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Crianças sem sintomas podem carregar coronavírus por semanas

Dois estudos americanos mostram que menores não apenas apresentam uma carga surpreendentemente alta do Sars-Cov-2, como podem transmitir a doença por semanas, mesmo sem sintomas

 

Por Deutsche Welle

 

À medida que escolas em várias partes do mundo estão reabrindo, um estudo americano sobre o potencial de transmissão do coronavírus Sars-Cov-2 entre crianças apresenta resultados preocupantes, capazes de influenciar o debate sobre a volta às aulas.

Segundo as pesquisadoras do Hospital Nacional Infantil de Washington, crianças infectadas podem transmitir a doença durante semanas, mesmo que não apresentem sintomas.

O resultado corrobora o que já havia sido apontado em um estudo anterior, em que pesquisadores em Boston mostraram que crianças e jovens tinham cargas virais surpreendentemente altas.

O novo estudo, publicado em 28 de agosto no site da revista médica Jama Pediatrics, foi conduzido por Roberta L. DeBiasi e Meghan Delaney. Elas analisaram dados de 91 crianças em 22 hospitais da Coreia do Sul.

“Ao contrário do sistema de saúde dos EUA, quem testa positivo para Covid-19 na Coreia do Sul permanece no hospital até ter se recuperado completamente da infecção”, explica DeBiasi.
De acordo com o estudo, 22% das crianças não desenvolveram sintomas durante toda a infecção; 20% começaram assintomáticas, mas mais tarde desenvolveram sintomas; e 58% tiveram sintomas desde o primeiro teste positivo.

O estudo também mostrou grandes diferenças no período de tempo em que as crianças permaneceram sintomáticas, variando de três dias a três semanas. Um quinto dos pacientes assintomáticos e aproximadamente metade dos pacientes sintomáticos ainda estava transmitindo o vírus três semanas após a infecção inicial. Isso não reflete diretamente, porém, seu nível de contagiosidade.

Alta carga viral

Os pesquisadores em Boston, por sua vez, encontraram cargas virais surpreendentemente altas entre os pacientes mais jovens. Para o estudo, eles colheram amostras de secreção do nariz e da garganta de 49 pacientes com menos de 21 anos de idade. O estudo encontrou muito mais presença do vírus entre eles do que entre adultos sendo tratados em unidades de terapia intensiva para Covid-19.

Ainda de acordo com o estudo de Boston, publicado em 1º de agosto no periódico científico The Journal of Pediatrics, os cientistas encontraram muito menos receptores ECA-2 entre as crianças menores do que entre os jovens e adultos. Acredita-se que esses receptores sejam a porta de entrada para a Covid-19 nas células do corpo.

O papel das crianças e dos jovens na propagação do coronavírus tem sido muito debatido desde que as primeiras infecções foram registradas.

Uma coisa é certa: crianças e jovens podem infectar outras pessoas. Também é certo que as crianças e os jovens infectados muitas vezes mostram poucos ou nenhuns sinais de estarem doentes. E também está claro – embora a maioria das pessoas prefira não falar sobre isso – que crianças e jovens também podem morrer ou sofrer com sequelas duradouras resultantes de uma infecção por Covid-19.

Isso não significa automaticamente que todas as crianças e jovens são potenciais origens de novos focos da doença, impulsionando as taxas de infecção ao seu redor. Ainda assim, crianças e jovens – através do jardim de infância, escola, amigos e esportes – frequentemente têm muito mais interação social do que os adultos.

Os últimos meses também mostraram que os jovens são tão propensos quanto os adultos a ignorar o distanciamento social e as regras de higiene se não forem obrigados a fazer o contrário.

Jovens como propagadores

Na Alemanha, por exemplo, onde a epidemia é considerada sob controle, turistas voltando de férias de verão, além de festas e eventos lotados, levaram os índices de infecção aos níveis mais altos desde abril. Grande parte dos que testaram positivo recentemente são jovens – a idade média de infectados é a mais baixa no país desde o início da pandemia.

Apesar das altas cargas virais e da capacidade de transmitir o vírus durante semanas – mesmo que uma criança seja assintomática – especialistas dizem que os jovens ainda podem agir decisivamente para deter a propagação da infecção.
No final das férias de verão europeias, as infecções aumentaram em toda a Alemanha e em muitos outros países. Entretanto, os jardins de infância, escolas e outras instituições de ensino estão abrindo suas portas, não apenas para dar alívio aos pais, mas também em prol do bem-estar das crianças.

Máscaras obrigatórias, distanciamento físico, regras de higiene e grupos de estudo fixos podem reduzir o risco de propagação. Esse é o consenso, mas a forma de lidar com tais questões, assim como a frequência com que as aulas devem ser realizadas on-line ou presencialmente, permanece aberta à interpretação em muitos países.

A fim de detectar potenciais grupos de infecção e evitar o fechamento de escolas em larga escala, as infecções entre crianças e jovens assintomáticos devem ser detectadas precocemente, e a criança isolada, segundo especialistas.

Estes últimos estudos americanos sem dúvida levarão a uma reavaliação da necessidade de testar regularmente os professores, mas também da questão de saber se os testes devem ser realizados apenas nos alunos que apresentam infecções respiratórias agudas ou em uma porcentagem mais ampla de crianças.

 

Foto: Alexander Nemenov / AFP

Empresa brasileira vai produzir ventilador desenvolvido pela Nasa

Equipamento é utilizado no tratamento de pacientes da covid-19

 

Por Agência Brasil

 

Uma parceria da empresa de medicamentos brasileira Russer e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) vai permitir a produção de ventiladores pulmonares a partir de um projeto desenvolvido pela Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa). O equipamento é utilizado no tratamento de pacientes da covid-19, em quadros mais graves que precisam de apoio para garantir a respiração.

A homologação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi obtida na semana passada. Inicialmente, a Russer deve produzir 300 ventiladores pulmonares por mês. Ainda não há previsão de quando o produto estará no mercado.

Segundo do diretor geral do Senai, Rafael Lucchesi, a vantagem do respirador é seu preço. Enquanto no mercado a média de preço está entre R$ 50 mil e R$ 60 mil, este deverá custar R$ 20 mil.

Além do preço, o projeto vai ampliar a produção nacional desse equipamento. “É uma vantagem robusta e vai ter uma cadeia nacionalizada de componentes e isso é importante para a produção”, disse Lucchesi.

O projeto teve início quando a empresa e o Senai entraram em uma chamada pública da Nasa para firmar parcerias visando a fabricação do aparelho, desenvolvido por engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato.

Foram selecionadas inicialmente 331 empresas de vários países. Em uma segunda rodada, ficaram 28 companhias, entre elas a Russer e o Senai. A Nasa não irá cobrar pelos royalties durante a pandemia.

O diretor geral do Senai disse que a entidade entrou no projeto quando identificou o gargalo da dificuldade de obtenção desse equipamento no mercado internacional diante da alta demanda por conta da conjuntura da pandemia.

“É um equipamento crítico da covid-19. É tradicional de uso nas UTIs [Unidades de Terapia Intensiva]. Ganhou fama porque esta doença infecciosa cria uma infecção no pulmão e é equipamento decisivo”, disse, à Agência Brasil.

 

Foto: Agência Petrobras

Hospital em SP separa laboratório para casos de reinfecção de covid-19

Sete pacientes com suspeita estão sendo acompanhados

 

Por Agência Brasil

 

O Hospital das Clínicas de São Paulo está investigando sete casos de pacientes suspeitos de terem se reinfectado pelo novo coronavírus. Segundo a instituição, vinculada à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), um ambulatório foi separado exclusivamente para acompanhar esses possíveis casos.

De acordo com o hospital, os sintomas e testes positivos em dois períodos distintos, apresentados pelos pacientes, podem ser explicados por uma segunda infecção, mas causada por um vírus diferente, como o da gripe. No entanto, fragmentos inativos do novo coronavírus, remanescentes da primeira infecção, podem ter feito o teste dar positivo. Também podem ser explicados pela longa permanência do novo coronavírus no corpo, com período de inatividade e posterior reativação, ou mesmo por uma possível reinfecção de covid-19.

“Para verificar essas e outras hipóteses, os pacientes estão sendo acompanhados, com a realização eventual de exames adicionais a fim de melhor entender esses casos”, destacou o hospital, em nota.

No última terça-feira (25), dois pacientes, um na Holanda e outro na Bélgica, foram confirmados como casos de reinfecção pelo novo coronavírus. Um dia antes, cientistas de Hong Kong publicaram relatório a respeito de uma pessoa que foi reinfectada com uma linhagem diferente do vírus, quatro meses e meio depois de ser declarada recuperada da doença – a primeira reinfecção do tipo registrada.

 

Foto: Governo do Estado de São Paulo

Senado aprova benefício a hospitais filantrópicos durante pandemia

Metas hospitalares estarão suspensas até 30 de setembro

 

Por Agência Brasil

 

O Senado aprovou hoje (27) um projeto de lei que prorroga até 30 de setembro a suspensão da obrigatoriedade de hospitais filantrópicos de cumprirem metas quantitativas e qualitativas contratadas junto ao Sistema Único de Saúde (SUS). Uma suspensão por 120 dias havia sido aprovada no Congresso em março. Com a persistência da pandemia do novo coronavírus, essa suspensão foi prorrogada. A matéria vai à sanção presidencial.

A suspensão das metas é importante porque, em troca de isenção de impostos, essas unidades de saúde precisam prestar uma determinada quantidade de serviços de saúde como consultas, exames e procedimentos de média e alta complexidade (cirurgias, por exemplo) ao SUS. No entanto, por causa da crise provocada pela pandemia de coronavírus, esses hospitais não conseguirão atingir as metas de quantidade e qualidade para contarem com a isenção. Neste período, o atendimento a pacientes de covid-19 está sendo priorizado em detrimento de cirurgias eletivas (sem urgência).

“Um dos graves problemas que atingem as instituições de saúde no atual momento é a drástica redução do volume de procedimentos médico-assistenciais realizados, especialmente os de caráter eletivo, o que impacta fortemente o equilíbrio financeiro dessas instituições”, destacou a relatora da matéria no Senado, Eliziane Gama (Cidadania-MA).

“Além disso, esses serviços também enfrentam os custos adicionais advindos do atendimento aos pacientes suspeitos ou confirmados com covid-19, sem falar nos reajustes dos insumos e equipamentos de segurança”, acrescentou.

 

Foto: Ascom/HCPA

Coronavírus pode "viajar" entre apartamentos pelos encanamentos, sugere estudo

Segundo os especialistas, até mesmo o acionamento da descarga pode acarretar em maior dispersão do vírus

 

Por iG Saúde

 

Um estudo conduzido por pesquisadores chineses identificou o que pode ser uma nova forma do dispersão do novo coronavírus, e que pode trazer problemas para quem mora em prédios: através dos encanamentos de esgoto.

Segundo informações da agência Bloomberg, cientistas do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças encontraram traços da Covid-19 em um apartamento vazio localizado exatamente no andar abaixo de uma família em que os cinco integrantes foram infectados pela doença.

Apesar de estar fechado, o local tinha amostras do novo coronavírus no vaso sanitário, na pia e até mesmo no chuveiro. Isso sugere que as partículas que compõem o vírus podem ter “viajado” de um apartamento para o outro pelos encanamentos do banheiro. A principal hipótese é de que os dejetos dos infectados, como urina e fezes, possam ter sido as responsáveis pelo transporte.

Para confirmar tal análise, o grupo realizou um segundo experimento. Usando um rastreador de partículas , eles encontraram traços do vírus em banheiros de outros andares do prédio, sendo o mais distante deles 12 acima do qual a família vivia.

Os pesquisadores acreditam que o resultado, publicado nesta semana na revista científica Environment International, ocorreu devido à dispersão dos gases das fezes da família ao longo de todo o encanamento. Tal análise, inclusive, vai de encontro ao que outros estudos apontaram, sobre a possibilidade de dejetos humanos serem capazes de transportar o vírus e a dispersão no momento em que a descarga é acionada.

Em entrevista à agência, Lidia Morawska, diretora do Laboratório Internacional de Qualidade e Saúde do Ar da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, afirmou que a descoberta é um grande problema para prédios que utilizam sistema de esgoto comunitário.

Segundo ela, este tipo de sistema faz com que os gases dos dejetos retornem aos apartamentos quando o nível de água está muito baixo, o que também faria com que o coronavírus , caso estivesse presente, pudesse entrar em outros locais: “basicamente, a análise é simples: se há cheiro, isso quer dizer que o ar está indo para um lugar em que não deveria ir”.

 

Foto: Pixabay

Estudo mostra relação entre o novo coronavírus e síndrome em crianças

O quadro inflamatório pode atingir vários órgãos

 

Por Agência Brasil

 

Após analisar o caso de uma menina de 11 anos de idade que contraiu covid-19 e foi a óbito, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que o Sars-CoV-2, nome científico do novo coronavírus, chegou a atingir células cardíacas. O resultado do estudo foi publicado no periódico The Lancet Child & Adolescent Health, associando, pela primeira vez, a infecção pelo vírus ao quadro de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P), que pode acometer vários órgãos, tanto em crianças como em adolescentes.

Conforme relatam os cientistas, integrantes do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP, a criança não tinha doenças preexistentes e, mesmo assim, desenvolveu um quadro grave de saúde. Apenas 28 horas depois de ter sido internada em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), apresentou disfunção cardíaca e choque cardiogênico, precisando de ventilação mecânica pulmonar e medicações para estabilizar seu sistema cardiovascular. A situação, classifica a médica Juliana Ferranti, que participou do estudo, é “muito rara dentro da pediatria”.

A equipe médica que atendeu a paciente realizou exames de sangue, radiografia, tomografia de tórax, eletrocardiograma e ecocardiograma, que confirmaram a presença de um processo inflamatório e o comprometimento severo do coração. Após o falecimento da criança, foram feitas uma análise microscópica de tecidos de diversos órgãos do corpo e uma pesquisa de RNA viral em pulmões e coração. Essa segunda bateria de exames confirmou a relação entre covid-19 e a SIM-P, revelando que a menina teve de fato um quadro leve de pneumonia, causada pelo vírus Sars-CoV-2, e a presença de microtrombose pulmonar. Concluiu-se também que a causa de morte foi a inflamação [miocardite] do coração, que chegou ao estágio de necrose e perda de fibras cardíacas.

Segundo a professora Marisa Dolhnikoff, uma das autoras do artigo, o que se observa por outras pesquisas é que a maioria das crianças com SIM-P consegue se recuperar da doença, se tiverem o devido tratamento. Ela acrescenta, porém, que o trabalho alerta para a possibilidade de que sequelas cardíacas remanesçam, ainda que recebam cuidados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já vem alertando sobre a possibilidade de haver ligação entre a covid-19 e a SIM-P, tema que chegou a ser tratado em seminários, por especialistas da Espanha. No início deste mês, o Ministério da Saúde emitiu nota em que destaca o aviso da OMS e informa que tem monitorado casos da síndrome em crianças e adolescentes com idade entre 7 meses e 16 anos. Até julho, 71 casos foram registrados em quatro estados, sendo 29 no Ceará, 22 no Rio de Janeiro, 18 no Pará e 2 no Piauí, além de três óbitos no Rio de Janeiro.

*Com informações do Jornal da USP.

 

Foto: Fiocruz

Teste da Unesp identifica assintomáticos de covid-19 pela saliva

Exame pode agilizar retorno seguro às atividades presenciais

 

Por Agência Brasil

 

Um teste de rastreamento de covid-19 por meio da saliva humana está sendo incorporada à rotina de trabalho do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), no interior de São Paulo, para evitar surtos da doença no local. O teste ajuda a identificar pacientes assintomáticos e, se aplicado de forma periódica, tem potencial para agilizar o retorno seguro às atividades presenciais.

A nova metodologia, realizada em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), já foi usada por algumas unidades da universidade e está sendo integrada ao plano de retomada das atividades presenciais da Unesp. De acordo com a universidades, o teste de rastreamento está baseado em estudos científicos internacionais que apontaram a saliva como material biológico de alta sensibilidade para indicar a presença do novo coronavírus e atestaram que as glândulas salivares também possuem o receptor para o Sars-CoV-2, vírus causador da covid-19.

A partir destes achados científicos, publicados em periódicos de alto impacto como a revista The Lancet, uma equipe de professores da Unesp que trabalham no Hospital das Clínicas de Botucatu concebeu um teste de rastreamento para pacientes assintomáticos chamado por ora de pool de saliva, que consiste em coletar salivas de 8 a 15 pessoas aparentemente saudáveis, em frascos individuais, para identificar a presença do novo coronavírus.

O método de análise das amostras é o PCR-RT, já amplamente utilizado. A diferença é que o hospital está fazendo o teste através da saliva. “O método de detecção do coronavírus é o PCR-RT que é considerado a melhor escolha para diagnóstico, quando feito através de swab orofaríngeo. Para o rastreamento, estamos fazendo então o mesmo PCR-RT mas em saliva, através de pools de 15 pessoas. Quando o pool é negativo, todos são considerados negativos. Se um pool é positivo, o exame é repetido individualmente nessas 15 pessoas de um pool, e encontrado o indivíduo positivo. Essa pessoa será consultada e será colhido o swab orofaríngeo, que é o método diagnóstico”, explica a Diretora de Assistência do HCFMB, a médica Erika Ortolan.

Na opinião da médica, o teste tem potencial para ser comercializado. “Com o uso da saliva, que trouxe possibilidade de realizar em massa, pois é uma coleta simples, realizada pela própria pessoa, e com o processamento em pool, há uma economia de reagentes”.

Atividades presenciais

A análise é feita por grupos, o que amplia a escala da testagem. Se todos derem negativo para o vírus, as pessoas ficam liberadas para trabalhar até o próximo teste. Se houver identificação do Sars-CoV-2 em algum dos grupos que se submeteram ao teste de rastreamento, todas as salivas daquele grupo passarão por teste complementar para descobrir quem está infectado. Identificada a pessoa com a carga viral, ela é afastada do trabalho e seus colegas passam a ser alvos de um monitoramento mais rigoroso nos dias seguintes ao resultado.

O teste é feito quinzenalmente no hospital, explica a diretora. “Nas primeiras cinco semanas desse rastreamento, estamos fazendo quinzenalmente para áreas covid [em que são tratados pacientes com a doença] e mensalmente para áreas não covid [outras áreas do hospital como o administrativo]. Em setembro iniciaremos semanal para áreas covid e quinzenalmente para áreas não covid”, detalhou Erika.

A nova metodologia do pool de saliva foi apresentada à comunidade científica internacional no mês passado pela Unesp, durante um webinar sobre estratégias para impedir o surgimento de surtos da covid-19 em hospitais, que contou com a participação do professor Carlos Magno Fortaleza, da Faculdade de Medicina da Unesp e da comissão de controle de infecção hospitalar do Hospital das Clínicas de Botucatu.

O teste foi padronizado no Laboratório de Biologia Molecular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HC-FMB-Unesp), sob responsabilidade da professora Rejane Grotto. Os primeiros a realizarem os testes de rastreamento por pool de saliva foram os estudantes de internato da Faculdade de Medicina da Unesp, que estão no 5º ano e 6º ano da graduação e atuam dentro do hospital.

 

Foto: Reuters

Mulheres têm resposta imune mais eficiente ao coronavírus do que os homens, sugere estudo liderado por brasileiros

Cientistas detalharam diferenças na resposta imune entre os sexos. Pesquisa foi publicada na revista científica ‘Nature’, uma das mais importantes do mundo, nesta quarta-feira (26)

 

Por G1

 

Uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (26) na revista científica “Nature”, uma das mais importantes do mundo, sugere que as mulheres têm uma resposta imune mais eficiente ao novo coronavírus (Sars-CoV-2) do que os homens. O estudo é liderado por pesquisadores de vários países, inclusive brasileiros, na Universidade de Yale.

Os cientistas analisaram 98 pacientes (47 homens e 51 mulheres) e concluíram que as mulheres desenvolveram uma resposta mais eficiente das células T, um tipo de célula de defesa do corpo, do que os homens, o que contribuiu para que desenvolvessem menos casos graves.

Além disso, elas tiveram menos respostas inflamatórias à doença do que os homens.

“Existe uma diferença na resposta contra o vírus, com os homens desenvolvendo uma resposta inflamatória acentuada e as mulheres, uma resposta de células T mais eficiente”, explica Carolina Lucas, pesquisadora brasileira de pós-doutorado em imunobiologia em Yale e uma das líderes do estudo.

A resposta inflamatória à Covid-19 é uma reação “exagerada” do sistema imune, que causa a chamada “tempestade de citocinas” no corpo e pode levar à morte.

Em um estudo anterior, o grupo de pesquisa da brasileira em Yale mostrou que essa reação exagerada no início da doença pode prever se a pessoa terá complicações pela infecção.

Como já era esperado, os cientistas perceberam, nesta pesquisa, que essas citocinas estavam elevadas em todos os pacientes com Covid-19 quando comparados ao grupo controle (que não tinha a doença). Mas os homens tiveram mais citocinas do que as mulheres, explica Lucas.

“Por outro lado, as mulheres não têm essa inflamação acentuada e têm uma resposta de células T mais robusta”, afirma Carolina Lucas.
As células T fazem parte da resposta imune do corpo e têm, entre outras funções, destruir células infectadas com qualquer tipo de vírus (inclusive o Sars-CoV-2).

Resposta se manteve mesmo nas mais velhas

Os cientistas também perceberam que as mulheres mantiveram essa eficiência na resposta imune mesmo em idades avançadas, o que não ocorreu com os homens. A idade é um fator de risco para a Covid-19: quanto mais velha for a pessoa, maior é a chance de que ela desenvolva um quadro grave da doença e venha a morrer.

“As mulheres, mesmo de 90 anos, estão mantendo uma resposta de mulheres mais novas, mas a gente não vê isso em homens. Com o passar da idade, os homens têm um declínio na resposta imune”, destaca a cientista brasileira.

Desde o início da pandemia, os cientistas já vinham percebendo que os homens tinham uma tendência a quadros mais graves da Covid-19, mas ainda não está totalmente esclarecido por que isso acontece. A pesquisa do grupo tentou contribuir nesse sentido.

Lucas alerta que desenvolver um quadro grave da doença não depende apenas do sistema de defesa do corpo.

“O que a gente tentou fazer foi caracterizar a resposta imune. Mas é muito mais complexo: existem diferenças hormonais, comportamentais, que podem ser associadas com um quadro mais grave. Por exemplo, na China, os homens são mais fumantes do que as mulheres, e isso pode ter tido uma contribuição para o desenvolvimento de quadros mais graves”, lembra.

Por outro lado, ressalva a pesquisadora, “apesar da boa notícia quanto à resposta imunológica, é importante lembrar que mulheres estão mais vulneráveis economicamente e socialmente nesta pandemia, com maior desemprego, queda de renda, menor produção, maiores taxas de violência doméstica e feminicídio”, destaca.

Implicações para vacina

No estudo, os cientistas também levantam a possibilidade de que uma eventual vacina para a Covid-19 pode beneficiar os homens se estimular, de alguma forma, a atuação das células T.

“Se uma vacina puder aumentar as respostas de células T masculinas melhor do que o vírus, isso beneficiará os homens”, afirmou a pesquisadora Akiko Iwasaki, autora sênior do estudo, ao G1.
“Por outro lado, em algumas mulheres com citocinas inflamatórias elevadas, direcioná-las com terapia anti-inflamatória pode ser benéfico”, ponderou Iwasaki.

Em sua conta no Twitter, ao comentar a pesquisa, a pesquisadora lembrou que “sexo importa quando estamos falando de prevenção e tratamento da Covid-19”.

Carolina Lucas afirma que o fato de ser homem já significa um fator de risco para o paciente.

“Obviamente, qualquer vacina que tente entender melhor os grupos de risco seria seria mais interessante, porque são os grupos mais afetados. Tudo isso teria que ser levado em conta para gerar uma vacina funcional, sabendo que essas pessoas têm essas limitações”, avalia.

“Isso não vai causar nenhum dano para uma mulher. Ela, pelo simples fato de ser mulher, já tem uma resposta um pouco diferente, já tem um benefício por ter essa resposta diferente, mas essa vacina não vai ser prejudicial”, diz Lucas.

“Então, se a gente conseguir olhar para coisas que não estão funcionando tão bem em grupos de risco, vai conseguir gerar uma vacina eficiente para todo mundo. E o objetivo da imunização em massa, mesmo o conceito de imunidade de rebanho, é que você consiga proteger, principalmente, o grupo de risco”, lembra.

 

Foto: Ahn Young-joon/AP

Fiocruz e Anvisa definem produção da vacina contra a covid-19

Bio-Manguinhos realizará as etapas de formulação, envase e rotulagem

 

Por Agência Brasil

 

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) definiram como será a produção da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford. O encontro dos principais dirigentes das duas instituições ocorreu de modo virtual, no último dia 19, mas só foi tornado público nesta quarta-feira (26).

De acordo com a assessoria da Fiocruz, que teve acesso às informações da reunião, Bio-Manguinhos realizará as etapas de formulação, envase e rotulagem da vacina utilizando as instalações do Centro de Processamento Final (CPFI) e do Pavilhão Rockfeller, destinado à fabricação de vacinas virais e que tem certificação de boas práticas de fabricação (CBPF) e pré-qualificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Já a produção do insumo farmacêutico ativo (IFA) será realizada no Centro Henrique Pena.

A presidente da Fiocruz, Nisia Trindade Lima, destacou que o momento requer a união de esforços e expertises para se encontrar soluções no mais breve tempo possível.

“A vacina só será possível com intensa articulação e colaboração de todos os envolvidos. Para isso, os especialistas das duas instituições atuarão de forma integrada ao processo de produção da vacina, para que possam avaliar cada etapa, à luz da ciência, e realizar todas as análises necessárias”, disse Nisia.

Para o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, o encontro revelou o empenho e a aproximação entre as duas instituições para o desenvolvimento da vacina.

“A Anvisa e a Fiocruz vêm trabalhando juntas para melhorar o combate à covid-19, com foco na discussão sobre o registro de uma vacina. A reunião contribuiu para estreitar laços e tratar de aspectos gerais do desenvolvimento vacinal”, disse Torres.

Segundo o diretor de Bio-Manguinhos, Mauricio Zuma, esse alinhamento é fundamental para que o registro possa acontecer o mais rapidamente possível, a partir da obtenção de resultados satisfatórios nos estudos clínicos, que no Brasil estão sendo conduzidos pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com a Universidade de Oxford.

“Essa análise prévia é uma prática de longa data que adotamos junto à Anvisa para a incorporação de tecnologias, e só traz benefícios para o país, na medida em que nos dá direcionamentos de medidas a serem tomadas antecipadamente para o cumprimento das exigências regulatórias e o apoio necessário para a importação dos insumos – no caso da vacina da covid-19 em caráter emergencial, possibilitando a disponibilização mais rápida de vacinas e outros imunobiológicos para o Sistema Único de Saúde”, disse Zuma.

 

Foto: Reuters

Saúde anuncia parceria com Anvisa e indústrias farmacêuticas

Ministério fala sobre estratégia de reabastecimento dos medicamentos

 

Por Agência Brasil

 

Nesta terça-feira (25), representantes do Ministério da Saúde participaram de entrevista online sobre estratégias de reabastecimento dos medicamentos de intubação para estados e municípios no enfrentamento à covid-19. Também foi anunciada parceria com Anvisa e indústrias sobre informações, harmonização, estoques e distribuição.

Brasil lança nova estratégia para saúde mental durante a pandemia
O Ministério da Saúde anunciou ontem (24) um programa batizado de Mentalize. A iniciativa é voltada à promoção da saúde mental. Os representantes da pasta declararam que o intuito é reforçar esse tipo de atendimento diante de situações colocadas pela pandemia do novo coronavírus.

O programa abarcará a oferta de materiais e realização de atividades de sensibilização da população sobre a importância de cuidar de sua saúde mental e procurar avaliações caso identifique sintomas que possam indicar alguma condição que a pessoa possa ter desenvolvido.

Nesta semana, o Ministério da Saúde vai oferecer palestras e debates com profissionais como psicólogos e psiquiatras. Serão abordados temas de saúde mental de segmentos específicos, como crianças, idosos e trabalhadores.

As palestras virtuais serão transmitidas no canal do Youtube do Ministério da Saúde:

Os debates serão intercalados com apresentações artísticas e lúdicas.

 

Foto: Reuters