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Estudo da Unicamp 'mapeia' parasitas da leishmaniose e doença de Chagas em distritos de Campinas; Saúde monitora

Circulações foram encontradas na fauna silvestre da Área de Proteção Ambiental (APA), incluindo áreas de Sousas e Joaquim Egídio. Devisa vê quadro estável, mas faz ‘alerta’ para prevenções

Por G1 Campinas e Região

Uma pesquisa da Unicamp identificou as presenças dos parasitas da leishmaniose e da doença de Chagas nos distritos de Sousas e Joaquim Egídio, em Campinas (SP). Segundo a médica veterinária Laís Moraes Paiz, autora da tese de doutorado, as circulações foram constatadas na fauna silvestre da Área de Proteção Ambiental (APA), em análises realizadas entre 2014 e 2015. A Prefeitura diz que monitora a região e, embora indique um quadro “estável”, faz ressalvas para garantir prevenções.

Durante o estudo inédito desenvolvido ao longo de quatro anos e divulgado nesta semana pela universidade, foram investigados agentes de três zoonoses: leishmaniose (tegumentar e visceral), febre maculosa e doença de Chagas. A orientação foi feita pela docente Maria Rita Donalisio.

“Eu sou especialista em zoonoses, mas vim para a Faculdade de Ciências Médicas para entender melhor uma questão de saúde pública que ocorria em Campinas: o foco de transmissão da leishmaniose visceral em cães”, conta a médica veterinária que concluiu o material em fevereiro.

Laís explica que 82 mamíferos foram avaliados, incluindo gambás e saguis. Entre eles, 6% estavam infectados com Leishmania (parasita da leishmaniose), e 4% com Trypanosoma cruzi (Chagas).

Eles estavam localizadas perto de imóveis na área urbana do entorno da APA e isso, de acordo com o estudo, significaria uma eventual possibilidade de transmissão dos parasitas aos humanos e animais domésticos, porque nas matas há insetos que podem vir a ser vetores no futuro – caso ocorram modificações ambientais e climáticas que possam, por exemplo, alterar hábitos deles.

Os animais silvestres infectados não transmitem os parasitas diretamente, por isso, a médica veterinária destaca necessidade de preservação das espécies. O estudo da Unicamp deve servir como ponto de partida para mais análises. Veja detalhes abaixo sobre as enfermidades.

Leishmaniose
Um dos mamíferos analisado, segundo a pesquisa, teve uma infecção que pode estar associada à leishmaniose tegumentar, responsável por casos humanos relatados na região na década de 1990. Além disso, dez animais tinham anticorpos para Leishmania, o que indica exposição ao parasita.

Laís destaca que, embora a leishmaniose visceral seja registrada em cães desde 2009, não houve nenhum caso autóctone (infecção ocorre na cidade) em humanos. A “estabilidade” no quadro do município provoca reflexões dela e do Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas.

“A gente não sabe se os animais silvestres já estavam contaminados dentro de um ciclo e houve a transmissão para um cão, ou se um animal infectado entrou na APA e passou a haver a transmissão […] Entre as hipóteses que podem explicar a não transmissão aos humanos é a baixa densidade do vetor [mosquito-palha]”, afirma Laís ao mencionar outras pesquisas. Para o veterinário Ricardo Conde, do Devisa, o padrão epidemiológico verificado na cidade é diferente de outras regiões.

“Ninguém tem certeza, mas pode estar ligado ao vetor. O mosquito é o mesmo, mas pode ser que o comportamento seja diferente, o caráter genético do protozoário pode ser diferente, são hipóteses. Em outras regiões, como oeste do estado, ela chegou de maneira mais agressiva e um caso no cão, a gente chama de efeito sentinela. Dois a três anos depois aconteceu em humanos.”

Estatísticas do Devisa sobre a leishmaniose visceral em cães de condomínios da APA também foram considerados na tese de doutorado. Entre 2013 e 2015, o índice baixou de 1,5% para 1,2%; e no ano passado a Secretaria de Saúde também contabilizou registros da doença.

Na pesquisa, a médica veterinária também buscou materiais dentro das matas mais preservadas na área de proteção, sem contato com as residências que ficam nas proximidades.

Foto: Arquivo Pessoal / Laís Moraes Paiz