Anadem renova aliança estratégica com AMBr até o fim de 2023

Evento em comemoração à parceria aconteceu no restaurante Libertango Brasília; diretorias de diversas instituições estiveram presentes

Brasília/DF, 16 de fevereiro de 2022 – A aliança estratégica entre Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética) e AMBr (Associação Médica de Brasília) foi renovada até o fim de 2023, quando termina a gestão do atual presidente da associação médica, Dr. Ognev Cosac. O acordo foi feito em um jantar realizado ontem (15) no premiado restaurante Libertango, localizado no térreo do Hotel Bonaparte, na capital federal.

Diversas lideranças de entidades médicas participaram do evento, que destacou as ações da Anadem em eventos sociais e científicos que promovem a inovação das práticas médicas. O presidente da Sociedade, Dr. Raul Canal, confirmou a presença da rede de blindagem profissional, em 2022, em mais de 200 eventos científicos. “É muito importante promover o avanço das técnicas de saúde por meio dos congressos e a nossa aliança estratégica também foca nessa área”, afirmou.

Mulher pode ter sido curada do HIV após transplante de células-tronco

Uma americana se tornou a terceira pessoa e a primeira mulher possivelmente curada do HIV após passar por um transplante de células-tronco procedentes de um doador com resistência natural ao vírus que causa a aids.

Por Uol Viva Bem

O anúncio foi feito nesta terça-feira (15/02) durante uma conferência realizada em Denver (Colorado, Estados Unidos) pela equipe de especialistas que trataram a paciente, de 64 anos, em Nova York.

Segundo os especialistas, a paciente não apresenta níveis detectáveis de HIV há 14 meses, apesar de ter interrompido o tratamento com antirretrovirais. Portanto, ela é considerada livre do vírus e será considerada curada se não houver alterações.

Conhecida como “Paciente de Nova York”, a mulher primeiro foi diagnosticada com HIV e depois com leucemia mieloide aguda, um tipo de câncer relacionado à diminuição da produção de células sanguíneas normais da medula óssea.

Como tratamento para a leucemia, ela recebeu um transplante de células-tronco de um cordão umbilical, complementado com células adultas doadas por um parente.

Os dois casos anteriores de cura do HIV ocorreram em homens que receberam células-tronco adultas, que são usadas com frequência em transplantes de medula. As células transplantadas nos três casos de cura conhecidos vieram de indivíduos que possuem uma mutação genética que os torna resistentes ao vírus.

“Este é o terceiro relato de uma cura nesse cenário, e o primeiro de uma mulher vivendo com HIV”, afirmou Sharon Lewin, presidente eleita da Sociedade Internacional de Aids.

Amplo estudo

O caso da “Paciente de Nova York” é parte de um amplo estudo apoiado pelo governo dos EUA, liderado pelas pesquisadoras Yvonne Bryson, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), e Deborah Persaud, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore.

O objetivo é acompanhar 25 pessoas com HIV submetidas a transplantes com células-tronco retiradas do cordão umbilical para o tratamento de câncer e de outras condições graves.

No âmbito do estudo, os pacientes primeiro passam por quimioterapia e depois recebem o transplante de células-tronco de indivíduos portadores da mutação que faz com eles não tenham os receptores usados pelo HIV para infectar células. Cientistas acreditam que os pacientes então desenvolvam um sistema imunológico resistente ao vírus.

Esperança de cura para mais pessoas

Segundo os cientistas, o uso de sangue de cordão umbilical não exige o mesmo nível de compatibilidade entre doador e receptor necessário no caso de células adultas, o que pode tornar esse tipo de tratamento acessível para mais pessoas.

De qualquer forma, os especialistas ressaltam que a cura do HIV por meio de transplantes de células-tronco ainda se limita a casos em que o paciente sofre de câncer ou outra doença grave que justifique um procedimento tão complexo e potencialmente fatal.

Por enquanto, a terapia com células-tronco “continua sendo uma estratégia viável para apenas um punhado dos milhões que vivem com HIV”, afirmou Persaud à emissora NBC.

No entanto, Lewin, da Sociedade Internacional de Aids, disse que o novo caso “confirma que uma cura para o HIV é possível e fortalece o uso de terapia genética como estratégia viável”.

Foto: iStock

Bactéria causadora de gastrite é resistente ao tratamento com antibióticos

Estudo analisou quatro mil amostras de tecido estomacal de pessoas com a bactéria “H. pylori” e concluiu que o microrganismo resiste aos três medicamentos mais usados

Por Revista Galileu

A bactéria causadora de doenças como a gastrite, a úlcera péptica e o câncer de estômago se mostrou resistente aos três principais antibióticos usados no tratamento da infecção, segundo estudo realizado pela Universidade do País Basco, na Espanha. Chamada de Helicobacter pylori, ou apenas H. pylori, a bactéria é conhecida por se fixar na mucosa gástrica e sobrevive no estômago humano indefinidamente, a menos que seja tratada.

No estudo, os pesquisadores analisaram os três principais medicamentos usados contra a H. pylori, e perceberam uma resistência contra todos – de 20% a 30% em média, índice considerado muito alto e que preocupa os especialistas. Essa alta resistência, segundo a pesquisa, estaria associada ao uso indiscriminado e, muitas vezes indevido, dos antibióticos. São eles: metronidazol, levofloxacina e claritromicina.

Para chegar a esses resultados, foram analisadas mais de 4 mil amostras de tecido estomacal dos pacientes que tinham a bactéria, retiradas a partir de biópsia. Neles, foram identificadas resistência de 20% contra a levofloxacina, 25% contra a claritromicina e 30% contra o metronidazol. Além da Espanha, o estudo envolveu outros países da Europa, como Itália, França e Noruega, e os resultados foram publicados no periódico científico Antibiotics.

Realidade brasileira

O Brasil segue o padrão internacional de tratamento com o uso desses três antibióticos, mas não atingiu os níveis de resistência observados no estudo, de acordo com Décio Chinzon, presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) e professor assistente da disciplina de gastroenterologia clínica da Faculdade de Medicina da USP.

“Ainda não chegamos ao ponto de o uso desses remédios se tornar proibitivo, como aponta esse estudo. Esses níveis de resistência são extremamente preocupantes. Pelo nosso consenso, se houver resistência acima de 15%, já é recomendado trocar o antibiótico”, afirma.

De acordo com o especialista, o maior risco será quando não houver mais alternativas de classes de antibióticos que sejam eficazes. “Se chegarmos a 30% de resistência, o medicamento fica queimado, não dá para ser usado. Existem outras classes de antibióticos, algumas nem disponíveis ainda no Brasil, mas o preço costuma ser mais alto e o tratamento se torna muito caro”, explica.

O professor alerta também para os efeitos colaterais do uso prolongado de antibióticos e a interrupção do tratamento, o que aumenta o risco da resistência bacteriana. “Antes, o tratamento era de sete dias. Em razão da resistência, alteramos para 14 dias. Mas isso aumenta os efeitos colaterais, como náuseas e vômito. O paciente interrompe o tratamento e isso se torna um grande problema”, destaca.

Chinzon ressalta a importância da conscientização das pessoas sobre o uso correto dos antibióticos. “A média de sucesso hoje em dia no tratamento é de 80%, mas já chegou a ser de 95%. Esse índice caiu por causa da resistência bacteriana. Precisamos voltar aos 95%.”

Gastrite

Transmitida por via oral, o contato com a bactéria H. pylori costuma ocorrer nos primeiros anos de vida. “Ela é uma bactéria que habita o nosso organismo há muito tempo. O diagnóstico normalmente acontece por meio da endoscopia, após surgimento de sintomas gástricos, como dor, queimação, sensação de estufamento”, explica Chinzon.

Estima-se que a bactéria afete ao menos 40% da população mundial. Ela é a responsável por diversos problemas digestivos, desde os desconfortos gástricos mais comuns (gastrite), até mesmo úlceras gástricas e duodenais, câncer do estômago e um tipo de linfoma (Malt) – por isso ela é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um agente carcinogênico. Mas, segundo Chinzon, a maioria das pessoas convive sem apresentar sintomas.

“Uma vez instalada no estômago, a H. pylori provoca um processo inflamatório. Nem todo mundo vai desenvolver os sintomas. O problema é que a relação dessa bactéria com o surgimento de um câncer é muito forte, por isso é importante diagnosticar e tratar”, diz o especialista. Ainda segundo Chinzon, um estudo feito pelo Hospital das Clínicas com uma população sem nenhum sintoma gástrico apontou que 67% delas tinham a presença da H. pylori no estômago.

(Fonte: Agência Einstein)

Foto: Michał Parzuchowski/Unsplash