do lado direito e diferença no glúteo em relação ao esquerdo. Ao procurar o profissional responsável pela cirurgia, que é associado da Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética), foi recomendado que a paciente aguardasse o prazo de um ano para normalização da prótese.

Passado o tempo sugerido, L.S. realizou tomografia e o exame comprovou que a prótese do lado direito estava mais alta que a do lado esquerdo. O médico, então, sugeriu que uma segunda cirurgia fosse feita para reparação. O procedimento, realizado em 2016, não reduziu a diferença entre as nádegas.

A paciente entrou com um pedido de ação contra o cirurgião para ressarcimento dos valores das duas cirurgias, totalizado em R$ 14.445,00, além do pagamento de danos morais no valor de R$ 28.110,00.

A defesa do profissional, realizada pelo escritório de advocacia credenciado a Anadem, Attié & Lucidos Advogados, sustentou que antes da cirurgia a autora já apresentava contração do músculo glúteo direito, justificativa para que este lado fosse maior que o esquerdo. Também apresentou que o médico identificou ptose moderada e coxa direita mais grossa antes da realização da primeira cirurgia. Destacou, ainda, que já era notável a melhoria da região da prega subglútea e aumento proporcional do músculo glúteo em consulta realizada três meses depois do procedimento.

 

JULGAMENTO

A perícia médica concluiu, após análise comparativa de fotos pré e pós-operatórias, que é notável a correção parcial das assimetrias alegadas pela autora. Destaca, também, a correção por simetrização total do posicionamento de ambos os sulcos infraglúteos e que as diferenças observadas já existiam previamente.

O juiz da 2ª Vara Cível de São Paulo julgou improcedentes os pedidos e condenou a paciente ao pagamento das custas, despesas processuais e honorários do advogado do cirurgião, definidos em 10% sobre o valor da causa.
 

Áreas verdes nas cidades com impacto na redução da mortalidade prematura, revela estudo

Os investigadores estimam um efeito protetor dos espaços verdes nas cidades que pode levar a uma redução de 4% na mortalidade por cada aumento de 0,1% no índice de vegetação em torno de 500 metros de uma residência

 

Por Expresso

 

A presença de áreas verdes nas cidades tem impacto na redução da mortalidade prematura, segundo a maior análise de estudos alguma vez realizada e que foi publicada na revista “The Lancet Planetary Health”.

Os investigadores identificaram mais de nove mil estudos sobre o tema e selecionaram nove avaliações quantitativas e longitudinais que abrangem mais de oito milhões de pessoas de sete países.

O estudo estima um efeito protetor dos espaços verdes nas cidades que pode levar a uma redução de 4% na mortalidade por cada aumento de 0,1% no índice de vegetação em torno de 500 metros de uma residência.

Um dos investigadores, do Instituto de Saúde Global de Barcelona, sublinha que são muitos os estudos com “evidência científica robusta” de que as áreas verdes têm um efeito positivo sobre a saúde, na redução do stress, na diminuição do risco de doenças cardiovasculares e na melhoria da saúde mental.

Os estudos em que os investigadores se centraram são longitudinais, seguindo, portanto, um conjunto de pessoas ao longo de vários anos, além de serem quantitativos, medindo a exposição a áreas verdes baseada em imagens de satélite e analisando a mortalidade.

“É a síntese maior e mais completa até agora sobre espaços verdes e mortalidade prematura e os resultados apoiam as intervenções e políticas de aumento dos espaços verdes como estratégia para melhorar a saúde pública”, afirmou o investigador David Rojas, citado pela agência EFE.

O próprio estudo indica que há vários mecanismos que podem explicar o benefício para a saúde da proximidade de espaços arborizados, mas é difícil estabelecer uma relação direta.

Contudo, os investigadores sugerem que a presença de espaços verdes induz a prática de atividade física, que leva a claros benefícios na saúde.

 

Foto: JEFF GREENBERG

Pesquisadores desenvolvem novo colírio para a doença do olho seco

Medicamento combate anticorpos ligados a inflamações que desencadeiam a complicação ocular. Em testes, a fórmula reduz significativamente os danos nas córneas de pessoas acometidas pela forma grave da enfermidade

 

Por Correio Braziliense

 

Pesquisadores americanos identificaram, pela primeira vez, a presença de um tipo específico de anticorpo no líquido lacrimal humano. Segundo eles, a substância está relacionada à ocorrência da doença do olho seco. Graças à descoberta, a equipe desenvolveu um medicamento que age diretamente sobre essa molécula. Os testes clínicos iniciais com o novo colírio renderam resultados positivos em pacientes com a forma grave da enfermidade. Os dados foram publicados na revista especializada Ocular Surface.

Em estudos anteriores, os investigadores descobriram que filamentos de DNA são expulsos de neutrófilos, um tipo de glóbulo branco, e formam espécies de teias na superfície dos olhos, causando a inflamação que gera a doença do olho seco. Os pesquisadores resolveram se aprofundar nos mecanismos relacionados à complicação ocular. Desta vez, identificaram anticorpos anticitrulinados (ACPAs), produzidos pelo sistema imune, no líquido lacrimal humano. Segundo a equipe, os ACPAs também causam inflamação ocular e contribuem para o desenvolvimento dessas redes.

Com base nesses dados, eles desenvolveram um colírio formulado a partir de anticorpos combinados — que são processados a partir do sangue doado de milhares de indivíduos. O medicamento continha tipos variados de anticorpos que neutralizam os efeitos negativos dos ACPAs. Participaram do teste 27 indivíduos com a doença do olho seco na forma grave. Uma parte dos voluntários recebeu o remédio experimental e foi orientada a administrar uma gota em cada olho duas vezes ao dia, durante oito semanas. O grupo controle recebeu as mesmas instruções, mas colírios sem anticorpos.

Como resultado, os cientistas descobriram que os participantes que usaram o novo colírio tiveram redução estatística e clinicamente significativa no dano da córnea, quando comparados ao grupo controle. “Os participantes do estudo que usaram as gotas com anticorpos combinados relataram menos desconforto ocular e tinham as córneas mais saudáveis”, relata, em comunicado, Sandeep Jain, um dos autores do estudo e professor de oftalmologia e ciências visuais da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.

Autoimunidade

Os autores do estudo acreditam que os dados positivos podem contribuir para aumentar a quantidade de terapias para a doença do olho seco, que atualmente conta com poucas opções de tratamento e tem impacto direto na qualidade de vida dos pacientes. “O fardo do olho seco autoimune é muito maior do que apenas ter uma sensação ocasional de secura. Ele pode comprometer severamente a vida da pessoa a ponto de incapacitar e comprometer a visão dela”, afirma Sandeep Jain.

O cientista frisa que existem poucos medicamentos aprovados para tratar o olho seco, e eles não funcionam para todos os pacientes, especialmente para aqueles com a doença mais grave. “Portanto, ter um novo medicamento que pode tratar a doença visando um mecanismo diferente, nesse caso, uma autoimunidade, é muito importante”, diz.

A investigação terá continuidade, ampliando o número de participantes. “Os dados desse estudo clínico inicial sugerem que colírios contendo anticorpos combinados podem ser seguros e eficazes para o tratamento de doenças do olho seco, e esperamos realizar estudos randomizados maiores para provar definitivamente sua eficácia”, adianta Sandeep Jain.

Para Samuel Duarte, oftalmologista do Visão Hospital de Olhos, em Brasília, os resultados podem contribuir, de forma bastante positiva, para o tratamento de pacientes com o problema oftalmológico. “Hoje, temos muito poucos recursos que ajudam os pacientes. Usamos a lágrima artificial e também os imunossupressores. Esse colírio pode ser uma ferramenta a mais caso os testes futuros comprovem a sua eficácia e segurança”, avalia. “Sabemos que algumas situações, como privação de sono, pós-conjutivite e ficar muito tempo sem piscar os olhos, podem gerar esse problema, e na maioria das vezes a lubrificação resolve. Mas temos pacientes que devido a outros fatores, como alergia, precisam de outras opções.”

 

Foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press

Vitamina do ovo pode evitar o Alzheimer, aponta estudo

Presente também na carne e em grãos, a colina evita inflamações cerebrais e formação de placas de proteínas ligadas à doença neurodegenerativa. Resultado constatado em ratos abre portas para o desenvolvimento de novas intervenções em humanos

 

Por Correio Braziliense

 

A colina é uma vitamina pouco falada, mas está presente em alimentos muito consumidos, como ovos, leite, soja e trigo. Ela gera benefícios ao coração e ao fígado e também ajuda na saúde cerebral. Pesquisadores da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, constataram, em um estudo com ratos, que o consumo regular desse nutriente impede o surgimento de sintomas relacionados ao Alzheimer. A descoberta, publicada na revista especializada Aging Cell, poderá ajudar no desenvolvimento de estratégias de prevenção à doença neurodegenerativa e a outras neuroenfermidades, como o Parkinson.

Em um trabalho do ano passado, a equipe constatou que camundongos cuja mãe recebeu suplementos de colina estavam melhor protegidos do Alzheimer. Agora, os cientistas resolveram investigar cobaias adultas e do sexo feminino, já que as mulheres são as mais prejudicadas pela enfermidade. “Ainda não sabemos por que ocorre essa diferenciação, mas com base nos nossos dados anteriores, acreditávamos que uma ingestão de colina adicional na dieta pode ser benéfica na prevenção de alterações neuropatológicas associadas ao envelhecimento do cérebro nesse grupo”, detalha Ramon Velazquez, autor do estudo.

Cobaias fêmeas foram modificadas para que desenvolvessem sintomas da doença neurodegenerativa. Os pesquisadores observaram que aquelas que receberam alta quantidade de colina ao longo da vida exibiram melhoras na memória espacial, quando comparadas aos animais alimentados com uma quantidade considerada normal de colina. Os autores do estudo explicam que a vitamina protege o cérebro por duas vias. Primeiro, bloqueia a produção de placas beta-amiloides, cujo acúmulo no cérebro está ligado ao Alzheimer. Em segundo lugar, a suplementação de colina reduz a ativação da micróglia — a superativação dessa célula pode causar inflamação no cérebro e levar à morte neuronal, comprometendo a função cognitiva.

Realizando análises ainda mais apuradas nas cobaias, os investigadores descobriram que a redução na ativação da micróglia é causada pela alteração de dois receptores principais. “Descobrimos que a suplementação de colina ao longo da vida alterou a acetilcolina nicotínica alfa7 e o receptor Sigma-1, o que pode ter resultado na redução da micróglia ativada associada a doenças”, afirma Ramon Velazquez.

Ineditismo

Para o cientista, o resultado do estudo estabelece efeitos benéficos da suplementação de nutrientes em mulheres ao longo da vida. “Nosso trabalho complementa bem pesquisas recentes que mostram benefícios em camundongos machos com Alzheimer em um regime de suplementação de colina. Ninguém demonstrou benefícios ao longo da vida da suplementação em camundongos fêmeas com Alzheimer. Isso é o que há de novo”, ressalta.

Segundo a equipe, a colina é um candidato atraente para a prevenção do Alzheimer, pois é considerada uma alternativa muito segura, em comparação a muitos produtos farmacêuticos. “Usamos 4,5 vezes a quantidade de ingestão diária recomendada e, ainda assim, estamos bem abaixo do limite superior tolerável, tornando essa uma estratégia terapêutica preventiva segura”, ressalta Velazquez.

Amauri Araújo Godinho, neurologista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro titular da Sociedade Brasileira de Neurologia (SBN), acredita que o estudo mostra dados extremamente animadores, que podem contribuir para novas estratégias preventivas. “Essa pesquisa segue dados de estudos anteriores que mostraram, em cadáveres, que pessoas que sofreram com essa doença exibiam níveis mais baixos de colina. Nesse estudo, eles têm mais uma confirmação, o que pode abrir as portas para um novo tipo de estratégia para evitar a doença”, avalia.

O especialista ressalta que os níveis exigidos de colina pra prevenir o Alzheimer não podem ser conquistados apenas na alimentação. “São doses consideradas altas, que exigem uma suplementação. Acredito que esse tipo de uso seria interessantes em pessoas que têm mais chances de serem acometidas pela doença. Ainda estamos estudando a relação do Alzheimer com a genética, mas, por exemplo, se você tem dois casos na família, pode ser que seja interessante usar esse tipo de estratégia”, explica.

Para Godinho, a prevenção de outros problemas de saúde relacionados à micróglia é outro ponto positivo do estudo americano. “Ainda não temos cura para problemas neurodegenerativos. Então, precisamos nos apoiar nessas formas de prevenção. Outro ponto importante é que, durante a gestação, pode ser benéfico para criança se a mãe usar esses complementos. Os riscos de que essa doença surja mais para frente podem diminuir. Mas é claro que ainda temos que estudar mais o tema e entender melhor essa relação”, frisa Godinho.

 

Foto:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

OMS faz alerta sobre a saúde dos adolescentes

84% dos jovens brasileiros não praticam uma hora diária de exercícios

 

Por Agência Brasil

 

Quatro em cada cinco adolescentes no mundo são sedentários, especialmente as meninas, informa estudo revelado nesta sexta-feira (22) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), elaborado entre 2001 e 2016, em 146 países. No Brasil, a situação é pior: 84% de jovens entre 11 e 17 anos não praticam uma hora diária de atividade física, conforme recomendação da OMS.

De acordo com o estudo, uma das causas desta tendência é a “revolução digital”. O documento foi publicado pela revista The Lancet Child & Adolescent Health.

Para calcular o número de adolescentes sedentários, a OMS analisou pela primeira vez dados reunidos entre 2001 e 2016, envolvendo 1,6 milhão de estudantes de 146 países. Em todo o mundo, 81% dos jovens entre 11 e 17 anos escolarizados não cumpriram a recomendação de uma hora diária de atividade física em 2016, registrando uma ligeira queda em relação a 2001 (82,5%). A situação atual é muito mais preocupante entre as meninas, 85%, do que entre os meninos, 78%.

Os primeiros dados sobre tendências globais em termos de atividade física insuficiente entre adolescentes mostram a necessidade de medidas urgentes para aumentar os níveis de atividade física entre meninas e meninos dos 11 aos 17 anos de idade. O documento conclui que mais de 80% dos adolescentes em idade escolar em todo o mundo – especificamente, 85 % de meninas e 78% de meninos – não atingem o nível mínimo recomendado de uma hora de atividade física por dia.

A diferença entre a porcentagem de meninos e meninas que atingiram os níveis recomendados em 2016 excedeu 10 pontos percentuais em aproximadamente um em três países (29%, ou seja, em 43 dos 146 países), e as maiores diferenças foram registradas nos Estados Unidos da América e na Irlanda (mais de 15 pontos percentuais). Na maioria dos países considerados no estudo (73%, ou seja, em 107 de 146), observou-se um aumento nessa diferença de gênero entre 2001 e 2016.

Atividade física

De acordo com o documento, os níveis de atividade física insuficiente observados entre os adolescentes permanecem extremamente altos e isso representa um perigo para sua saúde atual e futura. “É necessário adotar medidas regulatórias urgentes para aumentar a atividade física e, em particular, promover e manter a participação das meninas”, diz a Dra. Regina Guthold (OMS), autora do estudo.

Dentre os benefícios à saúde de um estilo de vida fisicamente ativo na adolescência, vale destacar a melhora da capacidade cardiorrespiratória e muscular, a saúde óssea e cardiometabólica e os efeitos positivos no peso. Da mesma forma, há evidências crescentes de que a atividade física tem um efeito positivo no desenvolvimento cognitivo e na socialização. Os dados atualmente disponíveis indicam que muitos desses benefícios permanecem até a idade adulta.

Para alcançar esses benefícios, a OMS recomenda que os adolescentes pratiquem atividade física moderada a intensa por uma hora ou mais por dia.

 

Foto: Agência Brasil