Pesquisadores conseguem identificar estágios iniciais do Parkinson
Cientistas do Brasil e dos Estados Unidos usaram técnica de ponta para mapear estruturas ligadas ao começo da doença
Por Bem Estar
Essa é mais uma boa notícia que vem da ciência brasileira. Jerson Lima Silva e Guilherme A. P. de Oliveira, ambos professores do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), identificaram estruturas proteicas ligadas ao início da Doença de Parkinson. O estudo foi feito em parceria com pesquisadores da University of Virginia School of Medicine, nos EUA – onde Guilherme se encontra atualmente – e publicado na revista “Communications Biology”, do grupo Nature.
O Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva. Um dos grandes desafios da ciência é mapear os estágios iniciais da enfermidade, porque, hoje em dia, ela só é detectada quando surgem os sintomas que mostram que o cérebro já foi afetado. “As doenças neurodegenerativas surgem cerca de dez anos antes dos primeiros sintomas se manifestarem”, explica o professor Jerson Lima Silva. “O objetivo da pesquisa era entender o que ocorre nas etapas iniciais, porque assim poderemos, no futuro, intervir precocemente, talvez retardando o desenvolvimento do Parkinson”, acrescentou.
E foi o que os cientistas fizeram. Utilizando uma técnica de ponta, pela primeira vez foram observadas como variantes da alfa-sinucleína, proteína associada à doença, interagem ao longo do tempo, formando agregados conhecidos como filamentos amiloides. O professor Silva se vale de uma imagem de fácil compreensão para detalhar o que acontece: “a proteína é pequena, podemos compará-la com uma uva, mas os agregados são como uma plantação de videiras. Para essas ‘uvinhas’ se unirem, elas formam estruturas intermediárias, chamadas oligômeros. Os oligômeros competentes são aqueles capazes inclusive de passar de uma célula para a outra a fim de cumprir essa tarefa. Quanto mais soubermos sobre o processo, mais perto estaremos da possibilidade de neutralizar essa competência dos oligômeros”.
Os cientistas recorreram ao que há de mais moderno em bioimagem, o que permitiu visualizar os diversos estágios de associação da proteína. Também desenvolveram condições que possibilitaram observar estruturas que antes não eram mostradas. O marcador fluorescente utilizado permite ver dois estágios: sem agregação, quando as moléculas estão escuras, e com agregação, quando estão iluminadas. Oliveira e Silva conseguiram conferir gradação à luminosidade – como num filme, foi possível mapear os oligômeros correspondentes num estágio intermediário. “Isso nos abre um leque de possibilidades”, afirma o professor Silva. “Os próximos passos incluem buscar uma molécula capaz de bloquear essa multiplicação, para depois realizarmos testes em modelos animais e, posteriormente, testes clínicos em humanos”. O estudo foi financiado por Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biologia Estrutural e Bioimagem.
Foto: Quem cuida
Melhor hora para tomar remédio contra hipertensão é à noite, diz estudo
Ingerir os medicamentos para pressão alta antes de dormir parece reduzir o risco de eventos cardiovasculares, como infarto e derrame
Por Saúde é Vital
Tomar o remédio para pressão alta à noite, logo antes de ir para a cama, pode evitar problemas cardiovasculares graves, a exemplo de infarto e AVC. É o que aponta um estudo espanhol feito com quase 20 mil hipertensos, publicado recentemente no periódico European Heart Journal, da Sociedade Europeia de Cardiologia.
Os participantes foram divididos em dois grupos: metade engolia os comprimidos contra hipertensão na hora de deitar e a outra, ao acordar. Após acompanhar essa turma toda por uma média de seis anos — monitorando a pressão de tempos em tempos —, vieram os resultados:
- Voluntários que ingeriam o medicamento à noite possuíam um risco 45% menor de sofrerem ou morrerem de distúrbios cardiovasculares em geral
- A probabilidade de morte por AVC ao longo do estudo caiu 49%. O mesmo aconteceu para infarto (44%) e insuficiência cardíaca (42%)
O que está por trás dos resultados?
Nesse levantamento — o mais robusto feito sobre o impacto do timing no tratamento da hipertensão — quem recebia o medicamento antes de ir pra cama tinha uma pressão arterial mais controlada, especialmente durante o sono. Pois resultados anteriores da mesma iniciativa, que se chama Hygia Chronotherapy Trial, indicam que um dos marcadores de risco cardiovascular mais importantes do paciente com essa doença é sua pressão arterial média enquanto dorme.
Isso porque, em um organismo saudável, a pressão deveria baixar naturalmente no período noturno. Logo, uma alta constante na madrugada traria um perigo adicional de panes.
Outra hipótese aventada pelos pesquisadores é a de que o ciclo circadiano, o nosso relógio biológico, exerça alguma influência no processamento dos fármacos pelo organismo.
Atualmente, o horário do remédio não é incluído nas diretrizes para cardiologistas. “A ingestão matinal é a recomendação mais comum dos médicos, baseada num objetivo incorreto de reduzir os níveis matinais de pressão”, declarou, em comunicado à imprensa, Ramón C. Hermida, diretor do laboratório de cronobiologia da Universidade de Vigo, na Espanha, e um dos autores do trabalho.
A pesquisa também mostrou que outros parâmetros que interferem na saúde das artérias foram controlados com mais eficácia ao engolir as pílulas à noite. Os níveis de LDL, chamado de colesterol “ruim”, e de creatinina, molécula que acusa falhas nos rins, ficaram menores. Já as taxas de HDL, o colesterol bom, subiram.
Limitações do estudo
Os achados indicam uma estratégia simples e gratuita para controlar a pressão, mas os autores não recomendam trocar o remédio por conta própria.
Apesar de promissor, o experimento não dividiu por igual as classes medicamentosas utilizadas, então fica difícil saber exatamente qual opção funciona melhor antes de deitar.
Fora isso, falta confirmar essa benesse em outros grupos étnicos. Ora, os cientistas se concentraram basicamente em espanhóis caucasianos.
Foto: Dercilio/SAÚDE é Vital
Dá para prevenir a gengivite com a ajuda da alimentação
Pesquisa recente indica que nosso padrão alimentar pode proteger as gengivas e, assim, evitar estragos sérios na boca
Por Saúde é Vital
Caprichar na higienização é o primeiro e mais importante passo para evitar a proliferação de bactérias na boca e, por consequência, afastar a gengivite, quadro caracterizado por uma inflamação nas gengivas. Mas uma linha de pesquisa recente traz fortes indícios de que nossas escolhas alimentares também influenciam na ocorrência do problema.
Um desses experimentos é aqui do Brasil, mais especificamente da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. O dentista Renato Casarin, professor na instituição, e sua aluna Roberta Reis — que é nutricionista — recrutaram 60 voluntários de 18 a 35 anos com diferentes graus de gengivite. Em parceria com outra nutricionista, a professora Helena Sampaio, da Universidade Estadual do Ceará, eles analisaram tudo o que foi consumido pelos participantes durante dois dias.
“Diversos trabalhos nessa linha são feitos com um alimento ou suplemento isolado. Mas não adianta tomar suco de uva e comer hambúrguer”, comenta Casarin. Com o histórico alimentar completo, por outro lado, o time de nutricionistas conseguiu definir se a dieta como um todo dos participantes tinha um perfil mais pró ou anti-inflamatório. Em paralelo, houve coleta e avaliação do fluido gengival da turma.
Gengiva em risco
Cruzando os dados, os pesquisadores notaram que um padrão alimentar pró-inflamatório (com frituras, excesso de carne vermelha, biscoitos recheados, salgadinhos e por aí vai) estava associado a alterações importantes, como redução de uma substância protetora chamada interleucina-4. Níveis baixos dela já foram associados à periodontite, por exemplo. Além disso, quem seguia essa alimentação pouco saudável exibiu tendência elevada a sangramentos gengivais.
Somando essas repercussões a uma higiene capenga, o cenário fica propício para a instalação da gengivite. Pior: segundo Casarin, se nada for feito, o quadro pode evoluir para a periodontite. “Nesse caso, há reabsorção do osso, o que leva até à perda dental no futuro”, ensina. Mas não para aí. A periodontite aumenta o risco de doenças cardiovasculares e desfechos negativos na gravidez, como parto prematuro.
Vale lembrar que uma dieta com perfil mais anti-inflamatório — e, ao que tudo indica, parceira da saúde bucal — é recheada de frutas, verduras, legumes, sementes, oleaginosas, peixes e companhia.
Próximos passos
Os resultados iniciais fizeram com que os cientistas brasileiros se unissem a pesquisadores americanos para ampliar a investigação. “Vamos seguir com um número maior de indivíduos e uma análise robusta para entender melhor essa relação”, conta Casarin.
“Quem sabe, no futuro, a gente consiga identificar os fatores modificáveis que são capazes de ajudar na prevenção de problemas orais”, completa. Enquanto aguardamos, não custa montar um prato mais colorido e equilibrado.
Foto: GI/Getty Images
Excesso de sal pode diminuir capacidade de realizar tarefas simples, aponta estudo
O recomendado pela Organização Mundial da Saúde é consumir até 5 gramas de sal por dia
Por Jornal Extra
Comer sal em excesso pode comprometer a realização de tarefas simples. Esse é o resultado de um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Cornell, em parceria com a Universidade de Washington, nos EUA. A pesquisa foi publicada quarta-feira na revista científica “Nature”.
O experimento foi realizado com camundongos. Os animais foram submetidos a uma alimentação que tinha de oito a 16 vezes mais sal que o normal. Depois, os animais passaram por testes cognitivos para avaliar os efeitos do sal no cérebro.
Os pesquisadores descobriram que o excesso de sal reduz a quantidade de óxido nítrico nos camundongos. A ausência desta substância provocou o aumento de fósforo na proteína tau — que quando hiperfosforilada pode provocar problemas cognitivos, como demências.
— As proteínas tau existem normalmente em nossos cérebros. Elas têm um formato de tubo e são responsáveis pela ligação dos neurônios. O excesso de fósforo faz com que elas formem um emaranhado neurofibrilar que é tóxico ao cérebro — explica Roger Taussig, neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Os pesquisadores descobriram que os camundongos que estavam recebendo a dieta rica em sal apresentavam proteínas tau hiperfosforiladas em locais como o neocórtex e o hipocampo, responsáveis pelas funções executivas — como solucionar problemas — e pela memória, respectivamente.
A capacidade cognitiva dos ratos melhorou quando a produção de óxido nítrico foi reestabelecida. Os camundongos criados sem a capacidade de produzir proteína tau, ou aqueles que foram tratados com anticorpos anti-tau, não apresentaram comprometimento cognitivo.
— Os resultados identificam um caminho anteriormente desconhecido que liga hábitos alimentares e saúde cognitiva, o que indica que evitar dietas ricas em sal poderia manter a função cognitiva saudável — diz Costantino Iadecola, autor do estudo, da Universidade de Cornell.
Como diminuir a quantidade de sal
Use outros temperos
Em vez de encher um alimento com sal durante o preparo, que tal optar pelo uso de outros temperos como pimenta do reino, alho e cebola. A salada pode ser temperada com limão, por exemplo
Nada de saleiro na mesa
Ter um saleiro na mesa pode ser o convite para colocar mais sal na comida que já está temperada. Por isso, evite colocar o saleiro na mesa
Evite alimentos ultraprocessados
Alimentos pré-prontos normalmente são ricos em sódio, que funciona como uma forma de conservante. Por isso, evite consumir produtos ultraprocessados como salgadinhos tipo chips
Cuidado na medida “a gosto”
Muitas receitas indicam temperar o preparo com sal a gosto. Tome muito cuidado com esta indicação. O ideal é sempre padronizar esta quantidade para não exagerar: optar por sempre colocar uma colher de chá pode ser uma alternativa
Atenção na feijoada
Ao preparar pratos como feijoada e bacalhau tome bastante cuidado com o processo de dessalgue das carnes
Balanceie o prato
Uma das formas de equilibrar o prato é incluir na refeição alimentos ricos em potássio, como beterraba, laranja e espinafre
Foto: Pixabay
Estudo mostra que câncer de mama é mais comum entre mulheres de região Leste de Campinas
Pesquisa avalia que condições socioeconômicas influenciam na maior exposição a fatores de risco; doença atinge uma a cada 860 pacientes da região Leste, enquanto índice na área do Campo Grande é de um diagnóstico a cada 1.605 mulheres
Por G1
Terceira causa de morte entre as mulheres de Campinas (SP), o câncer de mama é 86,6% mais comum entre as pacientes que moram na região Leste, que apresenta melhores condições socioeconômicas, do que o contabilizado na Noroeste, uma das áreas mais pobres do município. Os dados são do Boletim do Registro de Câncer de Base Populacional de Campinas, divulgado nesta quinta-feira (24).
Segundo o levantamento, que analisou entre os anos de 2010 a 2014, Campinas registrou um caso da doença a cada 860 mulheres que vivem na zona Leste, que compreende a região de Sousas e Joaquim Egídio, enquanto o índice é de um diagnóstico a cada 1.605 pacientes na região Noroeste, onde fica o distrito do Campo Grande.
Coordenadora do relatório, Juliana Natívio destaca que na região Leste está a população com melhores condições socioeconômicas e mais envelhecida, que apresentam maior tempo de exposição aos fatores de risco, e que isso “pode justificar a estatística”.
O estudo mostra que o câncer de mama é a neoplasia com mais incidência no município, sendo responsável por 29,6% dos casos. No período avaliado pelo relatório, cerca de 500 novos casos foram diagnosticados por ano.
Causas e prevenção
De acordo com a Saúde, o câncer de mama tem diversas causas, podendo ser ambientais ou hereditárias. O fator de risco mais importante é a idade, sendo raro antes dos 35 anos. A incidência tende a crescer progressivamente a partir dos 40 anos, atingindo o maior patamar entre os 55 e 69 anos. A idade média de diagnóstico está ao redor de 60 anos”, aponta o estudo.
Segundo o relatório, a obesidade é um dos fatores de risco que mais contribui para o câncer de mama, principalmente na pós-menopausa. “Outros fatores significativos são o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, ter as mamas densas, ter o primeiro filho tardiamente ou não ter filhos e ter utilizado terapia de reposição hormonal na pós- menopausa”, indica o documento.
Segundo Juliana, a intenção com o relatório é reforçar a importância da prevenção e detecção precoce do câncer de mama. “As mulheres devem buscar o rastreamento, principalmente as que têm entre 50 e 69 anos, com realização sistemática a cada 2 anos”, destaca.
A doença
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), do Ministério da Saúde, o câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama, que se multiplicam formando um tumor.
“Há vários tipos de câncer de mama. Por isso, a doença pode evoluir de diferentes formas. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente. Esses comportamentos distintos se devem a característica próprias de cada tumor.”
O tratamento é oferecido na rede pública de saúde.
Foto: Johnny Inselsperger/EPTV
Mais um subtipo do vírus da poliomielite é erradicado no mundo
Das três versões de “vírus selvagens” por trás da pólio, duas já sumiram do planeta. É mais um passo rumo à erradicação da paralisia infantil
Por Saúde é Vital
Boa notícia para o Dia Mundial de Combate à Pólio. Especialistas da Iniciativa para a Erradicação Global da Pólio, um grupo vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS), anunciaram que o subtipo 3 do vírus selvagem da poliomielite foi oficialmente varrido do planeta. Ele é uma das três versões desse agente infeccioso — em 2015, o mesmo comitê certificou a eliminação do tipo 2 no planeta inteiro.
“Essa conquista é um marco para a saúde global. O comprometimento de parceiros e países, junto com as inovações, fez com que, dos três sorotipos selvagens da pólio, só um permanece”, comemorou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS, em comunicado à imprensa.
O último caso detectado de poliomielite provocada pelo tipo 3 do vírus ocorreu na Nigéria, em 2012. De lá para cá, a equipe da Iniciativa para a Erradicação Global da Pólio fiscalizou os episódios da doença de perto até finalmente chegar a essa conclusão.
Resta ainda enfrentar o tipo 1 do vírus. Ele permanece em circulação no Paquistão e no Afeganistão. Do ponto de vista de sintomas e transmissão, as três cepas são similares.
Todas passam pela saliva ou pelo contato com fezes de pessoas infectadas. E provocam coriza, febre, dor de cabeça e garganta, enjoos. Em 1% dos casos — geralmente em crianças menores de 5 anos —, esse inimigo ataca o sistema nervoso, levando a danos motores e respiratórios. Daí porque a poliomielite ganhou o apelido de paralisia infantil.
Além do tipo 1, as autoridades estão se esforçando para erradicar, na África, um subtipo do vírus que surgiu da própria vacina em gotinhas contra a pólio. Como assim?!
Ora, esse imunizante contém uma versão enfraquecida do vírus para estimular o sistema imunológico a criar anticorpos contra a doença. Até aí tudo bem. Acontece que, mesmo atenuado, esse vírus eventualmente passa para as fezes. Em locais sem saneamento básico, ele pode contaminar indivíduos não vacinados.
Tal fenômeno não é ruim por si só, uma vez que o agente infeccioso é fraquinho e, ao invadir o organismo de outra pessoa, costuma estimular a produção de anticorpos contra a poliomielite sem desencadear sintomas.
O problema é quando esse contágio ocorre em regiões desassistidas e que sofrem com uma constante baixa taxa de vacinação. Aí o vírus vindo da vacina circula livremente e pode sofrer mutações que o tornam um pouco mais agressivo — e, portanto, capaz de causar paralisia em crianças fragilizadas principalmente. Para saber mais sobre o assunto e sobre a segurança das vacinas, acesse o site do Rotary.
Curiosamente, está aí mais um motivo para manter a vacinação em dia. Quem recebe as doses adequadamente desenvolve um sistema de defesa que não deixa qualquer variante do vírus da paralisia infantil prosperar e gerar estragos.
Por que tomar a vacina contra a pólio no Brasil?
Se os casos dessa enfermidade estão distantes e restritos a poucos países, por que se proteger? Em resumo, é possível que uma pessoa infectada viaje para o Brasil e espalhe a doença. Se a população não estiver devidamente imunizada, o vírus pode voltar a circular com força — seriam décadas de prejuízo só porque algumas pessoas resolveram não ir aos postos de saúde.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, desde 2016, a taxa de vacinação do Brasil está abaixo de 90%. A meta da OMS para evitar a disseminação em larga escala é de 95%.
Ilustração: Erika Onodera/SAÚDE é Vital
Cientistas descobrem molécula que poderá tratar câncer de ovário
O estudo foi realizado no Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo (FAPESP) na Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto
Por Agência Brasil
Um alvo terapêutico para o câncer de ovário foi identificado por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos. Em artigo publicado na revista Cancer Research, os pesquisadores descreveram a ação de uma pequena molécula de RNA (ácido ribonucléico) capaz de bloquear o processo de metástase (formação de uma nova lesão tumoral a partir de outra), e reduzir o tumor quase por completo, ao silenciar a expressão de genes envolvidos na migração celular e no metabolismo energético do tumor.
A molécula conhecida como miR-450a geralmente tem baixa expressão em tumores. Porém, testes in vitro e em camundongos mostraram que, quando superexpressa (aumentada na célula), pode ter efeitos positivos no tratamento do câncer de ovário.
O estudo foi realizado no Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo (FAPESP) na Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto. Contou com a colaboração do professor do Laboratory of Muscle Stem Cells and Gene Regulation, do National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos, Markus Hafner.
“Trata-se de uma molécula promissora. Podemos desenvolver, no futuro, com nanotecnologia, estratégias terapêuticas contra o câncer de ovário”, disse o pesquisador do Centro de Terapia Celular e coordenador do estudo, o geneticista Wilson Araújo da Silva Junior.
Por ser inicialmente assintomático, o câncer de ovário tende a ser detectado já em estágio avançado. “A principal arma no tratamento hoje é a cirurgia. A miR-450a pode ser um bom alvo terapêutico, que associado ou não a quimioterapia, pode ter o potencial de contribuir como terapia neoadjuvante [tratamento pré-cirúrgico], aumentando taxas de resposta pré-operatórias, bem como, em casos de estadiamento avançado, diminuir o risco de progressão ou morte pela doença, com possíveis efeitos colaterais menores que o da quimioterapia. Outro ponto interessante da molécula é o bloqueio da metástase”, comentou o geneticista.
Os chamados microRNAs, como o 450a, são pequenas moléculas de RNA que não codificam proteína, mas desempenham função regulatória no genoma e, por consequência, em diversos processos intracelulares. A estratégia de atuação dessas moléculas consiste em se ligar ao RNA mensageiro expresso por um gene, impedindo sua tradução em proteína.
Corte de energia
Os testes in vitro e in vivo realizados no Centro de Terapia Celular, como parte do doutorado de Bruna Muys, bióloga bolsista da FAPESP, mostraram que, quando superexpresso, o miR-450a não só reduzia o tumor como também bloqueava o processo de metástase. No entanto, era preciso identificar ainda quais genes de proliferação e invasão celular estavam sendo inibidos pela molécula.
Nesta etapa, os pesquisadores trabalharam em colaboração com o grupo do NIH. O estudo teve apoio a FAPESP por meio de uma Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE). “Depois de toda a etapa inicial e de caracterização, precisávamos descobrir quais genes de migração celular e invasão a molécula miR-450a estava regulando. Com a tecnologia que o laboratório do NIH dispõe para procura de alvos de RNA não codificadores, descobrimos que esse microRNA atua também na redução de energia da célula, levando-a à morte”, disse Silva Júnior.
Os pesquisadores identificaram que o miR-450a bloqueia genes relacionados à proteína vimentina, que integra a via de invasão celular. Atua também na desregulação dos genes da via de transição epitélio-mesenquimal – essenciais para a capacidade de migração, invasão e resistência à apoptose celular –, inibindo a ocorrência de metástase.
Em relação ao crescimento tumoral, a molécula atua em um gene mitocondrial (MT-ND2), e três do genoma nuclear (ACO2, ATP5B e TIMMDC1), envolvidos em uma das etapas da respiração celular e na produção de energia (fosforilação oxidativa).
Ainda como consequência das alterações no metabolismo energético, foi observada diminuição da taxa de glutaminólise e aumento de glicólise. De acordo com os pesquisadores, esse desequilíbrio energético pode resultar na produção ineficiente de lipídios, aminoácidos, ácidos nucleicos pelas células tumorais e, com isso, inibir as vias de sinalização associadas à migração e invasão (metástase).
Papel da placenta
A descoberta da molécula e de seu mecanismo de atuação surgiu como resultado do projeto de mestrado de Muys, também apoiado pela FAPESP e vinculado ao Centro de Terapia Celular. No estudo, mostrou-se que ocorre expressão elevada do miR-450a na placenta e baixa expressão em tumores, incluindo o câncer de ovário. A conclusão do grupo foi que, na placenta, essas moléculas estariam regulando mecanismos análogos ao desenvolvimento do tumor.
Embora a formação da placenta e dos tumores sejam processos completamente diversos, existe, até certo ponto, muita semelhança na programação genética de ambos. “A placenta cresce, invade o útero, prolifera e passa por uma vascularização – processo conhecido como angiogênese. É tudo o que o tumor precisa. Porém, diferentemente dos tumores, na placenta esses programas genéticos estão ativos de forma controlada”, disse Silva Junior.
“Por isso, nossa ideia foi buscar novos alvos terapêuticos estudando genes altamente expressos na placenta, mas que não estão ativos em tumores. Essa correlação significa que moléculas como a miR-450a deixam de regular processos biológicos importantes para o desenvolvimento do tumor. Pelos nossos achados, se um gene aparece com essas características é sinal que ele pode ser um bom alvo terapêutico”, disse.
O artigo miR-450a acts as a tumor suppressor in ovarian cancer by regulating energy metabolism, de Bruna Rodrigues Muys, Josane F. Sousa, Jessica Rodrigues Plaça, Luíza Ferreira de Araújo, Aishe A. Sarshad, Dimitrios G. Anastasakis, Xiantao Wang, Xiao Ling Li, Greice Andreotti de Molfetta, Anelisa Ramão, Ashish Lal, Daniel Onofre Vidal, Markus Hafner e Wilson A. Silva, pode ser lido pelo site.
Tratamento
Segundo o professor Silva Junior, para que uma terapia seja desenvolvida com o uso da molécula miR-450a é preciso que haja investimento e interesse da indústria farmacêutica. “A academia tem uma etapa que é mostrar os melhores biomarcadores, mas o interesse da indústria farmacêutica acelera esse processo de ter um produto que possa ser colocado no mercado, agora com a publicação deste artigo vai despertar o interesse de alguma empresa. Mas o desenvolvimento de um produto pode levar de 10 a 20 anos, temos a etapa de desenvolver o produto, mas tem todo o trabalho de regulamentar e aprovação nos órgãos competentes para realmente se transformar em um medicamento”, finalizou.
Foto: Shutterstock
Comissão da Câmara discute reaparecimento do sarampo no país
Secretário recomenda formação de estoques estratégicos de vacinas
Por Agência Brasil
O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, recomendou nesta quinta-feira (24) que o governo federal organize um esquema geral de aquisição de vacinas para os próximos cinco anos, de modo a evitar problemas com o fornecimento de doses à população. Wanderson Oliveira participou hoje de audiência da Comissão de Seguridade Social e Família sa Câmara dos Deputados, na qual especialistas debateram o reaparecimento de casos de sarampo ao país neste ano.
Com a identificação de casos da doença, o Brasil perdeu o certificado de país livre do sarampo, como ocorreu com o Reino Unido e a Grécia.
“Temos um pacto produtivo robusto, mas ainda insuficiente para a necessidade do Brasil. Historicamente, trabalhamos no âmbito do Programa Nacional de Imunizações com uma lógica na rotina. E temos que trabalhar em três lógicas diferentes: um é a rotina, a outra é a extra-rotina e a outra é a emergência em saúde. Rotina é a atualização das coortes: ‘eu vou nascendo, envelhecendo e vou tomando a vacina de acordo com minha faixa etária. A extra-rotina são aquelas doses que eu tenho que ter disponíveis para campanhas, para intensificação da vacina, bloqueios e tal.’ As emergências são as situações emergenciais que fogem [ao padrão]”, explicou.
“Nós recebemos o Programa Nacional de Imunizações sem estoques estratégicos. E não tem como ter produção de vacina sem um ano e meio, no mínimo, de previsibilidade. Então, se não tivermos um programa de previsibilidade, de produção de imunobiológico para, pelo menos, cinco anos, vamos continuar patinando”, acrescentou o secretário. Para ele, o Brasil sofre de uma “carência” de insumos relacionados às vacinas, como seringas.
Durante sua apresentação na audiência, a presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Gulnar Azevedo e Silva, enumerou pontos que podem estar contribuindo para a atual prevalência do sarampo no país. Nos últimos 90 dias, foram confirmados 6.192 casos da doença em todo o país, conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde na semana passada.
Segundo Gulnar, os postos de saúde precisam adotar medidas como horário estendido de vacinação para que se garanta a cobertura ideal. Ela afirmou, ainda, que o governo precisa adaptar a comunicação à atualidade, utilizando, por exemplo, o Instagram.
Gulnar ressalta a a necessidade de reiterar, nas mídias sociais e outros meios de comunicação, que a vacina é uma forma de proteção à saúde. “Isso é muito mais importante do que a gente se preocupar com o movimento antivacina. A população brasileira responde à questão da vacina, mas a gente tem que chegar a ela. A informação não está chegando”, afirmou.
Em sua fala, Gulnar destacou que o governo não deve reduzir as verbas para a pasta da Saúde, argumentando que “a austeridade mata”.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ioga ajudaria na recuperação de um infarto
A inclusão dessa atividade na reabilitação de vítimas de ataque cardíaco traz resultados positivos, segundo novo estudo
Por Saúde é Vital
Ganhar destaque no Congresso Europeu de Cardiologia em meio a remédios e aparelhos de última geração não é um feito trivial para uma prática milenar. E foi o que aconteceu com a ioga, protagonista de uma pesquisa indiana com 2 470 pessoas que sofreram um infarto.
Já nos primeiros dias após o susto, 1 470 voluntários começaram a experimentá-la diariamente, além de receberem todos os outros cuidados. O treino, que durou três meses, envolvia adotar certas posturas de manhã e reservar um tempo para técnicas de respiração à tarde.
Depois de cinco anos, notou-se uma taxa de mortalidade ligeiramente menor nessa turma, em comparação com a que passou pela reabilitação tradicional.
“A ioga é um exercício leve, o que já seria positivo no início da recuperação. Mas ela ainda traz um componente de relaxamento”, avalia o cardiologista Marcelo Nishiyama, da BP — A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Segundo ele, que acompanhou a apresentação dos dados, em Paris, o estresse eleva o risco de uma segunda pane cardiovascular.
Repouso total é coisa do passado
Há um consenso de que o imobilismo prejudica ainda mais o indivíduo que infartou. “Mesmo quando está na UTI, ele deveria mexer um pouco os membros com o apoio de especialistas”, diz Nishiyama. Conforme vai melhorando, o paciente precisa incorporar progressivamente mais doses de movimento no cotidiano.
A ioga é uma ótima opção, porém não a única. Converse com seu médico sobre caminhadas ou outras modalidades que preferir. Acredite: isso vai afastar outros perrengues.
Foto: Londoneye/Getty Images / Ilustração: Eduardo Pignata/SAÚDE é Vital
Pesquisa mostra que brasileiras desconhecem risco de fraturas causadas pela osteoporose
Doença é silenciosa e conscientização do paciente é fundamental, afirma médico
Por Bem Estar
Pesquisa realizada em nove países, incluindo o Brasil, com quase 6 mil mulheres acima dos 55 anos, mostrou que a maioria delas não se dá conta do perigo que a osteoporose representa. Entre as brasileiras, 70% afirmaram conhecer a doença, mas apenas 7% sabiam que ser do gênero feminino já é considerado um fator de risco. Além disso, 67% nunca haviam abordado a questão durante uma consulta.
De acordo com o médico ginecologista Ben-Hur Albergaria, professor de Epidemiologia Clínica da Universidade Federal do Espírito Santo e vice-presidente da Comissão Nacional de Osteoporose da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), a conscientização é fundamental: “de cada cinco pacientes com osteoporose, quatro são mulheres e apenas um, homem. Como se trata de uma doença silenciosa, é preciso muita atenção para a possibilidade de a pessoa estar desenvolvendo a enfermidade”.
Na osteoporose, há uma diminuição da massa óssea, o que deixa os ossos mais frágeis e predispostos a fraturas. O risco aumenta depois da menopausa e também para os homens, a partir dos 50 anos. Histórico familiar, sofrer de artrite reumatoide, fumar e beber em excesso contribuem para o quadro. Segundo o doutor Albergaria, esse é um conjunto de informações que vai estabelecer a necessidade de uma densitometria óssea, exame que mapeia a doença. “Se houver fatores de risco, o exame deve ser feito a cada um ou no máximo dois anos. Em caso negativo, pode ser realizado a cada dois ou três anos”, explica, lembrando que, embora sem a amplitude existente no setor privado, é possível realizá-lo no serviço público.
O médico informa que a OMS (Organização Mundial da Saúde) disponibiliza um questionário on-line, chamado FRAX, que, mediante algumas perguntas, permite estimar a probabilidade de ocorrer uma fratura devido à osteoporose em dez anos. O FRAX já é adotado em outros países e a Febrasgo trabalha para que seja incorporado aqui. “Há pacientes que já sofreram fratura e, em 60% a 70% dos casos, não houve investigação sobre a existência de osteoporose. Trata-se de uma oportunidade de prevenção secundária, porque quem já sofreu uma tem um risco muito maior, que chamamos de iminente, de sofrer nova fratura no primeiro e segundo anos depois daquele incidente”, diz.
Idosos que caem com frequência, por exemplo, têm de oito a nove vezes mais chances de quebrar um osso. “A perda de massa óssea é progressiva com a idade e, portanto, diante da maior expectativa de vida, trata-se de um problema de saúde pública”, acrescenta. Segundo o doutor Albergaria, nos últimos dez anos vêm sendo utilizados medicamentos biológicos – com anticorpos monoclonais – também para o tratamento da osteoporose, com ganhos significativos de eficácia e segurança. No mundo, ela causa quase 9 milhões de fraturas anualmente e a estimativa é de que afete cerca de 200 milhões de mulheres: aproximadamente, uma em cada dez na faixa dos 60 anos; uma em cada cinco aos 70; e dois quintos aos 80 anos.
Ilustração: Sebastian Kaulitzki/Getty Images