Programas de vacinação infantil ajudariam a reduzir o uso de antibióticos
Segundo estudo, crianças que se vacinaram contra rotavírus e pneumococos estariam mais protegidas de doenças que costumam ser tratadas com esses remédios
Por Saúde é Vital
Uma pesquisa publicada no periódico científico Nature mostra que programas de vacinação infantil contra os rotavírus (causadores de problemas gastrointestinais) e pneumococos (bactérias por trás de pneumonia, meningite e otite) diminuem a necessidade de recorrer a tratamentos com antibióticos em crianças de até 5 anos. Isso, por sua vez, ajudaria a controlar um problema que assusta os cientistas: a resistência bacteriana.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas das universidades Princeton e da Califórnia, nos Estados Unidos, e do Imperial College London, na Inglaterra, analisaram pesquisas domiciliares de 16 países de baixa e média renda.
As informações de mais de 60 mil crianças diziam respeito à aplicação e eficácia das vacinas contra rotavírus e pneumococos e também à incidência de tratamento com antibióticos para infecção respiratória aguda e diarreia.
Após cruzar os dados, os estudiosos constataram que 24,8% das doenças do sistema respiratório e 21,6% dos casos de diarreia foram provocados por agentes que poderiam ser debelados por esses imunizantes tomados na infância.
Inclusive, os pequenos vacinados contra os pneumococos e rotavírus corriam, respectivamente, 8,7% e 8,1% menos risco de passar por esses problemas, comparados àqueles que não se imunizaram.
Com esse resultado, os autores estimam que os programas de vacinação previnem, aproximadamente, 23,8 milhões de enfermidades respiratórias e 13,6 milhões de casos de doenças diarreicas todos os anos em países de baixa e média renda – quadros para os quais um antibiótico tende a ser empregado.
Eles ainda calculam que 40 milhões de outros quadros infecciosos seriam evitados se os níveis de cobertura vacinal melhorassem.
No entanto, os autores assumem que a pesquisa possui limitações. Tem o fato, por exemplo, de que as condições de saúde da meninada foram relatadas pelos pais, e não tiradas de documentos médicos.
Além disso, a investigação focou nos efeitos diretos dos imunizantes. E sua eficiência foi checada em um estrato específico da população (menores de 5 anos), justamente a faixa etária com maior probabilidade de pegar as chateações analisadas.
Ainda assim, os experts acreditam que os achados evidenciam a necessidade de priorizar as vacinas infantis como parte da estratégia global de combate à resistência bacteriana. Ora, o uso excessivo de antibióticos é um dos motivos que levam ao surgimento das chamadas superbactérias – ou seja, aquelas que não sucumbem diante desse tipo de remédio.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já publicou documentos em que pede mais atenção ao assunto. Segundo a entidade, se nada for feito, podemos entrar em uma nova era, na qual infecções comuns – como a provocada por um simples corte no dedo – seriam capazes de causar até mortes.
Foto: Gjohnstonphoto/iStock
Estudo indica eficácia do isolamento social contra o novo coronavírus
Pesquisa faz comparação entre medidas adotadas nas regiões Sul e Norte
Por Agência Brasil
Com base nos dados do Ministério da Saúde, o engenheiro químico e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Eduardo Lima verificou que há uma tendência de diminuição do número de mortes pela covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, após a adoção de medidas restritivas à circulação de pessoas.
De acordo com o professor, os estudos têm indicado que a adoção de estratégias de isolamento social surte efeito, em média, de 10 a 14 dias, após o início da medida – mesmo período de incubação do vírus.
Ao analisar os dados oficiais de óbitos por milhão de habitantes, Lima concluiu que os resultados mostram uma tendência mais constante de achatamento da curva após a decretação das medidas restritivas. “Os casos vinham em uma crescente exponencial, mas o gráfico mostra que isso desacelerou, o que é a constatação científica e aferida por números de que o isolamento é eficaz”, disse.
Segundo o pesquisador, a comparação entre as regiões Norte e Sul evidencia o impacto positivo do isolamento social. “Até o 11º dia após atingir uma morte por milhão de habitantes – o que na região Sul aconteceu em 12 de abril e, na região Norte, em 15 de abril -, ambas seguiam praticamente a mesma curva, apresentando uma taxa de aumento de cerca de 30% de mortes ao dia”, afirmou.
Com a adoção de medidas de restrição à circulação mais rigorosas, o Sul conseguiu desacelerar o avanço da doença, ao contrário da Região Norte, onde foi registrada menor adesão ao isolamento social. No 20º dia após atingir uma morte por milhão de habitantes, o Sul apresentava taxa de aumento das mortes por dia perto de 10% enquanto, no Norte, esse índice estava perto de 20%.
“Em cerca de dez dias, o Sul reduziu de 30% para perto de 10%. Enquanto o Norte reduziu de 30% para 20% a taxa de aumento do número de mortes por dia”, disse. “Esse foi o problema. Isso fez a curva exponencial de casos da Região Norte explodir. Por isso, deu o problema de sobrecarga no sistema de saúde”.
De acordo com o professor da Uerj, em 27 de abril, a Região Sul tinha 16 óbitos por milhão de habitantes ao passo que a Região Norte apresentava 26 óbitos por milhão de habitantes.
O pesquisador afirma ver com preocupação a situação atual da epidemia no Brasil. “A gente ainda tem aumento expressivo de número de casos, ainda não tem um indicativo de que a gente esteja próximo de chegar ao pico de propagação e governadores e prefeitos estão discutindo medidas de relaxamento do isolamento”, disse Lima.
“Enquanto a gente ainda não tem uma vacina ou um remédio com comprovação científica de que funcione, a gente não tem outra estratégia que seja tão indicada quanto o isolamento social”, destacou.
Foto: Agência Brasil