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Anadem avalia estudo Demografia Médica no Brasil 2023

Entidade defende distribuição correta de profissionais, além de melhor infraestrutura e valorização da classe

Em pouco mais de 20 anos, o número de médicos mais que dobrou no Brasil. Em janeiro deste ano, o País contava com 562.229 médicos inscritos nos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), o que corresponde a uma taxa nacional de 2,6 médicos por 1.000 habitantes. Apenas nos últimos 13 anos, mais de 250 mil novos profissionais se formaram e, em um cenário mais conservador, de hipotética suspensão de abertura de novos cursos de medicina, o País deverá ter mais de um milhão de médicos em 2035. Esses são apenas alguns dos dados trazidos à tona pelo estudo Demografia Médica no Brasil 2023, resultado do Acordo de Cooperação Técnica entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Associação Médica Brasileira (AMB), lançado na última quarta-feira (8/2).

O número expressivo de profissionais que, em um primeiro momento, pode parecer bom, é desmentido quando se averigua a distribuição desses médicos. As 49 cidades com mais de 500 mil moradores concentram 32% dos habitantes e 62% dos médicos. A região Norte tem a menor concentração de profissionais para cada mil habitantes (1,45), já a Sudeste tem a maior concentração entre as regiões, com 3,39. O Distrito Federal tem, em média, 5,53 médicos para cada mil habitantes. Já no Pará, a média é de apenas 1,18.

“O País sofre com uma grande desigualdade na distribuição da população médica. Isso significa que o volume não resolve o problema de saúde do Brasil. Não há novidade alguma quando apontamos que em municípios menores e mais distantes dos grandes centros há uma evidente falta de acesso aos serviços de saúde. Analisando o cenário, não é difícil constatar que a má distribuição de profissionais não resulta de um suposto desinteresse dos médicos, que até chegam a migrar para essas regiões. O grande problema é que acabam desistindo de atuar nessas cidades, onde notam a ausência de uma infraestrutura mínima: não há hospitais, postos de saúde, unidades especializadas, remédios, transporte. Não há o mínimo para atender com dignidade”, aponta o presidente da Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética (Anadem), Dr. Raul Canal.

Além da distribuição geográfica desigual, o estudo traz outros panoramas sobre o universo médico, por exemplo, que a renda média dos médicos caiu 12% no Brasil entre 2012 e 2020. “Temos que valorizar esses profissionais que arriscaram suas vidas durante a recente pandemia e que, além de não terem seus esforços reconhecidos financeiramente, ainda sofrem exaustivas cargas de trabalho, resultando em um comprometimento da integridade física e mental. Além disso, é de suma importância que se derrube a decisão judicial que está paralisando a definição do piso salarial para a enfermagem, só assim teremos um parâmetro mínimo de renda aos profissionais”, indica Canal.

Ainda quando se fala em renda, o estudo mostra que as mulheres ganham, em média, R$ 13 mil a menos que os homens e que elas serão maioria daqui a apenas um ano, com 50,2% do total de profissionais. Em 2035, a expectativa é de que a porcentagem aumente para 56%. “Essa desigualdade na renda entre homens e mulheres também deve ser trazida à baila nas discussões com os órgãos competentes e autoridades. Se as mulheres possuem a mesma formação e obedecem aos mesmos trâmites burocráticos que os homens ao longo de sua trajetória profissional, não há explicação racional para que haja essa diferenciação salarial”, defende o presidente da Anadem.

A edição de 2023 do estudo Demografia Médica no Brasil traz também as diferenças de acesso a consultas médicas no Sistema Único de Saúde (SUS) e nos planos de saúde; dados sobre a expansão das escolas médicas e as mudanças no perfil dos estudantes de medicina; além de um “raio X” da Residência Médica no País.

“Este estudo é um verdadeiro diagnóstico detalhado não apenas da situação dos médicos no Brasil, mas também da área da saúde. Se tivéssemos que dar um parecer, seria que os pacientes inspiram cuidados e atenção para que possam ter uma qualidade de vida melhor a médio e longo prazo”, finaliza Dr. Raul Canal, presidente da Anadem.