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Novo estudo indica que cirurgia pode ser benéfica para adolescentes com obesidade severa

O procedimento pode ter vantagens de longo prazo, mas também exige muito do paciente

Por The New York Times

Pelo menos seis milhões de adolescentes obesos nos Estados Unidos são candidatos à cirurgia para perda de peso, segundo estimativas de especialistas. Menos de mil por ano se submetem ao procedimento.

Muitos desses adolescentes já apresentam complicações oriundas da obesidade, como diabetes ou pressão alta. No entanto, os médicos não estavam certos da eficácia da cirurgia em pacientes jovens e se eles seriam capazes de lidar com as consequências – entre elas, um regime muito restritivo.

Um novo estudo traz algumas respostas. Os pesquisadores acompanharam 161 adolescentes, com idades entre 13 e 19 anos, e 396 adultos, entre 25 e 50 anos, durante cinco anos após a realização do procedimento.

O primeiro grupo teve um desempenho melhor do que o segundo. Os cientistas relataram recentemente no periódico médico “New England Journal of Medicine” que os adolescentes perderam, pelo menos, o mesmo peso, além de terem mais probabilidades de reduzir ou resolver o problema de pressão alta e diabetes.

“Isso realmente muda o jogo”, declarou o médico Amir Ghaferi, cirurgião bariátrico na Universidade de Michigan que não participou da pesquisa. O trabalho, disse ele, acrescentou evidências de que, em relação à obesidade, assim como em relação ao câncer, os resultados são melhores quando o tratamento começa cedo, antes do desenvolvimento de prejuízos de longo prazo em consequência de condições correlatas, como pressão alta e diabetes.

Não há outro tratamento que leve a uma perda tão substancial de peso, nem à sua posterior manutenção, em pessoas com obesidade severa. Mas o procedimento, a cirurgia bariátrica com bypass gástrico, exige muito do paciente. Os cirurgiões reduzem a maior parte do estômago, deixando uma pequena bolsa, e criam um desvio no intestino. Depois disso, os pacientes são obrigados a comer pequenas refeições em intervalos frequentes pelo resto da vida.

É um cenário que faz os pais pararem para pensar. Será que os filhos deveriam aguardar, na esperança de que a ciência conceba uma solução menos drástica? Ou as crianças devem ser operadas antes que o corpo fique ainda mais prejudicado? Para completar o dilema, há apenas seis centros bariátricos certificados em hospitais infantis. Os adultos, por outro lado, podem escolher entre 850 centros médicos certificados para a realização da operação.

Para a maioria dos adolescentes, a cirurgia foi um sucesso. No geral, perderam um quarto do peso corporal, o suficiente para melhorar significativamente a vida e resolver os problemas de saúde.

Os adolescentes pesavam, em média, 147 quilos no momento da cirurgia. Cinco anos depois, a balança marcava 110. Os adultos pesavam o mesmo no início e tiveram resultados quase idênticos.

Uma minoria – entre adultos e adolescentes – não progrediu tão bem. Alguns continuaram com o ônus da pressão alta ou do diabetes. Um pequeno número não perdeu quase nenhum peso nos cinco anos que se seguiram à cirurgia.

Contrariando a regra de ouro da investigação clínica, a escolha entre quem receberia a cirurgia não foi aleatória. Uma vez que os adultos são obesos há muito mais tempo, a condição deles seria mais difícil de tratar com a cirurgia, o que torna difícil a comparação direta entre os dois grupos populacionais.

Mas Ghaferi concordou que a mensagem foi clara: é melhor intervir cedo. E, sendo isso verdade, outros especialistas questionam: e crianças ainda mais novas?

“E se uma criança de 8 ou 10 anos chegar aqui com obesidade severa? Por que não oferecer a ela o tratamento e estudar os resultados?”, indagou o dr. Thomas Inge, chefe de cirurgia pediátrica no Hospital Pediátrico do Colorado e principal autor do novo estudo.

Ele já operou crianças gravemente obesas e que apresentavam condições médicas relacionadas. A dúvida agora, ponderou, é se a operação deveria ser realizada mesmo antes de uma criança desenvolver pressão alta, diabetes ou apneia do sono.

E os adolescentes? Podemos esperar que se comprometam a seguir a dieta restrita exigida após a cirurgia e a tomar as vitaminas e os minerais necessários? “Eles estão prontos para fazer isso pelo resto da vida?”, questionou David B. Sarwer, psicólogo na Universidade Temple que trabalha com pacientes de cirurgia bariátrica.

A obesidade severa “estigmatiza adolescentes”, esclareceu. Uma adolescente nessa condição “provavelmente é conhecida de todos na escola não por ser a mais popular, mas porque é fisicamente a maior aluna de lá”.

Eric Decker, de 33 anos, fez a operação em 2006, aos 17 anos. Media 1,78 m e pesava 174 quilos. Quando tentou encontrar um cirurgião na Carolina do Sul para operá-lo, não conseguiu. Foi encaminhado ao dr. Inge, que, na época, atuava no Hospital Pediátrico de Cincinnati.

Decker perdeu mais peso do que a maioria – atualmente, varia entre 93 e 95 quilos. Hoje em dia, se alguém se refere a um obeso de maneira sarcástica, ele sai em defesa. Se não tivesse passado por essas experiências, confidenciou, “acho que não conseguiria ver com compaixão essas pessoas e sua luta”.

 

Foto: Istock