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Estudo revela aumento do câncer de pulmão em não fumantes; entenda a causa

Poluição do ar e fumo passivo podem ser alguns dos responsáveis pela doença em não fumantes

Por Itatiaia Saúde

O tabagismo é o principal fator de risco para câncer no pulmão, responsável por cerca de 85% dos casos. A mortalidade causada pela doença é alta, ocupando o primeiro lugar entre os homens e o segundo entre as mulheres, de acordo com a OMS. No entanto, a proporção de não fumantes que desenvolvem a doença tem aumentado e a poluição do ar pode ser um dos responsáveis por esse fenômeno.

A informação foi levantada pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, e publicada no periódico científico The Lancet Respiratory Medicine.

A pesquisa não revela a porcentagem exata de pessoas diagnosticadas com câncer de pulmão que nunca fumaram, mas aponta que esse grupo está crescendo.

O câncer de pulmão em não fumantes pode estar associado a diversos fatores ambientais, ocupacionais e genéticos. ‘A poluição do ar tem sido apontada como um dos principais fatores de risco, especialmente a exposição a partículas finas, que podem induzir mutações celulares e processos inflamatórios crônicos nos pulmões.

‘Além disso, outros fatores também contribuem para o desenvolvimento da doença, como exposição ao fumo passivo, substâncias químicas no ambiente de trabalho (como amianto e radônio), infecções pulmonares crônicas, predisposição genética e histórico familiar da doença. No Brasil, a exposição ao radônio, um gás radioativo presente no solo e em construções, também tem sido estudada como um fator relevante’, explica Michele Andreata, médica pneumologista da Saúde no Lar.

Fumo passivo
O fumo passivo é um fator de risco bem estabelecido para o câncer de pulmão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a exposição prolongada à fumaça do cigarro aumenta em até 30% o risco de câncer de pulmão em não fumantes.

Segundo a pneumologista, a fumaça do cigarro contém mais de 7 mil substâncias químicas, das quais pelo menos 70 são cancerígenas.

‘Em ambientes fechados, a concentração de toxinas inaladas pelos não fumantes pode ser significativa, tornando o risco ainda maior. Crianças e idosos são especialmente vulneráveis aos efeitos do fumo passivo, que também pode causar doenças cardiovasculares e respiratórias’, afirma.

A médica ressalta que no Brasil, políticas de ambientes livres de tabaco, como a proibição do fumo em locais fechados, são medidas importantes para reduzir essa exposição e seus impactos na saúde.

Medidas para mitigar os efeitos da poluição do ar
Embora a poluição do ar seja um problema global, é possível adotar medidas para mitigar seus efeitos tanto em nível individual quanto coletivo. Para reduzir a exposição pessoal, a médica recomenda:

Michele afirma que o monitoramento da qualidade do ar também é essencial, permitindo que a população evite atividades ao ar livre em momentos de maior concentração de poluentes.

‘O aumento de áreas verdes nas cidades também contribui para a melhoria da qualidade do ar, reduzindo a concentração de partículas prejudiciais à saúde. No Brasil, regiões metropolitanas enfrentam desafios significativos em relação à poluição atmosférica, tornando urgente a adoção de medidas que protejam a saúde da população e reduzam os impactos ambientais a longo prazo’.


Alerta
O aumento da incidência de câncer de pulmão em não fumantes é um alerta para a necessidade de ampliar estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e controle da poluição.

‘A população deve estar atenta a sintomas respiratórios persistentes, como tosse crônica, falta de ar e dor torácica, buscando avaliação médica quando necessário. Além disso, a conscientização sobre fatores de risco ambientais e a exigência de políticas públicas mais rigorosas são fundamentais para reduzir a incidência da doença’, ressalta a pneumologista.

O rastreamento com tomografia de baixa dose é recomendado para grupos de alto risco, como fumantes e ex-fumantes, ‘mas há necessidade de mais pesquisas para definir estratégias de detecção precoce em não fumantes expostos à poluição e outros fatores de risco’, explica.

‘A prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais para reduzir a mortalidade associada ao câncer de pulmão no Brasil’, concluiu.

Foto: Freepik

Por que substituir o médico pelo ChatGPT pode prejudicar sua saúde

Recorrer à IA para elaborar uma dieta ou plano de treinos pode parecer prático, mas especialistas advertem sobre os perigos de seguir essas recomendações

Por Galileu

A ideia de usar o ChatGPT para criar treinos na academia ou dietas tem cada vez mais adeptos. No TikTok, na hashtag “GymTok”, que reúne vídeos sobre musculação e vida saudável, conta com mais de 27,7 milhões de postagens.

Várias delas envolvem relatos de usuários que começaram a incorporar a IA em suas atividades diárias. Nos vídeos, os usuários compartilham suas experiências ao pedir ao Chat GPT ou outras Inteligências Artificiais para criar uma rotina de exercícios integrada a uma alimentação saudável, levando em consideração seu peso, metas e a disponibilidade de equipamentos.

Os atrativos dos chatbots de conversação são grandes. Além de gratuitos e adaptáveis às preferências de cada pessoa, eles ocupam menos tempo da rotina, e podem oferecer consultoria em tempo real.

Só tem um problema: por mais completo que pareça, dificilmente vai ser tão preciso quanto um profissional de carne e osso. E isso até mesmo o ChatGPT reconhece. Após dar informações sobre saúde, o chatbot reitera ao final: “Lembre-se de que é sempre importante consultar um nutricionista e um profissional de educação física antes de iniciar qualquer plano alimentar ou de exercícios para garantir que sejam adequados às suas necessidades e condições de saúde”. Afinal, usar modelos prontos sem a orientação prévia de um profissional da saúde pode acarretar riscos à saúde.

Programada para o desastre
Lançado em 2022, o ChatGPT é um chatbot de conversação generativa. Usando inteligência artificial (IA), ele cria textos, imagens e até vídeos a partir do reconhecimento de padrões em um conjunto de dados elaborados por humanos. A ferramenta responde às perguntas com base em várias fontes disponíveis na internet. No entanto, como se trata de uma máquina, ela não possui discernimento para avaliar quais fontes são mais confiáveis, e não costuma fazer uma filtragem criteriosa das informações.

Um estudo publicado 2024 na revista científica JMIR Medical Education investigou a abrangência, precisão e legibilidade das recomendações de exercícios geradas pelo ChatGPT. Os pesquisadores avaliaram as respostas da IA com foco em aspectos fundamentais dos treinos, como frequência de séries, intensidade e progressão de carga. Além disso, analisaram se as recomendações faziam referências adequadas a bibliografias relevantes na área. Eles também consideraram condições como hipertensão e obesidade, para verificar se as respostas se adaptaram às necessidades específicas de cada situação.

Embora tenha se mostrado razoavelmente preciso, o ChatGPT não apresentou um bom resultado em pontos como frequência de repetições, intensidade, tempo e tipo de exercício. Isso, segundo os cientistas, poderia dificultar a implementação ou a eficácia do treino/dieta. Além disso, as recomendações de exercícios para hipertensão tiveram pontuação mais baixa (ou seja, maior discordância em relação a profissionais de saúde) com 57% de precisão e desinformação.

Quão personalizado é o seu treino?
Tem um outro ponto crítico na jogada: a IA não leva em conta um fator essencial quando falamos de saúde humana: as diferenças de biótipos, características biológicas individuais, taxas hormonais e as reais necessidades de cada pessoa. “A inteligência artificial acaba criando um sujeito padrão”, explica Paulo Dantas, do Departamento de Educação Física da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), em entrevista à GALILEU. “Então, por meio de análises estatísticas e observações de comportamentos, ela conclui: ‘Esse sujeito funciona dessa forma. Então, vou prescrever esse treinamento que pode trazer benefícios’. Ela pode até acertar, mas existe uma grande chance de não acertar.”

O planejamento de uma rotina de exercícios, independentemente da motivação, deve ser fundamentado no histórico de saúde da pessoa e sua aptidão física. No caso dos esportes, a avaliação primária envolve a análise do tônus muscular, a presença de flacidez e possíveis casos de excesso de peso. Esse exame mais detalhado, além de proteger o corpo contra efeitos adversos, contribui para maximizar os benefícios à saúde.

Ao generalizar e se orientar por padrões, o ChatGPT pode trazer duas consequências: uma rotina pouco eficaz, com resultados mínimos ou inexistentes, ou ainda a sobrecarga do corpo, gerando efeitos negativos e duradouros, como lesões, contusões ou até o surgimento de doenças.

“Substituir o profissional por uma inteligência artificial é muito perigoso, porque ele dedicou muito tempo [de estudo] para entender essas nuances, esses detalhes”, explica o professor da UFRN. “Talvez o aluno chegue para treinar e, de alguma forma, o profissional, pela sua sensibilidade, perceba que a pessoa não vai conseguir realizar o treino que havia sido planejado. Ele pode, então, ajustar, adaptar ou até mesmo abandonar o planejamento naquele momento, porque sabe que não daria certo. A inteligência artificial não tem essa capacidade.”

Não existe atalho
A procura por regimes milagrosos e programas que garantem a perda de peso existe bem antes da popularização das inteligências artificiais. Há tempos, revistas de saúde e bem-estar, sites especializados e, mais recentemente, redes sociais, divulgam rotinas prontas que prometem transformações significativas. Embora muitas dessas orientações sejam desenvolvidas por especialistas, tanto elas quanto às ferramentas de IA exploram o desejo por resultados estéticos imediatos.

Antes de iniciar um plano alimentar, é fundamental realizar exames e passar por uma consulta com um nutricionista para identificar eventuais desequilíbrios ou carências de nutrientes e vitaminas. Somente após a avaliação dos resultados é elaborado um regime alimentar personalizado, acompanhado da definição de objetivos e da implementação de ajustes na rotina. Se a meta é a perda de peso, por exemplo, a dieta deve ser combinada com a prática de atividades físicas. Em situações de sobrepeso ou obesidade, é necessário acompanhamento médico especializado.

Além disso, um atendimento humanizado, que leve em consideração o contexto pessoal do paciente, também ajuda a garantir que a dieta seja mantida a longo prazo. “Nós conseguimos perceber, tanto na fala quanto na linguagem corporal do paciente, o quanto ele está expondo da vida dele”, conta Camila. “O que ele quer compartilhar, questões que envolvem a rotina e aspectos que influenciam na sua adesão a uma orientação nutricional. Então, precisamos considerar o paciente como uma pessoa, né? Alguém que tem sentimentos, um histórico de vida, e isso, com certeza, a inteligência artificial ainda não consegue fazer.”

Existem outros perigos por trás dos planos alimentares elaborados pelo ChatGPT, como a indicação de dietas e alimentos para determinados propósitos sem o respaldo científico necessário para a indicação. Por se basear em bancos de dados públicos e assuntos comentados na internet, a IA pode apontar dietas e tendências que estão populares no momento, que nem sempre oferecem benefícios reais ou atendem às necessidades individuais de saúde. A falta de especificações, como modo de preparo e quais opções escolher no supermercado, pode comprometer tanto os resultados quanto a manutenção de um estilo de vida saudável.

“O olhar do profissional sobre o todo é muito diferente da relação que temos com a nossa própria percepção”, explica. “Nossa visão sobre nós mesmos é diferente da de outra pessoa. Então, quando o profissional está te observando e te ouvindo, ele consegue identificar questões que, se fôssemos pedir para um site fazer, ele apenas refletiria nossa própria impressão, né? Nossa interpretação das coisas, se não somos nutricionistas, também será mais limitada.”

Foto: Freepik

Náusea, vômito e problemas gastrointestinais: os efeitos adversos mais comuns do Ozempic

Estudo encontrou benefícios para a saúde cognitiva e comportamental, mas também revelou que o uso de GLP-1 foi associado a um maior risco de algumas condições.

Por g1

Os medicamentos análogos ao hormônio GLP-1 ganharam destaque nos últimos anos, especialmente no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Entre eles, estão o Ozempic e o Wegovy, que têm como princípio ativo a semaglutida. Com a crescente popularidade desses medicamentos, novos estudos continuam a investigar seus efeitos na saúde.

Em janeiro, pesquisadores dos Estados Unidos analisaram dados de cerca de 2,4 milhões de pessoas com diabetes tipo 2, sendo que aproximadamente 216 mil usaram um medicamento GLP-1 entre 2017 e 2023. O estudo trouxe achados importantes, apontando tanto benefícios quanto riscos associados a esses remédios.

Possíveis efeitos adversos
Os pesquisadores identificaram alguns benefícios para a saúde cognitiva e comportamental, mas também observaram possíveis efeitos adversos associados ao uso de GLP-1, como:

Efeitos gastrointestinais: maior risco de náuseas, vômitos, refluxo gastroesofágico, gastrite e gastroparesia (retardo no esvaziamento do estômago).


Hipotensão e síncope: possibilidade de quedas na pressão arterial, aumentando o risco de desmaios.


Complicações renais: maior risco de nefrolitíase (pedras nos rins) e nefrite intersticial (inflamação dos rins).


Pancreatite induzida por medicamentos: risco aumentado de pancreatite aguda, uma inflamação do pâncreas que pode ser grave.

Diante desses achados, os pesquisadores reforçam que esses medicamentos precisam de um acompanhamento profissional para minimizar riscos e identificar complicações precocemente. Além disso, são necessários mais estudos para entender os impactos a longo prazo dos remédios na saúde.

Os benefícios encontrados no estudo
Apesar dos riscos, o estudo também apontou benefícios importantes dos medicamentos análogos ao GLP-1 em diferentes áreas da saúde:

Saúde mental: redução do risco de transtornos por uso de álcool, cannabis e opioides, além de menor incidência de esquizofrenia e ideais suicidas.


Neuroproteção: associação com menor ocorrência de Alzheimer, demência e convulsões.


Coração e circulação: redução nos riscos de infarto, AVC, insuficiência cardíaca e hipertensão pulmonar.


Sistema respiratório: menor incidência de pneumonia, DPOC e insuficiência respiratória.


Outros benefícios: menor risco de anemia, dor muscular, insuficiência hepática, doença inflamatória intestinal e câncer de fígado.


Os autores do estudo lembram que a pesquisa tem algumas limitações, como o fato de ter sido conduzida em veteranos dos EUA, grupo que pode não representar toda a população. Ainda assim, os resultados podem ser úteis para orientar a prática clínica, aprimorar a farmacovigilância e direcionar o desenvolvimento de novas pesquisas para avaliar os efeitos desses medicamentos de forma mais aprofundada.

Foto: Novo Nordisk/Eli Lilly

80% dos casos de câncer de cabeça e pescoço no Brasil são encontrados em estágio avançado

Os dados foram verificados por uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca)

Por Itatiaia Saúde

Uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que oito em dez casos de câncer de cabeça e pescoço no Brasil são identificados em estágio avançado. Foram investigados 145 mil casos entre 2000 e 2017.

O estudo foi publicado na revista científica The Lancet Regional Health Américas, com o título “Disparidades no estágio do diagnóstico de tumores de cabeça e pescoço no Brasil: uma análise abrangente de registros hospitalares de câncer”.

A pesquisa também verificou que os diagnósticos em estágio grave acontecem mais em pacientes com menores níveis de educação.

São câncer de cabeça e pescoço os tumores que aparecem na boca, orofaringe, laringe (a região das cordas vocais), nariz, seios nasais, nasofaringe, pescoço, tireoide, couro cabeludo, pele do rosto e do pescoço, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça a Pescoço.

Foto: CNN Brasil

Carne vermelha em excesso pode aumentar risco de demência, diz estudo

Pesquisadores sugerem que a carne vermelha seja substituída por outras fontes de proteína para reduzir o risco de demência

Por Metrópoles

Pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, encontraram uma associação entre o consumo excessivo de carne vermelha e o aumento do risco de desenvolvimento de doenças neurológicas, como a perda da capacidade cognitiva e a demência.

Embora os resultados do estudo sejam preliminares, os pesquisadores alertam que a população deveria reduzir ou mesmo considerar substituir a carne vermelha por outras fontes de proteínas.

“Substituir carne vermelha por fontes de proteína alternativas e mais saudáveis, como opções à base de plantas, pode ajudar a reduzir o declínio cognitivo e o risco de demência”, escreveram os autores da pesquisa publicada em janeiro na revista Neurology.

Estudos anteriores já mostraram evidências de que o consumo em excesso de carne vermelha pode levar a complicações cardiovasculares e aumentar o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Carne vermelha e demência
Os pesquisadores da Universidade de Harvard analisaram os dados de aproximadamente 133 mil profissionais de saúde norte-americanos inscritos em dois estudos feitos no país — o NHS e o HPFS. Eles queriam ter uma visão mais ampla sobre a relação entre o consumo de carne vermelha e a demência.

Os piores resultados para problemas cognitivos foram relacionados ao consumo de carnes vermelhas processadas, como salsicha, bacon e salame. Embora as carnes não processadas também estivessem associadas ao aparecimento de distúrbios cognitivos como demência, o risco se mostrou menor.

A quantidade consumida também teve influência no resultado. O grupo de participantes que consumia mais carne vermelha diariamente corria 13% mais risco de desenvolver demência em comparação ao grupo que consumia pouca.

Alternativas
Os autores da pesquisa esclarecem que as pessoas não devem parar de consumir carne vermelha totalmente, mas sim maneirar e fazer trocas intelignetes, por fontes de proteína mais saudáveis.

Foto: Burcu Atalay Tankut/Getty Images

Os tratamentos ultrarrápidos contra o câncer que podem substituir a radioterapia no futuro

Um novo tratamento pioneiro promete combater uma variedade maior de tumores, com menos efeitos colaterais do que a radioterapia convencional. Também leva menos de um segundo.

Por Correio Braziliense

Em uma série de vastas cavernas subterrâneas nos arredores de Genebra, na Suíça, estão sendo realizados experimentos que podem um dia levar a uma nova geração de máquinas de radioterapia. A esperança é que estes dispositivos possibilitem a cura de tumores cerebrais complexos, eliminem cânceres com metástase em órgãos distantes e, de modo geral, limitem o impacto que o tratamento oncológico exerce sobre o corpo humano.

A sede destes experimentos é o Laboratório Europeu de Física de Partículas (Cern), mais conhecido internacionalmente como o centro de física de partículas que desenvolveu o Grande Colisor de Hádrons, um anel de ímãs supercondutores de 27 quilômetros de comprimento capaz de acelerar partículas até próximo da velocidade da luz.

A maior conquista do Cern pode ter sido a descoberta, em 2012, do bóson de Higgs, a chamada “partícula de Deus”, que dá massa a outras partículas e, ao fazer isso, estabelece a base para tudo o que existe no Universo. Mas nos últimos anos, a experiência exclusiva do centro em acelerar partículas de alta energia encontrou um novo nicho — o mundo da radioterapia oncológica.

Há onze anos, Marie-Catherine Vozenin, uma radiobióloga que trabalha atualmente nos Hospitais Universitários de Genebra (Hug), e outros cientistas publicaram um artigo descrevendo uma abordagem de mudança de paradigma para o tratamento de radioterapia tradicional, que eles chamaram de Flash. Ao fornecer radiação em taxas de dose ultraelevadas, com exposição de menos de um segundo, eles mostraram que era possível destruir tumores em roedores e, ao mesmo tempo, poupar o tecido saudável.

Seu impacto foi imediato. Especialistas internacionais o descreveram como um avanço seminal, que levou radiobiólogos de todo o mundo a realizar seus próprios experimentos usando a abordagem Flash para tratar uma ampla variedade de tumores em roedores, animais domésticos e, agora, em seres humanos.

O conceito Flash repercutiu ao abordar algumas das limitações de longa data da radioterapia, uma das terapias mais comuns contra o câncer, que dois terços de todos os pacientes oncológicos vão se submeter em algum momento da sua jornada de tratamento. Normalmente realizada por meio da administração de um feixe de raios X ou outras partículas ao longo de dois a cinco minutos, a dose total geralmente é distribuída em dezenas de sessões individuais de tratamento, ao longo de até oito semanas, para torná-la mais tolerável para o paciente.

Nas últimas três décadas, os exames de imagem avançados e as máquinas de radioterapia de última geração tornaram possível atingir um tumor individual com precisão cada vez maior. Porém, o risco de efeitos colaterais prejudiciais ou mortais ainda está presente.

Vozenin cita o exemplo dos tumores cerebrais pediátricos, que muitas vezes podem ser curados por meio de radioterapia, mas com um preço alto para o paciente. “Os sobreviventes geralmente ficam com ansiedade e depressão por toda a vida, enquanto o impacto da radiação afeta o desenvolvimento do cérebro, causando perda significativa de QI (Quociente de Inteligência)”, diz ela.

“Somos capazes [às vezes] de curar essas crianças, mas o preço que elas pagam é alto.”

Billy Loo, professor de radiação oncológica que dirige o laboratório de ciências Flash da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, nos EUA, explica que os tumores, especialmente os de maior volume, raramente são separados do tecido circundante. Isso significa que, com frequência, é quase impossível evitar danos às células saudáveis, de modo que os oncologistas muitas vezes não conseguem usar uma dose tão alta quanto gostariam, explica Loo.

Os especialistas em câncer acreditam há muito tempo que a possibilidade de aumentar a dose de radiação melhoraria bastante sua capacidade de curar pacientes com tumores difíceis de tratar, de acordo com Vozenin. Por exemplo, pesquisas anteriores indicaram que a possibilidade de aumentar a dose de radiação em pacientes com câncer de pulmão e tumores com metástase no cérebro poderia melhorar a taxa de sobrevivência.

Nos últimos anos, estudos em animais mostraram repetidamente que a abordagem Flash permite aumentar significativamente a quantidade de radiação fornecida ao corpo e, ao mesmo tempo, minimizar o impacto sobre o tecido saudável ao redor. Em um experimento, ratos de laboratório saudáveis que receberam duas rodadas de radiação com Flash não desenvolveram os efeitos colaterais típicos que seriam esperados durante a segunda rodada. Em outro estudo, animais tratados com Flash para tumores de cabeça e pescoço apresentaram menos efeitos colaterais, como redução da produção de saliva ou dificuldade para engolir.

Loo está cautelosamente otimista de que, no futuro, esses benefícios também vão poder se refletir em pacientes humanos. “O flash produz menos lesões no tecido normal do que a irradiação convencional, sem comprometer a eficácia antitumoral, o que pode ser revolucionário”, diz ele. Uma esperança adicional é que isso possa reduzir o risco de tumores secundários, resultantes de danos induzidos por radiação mais adiante na vida, embora ainda seja muito cedo para saber se será este o caso.

Agora, um número cada vez maior de testes em seres humanos está começando a ser realizado ao redor mundo. O Cincinnati Children’s Hospital, em Ohio, nos EUA, está planejando um ensaio clínico de estágio inicial em crianças com câncer metastático que se espalhou para os ossos do peito. Enquanto isso, oncologistas do Hospital Universitário de Lausanne, na Suíça, estão conduzindo um estudo clínico de Fase 2 — em que os detalhes são aprimorados, incluindo a dose ideal, a eficácia do tratamento e se há efeitos colaterais — para pacientes com câncer de pele localizado.

Mas a próxima fase da pesquisa não se trata apenas de testar se a abordagem Flash funciona em seres humanos. Trata-se também de identificar que tipo de radiação é melhor para ser usada.

Uma escolha de partículas
De íons de carbono a prótons e elétrons, há muitas maneiras de administrar a radioterapia, cada uma com diferentes aplicações e desafios. Uma das formas mais precisas de radioterapia é a hadronterapia, realizada com íons de carbono. No entanto, existem apenas 14 instalações que podem oferecer isso em todo o mundo, e cada uma tem um custo estimado de US$ 150 milhões. Atualmente, esta terapia é aplicada usando um regime de dosagem convencional, no qual a radiação é aplicada durante vários minutos. No entanto, com o protocolo Flash, os íons seriam aplicados em menos de um segundo.

“Os elétrons de alta energia podem ser usados para tratar tumores superficiais da pele”, afirma André-Dante Durham Faivre, oncologista especializado em radiação do Hug.

“Os fótons, ou seja, os raios X, ou prótons [um tipo de partícula subatômica], podem ser usados para tratar tumores mais profundos, enquanto reservamos os íons de carbono e as partículas de hélio para casos muito especiais, pois somente centros clínicos muito grandes podem oferecer este tipo de tratamento. O acelerador de partículas necessário para administrar a radioterapia com íons de carbono é do tamanho de um prédio.”

Esta é uma questão complicada das terapias Flash. Como a criação de partículas subatômicas requer aceleradores de partículas extremamente complexos, no momento este tratamento só pode ser realizado por meio de grandes equipamentos em centros especializados, o que é caro. Isso significa que os pacientes provavelmente vão precisar viajar longas distâncias para fazer o tratamento. E, embora os pesquisadores esperem que, no futuro, o Flash esteja disponível para todos que precisarem dele, no momento, tratamentos como a protonterapia só estão disponíveis para uma minoria relativamente pequena de pacientes.

Até agora, os prótons foram a partícula escolhida para os testes com Flash em seres humanos, tanto porque podem penetrar até 30 cm no corpo, o que permite atingir órgãos internos relativamente profundos, quanto porque as máquinas de radioterapia de prótons existentes podem ser adaptadas com relativa facilidade para fornecer as taxas de dose do Flash.

Em 2020, o Centro Médico da Universidade de Cincinnati lançou o primeiro ensaio clínico de radioterapia Flash com prótons em pacientes com câncer primário com metástase nos ossos, e os primeiros resultados sugeriram que o tratamento era tão eficaz quanto a radioterapia convencional, e que a incidência de efeitos adversos era semelhante. Agora, os oncologistas especializados em radiação da Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, esperam lançar seu próprio ensaio clínico ainda neste ano em pacientes com câncer recorrente de cabeça e pescoço.

“Estes pacientes têm poucas opções, pois seus tumores são impossíveis de serem removidos por meio de cirurgia”, diz Alexander Lin, professor de radiação oncológica da Universidade da Pensilvânia, que vai liderar o estudo proposto.

“Passar por outro curso de radioterapia padrão poderia levar a efeitos colaterais perigosos, como fraturas na mandíbula, feridas na boca e até mesmo danos potencialmente fatais à artéria carótida. Acreditamos que o Flash com prótons vai ser menos tóxico.”

Um desafio prático
No entanto, se o Flash com prótons for aprovado pelos órgãos reguladores no futuro, Durham Faivre diz que uma das desvantagens é que as máquinas necessárias ainda são relativamente grandes, o que significa que o tratamento só poderia ser administrado em um número seleto de centros, restringindo o acesso dos pacientes.

Agora, o Cern está trabalhando com pesquisadores do Hospital Universitário de Lausanne e com a empresa francesa TheryQ para tentar desenvolver uma nova forma de acelerador que forneça ainda mais radiação — com elétrons de energia muito alta — em taxas de dose do Flash. E, de acordo com Durham Faivre, os pesquisadores do Hug estão atualmente em negociação com parceiros comerciais para desenvolver uma máquina Flash de raios X.

Esses aceleradores poderiam permitir que os benefícios do Flash fossem aplicados a tumores profundos sem a necessidade de uma máquina enorme, afirma Durham Faivre. O objetivo final é possibilitar que qualquer hospital com equipamento de radioterapia possa fornecer o Flash.

“Acreditamos que, com o tempo, as máquinas Flash de raios X vão poder substituir as máquinas de raios X convencionais existentes”, diz ele.

Em particular, Durham Faivre está otimista com o fato de que os aceleradores mais novos vão poder permitir que os oncologistas lidem com tumores mais complexos, como o glioblastoma, a forma mais comum de câncer cerebral, e uma das formas mais mortais da doença, com uma taxa de sobrevivência de cinco anos de apenas 5%.

Após os ensaios clínicos da Universidade de Cincinnati, os oncologistas também têm esperança de que as máquinas Flash possam melhorar o tratamento de várias formas de doença metastática (em que o câncer se espalhou a partir de sua localização primária), e realmente curar pacientes que antes eram considerados incuráveis. Loo prevê que a abordagem Flash poderia ser usada para destruir os tumores primários e secundários, seguida de quimioterapia ou imunoterapia para eliminar as células microscópicas do câncer que estão permitindo a disseminação da doença.

“Os cânceres metastáticos envolvem grandes volumes do corpo devido à sua distribuição difusa”, diz Durham Faivre. Ele explica que isso significa que eles geralmente são difíceis de curar, pois não seria possível aplicar radiação suficiente nos tecidos do corpo para matar todas as células cancerígenas. Se isso fosse feito, o paciente poderia não sobreviver aos efeitos da radiação no tecido previamente saudável. Mas os novos tratamentos estão mudando isso, segundo ele, principalmente em pessoas com metástases limitadas.

“O Flash oferece a perspectiva de tratar com segurança muito mais metástases”, afirma.

Outra esperança é que o Flash possa ajudar a tornar a radioterapia mais acessível a todos.

A lacuna da radioterapia
No congresso da União Internacional para Controle do Câncer (UICC), realizado em setembro do ano passado — uma conferência que reúne especialistas em oncologia de todo o mundo —, Katy Graef, vice-presidente da organização sem fins lucrativos Bio Ventures for Global Health, destacou um grande desafio na saúde global que, às vezes, é chamado de “lacuna da radioterapia”.

Com base em dados compilados pela Lancet Oncology Commission, Graef afirmou que existem apenas 195 máquinas de radioterapia em toda a África Subsaariana, em comparação com 4.172 nos EUA e no Canadá. Diante da expectativa de que a incidência anual e a mortalidade por câncer dobrem em todo o continente africano até 2040, ela explicou que foi projetado que a região vai precisar de mais de 5 mil máquinas adicionais nas próximas duas décadas, uma demanda que muitas nações vão ter dificuldade de atender.

Em dezembro, uma nova análise dos planos nacionais de controle do câncer em todo o mundo destacou como a lacuna da radioterapia se estende além da África, atingindo muitos países de baixa e média renda.

“Apenas cerca de 10% dos pacientes com câncer em países de baixa renda têm acesso à radioterapia, em comparação com 90% em países de alta renda”, diz Lisa Stevens, diretora do programa de ação para o tratamento contra o câncer na Agência Internacional de Energia Atômica e uma das autoras do artigo.

“A integração da radioterapia nas estratégias de controle do câncer é mais crucial do que nunca.”

Os desafios por trás destas estatísticas vão além do mero custo das máquinas. Em ambientes quentes e úmidos, os aceleradores de partículas para radioterapia frequentemente quebram e, com poucos técnicos treinados, os reparos podem demorar. Como resultado, o International Cancer Expert Corps (ICEC) lançou uma iniciativa chamada Projeto Stella, em parceria com o Cern e várias universidades do Reino Unido, cujo objetivo é desenvolver aceleradores de última geração com software integrado que possa prever falhas com antecedência e agilizar a manutenção, permitindo que os países façam o melhor uso das máquinas que possuem, minimizando o tempo de inatividade.

Mas Durham Faivre está otimista sobre as máquinas Flash também terem um papel a desempenhar, facilitando o acesso para pacientes oncológicos que vivem em países de baixa e média renda ao tratamento necessário. Em vez de precisar percorrer repetidamente longas distâncias ao longo de muitos dias e semanas para receber várias sessões de radioterapia, o Flash poderia permitir que eles recebessem tudo em uma única sessão ou em poucas sessões. Como cada tratamento leva menos de um segundo, também permitiria que os médicos tratassem muito mais pacientes em um único dia.

“Se conseguirmos uma máquina de tamanho normal que caiba em todos os bunkers de hospitais do mundo e possa administrar a abordagem Flash, isso vai permitir que os países tratem muito mais pacientes”, diz Durham Faivre.

“Se, em vez de tratar 50 pacientes por dia, você puder tratar 150, vai estar aumentando enormemente sua capacidade e sua habilidade de lidar com a demanda de saúde pública.”

Muitos especialistas acreditam que isso também traria benefícios significativos em termos de redução de custos para os países de alta renda, além de uma melhoria potencialmente enorme na qualidade de vida dos pacientes.

“Deve ser um tratamento mais acessível depois que o investimento inicial for feito, já que são necessários muito menos tratamentos”, afirma Constantinos Koumenis, professor de radiação oncológica na Universidade da Pensilvânia. A economia para o sistema de saúde também pode ocorrer devido ao menor número de hospitalizações por complicações, ele acrescenta.

O primeiro passo, explica Koumenis, é investigar quão bom o Flash é — e se é realmente melhor que a radioterapia padrão.

Foto: Getty Images)

Colaboradores internos da Anadem participam de capacitação sobre normas ISO

Foram abordados conceito, pilares fundamentais, requisitos normativos, ferramentas aplicadas e metodologia do ciclo PDCA; Anadem é certificada com as ISO 9001:2015, ISO 37001:2017 e ISO 27001:2013

Brasília (DF), 31 de janeiro de 2025 – Visando a ampliar e atualizar o conhecimento de seus colaboradores internos sobre as normas da ISO (Organização Internacional para Padronização, na sigla em português), a Anadem promoveu uma capacitação na tarde de ontem (30) no Centro de Eventos Anadem.

Durante o curso, promovido pela consultora e auditora Noeli Rodrigues, da Bridge Solutions, foram abordados o conceito ISO, pilares fundamentais, requisitos normativos, ferramentas aplicadas e metodologia do ciclo PDCA.

Fundada em 1946 em Genebra, na Suíça, a ISO estabelece um padrão global para os produtos e serviços das organizações, que, ao serem certificadas, garantem mais confiabilidade junto aos seus stakeholders. No Brasil, as normas ISO são certificadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Certificações

A Anadem é certificada com a ABNT NBR ISO 9001:2015 – Sistema de Gestão da Qualidade, ABNT NBR ISO 27001:2013 – Sistema de Gestão de Segurança da Informação e ABNT NBR ISO 37001:2017 – Sistema de Gestão Antissuborno (no caso dessa última, está entre as 200 empresas que atendem à norma no Brasil).

Segundo o CEO da Anadem, Marcelo Buz, a capacitação foi uma oportunidade para abordar os padrões e as boas práticas da ISO, permitindo que os colaboradores pudessem tirar dúvidas, além de destacar a importância de a empresa estar em conformidade com as normas.

Medicamentos para perda de peso associados ao aumento do risco de 19 condições de saúde

Um estudo abrangente de 2 milhões de veteranos revela riscos e benefícios surpreendentes de medicamentos populares para perda de peso, como Ozempic e Wegovy.

Por Epoch Times Brasil

Medicamentos populares para perda de peso, como semaglutidas (Ozempic e Wegovy), podem ajudar a proteger contra mais de 40 condições, incluindo Alzheimer, dependência química e convulsões, descobriu uma nova revisão.

No entanto, pesquisadores alertam que esses benefícios vêm com um risco aumentado de 19 condições de saúde, como síncope (desmaio), distúrbios artríticos e problemas renais e pancreáticos.

Em um estudo publicado na Nature Medicine em 20 de janeiro, pesquisadores da WashU Medicine da Universidade de Washington em St. Louis avaliaram sistematicamente os resultados de saúde entre cerca de 2 milhões de veteranos com diabetes que estavam tomando os medicamentos populares para perda de peso conhecidos como agonistas do receptor de peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1RAs) por cerca de 3,5 anos.

A mídia, os pacientes e até mesmo alguns médicos apelidaram os medicamentos de “drogas milagrosas” devido aos seus profundos efeitos na perda de peso.

Administrados semanalmente por injeção, os GLP-1RAs simulam hormônios produzidos naturalmente que suprimem o apetite e retardam a digestão, permitindo que as pessoas se sintam saciadas por mais tempo. No entanto, os dados sobre os efeitos abrangentes desses medicamentos em todos os sistemas orgânicos do corpo são escassos.

Benefícios e riscos à saúde
Distúrbios que afetam o coração, os vasos sanguíneos, o fígado e o sistema respiratório (como pneumonia) estavam entre os riscos que o uso de GLP-1RA mais reduziu.

Estudos mostraram que os GLP-1RAs podem melhorar a saúde das células que revestem os vasos sanguíneos. A função endotelial melhorada pode levar a uma melhor regulação do fluxo sanguíneo e à redução da aglomeração plaquetária, o que pode diminuir o risco de distúrbios de coagulação e eventos cardiovasculares.

A equipe de pesquisa também descobriu que os GLP-1RAs estavam ligados a melhores resultados de saúde neurológica e comportamental. Houve um risco reduzido de convulsões e dependência de substâncias como álcool, cannabis, estimulantes e opioides. Isso pode estar ligado a como a droga afeta as vias neurológicas relacionadas à recompensa e ao controle de impulsos.

Além disso, as descobertas indicaram uma redução no risco de esquizofrenia e pensamentos suicidas, embora ainda não se saiba o porquê disso.

O estudo observou menos casos de câncer de fígado, dores musculares, doença renal crônica, infecções bacterianas e febre. O risco de distúrbios cognitivos como doença de Alzheimer e demência também diminuiu com o uso de GLP-1RA.

A resistência à insulina tem sido associada ao declínio cognitivo. Ao melhorar a sensibilidade à insulina, os GLP-1RAs podem ajudar a apoiar melhor o funcionamento cognitivo e a regulação emocional em quem os toma.

Embora a patologia do Alzheimer possa começar mais de uma década antes do surgimento dos sintomas clínicos, o estudo sugeriu que alguns anos de tratamento com semaglutida são suficientes para mostrar um efeito protetor. Dois grandes ensaios clínicos de fase 3 (Evoke e Evoke+) já estão sendo conduzidos para determinar se esse efeito é real.

“Os medicamentos GLP-1RA podem ter amplos benefícios à saúde”, afirmou o Dr. Ziyad Al-Aly, coautor do estudo, epidemiologista clínico e nefrologista do John J. Cochran Veterans Hospital, afiliado à WashU Medicine, em um comunicado à imprensa. “No entanto, eles não são isentos de riscos.”

“Nossas descobertas ressaltam a possibilidade de aplicações mais amplas para esses medicamentos, mas também destacam riscos importantes que devem ser cuidadosamente monitorados em pessoas que tomam esses medicamentos”, acrescentou.

Os riscos à saúde conhecidos associados a essa classe de medicamentos incluem pressão arterial baixa, breve perda de consciência que ocorre quando o cérebro não recebe sangue suficiente (síncope), distúrbios artríticos e cálculos renais.

Um efeito colateral potencialmente grave dos GLP-1RAs é o inchaço do pâncreas induzido por medicamentos (pancreatite) causado pela estimulação do pâncreas para produzir insulina. Isso pode levar à superestimulação das células pancreáticas, causando inflamação que pode desencadear a condição. Em um em cada cinco casos, a pancreatite pode se tornar fatal.

Foto: Alones/Shutterstock

Microplásticos podem se acumular e bloquear fluxo de sangue no cérebro

Cientistas rastrearam partículas em tempo real e revelaram impactos no fluxo sanguíneo e na mobilidade de roedores. Estudo levanta preocupações sobre efeitos neurológicos do acúmulo de microplásticos

Por Revista Galileu

Em um estudo inédito, publicado nesta quinta-feira (23) na revista Science Advances, pesquisadores da Universidade de Pequim, na China, rastrearam, em tempo real, microplásticos se movendo pelo corpo de camundongos. As observações revelaram que essas partículas conseguem atingir os vasos sanguíneos do cérebro dos animais, bloqueando o fluxo de sangue impactando seus movimentos.

Pesquisas anteriores já haviam detectado a presença de partículas plásticas em órgãos humanos, como o cérebro, fígado e rins, mas os efeitos dessas substâncias ainda estão sendo investigados. Para compreender melhor essa dinâmica, os cientistas focaram em como os microplásticos influenciam o funcionamento cerebral de camundongos.

Para isso, os animais foram alimentados com água contendo esferas fluorescentes de poliestireno — um tipo de plástico amplamente utilizado pela indústria, como no isopor, e comumente encontrado no meio ambiente. Para observar o processo, uma janela transparente foi cirurgicamente implantada no crânio dos camundongos, permitindo que os cientistas visualizassem os movimentos das partículas. Além disso, a aplicação de uma técnica de imagem de fluorescência foi essencial para monitorar os detritos em tempo real.

Como destaca a revista Nature, as observações revelaram que células do sistema imunológico, como neutrófilos e fagócitos, acabaram absorvendo as partículas de plástico. Através da circulação sanguínea, algumas dessas células alcançaram o cérebro, ficando presas nos pequenos vasos sanguíneos do córtex, região responsável por funções sensoriais, motoras e de associação.

A principal preocupação foi o acúmulo dessas células em determinados vasos, que, em alguns casos, permaneceram lá por todo o período de observação, que durou quatro semanas.

Esses aglomerados se comportaram de forma similar a coágulos sanguíneos, que são acúmulos de sangue capazes de causar danos ao coração e ao cérebro. Nos camundongos, os microplásticos resultaram em uma diminuição do fluxo sanguíneo e na redução da mobilidade dos animais, com efeitos que persistiram por alguns dias. Embora os sistemas imunológicos de humanos e camundongos apresentem diferenças, o estudo abre novas possibilidades para entender os impactos dos microplásticos na saúde.

“Os potenciais efeitos de longo prazo dos microplásticos em distúrbios neurológicos, como depressão e saúde cardiovascular, são preocupantes”, escreveram os autores. “Este estudo oferece uma base teórica e uma direção focada para entender os riscos potenciais à saúde associados aos microplásticos. O aumento do investimento nesta área de pesquisa é urgente e essencial para compreender completamente os riscos à saúde.”

Os resultados da nova pesquisa confirmam descobertas anteriores sobre o impacto das partículas plásticas no cérebro. Em um estudo de 2023, também com camundongos, os animais apresentaram comportamentos atípicos e começaram a se mover de forma peculiar, exibindo sinais semelhantes à demência em humanos, após ingestão de água contaminada com microplásticos.

Em 2024, uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) identificou a presença de microplásticos no cérebro humano. Essas partículas também já foram encontradas em órgãos como os pulmões, o sistema reprodutivo, na corrente sanguínea e até na placenta.

Foto: Sinclair Stammers/Science Photo Library

Cresce número de municípios com mais de 95% de cobertura vacinal infantil

O Brasil enfrentava quedas na cobertura vacinal desde 2016

Por Itatiaia Saúde

O número de municípios brasileiros com mais de 95% de cobertura vacinal para imunizantes essenciais do calendário infantil cresceu nos últimos dois anos. Em 2024, 15 das 16 vacinas recomendadas para o público infantil registraram aumento.

A meta para a segunda dose da vacina tríplice viral, que previne o sarampo, a caxumba e a rubéola, foi alcançada em 2.408 municípios brasileiros, aumento de mais de 180% quando comparado com os 855 de 2022. A cobertura da primeira dose de tríplice viral também foi registrada em mais regiões: 3.870 cidades em 2024, frente às 2.485 de 2022, ou 55,7% de crescimento.

A cobertura da Vacina Oral Poliomielite (VOP) também aumentou, passando de 1.466 cidades em 2022 para 2.825 em 2024, uma alta de quase 93%. Em novembro, o Ministério da Saúde substituiu a VOP —conhecida como gotinha — por uma dose de Vacina Inativada Poliomielite (VIP), que é injetável, para deixar o esquema vacinal ainda mais seguro.

Segundo o painel de distribuição do Ministério da Saúde, entre 2023 e 2024, foram enviadas mais de 604 milhões de doses a todos os estados. No entanto, no caso das vacinas varicela e tetraviral (que também possui o componente varicela), houve falta de matéria-prima mundialmente.

O Brasil enfrentava quedas na cobertura vacinal desde 2016. Segundo a pasta, a reversão é atribuída ao lançamento do Movimento Nacional pela Vacinação, em 2023.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil