Número de transplantes de coração cresceu 16% no primeiro semestre
Por Medicina S/A
O Brasil tem o maior sistema público de transplantes de órgãos do mundo. A estrutura, gerenciada pelo Ministério da Saúde, assegura que 90% das cirurgias atendam à rede pública. No primeiro semestre de 2023, foram realizados 206 transplantes de coração no país, aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. Os pacientes, por meio do SUS, recebem assistência integral, equânime, universal e gratuita, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante.
A doação de órgãos é um processo complexo, que envolve diferentes instituições e requer agilidade para ser bem-sucedido. Cada órgão tem um período máximo de permanência fora do corpo humano, ao longo do qual o transplante é viável, o chamado de tempo de isquemia. Para o coração, o tempo de isquemia é de apenas 4 horas, o que torna o transplante do órgão ainda mais complexo.
A lista para transplantes é única, valendo tanto para pacientes do SUS, quanto para os da rede privada. A lista de espera por um órgão funciona por ordem cronológica de cadastro, ou seja, por ordem de chegada e conforme outros critérios como os de compatibilidade, gravidade do caso e o tipo sanguíneo do doador. Esses fatores são levados em consideração para a definição de quem deve ser priorizado. Pacientes em estado crítico podem ser atendidos com prioridade, em razão de sua condição clínica.
O Sistema Nacional de Transplantes tem em sua composição a Central Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde e as Centrais de Transplantes estaduais, dentre outros atores no processo de doação e transplante de órgãos e tecidos. As listas de espera para transplante são geridas pelas Centrais Estaduais de Transplantes. Os órgãos destinados à doação não utilizados no próprio estado são direcionados para a Central Nacional de Transplantes, que busca um receptor na lista única. (Com informações do Ministério da Saúde)
Foto: Reprodução
PL dos planos de saúde deve ser votado na Câmara no início de setembro, afirma relator
Deputado Duarte Júnior, relator do PL dos planos de saúde, disse ao Futuro da Saúde que a votação ocorrerá até o início de setembro e que não haverá a criação de um grupo de trabalho
Por Futuro da Saúde
A discussão sobre uma grande reforma na lei que regulamenta os planos de saúde se intensificou no primeiro semestre. Dentre os temas principais estão o limite de reajuste em planos coletivos, definir se a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) fará o cálculo e o reajuste anual dos planos empresariais e coletivos – como ocorre com os planos individuais e familiares –, assim como impedir a rescisão unilateral nessa mesma categoria. Pautas que trouxeram bastante repercussão entre os atores da cadeia de saúde suplementar. O relator do PL dos planos de saúde (7419/2006), Deputado Federal Duarte Júnior (PSB-MA), afirmou ao Futuro da Saúde que a votação deve ocorrer até o início de setembro.
Designado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, Duarte Júnior assumiu a relatoria do Projeto de Lei dos Planos de Saúde em maio. O projeto tramita na Casa há 17 anos e aglomera 276 propostas apensadas. Segundo o parlamentar, nunca avançou tão rapidamente como agora: “O relatório está concluído e depende apenas de uma reunião com Arthur Lira. Tivemos bastante diálogo com o governo, mas acredito que em setembro a gente consiga pautar e aprovar o projeto na Câmara”.
Ainda conforme o deputado, foram realizadas audiências públicas em todas as regiões do Brasil, debates e reuniões no gabinete, o que permitiu que o projeto avançasse com contribuições dos órgãos, entidades, defesa do consumidor, operadoras de planos de saúde e as prestadoras de serviço.
Dentre as pautas que avançaram, segundo o deputado, estão a regulação dos planos coletivos, favorecendo o limite de reajuste para essa modalidade para dar mais transparência ao consumidor. Ainda, a possibilidade de fiscalização dos órgãos de defesa do consumidor aos planos de autogestão, a vedação clara e a proibição da rescisão unilateral do contrato.
“Não é permitida a rescisão do contrato dos planos individuais e vamos avançar para que o mesmo aconteça nos planos coletivos”, afirma o deputado. “Tenho feito de tudo para harmonizar esses interesses, equilibrar as relações e dar sustentabilidade ao setor para, assim, garantir um serviço decente ao consumidor. Não é justo que ele pague caro e, quando precisa, se veja perdido. Precisa funcionar, para quando ele contratar, valer a pena”.
Sem criação de um grupo de trabalho
Ao Futuro da Saúde, Duarte Júnior reforçou que não haverá a formação de um grupo de trabalho para ampliar o debate sobre o assunto, assim como aconteceu para a aprovação do novo piso salarial da enfermagem: “Já foram criados subgrupos e passou por todas as comissões da casa. Não há necessidade da criação de um subgrupo para discutir o que já foi discutido. O que precisamos é aprovar o projeto que já tramita há quase duas décadas na Casa.”
O parlamentar disse ainda que contatou várias prestadoras de serviço, planos de saúde e o órgão de defesa do consumidor. De acordo com ele, o diálogo avançou em vários pontos em que as prestadoras entendiam que poderia ser prejudicial.
Duarte Junior, que já foi presidente do Procon no Maranhão, reforçou que o projeto aprovado vai trazer sustentabilidade ao setor e fiscalização para garantir transparência e equilíbrio nos planos de saúde.
De uma forma ou de outra, o PL dos planos de saúde deve trazer impactos na saúde como um todo no país. Apesar de a grande maioria dos brasileiros depender do Sistema Único de Saúde (SUS), 50,8 milhões são usuários da saúde suplementar, conforme aponta o último relatório divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), no início de agosto.
Se aprovado na Câmara, em seguida, o PL vai para o Senado, para depois ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Todos esses trâmites, segundo o parlamentar, podem ocorrer ainda esse ano.
Veja os principais pontos propostos pelo relator PL dos planos:
- Proibir a rescisão unilateral dos contratos e limitar os reajustes dos planos de saúde coletivos
- Incluir punição para operadoras que neguem exames de forma ilegal;
- Permitir que a ANS fiscalize prestadores de serviço.
Foto: Reprodução
Doença de Alzheimer: tratamentos avançam, mas prevenção deve caminhar junto
Estimativas apontam que 139 milhões de pessoas devem desenvolver doença de Alzheimer em 2050, o que demanda atenção de países e da sociedade
Por Futuro da Saúde
Com uma sociedade vivendo cada vez mais, é natural que patologias comuns da idade avançada se tornem mais presentes. Com a doença de Alzheimer não é diferente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as projeções mostram que o número de pessoas com mais de 60 anos chegará a dois bilhões até 2050. E países e sociedade precisam se preparar para isso.
Dois movimentos ocorrem em paralelo para lidar com a questão. Um deles é a busca incessante da indústria farmacêutica que, há décadas, investe em pesquisa e desenvolvimento em busca por estratégias que consigam melhorar, ou pelo menos frear o declínio cognitivo. Nessa vertente, nos últimos meses, foi possível ver os primeiros resultados com fármacos que parecem ser promissores, conseguindo prolongar períodos de lucidez e independência do paciente.
O outro movimento reside em dar um passo atrás, olhando para a pessoa e para os hábitos dela antes do possível desenvolvimento ou do avanço da doença. Aprender um novo idioma, tocar um instrumento ou fazer atividades físicas são ações vistas como parte de um cenário de prevenção. “Manejos não farmacológicos fazem como se fosse uma prevenção terciária. Por meio dessas medidas, se feitas muito mais cedo, seria possível evitar o desenvolvimento ou retardar o começo da doença. Já com a doença instalada, tentam modificar o curso. Mesmo que não reverta o quadro, a pessoa pode ter melhor qualidade de vida”, explica Marco Tulio Cintra, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
Cenário no Brasil e no mundo
Números da OMS alertam para uma tendência de alta da doença. Hoje, 55 milhões de pessoas têm algum tipo de demência e o Alzheimer é a forma mais comum entre elas, atingindo cerca de 7 a cada 10 pessoas com demência no mundo.
As expectativas são de uma alta constante e progressiva nas próximas décadas: segundo a Alzheimer’s Disease International, os números globais vão atingir 78 milhões em 2030 e 139 milhões em 2050 – países em desenvolvimento tendem a ter mais pessoas com a doença.
A previsão de uma expectativa de vida cada vez mais alta colabora com os números. No Brasil, números do Ministério da Saúde estimam que 1,2 milhões de pessoas têm a doença de Alzheimer – com uma alta prevista de 100 mil novos casos diagnosticados por ano.
A incapacidade gerada pela perda da função cognitiva é fator essencial nos custos gerados pela demência. Em 2019, eles giraram em torno de US$ 1,3 trilhão. Até 2030, o valor projetado e corrigido chega a US$ 2,8 trilhões.
“O foco hoje parte em reconhecer melhor a doença e talvez abrir o leque para suas variações. Isso vai nos permitir tratar corretamente e melhor os pacientes em um futuro não tão distante”, destaca Diogo Haddad, neurologista do Hospital 9 de Julho.
A doença
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva, comumente associada a perda da memória recente e de fisiopatologia complexa. Além disso, seu diagnóstico não é tão claro quanto aparenta – muitas vezes o “esquecimento” dos idosos é subestimado pela família, o que atrasa o diagnóstico e colabora para a aceleração da doença.
“As pessoas têm dificuldades de recordar fatos e eventos recentes. Ela não sabe, por exemplo, que no dia anterior foi ao banco, teve uma festa, recebeu uma visita importante”, explica Marco Tulio Cintra, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
A origem da doença de Alzheimer não é exatamente conhecida – ela pode ter traços genéticos, se tornando hereditária, e também surgir a partir da influência de fatores externos, como hábitos de vida. Tabagismo, sedentarismo, hipertensão, diabetes e até mesmo a baixa escolaridade podem favorecer a predisposição ao desenvolvimento da doença.
Em boa parte dos pacientes, a perda de memória acontece associada a perda de funções cognitivas e incapacidade de realizar tarefas diárias – como tomar os próprios remédios ou ter controle da sua vida financeira.
Progressão da doença de Alzheimer
Haddad alerta que existem outras síndromes demenciais que podem ser erroneamente classificadas como doença de Alzheimer: “Os sintomas [do Alzheimer] podem muitas vezes não se associar apenas a memória, mas também a execução, comportamento, linguagem, entre outros. A avaliação com um profissional especialista faz toda a diferença para o tratamento organizado”.
A evolução desta doença acontece de forma lenta e, geralmente, passa por quatro estágios: inicial, moderado, grave e terminal. No inicial, os primeiros sinais estão na alteração da memória e personalidade – as habilidades visuais e espaciais também são prejudicadas.
No moderado, a fala fica comprometida e o paciente não consegue mais realizar tarefas simples. Já no terceiro, o grave, o paciente já não consegue mais engolir, apresenta incontinência urinária e uma deficiência motora progressiva. No último estágio, de forma geral, o paciente fica restrito ao leito, já sem falar, dependendo de fralda e alimentação por sonda, com infecções recorrentes.
Importância do cuidar
É deste lado que atuam organizações como o Não Me Esqueças, uma ONG de Londrina, no interior do Paraná, que tem como missão a defesa dos direitos e da qualidade de vida das pessoas com Alzheimer, seus familiares e cuidadores. Por meio do projeto Capaz, o instituto promove atividades de estimulação cognitiva aos idosos – especialmente aos que estão entre as fases inicial e moderada da doença. O trabalho consiste, principalmente, em desmistificar que o diagnóstico é uma sentença.
“Existe um estigma. A sociedade se acostumou a pensar que o Alzheimer é terrível, mas é uma doença como qualquer outra e o paciente precisa ser cuidado. Temos estratégias para diminuir seu impacto e muitas delas são alterações na qualidade de vida”, explica Mara Solange Gomes Dellaroza, presidente do Não Me Esqueças.
“Idosos com o diagnóstico precisam de orientação para realizar o máximo de atividades que exercitam sua mente e cognição. Eles devem viver em grupos de pessoas das mais variadas idades, não apenas entre idosos. A família precisa estimular, com segurança, novos aprendizados. Quanto mais ativo o paciente for, menos impactos a doença terá no dia a dia”, completa ela.
Dellaroza destaca que a família do paciente também é muito afetada com o passar dos anos e da evolução do Alzheimer. Isso porque, em determinado momento, o idoso vai precisar de assistência e supervisão quase 24 horas por dia. “A família pode e deve procurar instrumentos e entidades que possam ajudar no cuidado”, diz.
No que diz respeito às healthtechs, o Brasil carece de um mercado robusto com foco na doença. Mas, desde 2021, a maya tecsaúde trabalha justamente com o propósito de impactar de forma positiva vida das famílias que cuidam de pacientes idosos. Tudo surgiu quando Júlia Schuwartz, fundadora da startup, experimentou de perto a jornada de cuidar da minha mãe com Alzheimer precoce.
“Percebi, ao longo de cinco anos, que as pessoas que vivem o mesmo que eu ficam perdidas, sem direção e sem solução no cuidado de um paciente idoso”, destaca ela. “Nós fundamos a maya para mudar a realidade do cuidado de um paciente e também das famílias que vivem nessa condição. Sabemos o quanto elas se destroem nessa jornada – se dividem, separam, adoecem. Por isso queremos mudar essa realidade”.
Por meio de um aplicativo, a família pode solicitar atendimento médico, cuidadores e outros profissionais de saúde, como fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas. Também é possível pedir o ‘kit MTC’, que contém todos os medicamentos e produtos utilizados no cuidado do paciente. Ele é entregue semanalmente em casa, gerando economia e conforto para as famílias. Em dois anos, mais de 300 famílias já foram atendidas.
Recentemente, a maya tecsaúde passou pelo primeiro programa de aceleração do governo do Espírito Santo, onde está sediada. A startup é investida pela APEX e pela STARS.
Avanços da ciência
Em relação aos tratamentos, a evolução é significativa, mas chega aos poucos. Até o momento, não existe nada revolucionário, capaz de curar ou até mesmo regredir a doença. As terapias medicamentosas têm se mostrado importantes aliadas para frear o ritmo de progressão do Alzheimer – quanto antes forem iniciadas, mais promissoras tendem a ser nos tratamentos.
“A maior parte dos medicamentos que hoje tem disponível no Brasil, e na maior parte do mundo, são os que agem procurando prolongar o tempo funcional do idoso. No caso de um idoso não medicado, a doença evolui rapidamente. Em cinco anos se torna totalmente dependente”, explica Mara Dellaroza. “Com uma medicação, esse tempo pode chegar até 20 anos. A evolução da doença é muito mais lenta quando entramos com medicação na fase inicial”.
No Brasil, para o Alzheimer, estão disponíveis os medicamentos anticolinesterásico, como a rivastigmina, donepezila e galantamina, que inibem uma enzima que distorce a acetilcolina, um neurotransmissor que está ligado à memória. Para estágios mais moderados, está disponível a memantina, que atua na cadeia de glutamato.
“E, ainda não disponível no Brasil, mas aprovado pelo FDA, nós temos as primeiras drogas contra um dos mecanismos fisiopatológicos, que é a cascata amiloide, que seriam o aducanumabe e o lecanemabe”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.
Dentro dos laboratórios
Estes dois medicamentos são da Biogen, empresa de biotecnologia americana sediada em Cambridge. De acordo com Carolina Luque, líder de área médica da Biogen Brasil, após quase duas décadas e pelo menos 100 programas de desenvolvimento sem sucesso, o aducanumabe surgiu como o primeiro tratamento aprovado que endereça uma das etapas críticas da fisiopatologia do Alzheimer.
“Como o primeiro medicamento em sua classe, acreditamos que o aducanumabe ajudará a transformar o tratamento e o cuidado dos pacientes em estágios iniciais da doença”, destaca.
Ele é um anticorpo monoclonal que tem como alvo as formas agregadas da proteína beta-amiloide, incluindo as placas – uma das lesões neuropatológicas mais características da doença. O aducanumabe é administrado por meio de infusões intravenosas. A Biogen tentou submeter o medicamento para registro na Anvisa em fevereiro de 2022, mas o pedido foi negado.
A Biogen também é a responsável pelo lecanemabe, com estrutura semelhante ao aducanemabe, mas que atua nas protofibrilas. Ele também não está disponível no Brasil. A aprovação completa dele nos EUA foi concedida no início de julho pelo FDA. Ele é indicado para pacientes com demência leve, e é tratado pela agência reguladora como seguro e eficaz.
A Eli Lilly também atua no desenvolvimento de inovações contra o Alzheimer: a mais recente descoberta é o donanemab. O medicamento, no entanto, ainda não foi aprovado pela FDA – a submissão aconteceu no segundo trimestre de 2023.
A atuação dele é semelhante ao fármaco da Biogen: o alvo são as placas amiloides que se formam no cérebro. A esperança, de acordo com os estudos clínicos, é de uma redução em torno de 35% do declínio cognitivo dos pacientes em 18 meses.
“Estudos discutem a hipótese de que o acúmulo destas placas está relacionado à neurodegeneração com comprometimento cognitivo e funcional dos pacientes e que, ao eliminá-las, podemos retardar o avanço da doença”, explica André Magno, diretor médico da Eli Lilly.
Futuro do setor
O geriatra Marco Tulio Cintra, da SBGG, acredita que o futuro do Alzheimer deve focar em entender melhor as proteinopatias e, assim, tratar de forma individualizada – cada paciente é único. “Cada demência tem proteínas alteradas que predominam. O paciente pode ter duas proteinopatias de Alzheimer e uma de outra doença, por exemplo. No futuro, talvez, a gente faça um mix de tratamentos conforme a proteína alterada naquela pessoa”, explica.
Ele destaca, no entanto, que um importante ponto é a prevenção primária. Investir em escolaridade, uma infância com estímulos, alimentação adequada e atividade física regular pode fazer com que, no futuro, o cenário da doença mude de forma considerável.
“Quanto à perspectiva de tratamento, não devem sair muitos medicamentos novos nos próximos anos. Mas temos muitos estudos em andamento, bilhões de dólares investidos, várias indústrias. Há um esforço grande em prol disso”, finaliza Cintra.
O neurologista Diogo Haddad acredita no reconhecimento cada vez mais precoce de “grupos de riscos” para Alzheimer. Focar nesse público agora pode ajudar lá na frente: “Entendemos que existam perfis como o do grupo chamado ‘Comprometimento Cognitivo Leve’, onde existem alterações em testes específicos porém a funcionalidade e independência do paciente é completamente preservada, e esses grupos apresentam grande risco para conversão na Demência em si – sendo a principal delas Alzheimer”.
“Isso é importante pois o próximo passo é tentar barrar a doença nessa fase e tudo nos leva a crer que teremos medicações cada vez mais seguras e eficazes nos próximos anos. Outro ponto chave é que estamos cada vez mais reconhecendo novos alvos terapêuticos como neuroinflamação, imunossenescência e acometimento microvascular como potenciais mecanismos de tratamento”, completa Haddad.
Do lado do acolhimento dos pacientes e uma vida mais inclusiva para eles, Mara Dellaroza crê na mudança do pensamento das pessoas. “A gente vê um idoso com comportamento lento e tende a pensar que ele está doente e vai deixar de fazer o que gosta. Não é assim. A sociedade precisa entender que o Alzheimer não é o ponto final da vida, mas o início de uma outra maneira de viver”, finaliza ela.
Foto: Reprodução
Realidade virtual pode aliviar a ansiedade de pacientes com tumores cerebrais durante exames de imagem, segundo estudo
Pesquisa conduzida pela AppliedVR e National Cancer Institute, dos EUA, buscou analisar a viabilidade do uso de VR para reduzir ansiedade em pacientes com tumores cerebrais
Por Futuro da Saúde
Para muitas pessoas, a realização de exames de imagem pode elevar os níveis de estresse e de ansiedade – há até um termo em inglês para isso, o “scanxiety”. Em pacientes com tumores cerebrais isso pode ser ainda mais realçado pela expectativa sobre o status da doença. Foi neste contexto que a empresa de tecnologia AppliedVR e o National Cancer Institute – órgão dos Estados Unidos ligado ao NIH – se uniram para estudar a viabilidade do uso da realidade virtual para reduzir a ansiedade em pacientes que estão passando por exames de imagem.
Os resultados da análise intermediária deste estudo clínico foram recentemente anunciados e, segundo as instituições, foi possível notar que a intervenção com VR não só é uma opção viável para reduzir a “scanxiety”, mas também que os pacientes relataram altos níveis de satisfação: 90% dos participantes consideraram que a intervenção de VR valeu a pena, e a mesma porcentagem afirmou que a utilizaria novamente no futuro. Durante o período em que participaram do estudo, 60% dos participantes relataram uma melhoria em sua qualidade de vida devido ao uso da realidade virtual.
A pesquisa clínica teve como objetivo testar diferentes tipos de módulos terapêuticos de VR para pacientes com tumores cerebrais, além de definir as necessidades do produto para uma ferramenta de combate ao estresse relacionado ao câncer, afirmou o CEO da AppliedVR, Matthew Stoudt, ao MedCity News.
A equipe de pesquisa forneceu aos participantes dispositivos com conteúdo pré-carregado da AppliedVR. Esse conteúdo consistiu em 41 cenários, divididos em três categorias principais: respiração dinâmica, relaxamento guiado e escape imediato, que facilita a distração através da exploração de ambientes imersivos.
O CEO explicou que “o objetivo era introduzir o programa de VR durante uma consulta presencial agendada e permitir que o paciente com tumores cerebrais praticasse vários módulos de VR que ensinariam técnicas de relaxamento e enfrentamento, para ajudá-los a lidar com o estresse relacionado ao exame de imagem”.
“A AppliedVR está ansiosa para continuar sua colaboração com o National Cancer Institute para expandir e aprofundar a pesquisa que avalia como terapias imersivas podem ajudar os pacientes câncer“, afirmou Stoudt.
Foto: Reprodução
Eventos científicos da SBCP reúnem especialistas em Vitória e Porto Alegre e contam com participação da Anadem
Cirurgia plástica e novas técnicas em procedimentos foram destaques; Mesas redondas levantaram debates sobre acerca da especialidade
Brasília (DF), 21 de agosto de 2023 – Organizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Espírito Santo (SBCP-ES), a 3ª Reunião Científica 2023 aconteceu no último sábado (19), na capital capixaba. Os participantes contaram com palestras apresentadas por membros titulares da SBCP.
A Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética) esteve presente com um tradicional estande e disponibilizou materiais de conteúdos científicos. “Contratura capsular” e “Super small incision technique com implants de 6ª geração” foram os temas tratados na Reunião.
JORNADA DE CIRURGIA PLÁSTICA
Organizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Rio Grande do Sul (SBCP-RS), a 29ª Jornada de Cirurgia Plástica da Santa Casa de Porto Alegre reuniu, entre os dias 17 e 19 deste mês, palestrantes de todo o País na capital gaúcha.
“Mesa redonda – Cirurgia da face, o que precisamos saber”; “Rinoplastia com técnicas minimamente invasivas”; e “Tratamento da mama em pacientes pós-bariátrica – Cuidados e como diminuir complicações” foram alguns dos temas tratados. O conselheiro Jurídico e Científico da Anadem Dr. Jorge Luiz Fett palestrou sobre “Vulnerabilidade médica e a gestão do risco profissional”.
Estiveram presentes no estande da maior rede de blindagem profissional do Brasil a diretoria da SBCP Nacional, Dra. Lydia Masako, o gerente Comercial do Cirurgia Segura, Sergio Telles, e a representante comercial Anadem e Cirurgia Segura Edimar Larossa.

Conselheiros Jurídicos e Científicos da Anadem são homenageados com mérito jurídico da ordem Dr. Ruy Barbosa
Evento realizado na Câmara dos Deputados contou com a presença de parlamentares; agraciados receberam medalha, malhete jurídico e outras honrarias
Brasília (DF), 21 de agosto de 2023 – Em comemoração ao Dia do Advogado, a Academia Latino-Americana de Ciências Humanas (ALACH) promoveu, na última sexta-feira (18), uma solenidade que agraciou conselheiros Jurídicos e Científicos da Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética). O evento aconteceu no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados.
O presidente da Anadem, Raul Canal, presidiu a cerimônia e reforçou o impacto do trabalho dos advogados para o avanço da sociedade brasileira. “Esta profissão deve ser praticada com excelência e todos os homenageados a desempenham com maestria. É uma honra estar em um evento que fortalece os laços da comunidade jurídica”, disse.
Os conselheiros agraciados com mérito jurídico ordem Dr. Ruy Barbosa foram: Dr. Alexandre Barreiro, Dr. Angelo Sampaio, Dr. Stefano Conceza, Dr. Alessandro Marcus, Dr. Armando Trentini, Dr. Helder Lucidos e Dr. Karlen Obeid. Além do diploma, também receberam uma medalha e o malhete jurídico.

Atendimento domiciliar reduz em até duas vezes a taxa de reinternação
Por Medicina S/A
O serviço de atendimento domiciliar do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) vem acelerando a recuperação de pacientes submetidos à cirurgia de prótese do joelho. Dados do Instituto revelam que, em 2022, apenas 3% desse grupo conseguia caminhar dentro e fora de casa no início do tratamento em domicílio; o número aumentou para 65% após receberem alta.
“A melhoria na qualidade de vida do paciente é um dos principais benefícios do atendimento domiciliar. Ao longo do acompanhamento, grande parte deles resgata sua autonomia e mobilidade, passando a andar sem necessidade de ajuda”, explica a chefe da Área de Atendimento Domiciliar, Cláudia Mendes de Araújo.
Além de ampliar a independência funcional nas atividades diárias do paciente, a assistência domiciliar reduz os índices e os custos de reinternação. No pós-operatório da cirurgia de prótese do joelho, apenas 3% dos pacientes que deram continuidade ao tratamento em casa precisaram de novas internações, uma taxa duas vezes menor comparada a de pacientes que precisam permanecer internados no Instituto.
A chefe da área explica que a regularidade das visitas, realizadas semanalmente, é um fator fundamental para evitar as reinternações. “Os profissionais do Atendimento Domiciliar conseguem identificar e tratar precocemente os processos inflamatórios, o que evita o retorno do paciente ao hospital e reduz os riscos de infecção hospitalar”, acrescenta Cláudia.
A assistência domiciliar traz ainda outra vantagem importante para o processo de recuperação do paciente: a proximidade com a família. “Ao retornar para seu convívio social, o paciente se sente mais confortável e seguro, podendo responder melhor ao tratamento”, conclui a enfermeira.
O atendimento
Para receber a assistência em casa após a realização da cirurgia ortopédica, o paciente precisa atender aos critérios de elegibilidade, entre eles o requisito de que suas condições clínicas estejam estáveis.
Mais de sete mil atendimentos foram realizados no ano passado pelas equipes multiprofissionais do Atendimento Domiciliar, formadas por fisioterapeutas, enfermeiros e assistentes sociais. Cada paciente recebe, pelo menos, duas visitas semanais, dependendo do estado clínico.
Foto: Reprodução
Anvisa cria câmara técnica de registro de medicamentos
Por Medicina S/A
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou a Câmara Técnica de Registro de Medicamentos (Cateme). A proposta é, por meio de estudos técnicos, emitir recomendações sobre o registro de remédios e produtos biológicos, “servindo como fonte de orientação técnica e de evidências científicas” para auxiliar nos processos de registro e de pesquisas clínicas.
Em nota, a agência informou que a câmara técnica também deve contar com grupos de trabalho responsáveis por desenvolver discussões sobre temas mais específicos e relativas ao registro de medicamentos e produtos biológicos, que poderão contar, inclusive, com a participação de convidados.
Discussão qualificada
“A Cateme amplia a participação social no processo decisório da Anvisa, possibilitando uma discussão qualificada com os segmentos da sociedade civil interessados no acesso da população a medicamentos e produtos biológicos”, destacou a Anvisa.
A câmara técnica é composta por dez membros com mandato de três anos, entre representantes de consumidores e especialistas de universidades, institutos de pesquisa e hospitais públicos e privados, “com habilidades e competências afins ao processo de regularização de medicamentos e produtos biológicos”. (Com informações da Agência Brasil)
Foto: Reprodução
Vacina anticrack brasileira é finalista de prêmio e busca financiamento para testes em humanos
Vacina contra a Covid-19 Spin- Tec, também desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é outra finalista do prêmio
Por CNN Brasil
Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) avançaram com duas vacinas para a etapa final do Prêmio Euro Inovação na Saúde. O concurso é internacional e são 12 projetos que disputam 500 mil euros de premiação.
Uma delas é a Calixcoca, uma vacina terapêutica contra a dependência química, que foi desenvolvida com a coordenação do professor Frederico Duarte Garcia, do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina.
Para o professor, a vacina possibilita que os pacientes com dependência possam se reinserir socialmente. “Esse é um problema prevalente, vulnerabilizante e sem tratamento específico. Os nossos estudos pré-clínicos comprovam a segurança e eficácia do imunizante nessa aplicação. Ela aporta uma solução que propicia aos pacientes com dependência voltar a realizar seus sonhos”, diz.
A vacina anticrack já passou pela fase de testes pré-clínicos e agora a equipe busca financiamento para avançar à etapa de testes em humanos.
A outra vacina finalista, também desenvolvida pela UFMG, é a SpiN-TEC, imunizante contra a Covid-19. A vacina tem como objetivo estimular a imunidade celular, propiciando uma proteção mais duradoura contra partes do vírus que não variam muito.
Segundo o coordenador dos testes clínicos da vacina, Helton Santiago, do Departamento de Bioquímica e Imunologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), “a presença na fase final da premiação é muito importante, porque significa o reconhecimento de uma grande equipe de trabalho multiprofissional e transdisciplinar”.
A Calixcoca foi uma das selecionadas na categoria “inovação tecnológica aplicada à saúde”. Já a SpiN-TEC foi uma das vencedoras na categoria “inovação em terapias”. As iniciativas da UFMG já garantiram um prêmio de 50 mil euros.
A votação é online e exige registro em conselho de medicina em um dos países com participação da farmacêutica financiadora da premiação. O prazo termina no dia 3 de setembro.
Foto: Reprodução
85% dos radio-oncologistas optam por doses altas para tratar câncer de mama inicial
Por Medicina S/A
Doses mais altas e seguras, reduzindo pela metade o número de sessões, ou seja, de necessidade de deslocamentos da paciente para a realização de radioterapia para tratar de câncer de mama. Esse é o protocolo adotado por 85% dos radio-oncologistas latino-americanos, conforme mostra o estudo publicado na revista científica “Reports of Practical Oncology and Radiotherapy” por pesquisadores de instituições do Brasil e de outros países do continente. O autor principal é o radio-oncologista Gustavo Nader Marta, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) e titular da Radioterapia do Hospital Sírio-Libanês.
Em câncer de mama inicial, após a cirurgia conservadora, o número convencional é de 25 a 30 sessões diárias de radioterapia, com a paciente precisando se deslocar todos esses dias. A radioterapia hipofracionada moderada, no entanto, reduz a quantidade de sessões para 15 (ou menos, dependendo do caso), com doses mais altas, calculadas para serem seguras para as pacientes. A segurança e eficácia da radioterapia pós-operatória moderadamente hipofracionada para câncer de mama foram demonstradas por pelo menos oito ensaios controlados randomizados, que incluíram principalmente pacientes em estágio inicial.
Neste estudo, foi aplicado um questionário de 38 perguntas juntos a radio-oncologistas sobre o que é determinante para adotar ou preterir o uso de radioterapia pós-operatória moderadamente hipofracionada para câncer de mama. Um total de 173 radioterapeutas de 13 países responderam ao questionário. A maioria dos entrevistados (84,9%) preferiram radioterapia pós-operatória moderadamente hipofracionada como primeira escolha em casos de irradiação da mama inteira. Para os casos de irradiação de mama inteira com comprometimento dos linfonodos, pós-mastectomia sem reconstrução e pós-mastectomia com reconstrução, a radioterapia pós-operatória moderadamente hipofracionada foi preferida por 72,2%, 71,1% e 53,7% dos entrevistados, respectivamente.
O compromisso com o hipofracionamento, ao diminuir o período de tratamento e total de frações, é oferecer um esquema terapêutico mais conveniente e otimizado para os pacientes. No Brasil e em toda a América Latina, facilitar a logística de acesso é essencial para a saúde do paciente e saúde financeira do sistema público e privado de saúde. “O aumento do acesso dos pacientes aos cuidados médicos reduz os custos indiretos relacionados à interrupção do trabalho e deslocamento para o departamento de oncologia de radiação e redução dos custos de tratamento”, ressalta Gustavo Marta.
O questionário foi respondido por radio-oncologistas que são membros de sociedades de radioterapia da Argentina, Aruba, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, República Dominicana República, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru. A participação na pesquisa foi voluntária e os entrevistados não receberam nenhuma taxa.
O estudo, afirmam os autores, pode estimular positivamente os radioterapeutas em suas reflexões e tomadas de decisão sobre a aceitação ou não da radioterapia hipofracionada da mama em sua prática clínica diária, a fim de direcionar o caminho para maior comodidade para os pacientes e menores custos sociais. A adoção do hipofracionamento em países emergentes, afirmam, não é apenas uma questão de custo-efetividade, mas também uma forma de melhorar a assistência médica e a sobrevida do paciente.
Foto: Reprodução