29 de abril de 2021 - Anadem

Não tomar a 2ª dose da vacina pode prolongar pandemia, aponta estudo

Pesquisa norte-americana mostra que boa parte da população não sabe que a forte proteção contra o vírus é conquistada somente após algumas semanas da segunda aplicação

Por Revista Galileu

Em estudo com mil adultos norte-americanos, pesquisadores concluíram que a desinformação acerca da segunda dose da vacina contra Covid-19 pode prolongar os efeitos da pandemia. A pesquisa, que considerou imunizantes da Moderna e Pfizer/BioNTech, foi publicada na quarta-feira (28), no jornal New England Journal of Medicine.

Segundo os estudiosos, menos da metade dos entrevistados acredita na informação dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do EUA de que as duas opções de vacina fornecem forte proteção contra o coronavírus uma ou duas semanas após a segunda dose.

Um quinto dos participantes afirmou erroneamente que as vacinas da Moderna e Pfizer/BioNTech fornecem proteção forte após apenas uma dose. Já outros 36% relataram não terem certeza de quando a vacinação faria efeito.

Além disso, um total de 190 voluntários da amostra total de mil estavam vacinados. Entre esses indivíduos imunizados, apenas 50% deles disse terem sido informados sobre o período em que a vacina forneceria proteção. Uma porcentagem pequena contou ainda que recebeu recomendação de continuar usando máscara e manter o isolamento social.

O estudo também diz que o problema pode ser ainda mais agudo nos grupos raciais e étnicos minoritários, que têm historicamente menor acesso à informação. Isso porque entrevistados negros e latinos eram menos propensos a acreditar na eficácia da segunda dose.

Outra informação alarmante é que apenas um terço dos participantes vacinados sabe que é desconhecido o risco de transmissão do vírus de indivíduos imunizados para outras pessoas. Todavia, mais de 80% deles concorda que é preciso continuar usando máscaras após a vacinação.

Fatores políticos também entraram em jogo. As pessoas à favor do Partido Republicano eram menos favoráveis ao uso de máscara pós-vacinação, quando comparadas aos norte-americanos cuja orientação política é mais voltada ao Partido Democrata.

Diante desses resultados, os pesquisadores apontam que a população norte-americana ainda não entende a importância de seguir medidas de prevenção ou mesmo a necessidade de uma segunda dose. Não por acaso, dados do CDC dizem que quase 8% dos norte-americanos – mais de 5 milhões de pessoas – que receberam no mês passado a primeira injeção de Moderna ou Pfizer-BioNTech perderam a segunda aplicação.

Em comunicado, o coautor do estudo, Douglas Kriner, diz que a pesquisa revela a natureza fragmentada e público-privada da vacinação nos Estados Unidos.”Esta é uma oportunidade de pegar este sistema fragmentado e pensar em como podemos garantir que as pessoas obtenham as informações de que precisam para se proteger e proteger a saúde pública”, comenta ele.

Foto: Mufid Majnun/Unsplash

Pesquisadores criam ferramenta para analisar cérebro de bebês recém-nascidos com objetivo de prevenir doenças

Estudo contou com 140 bebês de 1 a 3 meses de idade. Equipe analisou sete substâncias principais do metabolismo cerebral para banco de dados.

Por G1

Pesquisadores do Instituto Beckman de Ciência e Tecnologia Avançada da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, criaram uma nova ferramenta com acesso aberto que pode ajudar a prevenir doenças no cérebro de crianças. Eles analisaram vários marcadores químicos, substâncias do metabolismo, que podem ser fundamentais nos primeiros meses de formação dos bebês e criaram um banco de dados para facilitar o processo.

O estudo foi publicado nesta quinta-feira (29) pela revista especializada “NMR in Biomedicine”. Os pesquisadores analisaram o cérebro de 140 bebês com idades entre um e três meses. Eles avaliaram os intervalos normais de concentração das substâncias.

De acordo com o pesquisador líder do projeto, Ryan Larson, essa é uma maneira mais fácil e confiável de avaliar as concentrações das substâncias do metabolismo cerebral dos bebês. Isso facilitaria, portanto, a prevenção e o tratamento de possíveis problemas ainda nos primeiros meses de vida.

Ellen Grant, professora de radiologia e pediatria da Faculdade de Medicina de Harvard, também assina o artigo e explica que essas substâncias medidas pelo grupo, os chamados metabólitos, são importantes para o crescimento das crianças, e também desenvolvimento e funções cerebrais. Níveis baixos podem ser o primeiro sinal de uma doença ou problema futuros.

Como funciona
Normalmente, os pesquisadores utilizam ressonância magnética de prótons – o exame gera gráficos que medem a quantidade das substâncias – para detectar moléculas de interesse no cérebro dos bebês. Antes da criação dessa nova ferramenta, segundo os autores, o método iria precisar de cálculos e imagens complexos de dentro e fora dos tecidos cerebrais, tornando o diagnóstico mais caro e lento.

Os pesquisadores usaram a mesma técnica para escanear o cérebro dos 140 bebês, mas, desta vez, compilaram os dados de vários metabólitos (produtos do metabolismo) para a criação da ferramenta. Os valores padronizados poderão ser usados para avaliar a concentração das substâncias no cérebro das crianças.

A equipe de cientistas avaliou sete metabólitos principais para o banco de dados, que apontam uma escala de acordo com o desenvolvimento do cérebro do bebê. Assim, os especialistas podem ter acesso a uma lista com diferentes combinações para entender o perfil do recém-nascido em observação.

“A análise das substâncias é realmente difícil de fazer, mas, quando feita da maneira certa, pode nos ajudar a descobrir mais sobre o cérebro”, disse Borjan Gagoski, instrutor de radiologia do Hospital Infantil de Boston e também um dos autores da pesquisa. “E é muito importante monitorar a saúde do cérebro nesta fase da vida”, completou.

Foto: Fred Zwicky