Exame de sangue identifica se pacientes com Covid leve podem ser tratados com esteroides
Medicamento normalmente é administrado em casos mais graves da doença; antecipação do tratamento pode reduzir a necessidade de respiração mecânica
Por G1
Pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveram um exame de sangue capaz de identificar se pacientes em estágios iniciais da Covid-19 podem ser beneficiados com um tratamento a base de esteroides. Atualmente o medicamento é usado em casos mais graves da doença.
O artigo publicado na quarta-feira (22) pela revista “Journal of Hospital Medicine” mostrou que exames de sangue podem apontar a necessidade da administração antecipada para alguns pacientes. O estudo, considerado “padrão ouro”, mostrou que houve redução nas mortes e complicações.
Em trabalhos assim, participam dos testes pacientes (clínico), divididos aleatoriamente (randomizado) em grupos — aquele que recebe o tratamento em teste e o chamado grupo controle, que recebe outro tratamento para comparação ou placebo (um medicamento inócuo).
Alta concentração de PCR
O exame identifica a presença da proteína C-reativa (PCR) no sangue de pacientes ainda em estágio inicial da doença. O excesso desta substância pode indicar um alto nível de inflamação e é para estes pacientes que o uso do medicamento a base de esteroide pode ser recomendado.
Segundo o estudo, o tratamento precoce com esteroides reduziu a necessidade de ventilação mecânica em 80% dos casos e o risco de morte em 77% deles. A dexametasona, corticoide apontado como capaz de reduzir as vítimas da doença, já se mostrou eficaz em pacientes em ventilação mecânica.
O relatório destacou também que outros dois esteroides “amplamente disponíveis” se mostraram úteis para esse tratamento inicial. Os cientistas reconhecem, no entanto, que é necessário um estudo ampliado para identificar quais esteroides são indicados para cada tipo de paciente.
Os pesquisadores estudaram mais de 1,8 mil pacientes hospitalizados com Covid-19, incluindo 140 que foram tratados nas primeiras 48 horas com dexametasona, prednisona ou metilprednisolona. Os medicamentos não devem ser tomados de forma preventiva e foram administrados em hospitais.
Efeitos colaterais
Os corticoesteroides podem piorar quadros como diabetes e osteoporose e não devem ser usados sem acompanhamento médico. Eles agem como um anti-inflamatório e imunossupressor (ele inibe a ação do sistema imunológico). Na maioria das vezes em que é indicado, o remédio não é usado sozinho.
Sua forma de ação, seja como anti-inflamatório como imunossupressor é diferente de acordo com a dose aplicada. A dexametasona, por exemplo, é usada no tratamento do lúpus e a artrite reumatoide.
Foto: Yves Herman/Reuters
Psicoestimulantes podem ajudar no tratamento da dependência à cocaína
Substâncias como anfetaminas oferecem melhor retorno no tratamento
Por Agência Brasil
Anfetaminas de prescrição, como a dexanfetamina e os sais mistos de anfetaminas, são substâncias que oferecem melhor retorno no tratamento de pacientes com dependência de cocaína. A descoberta consta de uma análise assinada por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade de Columbia e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e foi publicada na revista científica Psychopharmacology.
A equipe de cientistas avaliou resultados obtidos através de 38 ensaios clínicos, que abrangeram os efeitos do tratamento de 2.889 dependentes químicos. Desse total, 26 estudos abordavam, especificamente, cuidados voltados a pacientes com dependência em cocaína. A indicação de psicoestimulantes que imitam os efeitos farmacológicos da cocaína vem sendo cogitada desde que se notou sua aplicabilidade em tratamentos para dependentes de opioides e nicotina.
Na análise, foram considerados psicoestimulantes de ação mais intensa, como o metilfenidato e o modafinil, além das anfetaminas. Foram observados, ainda, outros fatores da equação, como modos de manter os períodos de abstinência, isto é, quando os pacientes deixam de consumir a droga, a administração de doses elevadas dos medicamentos testados no tratamento e formulações de liberação prolongada.
O que se percebeu é que os pacientes tratados com anfetaminas prescritas tiveram quase duas vezes e meia mais chances de ficar três semanas em abstinência. A eficácia também aumentou à medida que as doses eram ampliadas, fato explicado em razão das alterações cerebrais provocadas pelo uso constante da cocaína.
*Com informações da agência de notícias da Unifesp
Foto: Reuters
Fiocruz lança manual para reabertura segura das escolas
Material destaca necessidade de boas práticas de biossegurança
Por Agência Brasil
A Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz) lançou, nesta sexta-feira (24), um manual sobre biossegurança para a reabertura de escolas no contexto da covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus.
Com linguagem acessível, o manual traz orientações para retomada das aulas em segurança, além de informações sobre questões sanitárias e formas de transmissão da doença. O manual destaca ainda a necessidade de implementar boas práticas de biossegurança que contribuam para promover a saúde e prevenir a doença nas escolas.
A coordenadora-geral de Ensino Técnico da escola, Ingrid D’avilla, integrante da equipe que elaborou o manual, disse à Agência Brasil que o material está disponível no site da unidade e em alguns portais da Fiocruz, como a Agência Fiocruz de Notícias e o Observatório Covid-19 Informação para Ação, cujo objetivo é disponibilizar informações sobre a covid-19.
Com a atualização contínua das pesquisas sobre a doença, o documento deve ser também frequentemente atualizado. Por isso, a opção foi disponibilizá-lo em formato digital, disse Ingrid D’avilla.
Seções
O manual é dividido em quatro seções, e a primeira aborda a própria covid-19. De acordo cm Ingrid, muitos protocolos lançados pelas secretarias municipais e estaduais de Educação e também pelo Ministério da Educação nem sempre traziam informações sobre a doença em si. “[Faltava] o que elas [escolas] precisavam saber sobre a covid-19, as formas de transmissão do vírus”, destacou.
Na primeira seção, a equipe da EPSJV trabalha com a atualização científica da covid-19. “Discutem-se fundamentos científicos importantes para a tomada de decisão, com ênfase nos marcos legais e educacionais vigentes no país, e também a partir de conceitos da biossegurança e da vigilância, temas que estruturam o trabalho”, disse a coordenadora da escola. Outro destaque da seção é a articulação intersetorial para constituição de políticas no âmbito da educação.
Na segunda parte, há disposições sobre como organizar o ambiente escolar para as atividades presenciais. “Fala sobre uso de máscaras, atendimento ao público, como organizar a porta de entrada, as salas de aula, laboratórios, água, alimentação escolar. Fala dos aspectos mais de disposições gerais da organização”, acrescentou.
A terceira seção da cartilha trata dos deslocamentos, indicando atitudes individuais em transportes que podem ajudar a proteger vidas.
A última parte do manual fala da saúde do trabalhador da educação e envolve desde os profissionais da limpeza e serviços gerais, de serviços de alimentação e nutrição, até professores e dirigentes das escolas. “Ele é um trabalhador fundamental”, ressaltou a coordenadora-geral de Ensino Técnico da EPSJV/Fiocruz.
Ingrid informou que, à medida que os estudos científicos trouxerem novos conhecimentos sobre o vírus e sobre a covid-19, o manual será atualizado, levando em conta também publicações e recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Nosso esforço foi tentar fazer, simultaneamente, uma tradução, porque muitos documentos orientadores das escolas estão em outros idiomas, foram publicados por agências internacionais, e também reunir aquilo que já foi publicado em âmbito nacional.”
Plano local
Ingrid enfatizou que, ao mesmo tempo que trata de regulamentações, o manual incentiva as escolas a elaborar seu próprio plano de ação. “O que fazemos é disponibilizar os fundamentos técnicos e científicos que podem organizar a tomada de decisão. Mas entendemos que a tomada de decisão é tanto da parte das autoridades municipais, estaduais e federais quanto da direção das escolas.”
Um exemplo são os rodízios de estudantes, questão que Ingrid considera central. O manual destaca a necessidade de reduzir a exposição de pessoas e de mais controle sobre os riscos biológicos no ambiente escolar. Quanto à forma de efetivar os rodízios, ela disse que cabe às escolas determinar. “É importante haver um retorno gradual, parcial, e com intenso monitoramento. Agora, o formato adotado deve expressar escolha com base na realidade local”, concluiu.
Diferenças
A Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz reconhece, no manual, que a realidade das escolas brasileiras é diferente em termos de infraestrutura, recursos financeiros, força de trabalho, interlocução com o sistema de saúde, entre outros fatores, para que possam conseguir uma perfeita adaptação às orientações.
Foto: Reuters