Paciente processa médico por negligência após receber orientação de espera para repetir exames de mamografia e constatar nódulos
A mulher, que passou por procedimento cirúrgico para retirar nódulos e linfonodos, pediu R$80 mil em indenizações por danos morais; pedido foi negado após juiz constatar, por meio de defesa realizada por escritório de advocacia credenciado à Anadem, que conduta da equipe médica foi correta
ANDREW SIMEK E ENZO BLUM
Em novembro de 2017, a paciente A.N.F.S. realizou exames de mamografia e ultrassonografia, como de costume, e pretendia apresentar os resultados ao médico que os solicitou, T.J.G. Na ausência do especialista, a autora do processo foi orientada a procurar outro profissional, da mesma clínica, que fez a consulta, disse que estava tudo bem e recomendou que ela aguasse seis meses para repetir os exames. Ao fazê-los dentro do período estipulado, A.N.F.S. constatou que estava com nódulos e linfonodos, e acusou o profissional de suposta negligência médica, requerendo R$ 80 mil em danos morais. O pedido foi negado após defesa do escritório de advocacia credenciado.
Ao constatar o “nódulo sólido, hipoecóico, espiculado e com atenuação posterior”, a paciente passou por um procedimento cirúrgico, em 2018. Em seguida, ela ajuizou a ação, que tramitou no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O associado foi acompanhado pelo escritório credenciado Sociedade Individual de Advocacia Alessandro Gonçalves.
Durante o processo, foi comprovada a atitude prudente dos médicos e que o tempo de seis meses não atrasou o prognóstico da doença e do tratamento da paciente. Além disso, o pedido de espera do segundo profissional não alterou a forma e o tamanho do nódulo e não apresentava sinais de emissão de metástase.
DECISÃO JUDICIAL
Segundo o juiz, “o médico assistente foi prudente em manter o acompanhamento estreito da autora, sem precipitações ou avanços na sistematização do diagnóstico e tratamento, que se fez dentro da Doutrina Médica”. O magistrado também afirmou que o expert chancelou a conduta do outro profissional e, por isso, não foi comprovada conduta omissiva de nenhum dos réus, tampouco nexo causal e/ou dano, desconfigurando qualquer tipo de responsabilidade civil objetiva.
Diante do exposto e de tudo que consta nos autos, a decisão foi de extinguir a ação com resolução do mérito, com fulcro no art. 487, I do CPC. A autora do processo foi condenada a realizar o pagamento das despesas processuais e honorários sucumbenciais.
Estudo indica que vacinas aumentam proteção de quem já teve covid-19
Aplicação da 2ª dose elevou o nível de proteção contra reinfecções
Por Agência Brasil
Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicaram hoje (29) um estudo sobre vacinas contra covid-19 usadas no Brasil que aumentam a proteção contra o SARS-CoV-2 em quem já teve a doença previamente. O trabalho foi publicado em formato preprint no site Medrxiv, o que significa que ainda precisa ser revisado por outros cientistas.
Os pesquisadores avaliaram 22.565 indivíduos acima dos 18 anos que tiveram dois testes de RT-PCR positivos e 68 mil que tiveram teste positivo e depois negativo, entre fevereiro e novembro deste ano.
Segundo o artigo, a vacinação com as duas doses de AstraZeneca, Pfizer e CoronaVac, ou com a dose única da Janssen, foi capaz de reduzir reinfecções sintomáticas e casos graves da doença em quem já havia contraído a covid-19 anteriormente. A pesquisa mostrou que, quando a vacina requer duas doses, a aplicação da segunda dose de fato elevou o nível de proteção contra reinfecções nos indivíduos estudados.
Principal pesquisador responsável pelo estudo, Julio Croda, da Fiocruz Mato Grosso do Sul, explica que análise contou com a base nacional de dados sobre notificação, hospitalização e vacinação e confirma a necessidade de completar o esquema vacinal mesmo em quem já teve covid-19.
“A importância de ser vacinado é a mensagem principal, e a necessidade dessas duas doses para maximizar a proteção. Vemos que alguns países chegam a recomendar apenas uma dose para quem teve covid-19, por considerar que estes já contam com um certo nível de anticorpos neutralizantes. Mas esse tipo de avaliação de efetividade na vida real mostra que há um ganho adicional com a segunda dose. É um ganho substancial contra as formas graves”, disse ele em entrevista à Agência Fiocruz de Notícias.
Ao analisar os dados, os pesquisadores descobriram que, após a infecção inicial, a efetividade contra doença sintomática 14 dias após o esquema vacinal completo é de 37,5% para a CoronaVac, 53,4% para AstraZeneca, 35,8% para Janssen e 63,7% para Pfizer. Já a efetividade contra hospitalização e morte, também após 14 dias da aplicação, é 82,2% com a CoronaVac, 90,8% com a AstraZeneca, 87,7% com a Pfizer e 59,2% com a Janssen. O estudo completo pode ser acessado em inglês no site Medrxiv.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
3 doses de Coronavac podem neutralizar todas as variantes, indica estudo
Anticorpos de voluntários imunizados com a terceira dose passaram por testes “in vitro” e em animais e agiram contra diversas cepas, incluindo a Ômicron
Por Revista Galileu
Um estudo realizado por pesquisadores chineses indica que os anticorpos produzidos a partir de três doses da Coronavac são suficientes para neutralizar todas as variantes conhecidas do novo coronavírus, incluindo a Ômicron. Os resultados da pesquisa foram publicados neste domingo (26) na plataforma de preprint bioRxiv.
Para testar a proteção conferida pelos anticorpos, os pesquisadores colheram amostras de 60 voluntários: metade deles vacinados com duas doses da Coronavac e a outra metade vacinada com três doses. As amostras de sangue foram coletadas um mês depois da aplicação da terceira dose em um dos grupos, e nenhum dos voluntários havia tido Covid-19 antes do estudo.
Segundo comunicado publicado pelo Instituto Butantan, os cientistas conseguiram isolar 323 anticorpos presentes no soro de quatro voluntários vacinados com a terceira dose. Os anticorpos eram derivados de células B, responsáveis pela memória do sistema imunológico. A partir daí, diferentes variantes do vírus foram expostas ao soro e os pesquisadores puderam observar que metade dos anticorpos foram suficientes para neutralizar todas elas, incluindo a Ômicron.
Além dos testes in vitro, os pesquisadores também utilizaram cobaias animais para verificar a eficácia dos anticorpos em organismos. Para isso, os anticorpos precisaram passar por um processo de clonagem e purificação. Depois, foram aplicados, isoladamente, em animais que haviam sido propositalmente infectados com a variante Beta do coronavírus cinco dias antes.
A dose de soro contendo um único anticorpo foi capaz de reduzir em 10 mil vezes a quantidade do vírus no pulmão do animal. Uma outra dose, contendo quatro anticorpos, conseguiu eliminar completamente o vírus.
O estudo foi produzido por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências, da Academia Militar Chinesa de Ciências, do Instituto Nacional de Controle de Drogas e Alimentos e da própria fabricante da vacina, a Sinovac. Trata-se de uma pré-publicação, o que significa que o estudo ainda não foi revisado por pares.
Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini
Gordura vegetal pode diminuir o risco de AVC, sugere estudo
Já a fonte animal, encontrada em carne vermelha e processados, aumenta o risco de acidente vascular cerebral, segundo pesquisa apresentada em congresso nos Estados Unidos
Por Revista Galileu
Mais do que a quantidade de gordura ingerida nas refeições, a preocupação dos especialistas da saúde cardiovascular está agora no tipo e na origem dela. Estudo apresentado em um congresso da Associação Norte-americana do Coração destaca que quem prefere carne vermelha (bovina, suína e cordeiro), processada (bacon, salsicha, mortadela e salame) e gorduras animais não lácteas têm um risco maior de Acidente Vascular Cerebral (AVC), em comparação aos adeptos das gorduras derivadas de fontes vegetais e as poli-insaturadas (óleo de soja, de girassol e mesmo sardinhas, por exemplo).
Para analisar o impacto de cada tipo de gordura sobre o risco de AVC, os pesquisadores examinaram dados de dois grandes estudos sobre fatores de risco para doenças crônicas — o Nurse’s Health Study e o Health Professionals Follow-up Study. Ao todo, os pesquisadores avaliaram informações de mais de 117 mil participantes, acompanhados ao longo de 27 anos. A média de idade era de 50 anos e todos não tinham diagnóstico de doenças cardiovasculares ou câncer no início dos estudos.
Ao longo do período, os participantes preenchiam questionários sobre a própria dieta para o cálculo da quantidade de gordura consumida. Nos resultados, os pesquisadores destacam:
• 2.967 participantes tiveram AVCs isquêmicos (coágulo que corta o fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro) e, em 814, hemorrágicos (sangramento de vasos no cérebro);
• Aqueles que consumiram mais carne vermelha apresentaram um risco 8% maior de AVC. No caso dos que ingeriram mais carne processada, o aumento foi de 12%;
• O grupo que ingeriu a maior quantidade de gordura animal não láctea apresentou uma probabilidade 16% maior de sofrer um AVC, em relação àqueles que consumiram menos;
• Os participantes que comeram mais gordura vegetal e poli-insaturada apresentaram uma probabilidade 12% menor de ter um AVC, em comparação com aqueles que ingeriram menor quantidade.
Já a gordura láctea, encontrada no queijo, manteiga, leite, sorvete e creme, não foi associada a um maior risco, segundo o estudo. “Este tipo de gordura contém ácidos graxos saturados de cadeia curta de átomos de carbono, que são mais facilmente metabolizados pelo organismo”, explica Jorge Mancini Filho, representante da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban). “[Enquanto] os ácidos graxos saturados de cadeia longa estão em maior quantidade na carne vermelha.”
Gorduras animais e vegetais: como agem no organismo?
De acordo com Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), as gorduras de origem animal favorecem o aumento do colesterol LDL (considerado ruim), o que motiva o desenvolvimento de placas de gordura nas paredes internas dos vasos sanguíneos. “Com isso, aumentam os problemas de saúde não só cardiovasculares, mas também inclui a possibilidade de AVC”, detalha.
Já as gorduras vegetais, que são encontradas no azeite de oliva e nas oleaginosas, como avelã, castanhas e nozes, costumam ser mais benéficas porque diminuem o colesterol LDL e aumentam o HDL (considerado bom), segundo o especialista.
No entanto, Ribas afirma que a carne vermelha e a gordura animal não precisam ser retiradas da dieta, e indica a proporção mais adequada para uma alimentação saudável. “Uma dieta de 2 mil calorias diárias deve incluir 10% de gordura saturada, 10% de monoinsaturada e 10% de poli-insaturada, e de 20% a 35% de proteínas e em torno de 55% a 65% de carboidratos”, explica.
A gordura saturada é encontrada em carnes vermelhas, bacon, creme de leite, ovos, queijo, manteiga e iogurte, por exemplo. Já nozes, castanhas, sementes, peixes, óleos vegetais e abacate são alguns dos alimentos que são fontes de gorduras mono e poli-insaturadas.
(Fonte: Agência Einstein)
Foto: Marta Branco/Pexels