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Obesidade traz fatores de risco diferentes para homens e mulheres

Para elas, diabetes é a maior preocupação; para eles, doenças crônicas nos pulmões e nos rins

 

Por Bem Estar

 

O assunto é recorrente, mas bater nessa tecla significa salvar vidas. A obesidade é a segunda causa de morte evitável no mundo, perdendo somente para o cigarro. No Brasil, mais de 50% da população têm excesso de peso e mais de 40 milhões sofrem de obesidade. O que há de novo é que essa condição traz riscos diferentes para homens e mulheres, como mostra pesquisa liderada por Cecilia Lindgren, professora de endocrinologia da Universidade de Oxford, e publicada no fim de outubro na revista científica “PLOS Genetics”.

Como a epidemia se tornou global, os cientistas passaram a investigar se o excesso de peso poderia levar – ou exacerbar – a outras causas de morte além de diabetes e doença cardiovascular. No Reino Unido, a equipe da doutora Lindgren se debruçou sobre dados de quase 230 mil mulheres e 195 mil homens e confirmou que a obesidade contribui para uma lista considerável de enfermidades: doença arterial coronariana (ou aterosclerose coronariana); diabetes tipos 1 e 2; acidente vascular cerebral; doença pulmonar obstrutiva crônica; câncer de pulmão; doença hepática gordurosa não alcoólica, ou seja, ocorre em pessoas que bebem pouco ou nem isso; doença hepática crônica; e insuficiência renal.

O interessante é que, embora o diabetes tipo 2 provocado pela obesidade ocorra nos dois gêneros, as mulheres enfrentam um risco aumentado em relação aos homens. Eles, em compensação, têm mais chances de sofrer com doença obstrutiva pulmonar e problemas renais. De acordo com Jenny Censin, integrante da equipe, “o estudo deixou claro o perigo do sobrepeso para a saúde e como homens e mulheres experimentam diferentes enfermidades como resultado da obesidade”. Michael Holmes, que supervisionou o trabalho ao lado de Cecilia Lindgren, acrescentou: “esses achados reforçam a necessidade de adoção de medidas de saúde pública para frear essa epidemia”.

 

Foto: By Mallinaltzin

Mudanças climáticas já prejudicam saúde das crianças, diz relatório

O impacto da poluição do ar deve piorar nos próximos anos, mostra o relatório

 

Por Agência Brasil

 

As mudanças climáticas já prejudicam a saúde das crianças em todo o mundo, com ameaças de impactos ao longo da vida, de acordo com o relatório internacional Lancet Countdown 2019 (Contagem Regressiva da Lancet), lançado hoje (18) no Brasil. Se o mundo continuar no atual padrão econômico de altas emissões de carbono e mudanças climáticas, o documento aponta que uma criança nascida hoje enfrentará um planeta em média 4° C mais quente até os seus 71 anos, o que ameaçaria sua saúde em todas as fases da vida.

“A mensagem chave desse relatório global é que a gente precisa se atentar para as mudanças climáticas logo, para que as crianças, no futuro, não sejam tão afetadas. A criança vai ser afetada, mas para que ela não seja tão afetada”, disse a médica Mayara Floss, uma das autoras do relatório no Brasil.

O fornecimento de energia derivada do carvão, por exemplo, triplicou no Brasil nos últimos 40 anos; ao mesmo tempo que os níveis perigosos de poluição atmosférica ao ar livre contribuíram para 24 mil mortes prematuras em 2016. O projeto é uma colaboração de 120 especialistas de 35 instituições, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Banco Mundial e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ligada ao Ministério da Saúde brasileiro.

“Longas secas, chuvas excessivas e incêndios não controlados estão agravando os efeitos sobre a saúde. Impulsionado em parte pelas mudanças climáticas, o crescimento contínuo da dengue pode tornar-se incontrolável em breve – a incidência triplicou desde 2014. Lamentavelmente, o desmatamento de florestas maduras está aumentando novamente, assim como o uso de carvão. Não podemos desperdiçar o histórico de sucesso conquistado com tanto esforço”, disse Mayara.

Segundo o relatório, as crianças são as que mais sofrerão com o aumento de doenças infecciosas, como a dengue. “A gente sabe que a capacidade do mosquito da dengue de transmitir doença tem aumentado muito. Esse é um dado muito alarmante. E isso está relacionado às mudanças climáticas e ao aumento da temperatura”, disse Mayara.

Ainda de acordo com o documento, eventos climáticos extremos se intensificarão na idade adulta de pessoas nascidas hoje. No Brasil, 1,6 milhão de pessoas foram expostas a incêndios florestais desde 2001. Em todo o mundo houve um aumento de 220 milhões de pessoas acima de 65 anos expostas a ondas de calor em 2018, na comparação com 2000. Em relação a 2017, a alta foi de 63 milhões.

Mitigação de impactos

O documento tem o objetivo de oferecer recomendações políticas aos tomadores de decisão para mitigação dos impactos. Uma delas é que as diretrizes do Acordo de Paris sejam cumpridas a fim de limitar o aquecimento a um nível bem abaixo de 2 °C, o que poderá permitir que uma criança nascida hoje cresça em um mundo que atingirá emissões zero até seu 31º aniversário.

Os autores do relatório alertam que para que o mundo atinja as metas climáticas da Organização das Nações Unidas e proteja a saúde da próxima geração, o cenário energético terá que mudar de forma drástica e rápida: apenas um corte anual de no mínimo 7,4% nas emissões fósseis de CO2 entre 2019 e 2050 limitará o aquecimento global à meta de 1,5 °C, considerada a mais ambiciosa.

“Interromper e reverter a perda de florestas tropicais e comprometer-se com a eliminação gradual do carvão será essencial para o Brasil cumprir as metas climáticas estabelecidas sob o Acordo de Paris e proteger a saúde das futuras gerações”, disse Mayara.

Além da eliminação da energia a carvão, o relatório traz outras ações prioritárias para mudar os rumos do impacto das mudanças climáticas na saúde, como aumentar os sistemas ativo e público de transporte acessível, econômico e eficiente, especialmente a pé e de bicicleta, com a criação de ciclovias e incentivo ao aluguel ou compra de bicicletas.

Outra ação é assegurar que as maiores economias do mundo cumpram os compromissos internacionais de financiamento climático de US$ 100 bilhões por ano até 2020 para ajudar os países de baixa renda.

 

Foto: Hypescience

Campanha nacional de vacinação contra o sarampo dá início à segunda fase

Do 18 ao 30 de novembro, adultos de 20 a 29 anos devem ir aos postos de saúde para tomar a vacina do sarampo

 

Por Saúde é Vital

 

Começou hoje, 18 de novembro, a segunda fase da campanha nacional de vacinação contra o sarampo de 2019. Se em um primeiro momento a iniciativa estava focada em crianças de 6 meses a menos de 5 anos, agora a vacina vai ser oferecida aos adultos de 20 a 29 anos.

O Dia D – quando os postos de saúde abrem aos sábados e a vacina é aplicada em shoppings, estações de metrô e afins – está marcado para o 30 de novembro. Essa é a data final da campanha.

Mesmo adultos que já receberam a vacina na infância devem ir aos postos. A exceção fica para quem já se imunizou em decorrência do surto que acomete o país. O governo pretende aplicar a dose em 13,6 milhões de brasileiros.

E por que o Ministério da Saúde está se concentrando nessa faixa etária? Porque as taxas de vacinação são especialmente baixas nos integrantes dessa turma e o esquema de aplicação era diferente (e menos eficaz) quando eles nasceram.

É importante ressaltar que tanto a vacina tríplice viral como a tetravalente (que evita também a catapora) são administradas na rede pública o ano inteiro em brasileiros de até 49 anos que cumprem certos requisitos, dentro ou fora de surtos. Siga as orientações do Calendário Nacional de Vacinação para proteger você e sua família desde cedo.

 

Foto: Eduardo Svezia/SAÚDE é Vital

SUS pretende usar inteligência artificial para agilizar atendimentos

Em entrevista exclusiva a Agência Brasil o ministro da Saúde sanou dúvidas relacionadas ao programa Conecte SUS

 

Por Agência Brasil

 

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou, em entrevista exclusiva à Agência Brasil, que o programa Conecte SUS, em fase de testes no estado de Alagoas, é o primeiro passo para informatizar e modernizar a rede de atendimento do Sistema Único de Saúde, o SUS.

A iniciativa cria uma rede nacional de dados que permite que usuários do SUS tenham perfis acessíveis por qualquer profissional de saúde. Dessa forma, todos os procedimentos e recursos utilizados por esses pacientes estarão disponíveis em um banco online. De acordo com o ministério, dados como vacinação, procedimentos cirúrgicos, exames, consultas regulares e medicamentos receitados constarão na ficha médica do paciente.

De acordo com o ministro, o uso de tecnologia para criar filtros e estabelecer parâmetros nos atendimentos agilizará as filas de espera e, também, auxiliará na distribuição de recursos estaduais e municipais de forma mais inteligente.

A expectativa do ministro é que metade dos estados brasileiros esteja ligada ao Conecte SUS até o final de 2021. Leia abaixo a entrevista concedida à Agência Brasil:

Agência Brasil: Os dados dos perfis de usuários do SUS poderão ser usados pela rede privada? O usuário pode levar essa “ficha médica” para fora do SUS?
Luiz Henrique Mandetta: Sim. A ideia é propagar a informação entre os estabelecimentos públicos e privados. Desde que sejam atendidos todos os critérios técnicos de segurança.

Agência Brasil: Esse novo sistema influencia no tempo de espera do SUS?
Mandetta: Acreditamos que, a partir do uso da Rede Nacional de Dados (RNDS), teremos uma visão macro sobre os padrões de atendimento e, com isto, gerar dados robustos para a tomada de decisão, entre elas, a diminuição da fila. O uso de inteligência artificial pode auxiliar a identificar prioridades.

Agência Brasil: Qual a estimativa para que o projeto atinja 100% de cobertura?
Mandetta: O piloto em Alagoas nos ajudará a ter esta visão do impacto do Conecte SUS. O primeiro objetivo é conectar todos os municípios, todas as unidades, para os gestores mapearem as necessidades. Com isso, o gestor pode gerenciar a unidade de saúde. Para um gestor estadual, é o conjunto de cidades e seus indicadores, para poder diminuir a mortalidade infantil e materna, melhorar a saúde mental, garantir o estoque de medicamentos, diminuir a interrupção de medicamentos, abastecer melhor a rede. Em Alagoas, teremos um retrato 3×4 do que vamos encontrar no Brasil no ano que vem. Temos a intenção de termos, até o final de 2021, mais da metade dos estados brasileiros cobertos.

Agência Brasil: Há novas iniciativas tecnológicas planejadas para o atendimento público de saúde?
Mandetta: Trabalhamos com a possibilidade de ter a carteirinha de vacinação digital, um padrão de prescrição nacional de medicamentos, de diminuir as fraudes e o mau uso dos serviços de saúde, entre outros.

 

Foto: Marcello Casal/Arquivo/Agência Brasil

Iniciado estudo sobre reações adversas no tratamento antimalárico

A intenção é ter dados mais concretos para a implantação de um sistema de farmacovigilância, melhorando os serviços de saúde no atendimento à população

 

Por Amazonas1

 

Profissionais de saúde, iniciaram neste mês de novembro mais uma etapa de execução do estudo “Fortalecimento da Farmacovigilância e Adesão Terapêutica ao Tratamento Antimalárico na Região das Américas”.

O Brasil, assim como outros país da América, não tem informações sistematizadas sobre as reações adversas, “O tratamento para malária pode ocasionar sintomas como urina escura, olhos amarelados, tontura, entre outros. Mas o Brasil, assim como outros países da América, não tem informações sistematizadas sobre as reações adversas. Com a conclusão do estudo, a intenção é ter dados mais concretos para a implantação de um sistema de farmacovigilância, melhorando os serviços de saúde no atendimento à população”, informa o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi.

O trabalho operacional para a adesão ao estudo está sendo realizado por meio dos Distritos de Saúde (Disas) Norte, Sul, Leste, Oeste e Rural.

Casos

Entre janeiro e 5 de novembro deste ano, o município de Manaus registrou 5.392 casos de malária, com 28,3% de redução em relação ao mesmo período de 2018, quando houve o registro de 7.524 casos. A redução tem ocorrido em todas as zonas da cidade, na área urbana (Norte, Sul, Leste e Oeste) e na área rural (terrestre e fluvial), com destaque para a zona rural, que apresentou uma redução de 38,14% dos casos.

Estratégias

O controle da malária em Manaus é feito a partir de várias estratégias, de acordo com a realidade epidemiológica de cada zona da cidade, com busca ativa de pacientes com sintomas suspeitos da doença, diagnóstico precoce e tratamento oportuno, reduzindo o risco de transmissão. Também é feito o controle vetorial, que é o combate à proliferação do mosquito com a utilização de produtos como o biolarvicida.

 

Foto: Divulgação

Programa Previne Brasil quer incluir 50 milhões de brasileiros no SUS

Programa prevê investimento da ordem de R$ 2 bilhões

 

Por Agência Brasil

 

O governo federal na última terça (12), em cerimônia no Palácio do Planalto, o programa Previne Brasil que altera procedimentos de repasse de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) para os municípios. A iniciativa visa incluir mais pessoas nos programas de atenção primária. A expectativa do governo é incluir 50 milhões de pessoas em diferentes programas dos SUS. A previsão é de que os repasses para os municípios tenham um aporte de R$ 2 bilhões, passando de R$ 18,3 bilhões para mais de R$ 20 bilhões.

Segundo o governo, o novo modelo vai aportar mais recursos para os municípios que melhorarem a saúde dos brasileiros, especialmente nos serviços de saúde da atenção primária, que cuida dos problemas mais frequentes, como diabetes e hipertensão, através de consultas médicas, exames e vacinação.

Antes, a distribuição de recursos era feita com base na quantidade de pessoas residentes e de serviços existentes em cada município, sem considerar o atendimento efetivamente prestado pelas 43 mil Equipes de Saúde da Família (ESF) que atuam no país. Atualmente esses profissionais atendem cerca de 90 milhões de pessoas. A avaliação do governo é de que as equipes podem atender até 140 milhões de pacientes.

“Em 30 anos de SUS e até hoje, o repasse de recursos aconteceu pela ótica do per capita, de quantas pessoas moram na cidade, de quantas equipes de saúde da família têm. Essa maneira era muito justificada pela chamada universalidade, de dar um pouco de recursos para cada município. E nós não podemos perder isso de visto. Mas ela criou um mundo dos esquecidos”, disse o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

De acordo com o ministro, essas medidas vão atingir especialmente as pessoas que recebem benefícios sociais, com baixa renda e idosos que, muitas vezes, acabam não sendo contempladas no atendimento de saúde. “Onde estão as pessoas? Cruzamos os diferentes cadastros e encontramos no cadastro do Bolsa Família, do BPC [Benefício de Prestação Continuada], do INSS [Instituo Nacional do Seguro Social], das pessoas que recebem os menores benefícios e são quase 40 milhões de pessoas esquecidas, as mais frágeis e que mais têm a necessidade da atenção básica”, afirmou.

De acordo com o Ministério da Saúde, os recursos serão distribuídos com base em três critérios: o número de pessoas acompanhadas nos serviços de saúde, em especial as pessoas que recebem benefícios sociais, crianças e idosos; foco no tratamento de doenças crônicas como diabetes e redução de mortes de crianças e mães; e ainda a adesão a programas estratégicos, como Saúde Bucal e Saúde na Hora, que amplia o horário de atendimento à população dos serviços, abrindo durante o almoço, à noite ou aos fins de semana.

Outro ponto que também será alterado é a forma de cadastramento dos usuários do SUS, feito pelos profissionais de saúde e gestores no Sistema de Informação da Atenção Básica (Sisab). A partir do lançamento do programa, esse cadastramento poderá ser feito também pelo CPF e não apenas pelo Cartão Nacional de Saúde (Cartão SUS). De acordo com o ministério, a alteração vai facilitar que os profissionais de saúde, a exemplo das Equipes de Saúde da Família (ESF) e Agentes Comunitários de Saúde, realizem a busca ativa dos pacientes em casos de retornos sobre exames, consultas, situação vacinal, dentre outros.

“O vínculo do cidadão à equipe permite o planejamento da oferta de serviços nos municípios e o acompanhamento adequado de cada paciente evitando, inclusive, que as pessoas recorram às urgências e emergências dos hospitais para tratar doenças que poderiam ter sido prevenidas na Atenção Primária e, desta forma, não teriam evoluído para estágios mais graves que são mais aflitivos para os pacientes e elevam os custos no SUS”, disse o ministério.

Indicadores

Outro ponto que sofreu alteração é a quantidade de indicadores avaliados. Atualmente, 720 indicadores de saúde tem previsão de monitoramento, no entanto, de acordo com o governo, o sistema de registro dessas informações não é alimentado na maior parte dos municípios, o que impossibilita o acompanhamento real das condições de saúde das pessoas.

Pela proposta do Previne Brasil, agora serão monitorados 21 indicadores da saúde da população. Eles precisarão ser informados regularmente para que os municípios possam receber recursos federais. A proposta prevê que, em 2020 serão monitorados 7 indicadores, mais 7 em 2021 e mais 7 em 2022. Entre eles estão a realização de consultas pré-natais e vacinação em crianças. O monitoramento de indicadores será feito a cada quatro meses, a partir de setembro de 2020.

 

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

OMS adota técnica de radiação que esteriliza mosquito da dengue

Projeto envolve liberar grandes quantidades de mosquitos machos estéreis da espécie ‘Aedes aegypti’. Objetivo é reduzir a população do inseto ao longo do tempo nos países mais afetados. Programa é parceria com a FAO e a AIEA

 

Por G1

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta quinta-feira (14) a adoção de uma técnica de esterilização que usa radiação contra o mosquito causador de doenças como a dengue, a zika e a chikungunya. O processo se chama “Sterile Insect Technique” (SIT), ou “técnica do inseto estéril”, em português.

O método envolve criar e liberar milhares de mosquitos machos incapazes de se reproduzirem. Soltos na natureza, mesmo que eles se acasalem com as fêmeas, serão inférteis e, portanto, não terão prole.

A ideia é que, ao longo do tempo, a população de mosquitos da espécie Aedes aegypti possa diminuir, especialmente nos países tropicais, mais afetados pelas doenças. As fêmeas do mosquito são as que picam pessoas e animais e, assim, transmitem doenças.

O programa é uma parceria da OMS com o Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

A técnica foi desenvolvida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), visando ao combate de insetos e pestes que atingem o setor agropecuário. Atualmente, já vem sendo usada na agricultura em seis continentes.

Segundo o entomologista Jérémy Bouyer, da divisão conjunta de técnicas nucleares em alimentos e agricultura da FAO e da AIEA, “o uso dessa técnica no setor agrícola nos últimos 60 anos mostrou que é um método seguro e eficiente”.

Metade do mundo em risco

Em comunicado divulgado à imprensa, o cientista-chefe da OMS afirma que metade do mundo enfrenta os riscos da dengue. “E, apesar dos nossos grandes esforços, não está sendo suficiente”, diz Soumya Swaminathan. “Precisamos desesperadamente de novas abordagens e esta iniciativa é promissora e empolgante”, acrescenta.

De acordo com a OMS, doenças transmitidas pelo Aedes, como malária, dengue, zika, chikungunya e febre amarela, correspondem a 17% de todas as doenças infecciosas que ocorrem em todo o mundo. Isso quer dizer que causam mais de 700 mil mortes por ano.

 

Foto: Pixabay/Divulgação

A ameaça dos ataques de hackers aos pacientes e ao sistema de saúde

Médico examina um assunto que (só) parece ficção: o risco de ataques cibernéticos a marca-passos para o coração, bombas de insulina e outros dispositivos

 

Por Saúde é Vital

 

Imagine a cena: o vice-presidente dos Estados Unidos morre ao sofrer um ataque terrorista por uma organização que desativou um mecanismo digital de seu marca-passo cardíaco implantado alguns anos antes. Esse poderia ser um episódio da série inglesa Black Mirror, porém, mesmo sem nunca ter acontecido o atentado, o ex-vice-presidente americano Dick Cheney teve os recursos sem fio de seu marca-passo desativados pelos médicos sob receio de vulnerabilidades que pudessem levar a atos de terrorismo.

Um artigo publicado em setembro no site de informações médicas Medscape aponta uma preocupação real com ataques de hackers a dispositivos de saúde, bem como roubo ou sequestro de banco de dados primordiais para a saúde de milhares de pacientes.

Desde o ano passado, a Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de saúde dos Estados Unidos, similar à nossa Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), tem feito reuniões e retirado diversos produtos do mercado por considerá-los inseguros. Prova disso foram os 465 000 marca-passos devolvidos aos fabricantes sob alegação de vulnerabilidades.

Em junho de 2019, a FDA emitiu um alerta sobre algumas bombas de insulina depois que elas foram recolhidas devido ao seu potencial de serem hackeadas. A principal preocupação é que esses dispositivos sejam invadidos e tenham doses de insulina alteradas ou suspensas, transformando-se em uma arma letal.

Além da manipulação terrorista desses aparelhos, também há a preocupação do sequestro de dados. Se passearmos por qualquer hospital, veremos que os sistemas de funcionamento são diretamente dependentes das tecnologias. Scanners de ressonância magnética e tomografia computadorizada, ventiladores de respiração mecânica, máquinas de diálise e estações de trabalho de anestesia são alguns exemplos claros disso.

O sequestro de informações de saúde pode trazer muito dinheiro ao mercado clandestino. E já é uma realidade: existem registros de pedidos de resgate milionários em cima de bancos de dados de centros de saúde. Evidências recentes apontam que até 5% do fluxo de e-mails e do tráfego de internet de instituições de saúde são decorrentes de atividades de hackers. É comum a prática do phishing, em que criminosos se valem do envio de material malicioso para obter dados dos usuários.

O fenômeno é preocupante e o principal alerta se refere à possibilidade de manipulações e alterações nos resultados de exames. Pesquisadores da Universidade Ben-Gurion, em Israel, demonstraram recentemente como seria simples para hackers modificarem os laudos.

As consequências disso podem ser graves ou irreversíveis, como falsificar evidências de pesquisa, sabotar um concorrente ou cometer um ato de terrorismo ou assassinato. Mas, se esses cenários parecem improváveis, considere o que um hacker poderia fazer para obter ganhos pessoais. Alterar uma imagem de diagnóstico, por exemplo, poderia facilitar uma fraude diante do seguro de saúde.

Aqui no Brasil temos debatido com cada vez mais frequência a segurança digital dos pacientes. O número de pessoas que dependem de dispositivos eletrônicos implantados (marca-passo para o coração, bomba de insulina…) para sobreviver é crescente. Sabemos que esses aparelhos são altamente sensíveis a quaisquer interferências. Não à toa, os médicos que instalam tais dispositivos com conectividade estão tentando avaliar riscos e benefícios a fim de não expor os pacientes a prejuízos desnecessários.

A discussão sobre técnicas de proteção, cibersegurança, políticas de desenvolvimento de equipamentos e treinamento de equipes de saúde é fundamental para que essas ameaças não sejam mais do que hipóteses de filmes de ficção.

 

Ilustração: SAÚDE/SAÚDE é Vita

Número de brasileiros com diabetes aumentou 31% nos últimos dois anos

No Dia Mundial do Diabetes, uma entidade divulga levantamento inédito sobre a doença feito em 138 países. E os dados do Brasil são especialmente negativos

 

Por Saúde é Vital

 

Foi divulgado, em homenagem ao Dia Mundial do Diabetes (14 de novembro), a nona edição do Atlas de Diabetes. O documento, produzido a cada dois anos pela Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês), mapeia a dimensão da doença em 138 países. Infelizmente, os resultados não são muito animadores, especialmente no Brasil.

“A principal informação que o Atlas traz é um crescimento importante da doença, principalmente aqui”, comenta o endocrinologista Laércio Joel Franco, professor da Universidade de São Paulo (USP) que participou do comitê organizador do levantamento.

A pesquisa calcula que, atualmente, 463 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos no mundo possuem diabetes, 38 milhões a mais em comparação com 2017. O tipo 2 — versão muito associada a um estilo de vida não saudável — é responsável por quase 90% dos casos.

Nesse ritmo, a IDF calcula que, em 2030, serão 578 milhões de diabéticos no mundo e, em 2045, 700 milhões

Franco lembra que essas estimativas se baseiam em indivíduos já diagnosticados. No entanto, há muita gente por aí com essa encrenca e nem sabe — em outras palavras, os números reais podem ser maiores.

“A questão é que, sem diagnóstico, as pessoas não se cuidam. Futuramente, elas podem ter complicações graves”, alerta o endocrinologista. Para quem não sabe, o diabetes é caracterizado por níveis elevados de açúcar no sangue, e causa de infarto a amputações.

A situação no Brasil

Em relação ao último Atlas, nosso país teve um crescimento de 31% na população com diabetes. A título de comparação, no resto do mundo essa taxa ficou em 9%. Nesse quesito, perdemos apenas para China, Índia, Estados Unidos e Paquistão.

Atualmente, 11,4% dos adultos brasileiros sofrem com a glicemia alta. Franco conta que, nas últimas décadas, houve um aumento na incidência do problema nas nações de baixa e média renda, que estão se desenvolvendo agora. “Isso ocorre porque as pessoas estão vivendo mais, mudando os hábitos e engordando”, explica.

Já os países desenvolvidos passaram por esse fenômeno décadas atrás. “Na Europa, o diabetes está quase se estabilizando”, exemplifica Franco. Por outro lado, a América Central e a do Sul estão numa curva ascendente.

Outro ponto que chama a atenção está relacionado ao diabetes tipo 1. Hoje, o Brasil sedia a terceira maior população de crianças e adolescentes no mundo (95 800 jovens abaixo dos 20 anos) com essa versão da doença, marcada por um ataque do próprio sistema imunológico ao pâncreas. Estados Unidos e Índia ficaram em primeiro e segundo lugar, respectivamente.

Apesar do aumento, o especialista não acredita que haja maior risco de desenvolver essa modalidade de diabetes por aqui. “O que realmente preocupa é o fato de o tipo 2 estar surgindo nas idades mais baixas, em geral por excesso de peso. Isso é algo que pode ser evitado”, opina.

O Atlas também mostra que 24,2% do gasto com saúde pública no nosso país está relacionado à enfermidade. Aqui, cada diabético custa, em média, 3 117 dólares por ano. São aproximadamente 13 mil reais, no câmbio do dia 14 de novembro de 2019.

“É um problema que consome uma parcela considerável da renda pública. Se ele não for tratado direito, os portadores vão apresentar complicações e, com isso, buscarão mais o sistema de saúde”, analisa Franco.

Para controlar e mesmo prevenir o diabetes, é fundamental ajustar a alimentação, fazer exercício físico e adotar um estilo de vida mais saudável como um todo. “Essa é uma mensagem importante para a população. É uma doença silenciosa e os fatores de risco estão cada vez mais presentes em nosso meio”, conclui Franco.

 

Ilustração: Estúdio Barbatana/SAÚDE é Vital

NOTA DE REPÚDIO

Diante do ato covarde e inadmissível de agressão, praticado por um acompanhante de paciente contra um médico residente de obstetrícia e ginecologia do Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí (SC), a Anadem (Sociedade Brasileira Paxil Médico e Bioética) vem a público repudiar e lamentar a situação.

Nós, da maior rede de blindagem profissional do Brasil, nos solidarizamos com o profissional e ressaltamos que este tipo de conduta é inaceitável e deve ser rechaçada de todas as formas possíveis. Atitudes como esta incitam a violência e o desrespeito contra médicos de todo o Brasil, que lutam, diariamente, para trazer mais qualidade de vida para a população.

Estamos à disposição para fornecer o auxílio jurídico necessário para o médico, de forma a coibir ações desrespeitosas e ultrajantes como esta.