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Em Lisboa, jovem de 29 anos morre à espera de cirurgia emergencial

David Duarte, um jovem português de 29 anos, morreu em hospital da capital de Portugal, Lisboa, na madrugada do dia 14 de dezembro, por falta de atendimento médico. Por ser fim de semana quando o paciente chegou na instituição hospitalar, não havia médicos disponíveis e também não chamaram nenhum, apesar da gravidade do caso. Zélia Fonseca, mãe de David, acusa o hospital de “não ter feito nada para salvar a vida” de seu filho.

O caso
O paciente deu entrada no Hospital de Santarém no dia 11 de dezembro, uma sexta-feira, com dores de cabeça e paralisado do lado direito do corpo. Após o diagnóstico de uma hemorragia cerebral na sequência de um aneurisma, foi transferido para o Hospital de S. José, em Lisboa, com a indicação de que deveria ser operado de imediato para tentar reverter a situação.

No entanto, como a equipe de neurocirurgia vascular com capacidade para operar este tipo de caso deixou de integrar a prevenção feita aos finais de semana, o doente teve de esperar até a segunda-feira (14). A situação agravou-se e o jovem acabou por não resistir às sequelas: morreu na madrugada de domingo para segunda-feira, dia 14 de dezembro. A família denunciou o caso à Ordem dos Médicos, que o “PÚBLICO” tentou ouvir, sem sucesso.

Apesar de ser o hospital mais vocacionado para casos de Neurocirurgia, com uma boa equipe de médicos da especialidade, não havia profissionais trabalhando no fim de semana. A causa estaria relacionada a falta de pagamento dos médicos, que exigem ser melhor remunerados durante os dias de final de semana ou de feriado. Por suas exigências não estarem sendo satisfeitas, recusam-se a trabalhar, mesmo em casos mais urgentes.

Pedidos de demissão
Teresa Sustelo, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central, a que pertence o Hospital de S. José, apresentou sua demissão nesta terça-feira (22).

A decisão de Sustelo foi apresentada numa conferência de imprensa no Ministério da Saúde, que contou ainda com o presidente da Administração Regional de Saúde e Vale do Tejo, Luís Cunha Ribeiro, e o presidente do Centro Hospitalar de Lisboa Norte, Carlos Neves Martins. Estes dois últimos também se demitiram.

“Nos últimos anos, com os cortes que tivemos na área da saúde, estes hospitais não tiveram a possibilidade de ter recursos humanos para dar resposta a situações de doentes como este”, explicou Luís Cunha Ribeiro. O responsável da ARS de Lisboa garantiu que já encontraram uma solução para ambos os centros hospitalares conseguirem tratar estes casos, independentemente da hora ou dia da semana. Cunha Ribeiro assumiu que “isto não limpa, não permite esquecer ou desculpar” a morte do paciente, mas defendeu que a resposta encontrada demonstra “a vitalidade do Serviço Nacional de Saúde, a sua capacidade de resposta e a sua capacidade de se adaptar”.

O Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) confirmou ao “PÚBLICO” que “a prevenção aos finais de semana da Neurocirurgia Vascular está suspensa desde abril de 2014 e a da Neurorradiologia de Intervenção desde 2013”, e lamentou a morte. Segundo o centro hospitalar, a prevenção é feita em “regime voluntário” e existiu indisponibilidade por parte de alguns médicos devido às alterações dos regimes remuneratórios. Estes profissionais rejeitaram os valores atualmente propostos para o pagamento das horas de prevenção, o que inviabilizou o indispensável trabalho da equipe.

O CHLC adianta, ainda, que já enviou uma proposta à tutela para reativar este tipo de prevenção, alertando para a “melhoria significativa dos cuidados que podem ser prestados no tratamento daqueles casos”. Na mesma nota, o hospital explica que existem dois neurocirurgiões em permanência no S. José: “Contudo, a cirurgia de urgência dos aneurismas, que é altamente especializada, carece de bloco operatório e de uma equipe de cirurgiões, anestesista, enfermeiros e assistentes operacionais especificamente habilitados para a realizar, não sendo possível efetuá-la com resultados satisfatórios sem as referidas condições técnicas, logísticas e de recursos humanos”.

Fontes: http://br.blastingnews.com/; https://www.publico.pt/
Foto: Ponte 25 de Abril, Lisboa. Por Christiaan Triebert, via Flickr