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Novo mecanismo que regula disseminação do câncer de mama é identificado

De acordo com estudo, células cancerosas usam a molécula swiprosina-1 para circular receptores chamados de integrinas, conseguindo, assim, migrar pelos tecidos do corpo

Por Revista Galileu

Uma equipe internacional de cientistas descobriu um novo mecanismo utilizado por células de câncer de mama para se espalharem pelo corpo. Essas células usam a molécula swiprosina-1 para circular receptores de adesão pela superfície celular, disseminando a doença por vários órgãos. Os resultados estão em um estudo, publicado no último dia 8 de outubro, no jornal científico Nature Cell Biology.

Conhecidos como integrinas, os receptores são obrigados pelas células cancerosas a circularem de uma parte de uma célula para a outra. Essas estruturas também têm funções normais, como a cicatrização de feridas. O problema é que, nesse caso, elas acabam permitindo as células de câncer migrarem pelos tecidos humanos.

A equipe por trás da descoberta, liderada por especialistas da Universidade de Turku, na Finlândia, analisou centenas de amostras cancerígenas, identificando uma alta expressão da molécula de swiprosina-1 nos tumores. Especialistas acreditam que essa molécula pode estar ligada não só ao processo de metástase, mas também à malignidade do câncer de mama do tipo triplo-negativo.

Nesse tipo de câncer, não há produção de uma proteína chamada HER2 e há ausência de receptores de hormônios femininos como estrogênio e progesterona. É um quadro invasivo e que se dissemina rapidamente, tendo baixa taxa de resposta aos tratamentos disponíveis. É relativamente raro e a expectativa de vida das pacientes com a doença é menor que dois anos, segundo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.

Entender melhor como esse câncer se espalha pode ajudar a mudar esse cenário. Os pesquisadores acreditam que as células cancerosas triplo-negativas usam a molécula swiprosina-1 para direcionar as integrinas para uma “esteira transportadora” pelas células. É como se houvesse um “sequestro” dos receptores para que eles circulem e o câncer se multiplique.

Os cientistas esperam que essa dinâmica seja de grande valor para estudos oncológicos que ainda estão por vir. “Nossas descobertas abrem uma perspectiva inteiramente nova sobre a função das integrinas e revelam um novo mecanismo que as células cancerosas podem usar para se espalhar por todo o corpo. Esses resultados terão impacto na direção dos estudos sobre câncer no futuro”, afirma Johanna Ivaska, professora que colaborou com o estudo, em comunicado.

Foto: Paulina Moreno-Layseca and Turku Bioimaging