Fiocruz vai testar eficácia da vacina contra tuberculose para covid-19
Serão testados três mil profissionais de saúde de MS e RJ
Por Agência Brasil
A partir de outubro, a Fundação Oswaldo Cruz inicia um teste com 3 mil profissionais da saúde de Mato Grosso do Sul e do Rio de Janeiro com a vacina BCG, usada para prevenir a tuberculose. A intenção do estudo, uma parceria com o Instituto de Pesquisa Infantil Murdoch da Austrália, é verificar a eficácia do imunizante também para covid-19.
Segundo uma das coordenadoras da pesquisa no Rio de Janeiro, Margareth Dalcolmo, os voluntários serão acompanhados por um ano.
“Todos os voluntários passarão por exames para verificar se há ou não a presença do vírus [SARS-CoV-2] no organismo. As pessoas aprovadas para o estudo receberão a cepa da BCG dinamarquesa. Vamos acompanhar essas pessoas por até um ano, período em que serão feitas análises interinas de proteção, ou seja, avaliações intermediárias recomendadas em estudos de longa duração”, disse Dalcomo.
Segundo o pesquisador Julio Croda, responsável pelo estudo em Mato Grosso do Sul, esta etapa é a fase 3 dos ensaios clínicos, com a testagem em humanos. “Ligaremos semanalmente para essas pessoas, que terão que informar se não apresentaram sintomas de covid-19. É uma pesquisa quantitativa, que está na última etapa, quando é avaliado se a vacina BCG será eficaz ou não no tratamento da covid-19”.
De acordo com Croda, os pesquisadores australianos se basearam em estudos que mostram a eficácia da BCG contra outras infecções respiratórias virais. Porém, ele destaca que ainda não há a comprovação de que o imunizante ofereça proteção contra o coronavírus.
“É importante ressaltar que ainda não temos a comprovação de que a BCG é eficaz contra a covid-19, nem por quanto tempo ela mantém o organismo imune contra outras doenças respiratórias. Por isso, as pessoas não devem tomar a vacina acreditando que possa evitar o novo coronavírus”.
A BCG está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e, no Brasil, a vacina é obrigatória para recém-nascidos desde 1976, devendo ser tomada até os quatro anos de idade. Segundo a Fiocruz, o imunizante protege crianças de até 5 anos das formas mais graves da tuberculose.
Também fazem parte da pesquisa, por meio da Universidade de Melbourne e com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), Austrália, Espanha e Reino Unido. O estudo já foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e será financiado pela Fundação Gates.
Foto: Agecom Bahia
Covid-19 'do futuro' deverá ser sazonal como outros vírus respiratórios, sugerem pesquisadores
Frio e clima seco favorecem a infecção por vários vírus — e com o Sars-CoV-2, talvez não seja diferente
Por BBC
Já conhecemos diversos vírus que causam mais problemas em determinadas estações do ano, como o da influenza e o vírus sincicial respiratório (RSV) no inverno ou o da parainfluenza em setembro para o Hemisfério Sul.
Segundo um artigo publicado nesta terça-feira (15/9) no periódico Frontiers in Public Health, tudo indica que, no futuro, o novo coronavírus também se tornará uma doença respiratória sazonal, possivelmente trazendo mais problemas no inverno — mas isto apenas depois que a imunidade coletiva para a nova doença seja atingida por vias naturais ou por meio de uma vacina. O trabalho foi fruto de uma revisão de estudos anteriores sobre diversos tipos de vírus e sua sazonalidade.
“A covid-19 veio para ficar e ela continuará a causar surtos ao longo do tempo até que a imunidade coletiva seja atingida. Assim, o público precisará aprender a viver com a doença e a continuar praticando as melhores medidas de prevenção, incluindo usar máscaras, evitar aglomerações, distanciamento físico e higiene das mãos”, explicou em comunicado à imprensa Hassan Zaraket, líder do estudo e pesquisador da Universidade Americana em Beirute, no Líbano.
“Continua se tratando de um vírus novo e, apesar do rápido e crescente volume de evidências científicas sobre ele, ainda há muitas coisas desconhecidas. Se nossas previsões serão confirmadas ou não no futuro, ainda não sabemos. Mas acreditamos que é muito provável que a covid-19 se torne sazonal, como outros coronavírus.”
A sazonalidade de vírus respiratórios é mais evidente em regiões de clima temperado, enquanto em regiões tropicais, como no Brasil, vírus como o influenza (causador da gripe) podem afetar de forma mais diluída ao longo do ano.
Para o Sars-CoV-2, porém, a etapa da sazonalidade ainda não chegou pois as populações que ele encontrou pela frente eram desprotegidas imunologicamente — uma evidência disso é sua taxa de reprodução maior do que outros vírus, como da gripe.
Um exemplo de que, por enquanto, condições climáticas ainda não afetam tanto a propagação do coronavírus é que a maior taxa de infecção per capita no mundo foi registrada no Golfo Pérsico em pleno verão, dizem os autores.
Ainda assim, segundo o artigo, ainda que regiões tropicais estejam sofrendo fortemente com a covid-19, há evidências de que a transmissão foi mais agressiva no inverno de regiões temperadas — o que indica que o frio e o clima seco podem favorecer a infecção.
A sazonalidade já foi relatada recentemente para outros coronavírus, como o NL63 e o HKU1.
Já o coronavírus que causa a síndrome respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), que gerou surtos em vários países a partir de 2012, ainda está produzindo infecções “intermitentes e esporádicas”, sem uma sazonalidade evidente, diz o artigo na Frontiers in Public Health.
A sazonalidade dos vírus é resultado de uma combinação de fatores envolvendo temperatura e umidade — como as condições de sobrevivência dos patógenos no ar e nas superfícies; a baixa da imunidade diante de alterações climáticas; e a hábitos, como o de se aglomerar em ambientes fechados quando está frio.
Foto: Getty Images
Vacina contra coronavírus: por que o Brasil é considerado o ‘laboratório perfeito’ para testar imunização contra a Covid-19
Com mais de 4 milhões de infecções pelo coronavírus, Brasil é considerado por especialistas como uma “oportunidade de ouro” para pesquisas sobre a melhor fórmula contra o vírus
Por BBC
Um dos países mais afetados pela pandemia do coronavírus, o Brasil se tornou um campo de provas de vacinas contra a Covid-19.
O país, que tem mais de 4 milhões de casos confirmados da Covid-19, é considerado pelos cientistas que estudam imunização como uma “oportunidade de ouro”.
Duas das vacinas consideradas as mais promissoras e avançadas contra o coronavírus estão sendo testadas no país: a da Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca e a da empresa chinesa Sinovac.
E outras duas, das farmacêuticas norte-americanas Johnson & Johnson e Pfizer receberam, recentemente, autorização das autoridades brasileiras para começar os ensaios clínicos no país.
Nesta semana, os testes com a vacina de Oxford foram suspensos após o adoecimento de um paciente que vinha recebendo a imunização em estudo — não foram divulgados detalhes das adversidades. Neste sábado, a farmacêutica AstraZeneca, que desenvolve a vacina junto à universidade, anunciou a retomada dos testes. Em um comunicado, a companhia afirma que a Autoridade Sanitária do Reino Unido (MHRA na sigla em inglês) teria atestado ser seguro continuar os experimentos.
Diante dos testes com diferentes vacinas, autoridades esperam que os brasileiros possam estar entre os primeiros imunizados contra o coronavírus.
Até cogitam a possibilidade de produzir internamente essas vacinas e exportá-las para o resto da América Latina.
Mas por que o Brasil é considerado um “laboratório ideal’ para que sejam feitos ensaios clínicos de vacinas?
Especialista em epidemiologia e imunização da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, Jon Andrus, que foi vice-diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), afirma que altas taxas de transmissão comunitária do vírus, como acontece no Brasil, estão entre os principais critérios para poder testar uma vacina.
Ele explica à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) que há também outras razões pelas quais o Brasil é considerado um cenário perfeito para a pesquisa sobre a imunização.
“Certamente, é necessária uma situação em que haja uma forte prevalência de uma enfermidade para poder provar a eficácia de uma vacina. Mas penso que no Brasil há uma tempestade quase perfeita para os ensaios, porque além da alta prevalência da Covid-19, o país tem uma longa história de excelência em saúde pública, com instituições de pesquisas reconhecidas mundialmente, como a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) no Rio de Janeiro, que há décadas realiza pesquisas e ensaios”, afirma o especialista.
A Fiocruz tem participado ativamente das pesquisas e da produção da vacina de Oxford.
Outra instituição brasileira reconhecida mundialmente é o Instituto Butantan, de São Paulo, que está participando das pesquisas e da produção da vacina chinesa Sinovac.
Capacidade de produção
Um ponto no qual o Brasil se destaca é a experiência e força de seus programas nacionais de imunização e a sua tradição na produção de vacinas.
A fábrica de Bio-Manguinhos, da Fiocruz, é um dos maiores centros de produção de vacinas da América Latina. Nela são processadas milhões de doses de vacinas contra febre amarela, tuberculose, sarampo, entre outras enfermidades.
Já o Instituto Butantan é, atualmente, o principal produtor de vacinas contra influenza ou gripe no hemisfério sul, com capacidade para produzir 100 milhões de doses.
“É importante destacar que o Brasil tem um enfoque estratégico para se tornar autossuficiente na produção de vacinas”, diz Cristiana Toscano, integrante do grupo de especialistas para consulta da Organização Mundial de Saúde (OMS) referente a vacinas contra a Covid-19.
“Há três décadas, os vários governos brasileiros reforçam e investem na capacidade pública nacional, por isso quase todos os laboratórios de vacinas são financiados com dinheiro público”, acrescenta Toscano, que é professora da Universidade Federal de Goiás, em entrevista à BBC News Mundo.
A maioria das vacinas no Brasil, ressalta a pesquisadora, é produzida localmente ou os especialistas tentam estabelecer mecanismos para transferência de tecnologia com grandes empresas farmacêuticas.
E é exatamente isso que está sendo negociado agora com as vacinas de Oxford e Sinovac: transferir a tecnologia ao país para que essas vacinas sejam produzidas localmente.
As vacinas
Tanto a vacina de Oxford como a Sinovac estão na fase 3 dos ensaios clínicos.
Os ensaios da primeira estão sendo feitos com 5 mil voluntários brasileiros. Já a segunda possui 9 mil voluntários.
Após a suspensão dos testes com a vacina nesta semana, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma das entidades responsáveis pelos testes no país, divulgou nota para comunicar que ninguém apresentou reações graves no Brasil.
“Muitos já receberam a segunda dose e até o momento não houve registro de intercorrências graves de saúde”, informou a Unifesp.
Segundo uma nota da AstraZeneca, a suspensão dos testes se trata de uma “pausa rotineira” na produção de vacinas no caso de algum paciente ter tido “adoecimento sem explicação”, para que o caso seja investigado e para garantir a “integridade dos experimentos”.
“Estamos trabalhando para acelerar a revisão deste evento pontual, de forma a minimizar qualquer impacto no cronograma de testes”, disse a empresa, em nota divulgada antes da retomada dos estudos, que ocorreu neste sábado.
Dados recentes divulgados pela Sinovac apontaram que a vacina é segura e produziu bons resultados entre adultos. Ela também trouxe resposta imune a idosos, mas foi menor que entre pessoas até 59 anos. A constatação foi feita após pesquisadores avaliarem as respostas às primeiras fases de imunização de 421 voluntários de 60 anos ou mais.
Por se tratar de vacinas ainda em fase de testes, os pesquisadores estudam as melhores estratégias para que as imunizações tragam as melhores respostas possíveis.
Os acordos
Como parte dos acordos para as vacinas em teste no Brasil, o país receberá inicialmente a matéria-prima para realizar as etapas finais de produção.
Os dois acordos incluem a transferência de tecnologia para que o Brasil, posteriormente, produza as vacinas desde a primeira etapa.
O acordo com a Oxford-AstraZeneca define que o governo brasileiro investirá U$ 127 milhões (quase R$ 700 milhões) em troca de tecnologia e equipamentos para que a Fiocruz possa produzir, inicialmente, 30 milhões de doses durante a fase de testes. Se a vacina for eficaz, o Brasil poderá produzir mais 70 milhões de doses.
Já o acordo entre a Sinovac e o Butantan oferecerá 120 milhões de doses aos brasileiros.
Autoridades já chegaram a afirmar que as vacinações de algumas pessoas podem começar no primeiro semestre de 2021 no Brasil.
Alguns estudiosos, porém, não acreditam que o país conseguirá, até o fim do primeiro semestre do ano que vem, produzir uma grande quantidade de vacinas.
Ex-ministro da Saúde, o médico sanitarista José Gomes Temporão disse, em recente entrevista à Reuters, que a transferência de tecnologia pode demorar de cinco a 10 anos. Desta forma, ele acredita que seja impossível que os laboratórios brasileiros estejam prontos para iniciar a produção das vacinas no próximo ano.
“Essa transferência toma muito tempo. Eles podem até acelerar esse procedimento, mas não tanto”, declarou Temporão.
A especialista Cristiana Toscano acredita que o Brasil está capacitado para receber a tecnologia e começar a produção das vacinas.
“Mas tudo depende da tecnologia da qual estamos falando”, diz. Segundo ela, há tecnologias novas que não foram utilizadas e, por isso, o procedimento de transferência pode levar muito tempo, até mesmo uma década.
“Mas o Butantan, por exemplo, realmente tem experiência na produção de muitas vacinas que ainda não foram usadas, como a Sinovac. Há um laboratório de segurança que é capaz de fazer tudo o que for necessário para produzir uma vacina inativada”, afirma Toscano.
O desafio da imunização
Mas há um outro enorme desafio que o Brasil terá que superar: como vacinar os seus 212 milhões de habitantes sendo que seus programas de imunizações sofreram retrocesso recentemente, devido a campanhas de desinformação.
Em 2019, pela primeira vez em 25 anos, o Brasil não cumpriu os seus objetivos de vacinação em nenhuma das campanhas que, em períodos anteriores, eram concluídas sem dificuldades.
Essa é uma tendência que tem sido registrada em todos os países, devido a campanhas anti-vacina, que tem feito com que muitas pessoas não queiram ser imunizadas.
“Acredito que o principal desafio será como manter o programa de vacinação atualizado, porque ele já havia sido afetado antes da pandemia da Covid-19, e como incorporar novas vacinas a esse programa”, declara Cristiana Toscano.
“Serão desafios logísticos e operacionais, que requerem mobilização, treinamento, combater a renúncia à vacinação, além de toda a organização para distribuir e administrar as 35 mil unidades de vacinação do país”, acrescenta a especialista.
Muito otimismo?
Todos os itens acima partem da ideia de que realmente haverá uma vacina eficaz e segura.
Mas ainda não se sabe se alguma das que estão sendo testadas no Brasil, ou em outros lugares do mundo, apresentará resultados positivos ao fim dos ensaios clínicos.
O que acontecerá, então, se as vacinas testadas no Brasil falharem?
Autoridades brasileiras tentam diversificar as opções e manifestaram interesse em aderir à iniciativa COVAX da OMS, que visa garantir o acesso global rápido e igualitário às vacinas da Covid-19.
Os especialistas concordam que, por enquanto, qualquer aposta em uma vacina é arriscada até que os resultados dos ensaios clínicos sejam conhecidos.
Dizer que uma vacina estará pronta em 2021 pode ser uma afirmação altamente otimista. “É importante lembrar que não devemos esperar uma solução mágica”, diz o ex-vice-diretor da OPAS, Jon Andrus.
“Devemos ser humildes e lembrar que nem sempre tivemos sucesso, que temos muitas doenças para as quais não encontramos uma vacina, apesar de estarmos trabalhando há décadas nisso, como é o caso da Aids (causada pelo vírus HIV)”, disse à BBC News Mundo.
“Por isso é tão importante que façamos o que podemos agora e devemos adotar todas as interveções de saúde pública: como manter o distanciamento social, usar máscaras, testar e rastrear casos e seguir práticas de higiene”, acrescenta Andrus.
Cristiana Toscano concorda. “A meta que estamos propondo (ter uma vacina no primeiro semestre de 2021) parece otimista. Isso depende da aprovação dos ensaios clínicos, se derem bons resultados, e da aprovação das autoridades reguladoras”, diz à BBC News Mundo.
“E enquanto isso não acontece, é preciso minimizar as expectativas e ser mais realista”, afirma a especialista.
Foto: Getty Images via BBC
Setembro Dourado chama atenção para câncer em crianças e adolescentes
Índice representa de 1% a 3% de todos os casos de câncer no país
Por Agência Brasil
Todos os anos, 12 mil crianças e jovens, até 19 anos, são diagnosticadas com câncer no Brasil. O montante representa de 1% a 3% de todos os casos de câncer diagnosticados no país, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Sobre essa realidade que a campanha Setembro Dourando chama a atenção da sociedade.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o câncer infanto-juvenil, na maioria das vezes, apresenta sinais e sintomas semelhantes a outras doenças comuns da infância. A recomendação é que os pais realizem consultas regulares com o pediatra.
“É fundamental que os pais e cuidadores realizem consultas pediátricas regulares com seus filhos, visando o diagnóstico precoce da doença e sejam encaminhados para os centros oncológicos pediátricos de referência, permitindo assim, melhor chance de cura, de sobrevida e de qualidade de vida do paciente e da família”, destaca a médica e presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Luciana Rodrigues Silva.
Nas crianças e adolescentes, os cânceres mais frequentes são as leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas. No Brasil, assim como nos países desenvolvidos, o câncer representa a primeira causa de óbito por doença entre as crianças e adolescentes de 1 a 19 anos de idade. Segundo a SBP, o câncer infanto-juvenil, comparativamente com o do adulto, cresce quase sempre rapidamente, é geralmente mais agressivo, mas responde melhor à quimioterapia.
Faculdades de Medicina
De acordo com a presidente da SBP, a sensibilização dos gestores públicos é fundamental para a adoção de políticas públicas que aumentem a chance de detecção precoce da doença. “Nesse contexto, outra ação importante seria a inserção do ensino da oncologia pediátrica nas faculdades de medicina, bem como no ensino dos outros profissionais da área da saúde, considerando que no Brasil e no mundo, o câncer infanto-juvenil representa um problema de saúde pública pelo elevado índice de mortalidade, caso a doença não seja diagnosticada precocemente”.
Foto: Agência Brasil
Dasa vai conduzir testes da vacina da Covaxx no Brasil
Para o Brasil, caso os testes demonstrem a eficácia e a segurança seriam disponibilizados 50 milhões de doses para o mercado público
Por Folha Vitória
A empresa de medicina diagnóstica Dasa irá conduzir no Brasil testes das Fases 2 e 3 para a vacina contra a covid-19 UB-612, da empresa Covaxx. O objetivo é envolver pelo menos 3 mil pessoas no ensaio clínico. A avaliação visa analisar a eficácia do tratamento, eventuais efeitos colaterais e as doses de segurança do medicamento.
Hoje a vacina já passa por testes na Fase I em Taiwan, denominada pré-clínica (em animais). “A gente já está desenhando protocolos junto com time técnico da Covaxx. Tenso resultado da Fase I em novembro, podemos fazer submissão com plano de iniciar recrutamento até o fim do ano para iniciar a pesquisa clínica”, explica o diretor médico da Dasa, Gustavo Campana.
A partir daí, a análise das Fases 2 e 3 durariam pelo menos 12 meses e até 24 meses. Isso significa que em havendo êxito no ensaio clínico ao longo do ano de 2021 a vacina estaria disponível no mercado brasileiro no início de 2022. No cenário mais longo, essa projeção poderia ir para o começo de 2023.
A Covaxx afirma que pretende produzir 100 milhões de doses no primeiro quadrimestre de 2021 e 500 milhões ao longo desse ano. Isso porque a fabricação ocorre em paralelo à pesquisa.
Para o Brasil, caso os testes demonstrem a eficácia e a segurança seriam disponibilizados 50 milhões de doses para o mercado público e 10 milhões de unidades para a comercialização pela Dasa.
De acordo com a empresa, a vacina é sintética, não trabalhando com vírus ou agentes biológicos. Isso diminuiria seu risco. Esta característica também facilita a ampliação de sua produção para uma alta escala. Os responsáveis estimam que seja possível ofertar o tratamento em dose única, o que diminuiria seu custo e facilitaria o tempo de imunidade garantido.
O projeto dos testes da vacina conta com apoio financeiro de outras empresas, como a firma de insumos médicos Mafra, o Banco Inter, a Localiza e a construtora MRV. A Covaxx é uma subsidiária da empresa estadunidense United Biomedical Inc.
Foto: Reprodução R7
Mortalidade pelo coronavírus foi três vezes maior em pessoas com cardiopatias
Problema mata mais do que qualquer outra doença. Estatísticas apontam que elas são responsáveis por 17,7 milhões de óbitos em todo o mundo
Por Folha Vitória
A campanha “Setembro do Coração” acontece anualmente e alerta sobre a importância de prevenir as cardiopatias, mas esse ano veio com um apelo ainda mais forte, pois comprovadamente diante da pandemia do novo coronavírus os portadores de doenças crônicas, mais especificamente as pessoas que apresentavam doenças cardiovasculares, foram as que registraram maior índice de mortalidade.
Estatísticas realizadas em todo o mundo apontam que a mortalidade em portadores de problemas cardiovasculares pode ser até três vezes maior do que da população geral. Mesmo se não levarmos em conta esse ano atípico, de pandemia, as cardiopatias matam mais do que qualquer outra doença, estatísticas apontam que elas são responsáveis por 17,7 milhões de óbitos em todo o mundo. Isso equivale a 30% dos óbitos registrados por enfermidades.
De acordo com a cardiologista da Cardioservice, Kátia Regina Fonseca de Vasconcellos dependendo da cardiopatia, seus portadores podem apresentar o sistema imunológico mais vulnerável do que o de um indivíduo saudável, além do seu corpo apresentar um estado inflamatório crônico. “O agravamento de outras enfermidades, como o coronavírus, costumam apresentar evolução mais rapidamente nesses organismos, fazendo o quadro evoluir para grave com mais agilidade do que nas pessoas que estão com a saúde em dia, e isso explica o índice de mortalidade muito maior em pacientes cardiopatas”, disse.
Quando o organismo do portador da cardiopatia está em bom funcionamento, também existe a possibilidade do coronavírus descompensar a doença, que estava controlada, e dessa maneira fazer com que o caso evolua mais rapidamente e gere maiores problemas, inclusive o óbito.
O melhor remédio para cuidar do coração e adotar bom hábitos para a vida. Alimentar-se de maneira saudável, praticar atividade física, manter o distanciamento social.
“Ficar longe do álcool de do tabagismo, consumir gorduras boas, evitar as ruins, manter um atividade física de rotina, se alimentar de maneira saudável e realizar consultas de rotina garantem um coração saudável, e as pessoas que já possuem alguma doença do coração, esta deve estar com os exames e medicamentos em dia e manter os mesmo cuidados que mencionei para quem quer evitar as cardiopatias”, alertou a médica.
Foto: Divulgação/Pexel
Vacina contra o coronavírus: como será a colossal e complexa missão de distribuí-la pelo mundo
Segundo a IATA, se uma vacina contra covid-19 for criada ela será o maior desafio para o setor de transporte.
Por BBC
Ainda não existe uma imunização em escala global contra a Covid-19, mas a Agência Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) já está trabalhando com companhias aéreas, aeroportos, organizações internacionais de saúde e empresas farmacêuticas em um plano para criar uma ponte aérea mundial.
Isso porque a distribuição de uma vacina contra a doença causada pelo novo coronavírus para diversos países do mundo deve ser o maior desafio logístico já enfrentado pela indústria de aviação.
Segundo a IATA, levando-se em consideração um programa de vacinação com apenas uma dose por pessoa, serão necessários cerca de 8 mil aviões Boeing 747 — os jumbo jets.
“O envio seguro de vacinas de Covid-19 será a missão do século para a indústria global de cargas aéreas. Mas ela não acontecerá sem haver antes um planejamento cuidadoso. E o tempo para se fazer isso é agora”, declarou Alexandre de Juniac, diretor-executivo da IATA.
Embora as companhias aéreas tenham usado aeronaves de passageiros para transportar cargas durante a pandemia, a distribuição de vacinas será uma operação muito mais complexa.
Nem todos os aviões estão adaptados para o envio de vacinas, pois é necessário manter uma temperatura entre 2 e 8 graus durante o transporte dos medicamentos. Algumas vacinas teriam que estar congeladas, o que excluiria ainda mais aeronaves da operação.
“Conhecemos muito bem os procedimentos. O que precisamos é expandi-los na medida em que for necessário”, diz Glyn Hughes, diretor global de Cargas da IATA.
Os voos para certas partes do mundo, incluindo algumas regiões do sudeste Asiático, serão críticos porque alguns países não têm capacidade para produzir vacinas, acrescentou.
Pressão militar
A distribuição na África seria “impossível” neste momento, diz a IATA, dada a falta de capacidade de transporte de cargas, o tamanho da região e as complexidades relacionadas às fronteiras.
O transporte exigirá “precisão quase militar”, além da capacidade de armazenagem em temperaturas baixas.
Há cerca de 140 vacinas em desenvolvimento inicial e cerca de 24 em fase de testes clínicos em humanos neste momento.
Uma delas é desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela empresa AstraZeneca, que se encontra em estágio avançado de testes, mas cujo processo foi temporariamente suspenso nesta semana.
A Rússia anunciou em agosto o registro da primeira vacina contra a doença, batizada de Sputnik V, e prevê o início da imunização de sua população para outubro.
A pesquisa do país tem, entretanto, recebido diversas críticas da comunidade científica internacional por não ter passado por todas as etapas de desenvolvimento antes de ser liberada. Falta ainda a fase 3 dos estudos clínicos, que verificam a eficácia do fármaco.
A IATA pediu que os governos comecem a planejar cuidadosamente para garantir que estarão totalmente preparados assim que as vacinas forem aprovadas e disponíveis para distribuição.
Além de precisar garantir o manejo e transporte em temperaturas controladas, há outro desafio.
“As vacinas são mercadorias de alto valor. Devem ser aplicadas medidas para evitar que a carga seja adulterada e roubada”, diz a IATA.
Foto: Getty Images/via BBC
Dentista ressalta importância da higiene bucal durante a pandemia
Estudos comprovam que rotina de limpeza da boca pode diminuir o potencial de contágio e propagação do novo coronavírus
Por Folha Vitória
A boca é a porta de entrada para diversas doenças que atingem o organismo, em especial as respiratórias, como a covid-19, responsável pela pandemia mundial declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em março deste ano. Por isso, o cuidado com a higiene bucal se torna um importante aliado na prevenção da doença.
Além de manter uma rotina básica de limpeza da boca depois das refeições, o que inclui escovação e fio dental, a utilização de um enxaguante bucal que tenha clorexidina ajuda, inclusive, a eliminar a carga viral do novo coronavírus, garante a odontologista Dr. Patrícia Bertges.
“Há estudos que relatam que os enxaguantes bucais, esses que encontramos em farmácias, podem reduzir a propagação do vírus. Inclusive, o gargarejo do produto antes das consultas tem sido uma medida que venho tomando em meu consultório”, conta a odontologista.
Muito importante: não se pode esquecer de higienizar a língua. “Nela habitam diversas bactérias que também podem causar doenças, por isso, é preciso que sua limpeza seja diária”, relembra a odontologista. Além disso, a dentista ressalta que é importante manter as mãos longe das áreas do rosto que contém mucosas, tais quais boca, nariz e olhos, que facilitam a entrada do vírus.
Foto: Divulgação
Síndrome associada à covid-19 já atingiu 197 crianças e adolescentes
Maioria das vítimas no Brasil tem menos de 10 anos
Por Agência Brasil
Pelo menos 197 crianças e adolescentes brasileiros apresentaram, até o fim de agosto, uma série de problemas de saúde que, juntos, podem caracterizar uma nova doença potencialmente associada a covid-19, a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica.
De acordo com o Ministério da Saúde, do total de crianças, 140 tinham menos de 10 anos no momento em que adoeceram. Ainda segundo a pasta, a síndrome pode ter causado a morte de pelo menos 14 pacientes de até 19 anos de idade no período de maio a agosto deste ano.
Os óbitos notificados foram registrados em oito estados: Pará (três); Rio de Janeiro (três); Ceará (dois); Paraíba (dois); Bahia (um); Pernambuco (um); Piauí (um); e São Paulo (um). A coordenadora de Saúde da Criança e Aleitamento Materno, Janini Ginani, lembrou que as mortes em questão estão “sob investigação”, já que várias outras síndromes podem se sobrepor, dificultando o diagnóstico.
Segundo o último balanço, até o dia 26 de agosto, o maior número (41) de notificações da nova síndrome vinha do Ceará. Em seguida estão Pará (24); Rio de Janeiro (22); Distrito Federal (19); São Paulo (19); e Bahia (11). Também foram registrados casos em Alagoas (nove); Espírito Santo (oito); Minas Gerais (cinco); Paraíba (seis); Pernambuco (nove); Piauí (seis); Rio Grande do Norte (nove); e Rio Grande do Sul (nove).
Ontem (8), entretanto, o governo de Pernambuco anunciou que os casos da síndrome no estado já somam 16, incluindo uma morte.
Monitoramento
Embora se caracterize por sintomas diversos, a síndrome está frequentemente associada à febre persistente, acompanhada de pressão baixa, conjuntivite, manchas no corpo, diarreia, dor abdominal, náuseas e vômitos, entre outros. Em alguns casos, o paciente pode desenvolver também sintomas respiratórios e disfunção cardíaca. Além disso, há sempre uma marcante atividade anti-inflamatória do organismo.
Os primeiros casos da nova síndrome começaram a ser registrados na Europa em abril deste ano. Os relatos logo se multiplicaram, motivando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a emitir um alerta para chamar a atenção de pediatras de todo o mundo.
Em 20 de maio, o ministério divulgou, em parceria com as sociedades brasileiras de Pediatria e de Reumatologia, um primeiro comunicado sobre o assunto. A pasta pedia atenção dos profissionais de saúde para que a síndrome fosse identificada rapidamente. Os sintomas, entretanto, podem ser confundidos com os de outras síndromes, como a de Kawasaki.
No dia 24 de julho, quando o país registrava 71 casos confirmados de covid-19 e três mortes, o ministério implantou um sistema de monitoramento nacional da síndrome por meio de formulário disponível no sistema oficial de comunicação da pasta.
Na semana passada, ao participar de uma reunião da Comissão Externa de Enfrentamento a Covid-19, do Senado, o diretor do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas, do Ministério da Saúde, Antonio Rodrigues Braga Neto, destacou a necessidade de se “qualificar o atendimento às crianças”, esclarecendo que a notificação, apesar de importante, não é obrigatória.
“Ainda não temos a notificação compulsória. O que temos é uma recomendação”, disse Neto. “Entendemos que a notificação compulsória é uma ferramenta de interesse epidemiológico que facilitará a análise destes casos”, acrescentou o diretor, enfatizando que, mundialmente, ainda há muitas dúvidas sobre a síndrome.
“É uma doença nova, muito recente. O que temos que garantir é a capilaridade das informações. [Garantir] que uma criança que chegue à atenção primária com febre há três dias e algum dos outros sintomas, como náusea, cefaleia ou conjuntivite, e que apresente alterações laboratoriais tendo a sepse sido excluída seja encaminhada para uma atenção especializada.”
Durante a reunião, a coordenadora de Saúde da Criança e Aleitamento Materno, do Ministério da Saúde, Janini Ginani, ressaltou que a maioria das crianças e adolescentes acometidos pela síndrome é do sexo masculino, tem até 9 anos e não tinha doenças crônicas preexistentes.
“Os casos têm sido mais prevalentes na faixa etária até 10 anos de idade. Entre as crianças de 0 a 4 anos, 41 eram do sexo masculino e 34, do feminino. Já entre as de 5 a 9 anos, foram 39 e 26, respectivamente”, detalhou Janini.
“Temos visto uma dificuldade com relação à discriminação desses casos. O que, possivelmente, é uma sepse sendo notificada como uma Síndrome Inflamatória Multissistêmica. Estamos tentando separar essas causalidades; aprimorar a vigilância para entender como essa síndrome tem se desenvolvido no país, qualificando também a vigilância e [o registro] de óbitos.”
UTIs
Pesquisador do Instituto D’OR de Pesquisa e Ensino e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o pediatra Arnaldo Prata apresentou, durante a reunião, dados de um estudo feito com 79 crianças e adolescentes internados em 19 unidades de terapia intensiva (UTIs), públicas e privadas, de cinco estados (BA; CE; PA; RJ e SP).
Para ele, embora o número de casos da síndrome seja pequeno, é preciso estar alerta, já que 87% das crianças internadas em UTIs testaram positivo para covid-19. Destas, 13% apresentaram um quadro clínico associado à síndrome.
“Ou seja, entre crianças de 0 a 19 anos, a doença inflamatória multissistêmica pode acometer de 10% e 15% das que adoecem e que precisam ser internadas devido a covid-19”, enfatizou Prata.
Foto: Fiocruz
Governo cria grupo para coordenar vacinação contra covid-19
Resolução foi publicada hoje no Diário Oficial
Por Agência Brasil
O governo federal instituiu um grupo de trabalho interministerial para coordenar a aquisição e a distribuição de vacinas “com qualidade, eficácia e segurança comprovadas” contra o novo coronavírus. A resolução do comitê de crise da Presidência da República foi publicada hoje (10) no Diário Oficial da União.
Sob coordenação do Ministério da Saúde, o grupo deverá colaborar no planejamento da estratégia nacional de imunização voluntária contra a covid-19 e terá duração de até noventa dias, podendo ser prorrogado por igual período.
Dezenove pessoas farão parte do grupo: três da Casa Civil; um do Ministério da Defesa; três do Ministério das Relações Exteriores; um do Ministério da Economia; quatro do Ministério da Saúde; um do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações; um da Controladoria-Geral da União; um do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos; um da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Secretaria-Geral da Presidência; dois da Secretaria de Governo; e um da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Atualmente, quatro estudos de vacinas contra o novo coronavírus estão sendo realizados no Brasil. Em junho, a Anvisa autorizou o ensaio clínico da vacina desenvolvida pela empresa AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, do Reino Unido; no dia 3 de julho, o da vacina desenvolvida pela Sinovac Biotech, da China, em parceria com o Instituto Butantan; no dia 21 de julho, o das vacinas desenvolvidas pela BioNTech, da Alemanha, e Wyeth/Pfizer, dos Estados Unidos; e no mês passado, o da vacina da Jansen-Cilag, unidade farmacêutica da Johnson & Johnson.
Nesta semana, entretanto, a AstraZeneca suspendeu os testes globais de sua candidata a vacina após um dos voluntários, no Reino Unidos, apresentar sintomas adversos. Essa vacina é uma das principais apostas do governo brasileiro para a imunização contra a covid-19 no país.
Foto: Reuters
