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Oito amazonenses já morreram após cirurgia plástica na Venezuela em 2015

A busca pelo corpo ou rosto perfeito pode representar mais riscos à vida do que se imagina quando a alternativa é a realização de uma cirurgia plástica. Sem se preocupar com os critérios de segurança, mulheres amazonenses procuram os hospitais localizados na Venezuela para fazer diversos procedimentos por valores mais baixos do que os cobrados no Brasil. Somente no último ano a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica –Regional Amazonas (SBCP/AM) registrou oito mortes de amazonenses que se deslocaram ao país vizinho para fazer intervenções.

O número de pacientes que retornam à Manaus e procuram a rede pública de saúde por complicações pós-operatórias também é crescente. O presidente da SBCP/AM, Ricardo Goes, conta que diariamente recebe informações, de médicos que atendem nos hospitais públicos de Manaus, que mulheres recém-operadas dão entrada no serviço de urgência em decorrência de complicações pós-cirúrgicas.

Há casos em que as pacientes são encaminhadas para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Goes avalia que nesses casos, o correto seria que a paciente fosse atendida por um cirurgião plástico, especialidade inexistente nos prontos socorros do Amazonas. “Diariamente alguém é internado com sequelas ou complicações decorrentes do pós operatório. Há um risco maior no caso de cirurgias combinadas, que é quando vários procedimentos são feitos na mesma ocasião. É o que ocorre lá na Venezuela. No Amazonas e nos demais Estados os cirurgiões não arriscam a vida dos pacientes desta forma. Pelo contrário, orientam quanto à segurança para o paciente”, disse o presidente.

De acordo com Goes, vários fatores podem ocasionar as complicações pós-cirúrgicas como por exemplo a ausência de materiais esterilizados, falta de medicamentos e ainda o deslocamento do paciente durante a viagem do país vizinho a Manaus. “Nessa crise que a Venezuela está passando não sabemos como estão as questões básicas de higiene e de acesso aos medicamentos. São vários fatores que podem gerar as complicações posteriores”, informou. Goes explica que em qualquer procedimento cirúrgico, até mesmo nos menores, o paciente está passível de riscos à vida. Embora, os problemas possam estar associados ou ser decorrentes de fatores como a idade, os maus hábitos, o uso de medicamentos, entre outros. “Em qualquer procedimento há riscos, até mesmo nos odontológicos.

Casos em que as pessoas fumam ou ingerem certos tipos de medicamentos aumentam os riscos”. Conforme o médico, a demanda por cirurgias plásticas no Amazonas cresceu cerca de 80% nos últimos 10 anos, acompanhando o crescimento na oferta de médicos habilitados em cirurgia plástica. Até 2011 Manaus contava com cerca de dez cirurgiões e hoje esse número chega a 30.

Sem poder de fiscalizar a Venezuela

O presidente do Cremam (Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas), José Bernardes Sobrinho, explica que o conselho tem poder de fiscalização em todas as especialidades médicas e nos casos das cirurgias plásticas não é diferente. Porém, a atuação é em âmbito Estadual.

No caso, os procedimentos realizados fora do Amazonas devem ser averiguados pelos conselhos dos outros Estados ou do paísem questão, como é o caso da Venezuela.“O processo inicia com a abertura de uma sindicância. Caso haja indícios de erro médico abre-se um processo, o que é mais demorado. Não podemos intervir quanto a esses casos que ocorrem na Venezuela porque os médicos de lá é que precisam responder. O cidadão pode denunciar ao conselho ou ao órgão relacionado à medicina daquele país, diretamente”, disse.

Sobrinho orienta que quem tiver interesse em passar por uma cirurgia plástica deve procurar um médico especialista e ainda, procurar informações com pacientes que passaram por procedimentos sob o acompanhamento do profissional em questão. Ele aponta que um dos erros de quem busca tratamento fora do país é o desconhecimento do médico que vai lhe atender. “As pessoas vão para a Venezuela e desconhecem o médico que vai lhe atender. Em todos os locais existem os bons e os maus profissionais. Pode ser que a pessoa tenha a sorte de ser tratada por um bom médico. Mas há um risco muito grande de ocorrer problemas”, comenta.

“O barato pode sair caro e isso não vale a pena. Há um risco de perder a própria vida como temos visto por meio da mídia”, completou.

Fonte: Portal Amazônia

http://portalamazonia.com/noticias-detalhe/saude/cirurgia-plastica-na-venezuela-quanto-custa-a-busca-pelo-corpo-perfeito/?cHash=908d20a3667de5fa85e46718ac7652b8

Imagem: Shutterstock