22 de maio de 2020 - Anadem

Estudo com 96 mil pacientes não encontra benefício de uso de cloroquina contra Covid-19 e detecta risco de arritmia cardíaca

Maior pesquisa já feita sobre a relação entre o Sars CoV-2 e o uso da substância foi publicada nesta sexta-feira (22) na revista ‘The Lancet’

 

Por G1

 

Uma pesquisa científica publicada na renomada revista “The Lancet” com 96 mil pacientes aponta que a hidroxicloroquina e a cloroquina não apresentam benefícios no tratamento da Covid-19. Os resultados divulgados nesta sexta-feira (22) mostram que também não há melhora na recuperação dos infectados, mas existe um risco maior de morte e piora cardíaca durante a hospitalização pelo Sars CoV-2.

Dados do estudo:

O grupo de cientistas comparou os resultados de 1.868 pessoas que receberam apenas cloroquina, 3.016 que receberam só hidroxicloroquina, 3.783 que tomaram a combinação de cloroquina e macrólidos (uma classe de antibióticos), e mais 6.221 pacientes com hidroxicloroquina e macrólidos. O grupo de controle, que serve para comparação e não fez uso dos medicamentos, é formado por 81.144 pacientes.

No final do período, 1 a cada 11 pacientes do grupo controle havia morrido – 7.530 pessoas (9,3%). Todos os quatro tipos de tratamento foram associados com um risco maior de morrer no hospital:

Os cientistas excluíram fatores que podem influenciar os resultados, como idade, raça, índice de massa corporal e outras condições associadas (doenças cardíacas, diabetes, e doenças pulmonares).

De acordo com os autores, os pacientes medicados com as substâncias apresentaram também risco maior de desenvolver arritmia cardíaca. A maior taxa foi vista em pacientes que receberam a hidroxicloroquina em combinação com os antibióticos: 8% ou 502 pessoas em um grupo de 6.221. O grupo controle, que não recebeu as substâncias, teve um índice de 0,3%.

Este é o maior estudo feito com pacientes infectados e internados com a Covid-19 e a prescrição de cloroquina e hidroxicloroquina.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quarta-feira (20) que as substâncias podem causar efeitos colaterais e não têm eficiência contra doença. Marcos Espinal, diretor do departamento de doenças comunicáveis da Opas, também disse que “não há evidências para recomendar cloroquina e hidroxicloroquina”.

“Este é o primeiro estudo em larga escala a encontrar evidências robustas estatisticamente de que o tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina não traz benefícios a pacientes com Covid-19”, disse o autor Mandeep Mehra, líder da pesquisa e diretor do Brigham and Women’s Hospital Center for Advanced Heart Desease, em Boston, nos Estados Unidos.

Independente disso, os cientistas argumentam que há a necessidade de mais pesquisas internacionais para comprovação dos dados e uma análise definitiva. Por enquanto, portanto, não há comprovação de que as substâncias ajudem no combate à Covid-19.

Estudo de Nova York

Em 8 de maio, outra revista, a britânica “The New England Journal of Medicine”, publicou os primeiros resultados robustos internacionais sobre a efetividade do tratamento da hidroxicloroquina em pacientes hospitalizados com coronavírus. De acordo com os autores, não foram encontradas evidências de que a droga tenha reduzido o risco de intubação ou de morte.

A pesquisa revisada por outros cientistas (pares) antes da publicação foi feita no Presbyterian Hospital, em Nova York, e observou pacientes com teste positivo para o vírus. Todos estavam em um quadro moderado a grave, definido pelo nível de saturação de oxigênio no sangue inferior a 94%. Foram admitidas 1.446 pessoas com a doença entre 7 e 8 de abril de 2020, e 70 delas foram excluídas por já terem recebido alta, morrido ou sido intubadas.

Até o início deste mês, não havia estudos mais efetivos a respeito do uso desses medicamentos. A primeira pesquisa divulgada foi feita na França e analisou 26 pacientes, mas excluiu 6 deles com uma piora do quadro após o uso do medicamento. Mesmo que alguns infectados tenham apresentado uma melhora no quadro, a retirada do pequeno grupo dificultou a interpretação dos dados. A pesquisa foi bastante criticada pela comunidade científica.

Protocolo para uso no Brasil

Na quarta-feira, o Ministério da Saúde do Brasil divulgou um documento que orienta o uso da hidroxicloroquina no país em pacientes infectados pelo Sars CoV-2. Nesta quinta-feira (21), uma nova versão foi editada com a assinatura de secretários da saúde da pasta.

A mudança no protocolo era um desejo do presidente Jair Bolsonaro, defensor da cloroquina no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus. Não há comprovação científica de que a cloroquina é capaz de curar a Covid-19. Outros estudos internacionais também não encontraram eficácia no remédio e a Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda o uso.

O protocolo da cloroquina foi motivo de atrito entre Bolsonaro e os últimos dois ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Em menos de um mês, os dois deixaram o governo.

O texto do ministério mantém a necessidade de o paciente autorizar o uso da medicação e de o médico decidir sobre a aplicar ou não o remédio. A cloroquina não está disponível para a população em geral.

 

Foto: Reprodução/TV Globo

Tratamento para coronavírus: 'pista' imunológica traz esperança na luta contra a Covid-19

Cientistas constataram que aqueles que desenvolvem forma mais grave da doença têm números extremamente baixos de uma célula imune chamada célula T

 

Por BBC

 

Cientistas do Reino Unido devem começar a testar um tratamento que, segundo esperam, possa combater os efeitos da Covid-19 nos pacientes mais graves.

Eles constataram que aqueles que desenvolvem a forma mais grave da doença têm números extremamente baixos de uma célula imune chamada célula T.

As células T “limpam” a infecção do corpo.

O ensaio clínico avaliará se um medicamento chamado interleucina 7, conhecido por aumentar o número de células T, pode ajudar na recuperação dos pacientes.

O estudo envolve cientistas do Instituto Francis Crick, King’s College London e do hospital Guy’s e St Thomas’. Eles examinaram as células imunes no sangue de 60 pacientes de Covid-19 e encontraram uma aparente queda no número de células T.

Adrian Hayday, do Instituto Crick, disse que foi uma “grande surpresa” ver o que estava acontecendo com as células imunológicas.

“Elas estão tentando nos proteger, mas o vírus parece estar fazendo algo que está puxando o tapete delas, porque seus números diminuíram drasticamente.”

Em uma gota de sangue de microlitro (0,001 ml), adultos saudáveis normais têm entre 2 mil e 4 mil células T, também chamadas linfócitos T.

Os pacientes de Covid-19 que a equipe testou tinham entre 200 e 1,2 mil.

‘Extremamente encorajador’

Os pesquisadores dizem que essas descobertas abrem caminho para que eles desenvolvam um “teste de impressão digital” para verificar os níveis de células T no sangue, o que poderia fornecer indicações precoces de quem poderia desenvolver doenças mais graves.
Mas também oferece a possibilidade de um tratamento específico para reverter esse declínio das células imunológicas.

Manu Shankar-Hari, médico de cuidados intensivos do hospital Guy’s e St Thomas’, em Londres, disse que cerca de 70% dos pacientes que observa em terapia intensiva com Covid-19 chegam com 400 a 800 linfócitos por microlitro.

“Quando eles começam a se recuperar, o nível de linfócitos também começa a voltar”, acrescenta.

A interleucina 7 já foi testada em um pequeno grupo de pacientes com sepse e comprovou aumentar com segurança a produção dessas células específicas.

Nesse estudo, ela será administrada a pacientes com baixa contagem de linfócitos em tratamento intensivo por mais de três dias.

Shankar-Hari disse: “Esperamos que [quando aumentarmos a contagem de células] as infecções virais sejam eliminadas.

“Como médico intensivista, eu cuido dos pacientes que estão extremamente mal e, além dos cuidados de suporte, não temos nenhum tratamento ativo direto contra a doença”.

“Portanto, um tratamento como esse no contexto de um ensaio clínico é extremamente encorajador para médicos de cuidados intensivos em todo o Reino Unido”.

A pesquisa também forneceu informações sobre as formas específicas pelas quais a Covid-19 interage com o sistema imunológico, o que, segundo Hayday, será vital à medida que cientistas de todo o mundo procuram informações clinicamente valiosas.

“O vírus que causou essa emergência no planeta é único — e diferente. É algo sem precedentes.”

“A razão exata para essa interrupção — a chave nos trabalhos do sistema de células T — não está clara para nós.

“Este vírus está realmente fazendo algo distinto e pesquisas futuras – que começaremos imediatamente — precisam descobrir o mecanismo pelo qual ele está causando esses efeitos.”

 

Foto: Getty Images

Pesquisadores do Senegal testam exame para Covid-19 que custa US$ 1 e fica pronto em 10 minutos

Intenção é que kit, que faz diagnóstico de infecções atuais ou anteriores, esteja aprovado para distribuição na África até junho

 

Por G1

 

Pesquisadores do Senegal estão testando um kit para a detecção do Covid-19 que custaria US$ 1 e entregaria o resultado em menos de 10 minutos.

A expectativa é de que o teste possa estar disponível para distribuição na África até junho, caso ele seja aprovado. O plano é que ele seja fabricado no Senegal e no Reino Unido.

O protótipo desenvolvido pelo laboratório DiaTropix, ligado ao Instituto Pasteur, e a Mologic, uma empresa de biotecnologia britânica, é semelhante a um teste de gravidez. Ele pode detectar infecções atuais, através da saliva, ou a infecções prévias, através de anticorpos.

“Não há a necessidade de um laboratório muito equipado. É um teste simples que pode ser feito em qualquer lugar”, afirmou Amadou Sall, diretor do Instituto Pasteur em Dacar. Segundo ele, até mil testes podem ser analisados por dia e 4 milhões produzidos por ano.

Atualmente, a maioria dos testes para diagnóstico do novo coronavírus usa uma técnica chamada PCR que detecta sequências do RNA do vírus – algo caro e que demanda tecnologia de ponta. Os testes em estudo no Senegal facilitariam a distribuição pela África.

No continente, o país mais afetado pela Covid-19 é a África do Sul, com 18 mil casos confirmados e 369 mortes, segundo a Universidade Johns Hopkins. O Senegal já registrou 2,8 mil casos, com 30 mortes.

 

Foto: AFP

Brasil recebe 4,5 milhões de máscaras N-95 contra a covid-19

Outros 40 voos vão buscar 930 toneladas de máscaras chinesas

 

Por Agência Brasil

 

O Brasil recebeu nesta quinta-feira (21), em Guarulhos (SP), o sétimo voo com máscaras para auxiliar o trabalho de combate à covid-19. Foi o primeiro voo trazendo máscaras do tipo N95, mais indicado a profissionais expostos a ambientes contaminados. O carregamento de hoje tem 4,5 milhões de unidades do produto.

As 30 toneladas que chegaram integram parte das 960 toneladas de máscaras cirúrgicas desse tipo compradas da China pelo governo federal.

As máscaras serão distribuídas pelo Ministério da Saúde visando o enfrentamento da covid-19 em todo o país. Além do porão da aeronave, a cabine foi adaptada para receber as caixas com o produto.

O Ministério da Infraestrutura é responsável pela operação especial e vai fretar mais de 40 voos para transportar a carga que corresponde a 240 milhões de máscaras. O governo federal também está apoiando estados e prefeituras na logística e distribuição de equipamentos.

* Matéria alterada às 11h22 para correção de informação. Ao contrário do informado anteriormente, o voo que chega hoje ao Brasil é o sétimo voo de carregamento de máscaras e não o primeiro.

 

Foto: Governo do Estado de São Paulo

Covid-19: hospital paulistano cria exame de detecção em larga escala

Técnica desenvolvida no Albert Einstein analisa ate 16 mais amostras

 

Por Agência Brasil

 

A startup Varstation, plataforma do Hospital Israelita Albert Einstein, desenvolveu um exame genético para detecção em larga escala do novo coronavírus. A técnica é capaz de analisar até 16 vezes mais amostras, uma opção viável para realização de testagem em massa.

A técnica utilizada, que tem como vantagem não apresentar casos de falso-positivo, consiste na leitura de pequenos fragmentos de DNA para identificação de doenças ou mutações genéticas. Os pesquisadores adaptaram o método para detecção de RNA, presente na covid-19.

A coleta de amostras, retiradas do laboratório no Hospital Albert Einstein, foi feita com cotonetes estéreis (chamados de swab) colocados em contato com a região nasal ou com a saliva do paciente. Posteriormente, a amostra foi preparada seguindo protocolos; e a análise dos resultados ocorreu numa plataforma de bioinformática. O resultado, de acordo com o estudo, fica pronto em até três dias.

Atualmente, os exames sorológicos (testes rápidos) usados no país detectam anticorpos produzidos pelo organismo cerca de 14 dias após a contaminação. A taxa de falsos-negativos chega a 30%. O novo teste, por sua vez, é capaz de identificar a presença do coronavírus no corpo do paciente desde o primeiro dia de infecção. Segundo os pesquisadores, a previsão é que a novidade chegue aos hospitais até o início de junho.

 

Foto: Divulgação

Estudo sugere que plasma convalescente é seguro no tratamento da Covid-19

Infundir o sangue de pessoas curadas em pacientes com coronavírus não trouxe efeitos colaterais graves na maioria dos casos, segundo relatório americano

 

Por Saúde é Vital

 

O tratamento com plasma convalescente consiste em aplicar a “parte líquida do sangue” de pessoas que já se curaram do novo coronavírus (Sars-CoV-2) em pacientes que ainda estão lutando contra ele. Pois um relatório americano sugere que essa técnica é segura — os testes de eficácia ainda estão em desenvolvimento.

A lógica desse método é simples: quando alguém entra em contato com um vírus, começa a desenvolver anticorpos contra ele. Essas tropas de defesa ficam circulando na corrente sanguínea. Ao coletar o plasma sanguíneo de um paciente recuperado (ou convalescente) e aplicá-lo em alguém que está sofrendo com a Covid-19, os médicos encheriam o organismo doente com anticorpos para debelar a enfermidade.

A questão é que faltam evidências científicas sobre a segurança e a eficácia desse método na pandemia atual. Como falamos em uma matéria anterior, essa estratégia trouxe resultados possivelmente benéficos, mas conflitantes, em surtos de Ebola e Sars. Ela foi empregada até em 1918, durante a pandemia de gripe espanhola.

Esse novo relatório foi criado a partir dos primeiros 5 mil voluntários hospitalizados que receberam plasma convalescente nos Estados Unidos, como parte de um protocolo de pesquisa e de acesso expandido. Todas essas pessoas manifestavam casos graves ou críticos de Covid-19.

Nas primeiras horas após o tratamento, menos de 1% da turma exibiu reações adversas graves, como alergias severas ou lesões nos pulmões. A taxa de mortalidade após sete dias foi de 14,9%. Esse número, embora pareça alto, está dentro da normalidade se você considerar que as pessoas avaliadas estavam com um quadro crítico.

“Entre pacientes hospitalizados por coronavírus, a mortalidade é de cerca de 15 a 20%, e maior ainda em indivíduos na UTI, chegando a 57%”, diz o artigo. Dito de outra forma, parece que o plasma convalescente é tolerável para a maioria dos pacientes.

“Estamos investigando no momento quais pessoas são mais ou menos afetadas pelos efeitos colaterais, o que ajudaria a direcionar essa terapia. Mas ainda é cedo para dizer”, pondera o médico Michael Joyner, do Departamento de Anestesiologia e Medicina Perioperatória da Mayo Clinic, nos Estados Unidos. Esse expert esteve envolvido com a pesquisa e dirige o programa americano de tratamento com plasma convalescente.

Por mais que os achados sejam encorajadores, esses pacientes precisam ser supervisionados por mais tempo — e mais voluntários devem ser incluídos no relatório.

Além disso, é importantíssimo testar diretamente a eficácia do plasma convalescente contra o coronavírus. A taxa de mortalidade de 14,9% entre os usuários dessa técnica, se comparada com a de outros grupos em estágio crítico da doença, até pode sinalizar um resultado positivo.

Contudo, esse estudo não foi desenhado para medir a eficiência. “Entre outras coisas, precisamos fazer comparações com grupos de controle”, informa Joyner. Em outras palavras, os cientistas pretendem examinar, em um único relatório, quem recebeu plasma convalescente e quem não recebeu, obedecendo uma série de critérios científicos.

Qual será o papel desse tratamento contra o coronavírus?

De acordo com Joyner, se os estudos subsequentes forem positivos, o plasma convalescente pode servir como uma tática para conter os estragos da Covid-19 enquanto não possuímos um remédio antiviral específico ou uma vacina. Seria uma arma para empregar no curto prazo, assim por dizer.

“E talvez a gente possa combinar essa técnica com outros tratamentos”, sugere o médico.

Há, entretanto, uma dificuldade: não é exatamente fácil conseguir plasma convalescente para atender muita gente. É necessário correr atrás de pessoas curadas, verificar se elas estão em condição de fazer a doação, desenvolver uma estrutura mínima de armazenamento e manipulação do material, treinar profissionais para lidar com eventuais reações adversas e com o manejo da técnica…

Antes disso tudo, devemos torcer para que os próximos resultados de segurança e, principalmente, eficácia sejam animadores.

Por fim, estudos com o plasma convalescente ajudarão os cientistas a compreender quais anticorpos produzidos pelo nosso organismo são mais ou menos potentes diante do coronavírus. A partir daí, é possível desenvolver medicamentos que simulem especificamente a ação dos anticorpos mais eficazes.

 

Foto: GI/Getty Images